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Nov
16
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Sexualidade feminina - papel dos hormônios
Categoria(s): Bioquímica, Endocrinogeriatria, Ginecogeriatria, Saúde Geriátrica |
Conceituando
Lembramos que, na pós-menopausa, o ovário não é um órgão morto. Ele continua ativo e, às vezes, hiperativo. Perde apenas a sua função reprodutiva, por falência do aparelho folicular, porém sua função endócrina permanece, só que de uma maneira diferente. Não havendo folículos e respectivas células da granulosa, não haverá produção estrogênica, o que levará a um aumento do FSH e LH, por falta do feedback negativo que o iniba.
O LH aumentado irá manter o estímulo trófico sobre as células do estroma ovariano, que possuem receptores para LH e continuarão produzindo os esteróides que são próprios deste compartimento, principalmente testosterona e androstenediona.
Devemos sempre considerar o ovário após a menopausa como uma glândula produtora de androgênios, que eventualmente poderão ser aromatizados perifericamente em estrogênios.
Ação hormonal sobre a libido - As pesquisas mostram que estrogênios e androgênios têm ações diferentes sobre a libido e a sexualidade.
Função dos estrogênios - Os estrogênios atuam perifericamente aumentando a vascularização, lubrificação, elasticidade e trofismo da vagina, conseqüentemente diminuindo a dispareunia (dor na relação sexual) e, neste sentido, melhorando o ato físico do coito. Contudo, eles são desprovidos de efeitos sobre os aspectos motivacionais do comportamento sexual, tais como desejo, fantasias, auto-erotismo e gratificação.
Função dos androgênios - Os androgênios, ao contrário dos estrogênios, tanto no homem como na mulher, atuam principalmente nos aspectos motivacionais ou libidinais, e não na resposta fisiológica periférica. Estudos em primatas não humanos sustentam a conclusão de que a testosterona exerce seu efeito sobre o desejo sexual via mecanismos que atuam diretamente no cérebro, e não através de ações nos tecidos periféricos. A conclusão destes conhecimentos é que nas pacientes ooforectomizadas, na pré ou pós-menopausa, a reposição hormonal deverá incluir necessariamente um androgênio, seja na forma de metil-testosterona (2,5 mg diárias por via oral) ou enantato de testosterona (75 mg em injeções intramusculares mensais).
Estrogênios associados a progestogênios - O emprego de estrogênios associados a progestogênios não androgênicos, como a medroxiprogesterona ou acetato de ciproterona, pode diminuir a libido da paciente. Uma das razões é que os estrogênios além de diminuírem, pelo feedback negativo, os níveis do LH, e conseqüentemente os dos androgênios ovarianos, aumentam a produção hepática da globulina fixadora dos esteróides sexuais (SHBG), que tem uma afinidade maior pela testosterona quando comparada com os estrogênios. Este aumento da SHBG resulta numa maior conjugação da testosterona, diminuindo a sua fração livre que é a biologicamente ativa.
Dica - Nos casos em que a paciente relata diminuição da libido com a TRH, a substituição do progestogênio por um derivado 19-nor poderá melhorar o quadro. Caso contrário, deve-se acrescentar a testosterona.
Veja - Menopausa: Alterações neuroendócrinas
Referências:
Kalin M.F. ; Zumoff B.“Sex Hormones and Coronary Disease: a Review of the Clinical Studies” Steroids 55 ; 330-352 ; 1990.
Kanaan S, Garcia MAT, Carvalho CB, Cárcano FM - Alterações laboratoriais hormonais em geriatria. JBM 89(5/6):12-24,no/dez,2005.
Lent R - Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos Fundamentais de Neurociência. Editora Atheneu/Faperj 2001.
