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A morte – Quando construir opções pessoais

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia, Tanatologia


Tanatologia

A MORTE
“Na vida somos hóspedes de passagem…” André Malraux (1901-1976), pensador francês.

Ester, 63 anos, encontra-se em estado terminal causado por um câncer de ginecológico avançado. Esta apresentando obstrução bilateral dos ureteres, por invasão tumoral. Esta obstrução ao fluxo urinário está destruindo os rins. O médico que à assiste propõe uma derivação urinária (nefrostomia) para evitar o dano renal. Sua condição de vida é crítica. Ester toma uma decisão. Pede ao esposo que convoque um advogado para legalizar os seus bens.

Qual é o melhor momento para construir opções pessoais diante da morte?

As pessoas saudáveis em geral não se ocupam deste tema, salvo ao considerar a aquisição de apólices de seguros, dispor de seus bens ou antecipar desejos sobre a peculiaridade dos ritos funerários. Muitos doentes, diante da realidade da morte, se afundam em fases de negação, uma de cujas variedades consiste em dedicar todas as suas energias à busca da cura e nunca em organizar sua vida pessoal, deixando todos os documentos e intenções pessoais desorganizados. Porém, o melhor momento para construir as nossas opções pessoais diante da morte deve ser quando estamos lúcido e consciente das nossas atitudes.

A morte é um processo biológico natural e necessário. É condição indispensável à sobrevivência da espécie e fundamental para a “aventura humana sobre a terra”. Através da morte a vida se alimenta e se renova. Desta maneira a morte não seria a negação da vida e sim um artifício da natureza para tornar possível a manutenção da vida.

O conceito puramente biológico de morte entretanto não é bem aceito pelo homem. O homem tende a analisar a morte filosoficamente criando aspectos que transcendem aqueles puramente biológicos. A morte é vista de maneira diferente segundo diferentes grupos sociais e de acordo com aspectos religiosos, éticos e culturais. Basicamente a sociedade ocidental rejeita a morte procurando constantemente vencê-la e para isso se baseia no seu desenvolvimento científico. A tentativa de vencer ou no mínimo contornar a morte leva a um cem numero de situações que muitas vezes se confundem com a ficção.

No inicio do século as pessoas morriam em casa ao lado de seus familiares. A partir da metade deste século o local de morte passou a ser o hospital freqüentemente longe de familiares. Atualmente há uma clara tendência de se voltar aos procedimentos do inicio do século com cuidados especiais que diminuiriam a dor e propiciariam melhores cuidados psicológicos.

O Encontro com a Morte.

A médica psiquiatra suíça Elizabeth Kubler-Ross observou que após o choque de se saber sobre a condição que o levará à morte a pessoa passa por 5 fases psicológicas: negação, raiva, barganha, preocupação e aceitação. Na fase de negação a pessoa se recusa a reconhecer a realidade e age ignorando a doença.

A seguir a pessoa tende a ficar raivosa ressentida das pessoas que estão saudáveis e culpando médicos e familiares de suas incapacidades em ajudar. Na fase da barganha ou da pechincha a pessoa passa a “comprar tempo” através de preces pedindo por “mais um ano de vida…”. Esta fase é seguida pela compreensão da realidade quando em geral há tendência à depressão e à tristeza, lamentando a perda da vida. Na fase final apesar de sempre persistir algum sentimento de medo e raiva a pessoa se torna preparada para a morte com paz e dignidade.
Muitas vezes a morte é o fim de um longo suplicio, é a libertação…

A consciência de seu fim transforma o homem de certa maneira em um privilegiado e, segundo o teólogo Teillard de Chardin (1881-1955), o torna objeto de sua própria reflexão. Desta maneira, refletindo sobre a morte, podemos concluir pela imortalidade do homem ao notar que se perpetua através do repasse de seu patrimônio genético aos seus descendentes, ou através de sua obra cultural pode se integrar ao patrimônio da Humanidade e se eternizar.

Concientização da terminalidade

Não é necessário que as pessoas se encontre doente ou diante da morte, nem que seus entres queridos tenham passado por estas situações, para elaborar suas próprias diretrizes de manejo com respeito a situações de vida e morte. Quantos processos de partilha de bem (inventários), vemos arrastando-se nos tribunais, pela falta de apenas uma assinatura da pessoa que havia falecido. Os médicos, em particular os geriatras, devem ter em mente que esta, também, é uma de suas funções, ou seja, orientar a pessoa que deve cuidar para que tudo fique em ordem, inclusive do ponto vista legal, quando de sua partida.

Referências:

Azevedo JRD – “Ficar Jovem Leva Tempo….Um Guia Para Viver Melhor”, Editora. Saraiva.

Jaramillo IF – Morrer Bem, (Morir bem) Editora Planeta, São Paulo, 2006.

Ross, E K – Sobre a morte e o morrer. Editora Martins Fontes. São Paulo 2005.

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