Dez
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Poemas da Silvia Trevisani - Sonho, Suor e Lágrimas

Categoria(s): Contos e Poemas


Emoção

Colaboradora: Silvia Cristina Martins Trevisani *

* Poetisa Paulista

SONHO, SUOR E LÁGRIMAS

Pobre homem que tem o cheiro da terra,
Traz na pele, marcas do sol abrasador…
Consome suas forças no vaivém da serra,
Ostenta a enxada e a foice sob enorme calor.

Na luta pela terra vive na escravidão,
Alugando-se para não morrer de fome…
A miséria avassala o vestuário e a habitação,
Inibido de pensar, só o trabalho o consome.

O medo e a dependência lhe impedem de reivindicar,
Alguma migalha do suor da sua lida,
Para algum dia na vida se ajeitar…
Trabalha de sol a sol, sem ter esperança na vida.

A natureza lança o sol escaldante,
Que mirra a plantação…
Mingua a água do gado e tudo que é relevante,
Acabam por morrer os animais de desnutrição.

Cria os filhos descalços, nus ou cobertos de andrajos,
Brincando na lama, sobrevivem assim…
Na porcaria de cães, galinhas e gatos…
Nem sempre freqüentam escolas os pobres mirins.

O vilão da retenção do homem ao campo,
É a existência de terras produtivas…
Num país onde poucos são donos de tanto…
E as terras abandonadas não são distribuídas.

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3 Comentários »

  1. Eneida Tagliolatto Pires comenta:

    30 Dezembro, 2007 @ 09:18

    Minha querida amiga! O sonho é sempre um sinal de esperança, o suor sinal de esforço, trabalho, mas as lágrimas…
    Ah, as lágrimas! Se fossem de alegria, porque de alegria também derramamos lágrimas, aí limparíamos com um lenço perfumado. Mas não essas lágrimas que você comenta. Essas lágrimas são de desânimo, de aflição, de desgosto por ver que não valeu de nada o seu sonho, o seu suor. Então limpamos essas lágrimas com a manga da camisa surrada, manga que faz parte de um traje já poído, um traje que ficou molhado de suor, mas que também limpou a testa molhada em um rosto que esbanjava sorriso quando olhava e via que havia terminado de semear o seu sonho e tinha no brilho dos olhos a esperança da colheita. Colheita que não veio…

    Eneida Tagliolatto

  2. Silvia Trevisani comenta:

    30 Dezembro, 2007 @ 12:20

    Querida Eneida,

    Maior do que a alegria de ver nosso trabalho borbulhando aos olhos de quem aprecia a poesia, é a expectativa de ler os comentários que nos são deixados. Muitas vezes, do lirismo de um comentário, daria até para compor mais um verso ou até quem sabe nascer uma estrofe, assim:

    Porque de alegria também derramamos lágrimas,
    que um lenço perfumado pode enxugar…
    Mas as lágrimas de desgosto e aflição…
    lenço nenhum consegue secar.

    Silvia Trevisani

  3. Agmon Carlos Rosa comenta:

    3 Janeiro, 2008 @ 22:35

    Falar da escritora, poetisa e contista Silvia Trevisani, seria repetir o já dito:
    - Um belo idealismo tornado realidade em certos momentos misteriosos, como no instante em que nos apaixonamos…
    Do seu trabalho: - Mais do que o conteúdo, encanta-nos a sintaxe, seu modo de construir uma oração, a força dos verbos, a riqueza das expressões, a magia de encontrar o vocábulo certo para o lugar exato…
    Deste site: - É gratificante ver como este site nos possibilita uma visão integral sobre o paciente em seu contexto biopsicosocial. Sabemos que a cultura é um grande auxiliar na aceitação da maturidade, e que a vivência em determinados assuntos como a arte e a filosofia dão ao idoso maior capacidade analítica e uma visão sintática das informações para discernir o que realmente deve ser aproveitado. Este site mostra-nos uma visão mais ampla do processo saude-doença e de como a medicina precisa tratar do doente e não apenas da doença.
    Parabéns a todos… AGMON, poeta e amigo

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