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jan
03
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Estudo de caso – Infarto do miocárdio
Categoria(s): Cardiogeriatria, Caso clínico, DNT, Emergências |
Interpretação clínica
- Mulher de 67 anos, viúva, procurou o serviço de emergência por desconforto precordial com 30 minutos de duração, no início da manhã. Ela tem história de hipertensão arterial há 15 anos e diabetes tipo II há 12 anos. Esta em acompanhamento cardiológico há 1 ano e meio após episódio de angina pecturis. Faz regime, para controle do peso, da diabetes e do colesterol. Usa regularmente, metformina 850 mg, três vezes ao dia; diltiazem 120 mg 2 vezes ao dia; captopril 25 mg 2 vezes ao dia e sinvastatina 40 mg a noite. Foi realizado o eletrocardiograma (figura) que mostrou supradesnivelamento do segmento ST nas derivações DII, DIII e aVF, V5 e V6.
Qual a hipótese diagnóstica e conduta?
O exame eletrocardiográfico mostra a corrente de lesão (supradesnivelamento do segmento ST) em parede inferior ou diafragmática do coração. Este achado eletrocardiográfico é compatível com fase aguda do infarto do miocárdio. A artéria que irriga esta região é a coronária direita, que também dá ramo para o nó atrioventricular. Com isso, existe a possibilidade de isquemia do nó atrioventricular e ocorrer um bloqueio de condução elétrica do coração, o chamado bloqueio AV total (atrioventricular total), que é uma complicação grave neste já gravíssimo quadro de infarto do miocárdio.
Esta paciente, pertence ao grupo de risco com vários componentes do quadro da Síndrome Metabólica (Obesidade, Dislipidemia, Hipertensão, Diabetes), somando ao quadro de viuvez e menopausa. Considerando-se o tempo de história de desconforto pré-cordial (30 minutos) que a paciente conta, e os achados eletrocardiográficos, a conduta indicada é o uso de trombolíticos na unidade de emergência ou terapia intensiva. O tempo é crítico, o resultado ideal de qualquer abordagem de revascularização será melhor se realizado dentro da primeira hora de tratamento. Em muitas instituições a trombólise é rotineiramente acompanhada, dentro das próximas 24 horas, de arteriografia coronária, seguida de angioplastia, com possível colocação de stent. A máxima da cardiologia é “preservar o miocárdio a qualquer custo”.
A grande ilusão, da maioria das pessoas, é pensar que estando tomando os remédios, está protegida. Na verdade, o melhor remédio é a prática das atividades físicas, alimentação saudável e mudança do estilo de vida. Os pacientes do grupo de risco, como a senhora do nosso caso, deve ter um acompanhamento multidisciplinar, com enfermagem, farmacêutico, nutricionista, fisioterapeuta, professor de educação física, agente social, terapeuta ocupacional, além da equipe médica. Formar esta equipe, falando a mesma linguagem e incorpora-la no dia a dia dos serviços médicos é o grande desafio.
Referência:
Soc. Bras. Cardiol. – III Diretriz sobre o Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio 2004 Arq Bras Cardiol vol 83 supl IV set2004 [on line]
Tags: bloqueio atrioventricular total, infarto do miocárdio, infarto parede inferior, supradesnivelamento do segmento ST


RICARDO ROCHA comenta:
21 novembro, 2008 @ 10:16 AM
EXCELENTE