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Jan
15
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Contos da Eneida - Desejos e anseios
Categoria(s): Contos e Poemas |
Sabedoria
Colaboradora: Eneida Tagliolatto *
* Poetisa Paulista
Qualquer dia desses, pedirei ao meu cérebro, se é que se pode pedir; bom mesmo seria exigir, mas sendo impossível, quem sabe se com jeitinho, eu consiga que ele me entenda e transforme em realidade, o que para mim acho que é felicidade.
Felicidade seria que meu cérebro parasse de mostrar-me o lado negro da vida. Esse lado que me amedronta, que me impede de ser eu mesma, que faz com que eu esconda, meus desejos e anseios.
Gostaria que meu cérebro apenas comandasse meus passos e que eu somente caminhasse por campos floridos, não com híbridos, mas com a natureza perfeita que tanto o homem rejeita.
Garanto que meu cérebro entenderia e meus sentidos ampliaria, e eu poderia enxergar as cores que quisesse, sentir os aromas mais suaves que tivesse, ouvir somente o canto de pássaros e o borbulhar de águas em corredeiras. Minhas mãos sentiriam a maciez das pétalas, e minha boca se deliciaria com a doçura do mel.
Mas são devaneios, tudo não passa de anseios; tudo o que eu queria, é impossível realizar. E meu cérebro fala baixinho com medo de me assustar:
- Calma querida! Não desista, insista, e compreenderás que sendo você mesma, com certeza, a sua vida mudará.
MEU PAI
Pai meu, que agora já tem a vida eterna,
o seu nome por mim sempre será lembrado.
Venha agora o teu ministério, e de acordo
com que me ensinaste, procurarei cumprir
seja onde for, neste lugar ou em outro que ainda seja um mistério.
Obrigada pelo alimento e exemplo de vida, que sempre me deste.
Perdoa - me pelas minhas falhas, mesmo sabendo que eu ainda encontro
dificuldade em perdoar quem me magoa.
Não deixe que eu vacile. Ajuda – me contra tudo que possa me causar mal.
Pois, oh meu pai, é tão grande o seu valor,
que seja onde for, com toda certeza, teus ensinamentos jamais esquecerei; por isso termino dizendo:
“Que assim seja!”
Sua filha.
Eneida Tagliolatto

Agmon Carlos Rosa comenta:
15 Janeiro, 2008 @ 21:48
ENEIDA
O bom texto é aquele que deixa saudade na boca da alma…
Vontade de lê-lo de novo. Em poesia, o sentimento basta,
imagino. Se o sentimento nos invade, isso é o suficiente.
Parabens pela sua genialidade.
AGMON, poeta e amigo
Silvia Trevisani comenta:
16 Janeiro, 2008 @ 18:42
Nossa Eneida! De onde vem tanta inspiração? Só poderia vir de alguém especial como você, que consegue enxergar além do além.
Não é que se descobriu poetisa e está florescendo no mais refinado mel, a cada trabalho.
Sou sua fã minha Mestre… e quando crescer quero ser como você!
Bjs da poetisa Silvia
Gabriel Araújo dos Santos comenta:
17 Janeiro, 2008 @ 05:01
O que você pede, Eneida, o mundo inteiro está pedindo. Mas o barulho é tanto, tanto, tal o explodir de bombas, tal o ronco das moto-serras, tal o chamamento ao consumismo e ao erotismo. A natureza se vê apalermada, pois o próprio homem se apalermou ante a desenfreada corrida para alcançar a felicidade, procurada nos bingos, nas concessionárias de carros último tipo e nos shopings que se transformaram em catedrais de sonhos e ilusões.