Arquivo de 4/nov/2007





04 - nov

Memória fraca e os medicamentos

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Neurologia geriátrica, Programa de saúde pública

Editorial

Os pacientes queixam-se freqüentemente como apaga-se da memória nomes de pessoas, de objetos, onde colocaram determinados pertences, documentos etc. Com freqüência, estes lapsos são transitórios, vindo à consciência quando já se passou algum tempo e já não são relevantes.

demenciaEm que momento, ou proporção, estes sintomas passam a ser relevantes como sinal de uma demência e mereçam uma investigação diagnóstica é causa de dúvidas. Até quando podemos entender estas circunstâncias como próprias de indivíduos normais, sem enfermidades degenerativas é algo a ser constantemente repensado e individualizado. Naqueles em que sua vida profissional, pessoal, já começa a demonstrar alguma forma de prejuízo, ou quando se revelam, paralelamente, deficiências em outras esferas cognitivas, não temos dúvida do caráter patológico dos sintomas.

Entre as inúmeras formas de doenças que podem causar demência devemos destacar as encefalopatias tóxicas exógenas que podem ocorrer com danos em múltiplas áreas cerebrais. O alcoolismo crônico é uma grande fonte de vários graus de amnésia, culminando com a síndrome Wernicke-Korsakoff, com a conhecida síndrome de Korsakoff. As drogas ilícitas como cocaína, ecstasy e outras estão ganhando espaço da vez mais neste terrível cenário.

O uso de drogas lícitas, como no caso de medicamentos prescritos por médicos ou não, também, deve ser lembrado como origem freqüente de distúrbios amnésticos das mais variadas intensidades. No entanto, de longe, uma das maiores causas de alegadas dificuldades com a memória, especialmente no que tange à retenção de eventos e informações, é a causada em indivíduos que estão recebendo medicamentos que têm ação depressora no sistema nervoso central. Nesta categoria de medicamentos, encontramos os tranqüilizantes, os antidepressivos, os antipsicóticos, hipotensores, relaxantes musculares, drogas utilizadas como sedativos labirínticos, alguns vasodilatadores, entre outros.

Freqüentemente encontrarmos pacientes, especialmente idosos, recebendo vários medicamentos destas qualidades simultaneamente, dados por médicos diversos que acompanham o paciente. Todos estes medicamentos, por sua ação maior ou menor, e dependendo também de tolerância individual induzem uma diminuição da alerta, da atenção ou mesmo sonolência, fatores que interferem muito na consolidação e aquisição da memória.

Pacientes que se queixam destes distúrbios e que não apresentam evidências de qualquer comprometimento neurológico, psíquico ou clínico geral que justifiquem as queixas, devem ainda ser cuidadosamente inquiridos sobre todos os medicamentos em uso. Quando se identificam drogas utilizadas no dia-a-dia do paciente que possam estar colaborando para a origem dos distúrbios, deve-se retirar as mesmas, desde que isto seja possível, não interferindo no objetivo do tratamento para o qual foram indicadas. Quando não possam ser retiradas, sua substituição por alguma outra com menor poder ofensivo para a memória deve ser buscada, num acordo com o paciente e com o outro médico que o venha tratando, se for o caso, obedecidos os ritos éticos envolvidos neste procedimento.

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Referências

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