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Dez
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Doença inflamatória intestinal - Terapia biológica
Categoria(s): Gastrogeriatria, Infectologia |
Editorial
Terapia biológica - O futuro do tratamento médico?
De uma forma geral as terapia convencionais para as doenças crônicas são complicadas de sucesso relativo. Os estudos da biologia das reações celulares e humorais têm aberto um novo campo a pesquisa da terapia destas doenças.
As principais doenças inflamatórias intestinais são: a Doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa inespecífica (RCUI). Elas ocorrem a partir da interação de fatores genéticos, luminais (presentes na luz intestinal, como bactérias, seus produtos e antígenos alimentares), os relacionados à barreira intestinal (aumento da permeabilidade intestinal) e à imunorregulação da mucosa intestinal.
A RCUI acomete a mucosa do cólon e reto, enquanto a DC agride toda parede intestinal (inflamação transmural) gera reação granulomatosa em qualquer parte do tubo digestivo, com predileção pela região ileal e ileocecal.
Tratamento
Em tratando-se de enfermidades crônicas, com períodos variáveis de acalmia e recaídas, é fundamental que os médicos informem o paciente sobre isso e a necessidade de controles periódicos. O esquema terapêutico envolve o conhecimento de todo o estado geral do paciente, sobre tudo os possíveis produtos alimentícios que podem desencadear reações do sistema imunológico. Esses alimentos deletérios (diagnósticado pelo teste de alergia alimentar - RAST) devem ser afastado e substituídos por outros saudáveis, sob orientação de uma nutricionista.
Os produtos farmacológicos mais indicados são: Derivados salicílicos (sulfassalazina e novos derivados salicílicos = Olsalazina, Balsalazida, Mesalazina,etc); Corticosteróides (hidrocorisona, prednisona, prednisolona) e Imunomoduladores (azotioprina, 6-mercaptopurina, cloroquina, ciclosporina e metrotrexato).
Terapia biológica - são compostos que age em mediadores e fenômenos naturais e fisiológicos. Esta terapia nas doenças inflamatórias intestinais (DII) objetivam promover um bloqueio seletivo de mediadores inflamatórios (imunidade adquirida), bem como do aumento da imunidade inata.
Trabalhando a imunidade inata
1. Fatores de crescimento (fator epidérmico de crescimento, fator trefoil, TGF-beta, hormônio de crescimento, fator de crescimento do queratinócito) têm sido testados na sentido de melhorar a defesa do trato digestivo (efeito barreira)
2. Prebióticos, probióticos e simbióticos agem modificando a microbiota intestinal e normalizam o conteúdo de Bifidobacteria e Lactobacilli, diminuindo o contingente antigênico imposto às células imunocompetentes da parede intestinal. Estes produtos, também, estimulam a secreção de mucina e de TGF-beta, aumentando a capacidade de defesa do trato gastrointestinal. Veja mais
3. Fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos (GM-CSF, Sargramotin) melhoram a imunidade inata do intestino.
Trabalhando a imunidade adquirida
No caso da imunidade adquirida, é possível bloquear:
1. Interleucina 12 (IL-12) => anti-IL-12 ou ABT-874
2. Interleucina 2 (IL-2) => anti-IL-2, daclizumabe e basiliximabe
3. Interferon-gama => anti IFN-gama, fontolizumabe e HuZAF
4. clones de células T (CD4+) => anti CD3, visilizumabe ou HuM291
5. alfa Interleucina 6 (alfa IL-6)=>atlizumabe
6. Moléculas de adesão:
–integrina a4 => natalizumabe; integrina alfa4beta7=>MLN-02, LPD-02; intercelular 1 => ICAM1,alicaforsen ou ISIS 2302
7. Fator de necrose tumoral alfa (FNT-alfa) =>infliximabe, certolizumabe e adalimumabe
No Brasil, o infliximabe (anti FNT) é a droga mais testada, e já comercializada. Os efeitos colaterais dependem da velocidade de infusão, como febre, cefaléia, náuseas, dor abdominal, tonturas, artralgia, dor torácica, abscessos, furunculose, pneumonia, infecções das vias aéreas superiores, bronquite, faringite e risco de linfoma não Hodgkin.
No caso da imunidade adquirida, é possível oferecer:
1. citocinas antiinflamatórias - Interleucina 10
Muitas destas terapias biológicas estão em fase experimental. Entretanto, os resultados preliminares são encorajadores.
As pesquisas no campo da terapia biológica certamente trarão medicamentos mais eficazes, de fácil administração, com pouco efeito adversos e com grande impacto sobre a história natural das doenças crônicas, como a Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa inespecífica
Referências
Bouma G, Stroger W - The immunological and genetic basis of inflammatory bowel disease. Nature Rev 2003;3:521-33.
Damião AOMC, Habr-Gama A- Retocolite Ulcerativa Idiopática. In Dani R, Paula-Castro L eds. Gastroenterologia Clínica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1993: 1037-76.
Damião AOMC et al - Doença inflamatória intestinal Rev Bras Med 2006;63:108-122
Tags: citocinas, doença de Crohn, doença inflamatória intestinal, Retocolite Ulcerativa Inespecífica

Cristiane comenta:
9 Fevereiro, 2008 @ 18:26
Gostaria de saber se existe uma planta medicinal que trata a retocolite ulcerativa ou alguma outra planta, que trata o fechamento da fístula entre o canal do ânus e a vagina.
Obrigada.
Não fiz nenhuma cirurgia, e estou cansada de fazer uso de medicamentos farmacêuticos.. como a safasalazina e o razulfin.
Fico no aguardo.
Crissy
Jorge comenta:
28 Março, 2008 @ 10:59
Por favor, me informem
Foi detectado pólipos no intestino reto de meu pai (76 anos), ele está passando por uma bateria de exames para verificar a extensão do problema.
A terapia biológica funcionaria no caso dele, o custo dos remédios é alto, o sistema público de sáude cobre? obrigado desde já.
miriam comenta:
21 Maio, 2008 @ 17:15
o meu tio passou mal e os medicos disseram, que o intestino dele estava todo furado , o que significa isto?
Luiz comenta:
10 Novembro, 2008 @ 18:15
Prezado Armando,
Já existe previsão de comercialização de Lactococcus lactis geneticamente modificado? Sabe me dizer se existem estudos em andamento, em qual fase?
Seu colega, Luiz.