Jan
04

Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 6

Categoria(s): DNT, Otogeriatria, Saúde Geriátrica


Esclarecimentos

101. O que é neuroaudiologia?

Os sistemas auditivo e vestibular possuem uma anatomia e fisiologia bastante peculiares. Localizados no mesmo receptor periférico (a orelha) adentram o sistema nervoso central e percorrem caminhos totalmente distintos, estabelecendo conexões com inúmeras vias e sistemas, abrangendo uma vasta região do encéfalo. Todos estes complexos sistemas são estudados pela neuroaudiologia.

102. O exame otoneurológico é útil para vertigens?

A investigação sistemática de todas as vias (auditivas e labirínticas) e sistemas pela otoneurologia, não só ajuda na compreensão das causas da vertigens, mas também para as mais diversas especialidades médicas, pois trata-se de uma maneira sensível, pouco invasiva, rápida e muito abrangente de avaliação e monitorização de muitas doenças do SNC.

103. Pode-se tratar os quadros de vertigens sem o exame otoneurológico?

Todas doenças crônicas, debilitantes, invalidantes, tem seu início em sintomas  agudos, pouco valorizados e raramente diagnósticados. Muitas vezes ouvimos - É apenas uma simples tonturinha, que logo passa!

Se teve ou tem tontura, alguma coisa aconteceu. Somente, após um detalhado exame clínico geral e otoneurológico, podemos ter certeza da doença e instituir  o tratamento adequado.

104. Como se avalia a função vestibular e o equilíbrio?

A equilíbriometria, também conhecida como vestibulometria ou exame do aparelho vestibular, é baseada em testes vestibuloespinhais que avaliam o esquilíbrio estático (com a pessoa parada), dinâmico (com a pessoa andando) e em teste vestibuloculares que estudam o reflexo vestibulocular (pesquisa do nistágmo).

105. Como o exame otoneurológico investiga as lesões auditivas?

A avaliação auditiva é feita no laboratório de exame otoneurológico, através da audiometria tonal, discriminação de palavras, audiometria de alta freqüência e audiometria eletrofisiológica, além do exame do equilíbrio.

106. O zumbido está correlacionado com a tontura?

O zumbido e a surdez de causa neurossensorial pode estar associado com tonturas por ter os mesmos fatores causais, lesando o labirinto; o seja, drogas ototóxicas, disfunções metabólicas, agressões infecciosas (virais, fúngicas ou bacterianas), traumas, tumores ou isquemias.

107. O que é zumbido de causa neurossensorial?

O zumbido pode ser de dois tipos; o zumbido periódico - que é o ruído gerado pelas estruturas próximas à orelha interna e transmitido à cólcea e, o zumbido neurossensorial - que é gerado por disfunções da cóclea, principalmente nas estruturas neuroepiteliais do órgão de Corti e em todo sistema nevoso auditivo, desde a sinpase entre a célula ciliada e os dendritos do gânglios espiral, passando pelo nervo coclear, vias auditivas no troncoencefálico, no diencéfalo, nas estruturas subcorticais até a área auditiva no córtex cerebral, situado no giro temporal transverso anterior.

108. como se manifesta o zumbido neurossensorial?

O zumbido neurossenorial é referido como um ruído semelhante a apito, cachoeira, chuva, cigarra, esvoaçar de inseto, etc. Esse zumbido é o que mais incomoda a pessoa e é o mais difícil de ser tratado, e está freqüentemente relacionado com surdez neurossensorial e tontura.

109. Com o tratamento do zumbido neurossensorial, melhora a tontura?

Sim, com o tratamento da fator que causou a lesão neurossensorial dos orgão da audição e equilíbrio, ocorre a melhora da tontura

110. Como se trata o zumbido neurossensorial?

O tratamento mais efetivo do zumbido neurossensorial, como na vertigem, depende da identificação da causa que está gerando o distúrbio, como por exemplo; hiperinsulinemia, uso de drogas ototóxicas, etc.

Veja mais

111. A surdez pode causar vertigem?

Não, mas as causas dos dois sintomas podem resultar das lesões do ouvido interno, cóclea (órgão de Corti, responsável pelas sensações auditivas) e vestíbulo (máculas e cristas ampulares, responsáveis pelas sensações de equilíbrio corporal).

112. Qual a relação que existe entre estes dois sistemas?

Os orgão receptores (orgão de Corti = audição e máculas e cristas ampulares = equilíbrio) estão imersos na endolinfa, e vivem em permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico.

113. Como é constituído o ouvido interno?

ouvido

O ouvido interno (detalhe em amarelo) é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilínfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à grande delicadeza do órgão.

114. Como é feito o equilíbrio pressórico entre a perilinfa e a endolinfa?

O equilíbrio pressórico entre a perilinfa e a endolinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e conserva sua delicada anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano (LCR) do espaço subaracnóide. O LCR conecta-se com o espaço perilinfático através do aqueduto coclear, e com o espaço endolinfático através do saco endolinfático.

115. No caso de aumento do LCR, por meningite, tumor, AVC ou outra causa, pode ocorrer lesão nos orgão receptores da audição e equilíbrio?

Sim, explicando a perda da audição e equilíbrio como complicações dessas doenças.

116. Como é feito o equilíbrio bioquímico e bioelétrico entre a perilinfa e a endolinfa?

Os equilíbrios bioquímico e bioelétrico do ouvido interno estão relacionados entre si e envolvem interações iônicas entre sódio, potássio e cálcio.

117. Como os distúbios metabólicos interferem com a endolinfa?

A endolinfa é rica em potássio, o que só acontece dentro das células. A excessiva concentração de insulina no sangue, que ocorre nos distúrbios do metabolísmo do carbohidrato (diabetes, hipoglicemia, hiperglicemia), provoca um bloqueio da atividade da enzima (Na+K+)ATPase, que leva à retenção de sódio na endolinfa, expulsando o potássio e carreando maior quantidade de água para o espaço endolinfático. Este fato, causa hipertensão da endolinfa e os sintomas de tontura, disacusia (distúrbios da audição) e zumbidos. 

 118. Por que tanto a hipoglicemia como a hiperglicemia, causam vertigem?

O ouvido interno possui intensa atividade metabólica, pouca reserva de energia armazenada, e depende para sua atividade do suprimento constante do oxigênio e da glicose sangüínea. Então, os distúrbios glicoinsulinêmicos (hipo e hiperglicemia ou hipo e hiperinsulinemia) causam transtornos vestibulococleares, promovendo os sintomas de flutuação, sensação de não pisar firme no chão, pressão nos ouvidos, crises de vertigem, distúrbios da audição e zumbido. Também podem apresentar queixas de ouvido tapado, sensação de cabeça oca ou pesada, dores nos ouvidos (otalgia), instabilidade, esquecimento, irritabilidade a ruídos, visão borada, sensação de desligamento, obstrução nasal e pressão retroauricular.

119. Somente os distúrbios do açucar e da insulina causam  labirintite?

Não,  os distúbios dos eletrólicos (sódio, potássio e cálcio) causados pelos hormônios reguladores (glicocorticóides, mineralocorticóides, hormônio antidiurético, etc), inclusive os hormonais  sexuais podem provocar alterações do labirinto e da cóclea.

120. Por que o ouvido interno sofre com os processos isquêmicos?

A rede vascular de terminais no ouvido interno são finíssimas e está vulnerável à insuficiências vasculares agudas e crônicas. A irrigação do ouvido interno é feita através da artéria cerebelar anterior superior em particular da artéria labiríntica e seus capilares.

Na próxima semana (11/01/2008) a sétima parte.

Semanalmente, serão apresentadas 20 dúvidas, até completar 10 semanas com 200 dúvidas e respostas.

Referências:

No final da série das 200 dúvidas.

Indique esse artigo Indique esse artigo


11 Comentários »

  1. maria aparecida corrêa comenta:

    6 Janeiro, 2008 @ 21:07

    Gostaria de saber se existe tto para doença de Meniére. Sou aux. de enfermagem, e hà 3 anos estou afastada, pois tenho crises freqüentes e incapacitantes. Tomo alguns medicamentos, porém sem muito efeito benéfico. Estou desesperada, pois já perdi a qualidade de vida. Me ajudem… por favor.

  2. Prof. Armando Miguel comenta:

    8 Janeiro, 2008 @ 17:04

    Maria Aparecida,
    As páginas com os tratamentos irão ao ar nas próximas semanas.
    É muito importante o diagnóstico da etiologia da vertigem. Nem tudo é Doença de Ménière. Estes situações que levam ao aumento da pressão da endolinfa, que revertem com o tramento da etiologia (fator causal), nestes casos nos dizemos que se trata da Síndrome de Ménière, e não da Doença.
    Faça uma análise de todo o caso com um bom clínico geral que a estude sob todos os pontos de vista, especialmente o metabólico.

  3. francisco comenta:

    11 Janeiro, 2008 @ 09:58

    O que é que me aconselha perante o meu problema de ter tonturas e zumbidos no ouvido esquerdo?

  4. Joaquim Ferreira comenta:

    11 Fevereiro, 2008 @ 16:43

    Ouvido Interno - Desde à uns anos que tenho vindo a perder audição, actualmente o ouvido direito perdeu a capacidade de ouvir sons agudos e graves vai a caminho acelerado, já à muitos anos que nem com aparelho auditivo resolve minimamente. Ouvido esquerdo uso aparelho mas mesmo assim estou a ficar em pânico com a dificuldade de ouvir, ou seja de perceber as palavras. Os elevados zumbidos são permanentes. Em locais de barulhos de fundo já não dá para perceber nada.
    A pergunta que gostaria de fazer: Que devo fazer para que tenha uma melhor irrigação do ouvido interno?
    Com os meus melhores agradecimentos.

  5. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    12 Fevereiro, 2008 @ 03:56

    Joaquim,
    A ginkgo biloba tem sido indicada para os tratamentos otorrinolaringológicos pela suas propriedade na vasculatura e regeneração de tecidos. Porém, sugiro que consulte um otorrino e faça todos os exames que determine o local anatômico da lesão.
    Boa sorte.

  6. Joaquim Ferreira comenta:

    14 Fevereiro, 2008 @ 06:15

    Os meus agradecimentos, Dr. Armando Miguel Jr, pela atenção que dispensou ao meu comentário anterior. Já adquiri o Ginko Biloba, vou começar hoje tomar. Quanto a especialistas, já fui consultado por diversos e todos acabaram por diagnotiscar que não à nada a fazer por tratar-se do ouvido interno.
    Tenho tido alguma esperança que a medicina venha a avançar nestes casos do ouvido interno.
    Com os melhores cumprimentos.

  7. FABIANA BORGES RIBEIRO comenta:

    21 Fevereiro, 2008 @ 05:52

    tenho um filho de 2 anos e 11meses e à cerca de 11 meses ele vem apresentando sintomas de gagueira, gostaria de saber o que posso fazer com ele , se devo o quanto antes procurar um especialista (fonoaudiologista), ou se devo esperar mais um pouco, pois ele está em processo de apredizagem com relaçaõ a dicção …conto com o apoio de vcs , obrigada!!!!

  8. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    22 Fevereiro, 2008 @ 04:31

    Fabiana
    A gagueira pode ocorre por diversos fatores, consulte um fonoaudiólogo, não deixe o processo ficar crônico e causar traumas no filho.

  9. Vera comenta:

    18 Março, 2008 @ 16:18

    Por favor gostaria de impor à sua experiência como medico,DR Armando, alguns fatos sobre lesões vestibulares…(interesse pessoal). Seria de seu interesse ajudar??Obrigada.

  10. Maia Angelica maia comenta:

    11 Junho, 2008 @ 10:09

    Dr. venho sentindo tonturas, alteração na marcha, tonturas qunado movimento a cabeça pricipalmente na cama, já fui a diversos especialistas sem grandes resultados, já usei, cinarizina, meclin ,gingobiloba 120mg, exit, rivotril,labirin, agora vou começar a tomar bataserc 24 , estou ficando muito angustiada e ansiosa pois me impossibilita de ter a minha vida normal. abraço obrigada, aguardo por favor respostas

  11. maryanne Cid comenta:

    11 Outubro, 2008 @ 13:40

    Bom dia ,

    Sinto fortes dores de cabeça, sesação de que vou desmaiar, fraqueza e as vezes sinto dormência do lado esquerdo do rosto e ovido um pouco tapado!

    ando muito nervosa e preocupada de estar com tumor ou aneurisma.

    tenho apenas 25 anos..

RSS Feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe seu comentário aqui !