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Nov
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Poemas da Eneida - Alma enferma
Categoria(s): Contos e Poemas |
Poemas
Colaboradora: Eneida Tagliolatto *
* Poetisa Paulista
ALMA ENFERMA
Se todos pudessem entender
os sentimentos que invadem
a alma de alguém.
Seria no meu modo de ver,
muito mais fácil compreender,
quando essa alma deixa transparecer,
a sua tristeza e sua dor também.
Sim, é verdade, alma tem dor.
Uma dor cruel, que leva ao desespero total,
e que muitas vezes,
pode-se tornar fatal!
Mas é tão simples conter esse pesar,
basta as pessoas que rodeiam o infeliz,
deixá-lo em paz, sem cobrar.
Deixá-lo apenas viver;
viver como sempre quis.
DESILUSÃO
Em nosso vocabulário existem palavras terminadas em “ão” que mexem com nossos sentimentos. Exemplos: emoção, afeição, satisfação, ilusão, e outras tantas mais.
Mas tem uma, que para mim é muito cruel: é a desilusão.
Desilusão é terrível.
Ela já matou meus desejos, anseios, sonhos,
deixando-me triste e magoada.
Vivendo apenas de lembranças,
poucas, quase nada.
Ah, desilusão.
Você é algo que alguém semeia,
e vai regando sutilmente,
fazendo você ir corroendo a alma
da terra em que foste plantada.
Seus brotos aparecem no meu olhar tristonho.
Suas raízes entrelaçam os meus membros,
que se esmorecem,
e não têm mais forças para caminhar.
Até na minha fala você interferiu.
A voz que antes era possante,
agora quer calar.
Mas vejo uma luz no túnel,
e lembro que ainda me resta uma semente,
semente essa; poderosa,
que embora você teime em abafar,
devagarzinho, disfarçada, até um pouco audaciosa,
ela consegue respirar.
Foi plantada de outra forma.
Está sendo regada com estímulos.
E estou com esperança
de voltar a ter a alegria de uma criança,
pois essa semente, me foi dada
por pessoas sem leviandade,
pessoas que apenas querem; a minha felicidade.
Essa semente chama-se: Amizade
* Figuras de Carl Larsson (1853-1919)

Gabriel Araújo dos Santos comenta:
27 Novembro, 2007 @ 05:18
Como um subsolo que esconde riquezas inimagináveis, desde o ferro guza até o cobiçado diamante e outras raridades, assim vejo o íntimo da Eneida, alma de aparência tão singela, que não quer muito da vida, apenas e tão somente que a deixem viver, e não precisa de mais nada, desde que não lhe falte o essencial, a amizade…
Cláudia comenta:
27 Novembro, 2007 @ 17:50
É dona Eneida ainda bem que temos a amizade. Devemos sempre pensar nesta luz no fundo do túnel. O que nos resta diante de uma desilusão, senão a amizade? Muito profundo mesmo esse seu poema, principalmente quando fala:
” …. lembro que ainda me resta uma semente,
semente essa; poderosa,
que embora você teime em abafar,
devagarzinho, disfarçada, até um pouco audaciosa,
ela consegue respirar…..”
Silvia Trevisani comenta:
7 Dezembro, 2007 @ 17:29
Minha mestre Eneida… Em qual degrau de inspiração se encontrava para nascer esse diamante que você delicadamente batizou de “desilusão”, em cada verso conseguimos imaginar seus olhinhos brilhando.
Onde adormecia tanto talento? Que bom que você deixou desabrochar a poetisa que existe em você.
Bjs
Dalva Saudo comenta:
6 Janeiro, 2008 @ 06:40
comentário para Alma Enferma
Eneida
Identifiquei-me com sua poesia por ser bipolar. E…quando minha alma está na dor em que você se refere na segunda estrofe sou muito cobrada.
Ao ler a quarta estrofe pensei:
- Na pluralidade de sentimentos nasceu essa poesia. Ao lê-la, fiquei admirada. Para mim ela tornou-se encantada!
Houve interação da poeta com a leitora quando você diz:
“Seria muito simples conter esse pesar,
basta que as pessoas que rodeiam o infeliz
Deixá-lo em paz sem cobrar…”
Dalva Saudo