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Dez
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Contos do Bié - Nossa Senhora dos Acordados
Categoria(s): Contos e Poemas |
O LUGAR, SUAS GENTES E SEUS COSTUMES..
Nossa Senhora dos Acordados, no auge da febre do ouro e do diamante nos confins das Gerais, foi erguida entre as alterosas num dos pontos mais altos daquele oco de mundo. De tão alta, e tantos os acidentes topográficos, que estradas nunca existiram, mas estreitas e íngremes trilhas por onde até hoje as conduções trafegam com
dificuldade de toda ordem.
Teve um tempo que para ali chegarem, as pessoas
deixavam o carro ou a jardineira no sopé da grande montanha, onde ficavam a pastar inúmeros e bons animais de carga e sela que faziam o resto do trajeto até o lugarejo.
As autoridades, pelo menos o prefeito nomeado, não tinham lá muito entusiasmo pelo progresso, e se justificavam que era para não despertar a curiosidade de visitantes inoportunos e turistas indesejáveis. Quanto mais desconhecido e de difícil acesso o lugar,
tanto melhor, que temiam por mudanças radicais em seu cotidiano.
Era este também o pensamento entre os de meia idade, assim considerados os da faixa de 50 a 70 anos, como igualmente entre os mais vividos, dos de 100 para mais.
Existiu época em que havia pouquíssimos jovens, assim vistos os de 40
a 60 anos. Mais e mais crescia a leva dos de meia idade, considerados os de 70 anos para cima.
Tudo pelo fato de a vida ali se prolongar além da conta. E havia os que se mudavam e retornavam depois de atingirem certa idade, e era baixo o índice de óbitos.
Ainda é comum casas e mais casas fechadas e sobradões centenários esperando pelo retorno de seus antigos moradores.
Uma figura muito conhecida na cidade era o Zé Tira Jejum, além do Dirceu Péla Égua. Aquele, pedreiro; e este um famoso embuçador de telhados, profissão herdada do pai, que por sua vez aprendeu com o avô. Na faixa dos 92 anos, não enjeitavam nenhum
serviço.
Havia também o Zé Minhoca, de profissão lá chamada bombeiro, a que em outras regiões do Brasil denominam encanador. Só descansou da lida e se foi em definitivo aos 104 anos, quando o burrico Gabinete lhe deu uma patada nas virilhas.
Tinha como ajudante um de seus catorze filhos, Minhoquinha, que aos oitenta e dois anos não largava de sua caixa de ferramentas pela cidade afora.
Os treze restantes caíram no mundo. Quim Traíra, Zé do Beco e João Mandi retornaram, e estão lá…

Eneida Tagliolatto Pires comenta:
18 Dezembro, 2007 @ 08:27
Gabriel, a Igreja Nossa Senhoras dos Acordados, foi construída nesse local íngreme, já por vamos dizer; ordem de Deus. Dada em forma de sonho para alguém, pois Ele já estava cansado de ouvir tantas promessas e essas não serem cumpridas, que achou melhor ser erguida uma igreja num local de difícil acesso, assim ninguém precisava prometer nada, pois cada um que lá fosse já pagava penitência; e em troca Deus não dava o sono eterno por muito tempo. Por isso que foi dado o nome de : “Nossa Senhora dos Acordados”, pois quem lá fosse só morreria quando estivesse cansado de tanto viver.
Eneida Tagliolatto Pires
Quintino Rodrigues da Paz (Baguari) comenta:
6 Janeiro, 2008 @ 08:30
Bié, li e adorei, continua escrevendo e divulgando os seus contos.
SÉRGIO NUNES comenta:
21 Agosto, 2008 @ 16:08
Concordo com o QUINTINO, QUE ALIÁS FAZ MUITO TEMPO QUE NÃO MANTEMOS CONTATO….Escreva pra mim….