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Estudo de caso - Úlceras recorrentes nas pernas

Categoria(s): Caso clínico, Demografia, Infectologia, Reumatogeriatria


Interpretação clínica

Mulher de 42 anos, vem apresentando episódios de múltiplas úlceras nas pernas, extremamente doloridas, que melhoram com o tratamento e depois de algum tempo voltam a aparecer. Os exames das veias não mostraram alterações. Foi afastada hemoglobinopatias em especial a anemia falciforme. Exames reumatológicos normais. A paciente tem ficado deprimida por não saber qual a sua doença e com tratar para não ter novos surtos. Sente muitas dores e estigmatizada pela inúmeras úlceras das pernas, que chama atenção das pessoas e mesmo familiares. Elas pensam que é uma doença contagiosa.

vasculite

A presença de múltiplas úlcerações nas pernas é pouco comum nos casos das úlceras varicosas. Neste casos pensa-se em vasculopatias e hemoglobinopatias, como a anemia falciforme, e doenças reumáticas como lúpus eritematoso sistêmico, poliarterite nodosa (PAN) cutânea e síndrome antifosfolípide .

Quando todas estas eventualidades são descartadas deve-se pensar na vasculite livedóide (VL) que é uma doença crônica que se caracteriza pela presença de ulcerações recorrentes e dolorosas nos membros inferiores, que ao cicatrizarem apresentam área com atrofia branca, cercada por hiperpigmentação e telangiectasias. A VL já foi descrita em diferentes grupos populacionais e acomete ambos os sexos, com leve predomínio em mulheres. A idade de início geralmente é em torno dos 30 anos, entretanto, há relatos de casos em crianças e idosos. Os pacientes são assintomáticos até que haja ulceração da pele. Essas úlceras são geralmente pequenas, dolorosas e têm bordas irregulares.

Há relatos de lesões semelhantes às da VL em pacientes que utilizaram hidoxiuréia para o tratamento da leucemia mielóide crônica

Etiologia - A etiologia da VL é desconhecida e por muitos anos foi considerada uma vasculite primária. Recentemente, a VL vem sendo considerada uma vasculopatia oclusiva devido a um estado de hipercoagulabilidade. Diferentes alterações da coagulação têm sido descritas como associadas à VL, principalmente a presença de fator V mutante de Leiden, deficiência de proteína C e defeito do ativador de plasminogênio tissular confinado à área envolvida. Presença de altos níveis de anticorpos anticardiolipina também tem sido descrita em alguns pacientes com VL.

A histopatologia revela a presença de depósitos de fibrina na parede e no lúmen, além de hialinização e proliferação endotelial de pequenos vasos da derme e hipoderme. A VL difere das vasculites cutâneas por não se encontrarem infiltrado inflamatório perivascular significativo, leucocitoclasia ou necrose fibrinóide da parede do vaso. A imunofluorescência direta revela depósitos de IgM e, ocasionalmente, de IgG e de IgA no vaso envolvido.

Tratamento - O tratamento inclui repouso e utilização de anti-sépticos local nas lesões, para evitar infecções secundárias. O tratamento sistêmico é bastante difícil e não há estudos controlados. A experiência da literatura no tratamento da VL é baseada em relatos e séries de casos e a escolha do tratamento deve ser individualizada. No passado, a fenformina era utilizada empiricamente no tratamento da VL com certo sucesso. Atualmente, a maioria dos autores recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (200 mg/dia), associado à pentoxifilina (400 mg de 12/12 horas). O uso de anticoagulante oral (warfarin) em baixas doses também vem sendo recomendado, como alternativa nos casos não responsivos. Em casos refratários a essas medidas preconiza-se o uso de corticosteróides, colchicina e azatioprina, além de pulsoterapia com ciclofosfamida e de imunoglobulina endovenosa. Recomenda-se o uso de imunossupressores quando houver neuropatia associada.

Referências:

Souza, AWS; Sato EI - Vasculite livedóide. Rev Sinopse Reum. 2004 Abr A 6 N 1

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24 Comentários »

  1. Ronaldo Andrade dias comenta:

    4 Fevereiro, 2008 @ 16:39

    Gostaria de uma informação por gentileza, minha mãe também tem umas feridas nas pernas
    parecidas com estas da foto são também feridas que vão e voltam .
    e nos lugares aonde a ferida cicatrizou-se deixa uma mancha enorme pois a ferida começa
    como ferida de pernilongo e chega a ser maiores que uma bola de de golfe ,só que dão varias
    de uma vez.
    sei que você talvez não seja quem devo procurar mas talvez poderia enformar um especialista
    agradeço desde já pela sua atenção

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    5 Fevereiro, 2008 @ 03:28

    Ronaldo,
    A vasculite livedóide (VL) descrita no caso é uma doença acompanhada com reumatologísta. Ele poderá afastar as outras causas.
    Att

  3. sol_lunar comenta:

    18 Abril, 2008 @ 22:29

    Será o reumatologista o especialista certo para o tratamento/acompanhamento da VL? Ou um dermatologista? Outros..?

  4. C Ferreira comenta:

    30 Abril, 2008 @ 20:49

    Tenho uma filha de 25 anos com vasculite livedóide que já tem tido ulceração dos membros inferiores, mas que agora está com dificuldades de circulação, a nível de mãos e pés, tendo ficado com alguns dedos negros e feridos e sofrendo dores. Está internada a fazer tratamento com imunoglobulina, depois de já ter feito iloprost. Se não resultar, onde deverá recorrer?

  5. karina comenta:

    24 Junho, 2008 @ 11:10

    Olá tenho vasculopatia livedóide á 8 anos estou com 20 anos agora não sei mais o que faço já fiz
    medicina hiperbarica que me ajudou um poco entre outros muitos medicamentos mas utimamente estou tomando imunoglobulina e aas infantil de td já tentei por favor se puderem entrar em contato comigo para trocarmos uma idéia agradeço pois é muito dificil encontrar algém que tenha essa doença…

  6. Viviani comenta:

    3 Julho, 2008 @ 16:30

    Oi meu nome é Viviani e no ano passado tive um caso bastante parecido com os descritos aqui. Comecei com duas manchas na canela como se fossem picadas de mosquito, depois elas começaram a encher de água e inflamar… Dali em diante foram diversos tratamentos com diferentes tipos de antibióticos, muito doloridas começaram a se proliferar em torno. Quando uma cicatrizava outras duas novas apareciam. Até que fiz uma biópsia e constatamos que era a princípio uma infecção bacteriana causada por stafilococos. Depois de dois meses de cicatrizadas elas deram sinais de vida novamente. Agora com elas cicatrizadas fui a um dermato de confiança que me alertou para a forma como ficaram as cicatrizes e me recomendou procurar um reumatologista uma vez que um dos meus exames relacionados a reumatismo também deram discretas alterações… Quando criança tive uma doença chamada leucopenia, mas que foi tratada na época, será que tem alguma relação? Será que tenho esta doença? Agora vou procurar um reumato para tentar descobrir…Tomara que não seja nada disso e que tenha sido apenas uma infecção bacteriana mesmo.

  7. sol lunar comenta:

    4 Julho, 2008 @ 09:52

    Karina,
    o meu caso clínico é, ao que parece, muito semelhante ao teu. Gostaria realmente de contactar contigo para discutir o problema, mas não deixaste contacto..
    O meu mail é: sol_lunar(at)iol(ponto)pt

  8. Ana Catalão comenta:

    7 Julho, 2008 @ 21:26

    No meu caso começou-me por me aparecer umas manchas vermelhas nas pernas não muitas nos primeiros dias mas que se foi alastrando rapidamente nas duas pernas e cada vez mais vermelhas. Isto apareceu-me após o funeral da minha mãe, não sei se tem alguma coisa a ver, ao fim de alguns dias fui à médica e ela disse que eu tinha feito uma vasculite mandou-me a um dermatologista ele confirmou a vasculite mandou fazer análises receitou Vanex Forte duas vezes ao dia e uma pomada para as pernas melhorei com o tratamento desapareceram as manchas mas de vez em quando voltam a aparecer não tão fortes continuo a beber o vanex mas nunca me explicaram o que era vasculite quais os cintomas que eu podia vir a ter mais, mas eu agora estou a ter mais manchas e apareceu uma muito grande no estomago estou desesperada tenho uma grande impressão na vista não sou capaz de fixar coisas que são banais, e disseram-me que pode ser tudo da vasculite. Não sei aonde me dirigir não gostei muito do médico que me viu à dois anos e estou muito preocupada tenho imensas dores nas pernas em especial nas ancas e no encaixe das pernas com a coluna. Gostava que se possível me podessem indicar o que devo fazer.

  9. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    7 Julho, 2008 @ 21:43

    Ana,
    Faça uma consulta com médico reumatologista e repita todos os exames laboratoriais, se for o caso até biópsia da lesão.

  10. cecília ferreira comenta:

    12 Julho, 2008 @ 20:50

    Já passaram quase 3 meses desde que a minha filha foi internada fazendo tratamentos com imunoglobulina, cortizona, ciclofosfamida, câmara hiperbárica… A sua doença é vasculite livedóide e o quadro actual é ter alguns dedos necrosados. Não se verificam melhoras. Gostaria de trocar informações com alguém com problemas semelhantes.
    O meu e-mail é cecilia-ferreira.vn@iol.pt

  11. karina comenta:

    13 Julho, 2008 @ 09:45

    Sol meu email é karina-cristiane@hotmail.com se vc tiver msn melhor podemos comversar se não me conta um pouco da tua história,como começou?o que sente ? quais tratamentos q vc já fez enfim tenho muitas curiosidades aaaa antes q eu esqueça de onde vc é,eu sou de gaspar santa catarina…abraço

  12. edna comenta:

    9 Agosto, 2008 @ 07:37

    meu sogro,fez exames e ele esta com:diabetes,colesterol alto,pneumonia,e fortes dores de cabeça.ele sente fortes dores nas pernas que esá dificultando ele a andar,os médicos disse que ñ em nada a ver com veias. o que deve ser?

  13. Ivone comenta:

    25 Agosto, 2008 @ 18:48

    Ola!!!!eu sou de Santa Catarina e tenho vasculite livedóide desde os meus 14 anos de idade e agora estou com 39 anos,ja sofri muito, existem poucos médicos especialistas para esta doença,e está sendo muito dificil de conviver com esta doença,pois tem dias de melhoras e muitos dias a piores,,na minha opinião os médicos deveriam investigar um pouco mais sobre esta doença,pois só quem tem e sofre com ela sabe o que se passa na cabeça da gente,,,eu me dessespero muito e tomo antedeprecivo ja ha dois anos pois eu não me conformo com esta doença que está se agravando muito,,,,,,,,,,,,um grande abraço……

  14. karina cristiane comenta:

    27 Agosto, 2008 @ 12:34

    Oi Ivone por favor nosso caso de vasculopatia livedóide é muito parecido passe seu tel pra mim por Email eu te ligo queria muito comparar uma foto sei lá pra ver se é realmente como o seu por favor deixe um recado no meu email…
    Me passe se email tambem sou de gaspar santa catarina bjão…

  15. Maria Alice comenta:

    14 Setembro, 2008 @ 12:22

    Tenho hoje 54 anos e tudo começou aos 24, com um problema de feridas nas pernas, sem diagnostico fechado. Na época suspeitava-se de uma vasculopatia. Anos mais tarde foi constatado uma contaminação por leishmaniose, tratada com a medicação adequada, fiquei aprox. 2 anos sem problemas ( neste período tive até uma filha). Logo depois começaram a aparecer novamente as feridas, e cada vez mais agressivas, continuei fazendo vários tratamentos e ainda hoje tenho problemas do aparecimento de lesões que vêm antecedidas por nódulos doloridos que evoluem para uma bolha, na maioria das vezes como o rompimento de um vazinho e daí a lesão que tem dificil cicatrização e é tremendamente dolorida, já tratei até por atrofia branca de miliam (com danazol), e nada .O problema continua e é mais acentuado na época de calor. último tatamento com vasodilatador e aspirina, sem solução!!!.. que devo fazer ainda?

  16. kedma Maria comenta:

    7 Outubro, 2008 @ 20:46

    olá!eu tenho vasculite livedoide a três anos,hoje tenho vinte e sete anos ,para mim parecia o fim do mundo,até hoje não me conformo com essas manchas nas pernas nem com a quantidade de remédio e de exames que tenho que fazer de dois em dois meses,fasso tratamento com pentoxifilina de 1400mg,aas e corticoide graças a Deus que parou de ucerar mas com certeza foi depois que comecei a tomar o pentoxifilina.hoje tenho as pernas manchada mas as dores terriveis que tinha quando minhas pernas ucerava já nao sinto a um bom tempo,.

  17. karina comenta:

    9 Outubro, 2008 @ 13:09

    Kedma me deixe seu Email para q eu possa falar com vc meu é karina-cristiane@hotmail.com… tbm tenho a mesma doença que vc á 9 anos…

  18. Henrique comenta:

    21 Novembro, 2008 @ 13:58

    Pessoal,

    Olá. eu nome é Henrique, moro em Minas Gerais. Também tenho vasculite nas pernas há cerca de 5 anos. Tenho obtido êxito no tratamento com meu médico de São Paulo. Só Deus sabe o tanto que sofri com dores por causa das úlceras.

    Venho estudando a doença e gostaria de reunir algumas pessoas que tem para trocarmos experiências. Noto que váriso fatores externos influenciam nela, como o cansaço, stress, etc.

    Durante todo este ano de 2008 quase não tive lesões, pois, me alimentava bem, dormia bem.

    Porém, neste segundo semestre piorei bastante devido ao ritmo que estou levando, com poucas horas de sono diárias.

    No próximo semestre, já me programei para retomar a vida saudável que vinha tendo.

    De qualquer forma, acredito que possamos nos curar em alguns anos. Já tie prova disto quando adotei um estilo de vida diferenciado.

    Enfim, gostaria imensamente de me reunir com todos vcs. Seria possível? Alguém se habilita?

    Espero que sim, pois, pessoas com vasculite são raras, cerca de 9 a cada 1.000.000 de habitantes.

    Fiquem com Deus,

    Aguardo retorno,

    Henrique

  19. Ivone comenta:

    22 Novembro, 2008 @ 18:45

    Gostaria de falar que o comentario do Henrique é muito importante….e seria muito bom se todos se unissem…de preferencia com médicos especialistas,o problema,eu acho que todos gostariam de se unir mas acho que a maioria como eu estão sem condições….financeiras……….pra isso precisariamos de ajuda………………….
    TUDO DE BOM PRA TODOS………………….E AGUARDO NOTICIAS……..

  20. Mivla comenta:

    25 Novembro, 2008 @ 14:51

    Como posso contactá-lo, Henrique?

  21. Henrique comenta:

    28 Novembro, 2008 @ 12:13

    Ólá, pessoal. Meu e-mail é henriquevilaca@gmail.com. Quem se habilitar a nos encontrarmos, estou disposto a nos encontrarmos e acho isso muito importante. Vejam: a doença é uma doença auto-imune, ou seja, podemos reverter o quadro para melhora da mesma forma que revertemos para que a o problema se manifestasse. Vamos nos reunir, isso é muito importante.
    Se eu puder ajudar, me disponho a encontrá-los no lugar designado. Vamos primeiro nos falar por e-mail, MSN, aí verificamos as possibilidades.
    Abs,
    Henrique

  22. Henrique comenta:

    28 Novembro, 2008 @ 17:16

    Prezado Dr. Armando Miguel,
    Boa noite. O Sr. poderia me informar quais seriam as diferenças entre vasculite leucocitoclástica e vasculite livedóide? Sei que a segunda nâo vem sendo considserada verdadeira vasculite pela Medicina. Mas, qual as diferenças? Por acaso a vasculite leucocitoclástica nas pernas pode evoluir para braços, ou outros órgâos? Enfim, se o Sr. puder me ajudar, ficarei grato. Atualmente, há cerca de três anos venho tomando o micofenolato mofetil e obtendo êxito na doença, salvo o fato de recentemente ter piorado por causa do forte ritmo que venho vivendo. Mas, voltarei ao ritmo normal em 1 mês e, certamente, melhorarei.
    Por acaso há outro medicamento para contê-la?
    Desde já fico grato,
    Abs,
    Henrique

  23. Rosane comenta:

    30 Novembro, 2008 @ 02:09

    Olá, sou portadora de vasculite há mais de 25 anos.
    Passsei um período se as ulceras, mas nos 3 últimos anos elas tem sido constante.
    Achar vocês foi um alívio, pois sei das angústias que essa doença provoca.
    Gostaria muito de manter contato com vocês para troca de informações.
    Abraços,
    Rosane

  24. Rosane comenta:

    30 Novembro, 2008 @ 02:13

    Em tempo: email:roshminas@hotmail.com

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