Arquivo de 3/nov/2007





03 - nov

Psoríase nos idosos

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Fisioterapia

Psoríase: Resenha

Psoríase é uma dermatose crônica, recorrente, com uma clara associação com predisposição genética. Um terço dos pacientes referem outro caso familiar, existindo uma maior prevalência entre gêmeos monozigóticos (55% a 70%) .

A psoríase é caracterizada por anormalidades no ciclo de desenvolvimento da epiderme, levando a hiperproliferação da mesma, alteração na maturação das células cutâneas, alterações vasculares e inflamação. O ciclo normal da epiderme é de 21 dias e no caso da área com psoríase o ciclo chega a ser de apenas 7 dias.

Aspectos clínicos

PsoríaseA morfologia das lesões cutâneas é bastante variável. O aspecto clínico característico consiste de placas eritemato-infiltrativas-escamosas, bem delimitadas, muitas vezes confluentes, assintomáticas. As escamas são normalmente espessas, de aspecto prateado (veja imagem da lesão no cotovelo). À curetagem das lesões é observado o sinal da vela (branqueamento da lesão pelo descolamento das escamas) e, em seguida, o sinal de Auspitz, ou “orvalho sangrante” (gotículas hemorrágicas) correspondentes à proliferação da papila dérmica e dilatação dos vasos sangüíneos. Pode haver grande variedade na expressão clínica da doença, com predomínio de um dos aspectos já referidos (eritema, infiltração ou descamação). Variam ainda de tamanho desde pequenas dimensões (psoríase gutata) até grandes placas (formas vulgar, numular, girata).

As manifestações articulares podem ocorrer na forma de artralgias; mono, oligo ou poliatrites ou espondiloartrites (rara). O início costuma ser agudo ou subagudo, com acometimento assimétrico de interfalangianas distais de mãos e pés, ocasionalmente associado com uma grande articulação (joelho, cotovelo).

Veja artrite psoriásica.

Considerando-se a importância desta doença que pode ficar muito intensa nas formas vulgar, numular, girata, levando a preconceitos e isolamento, é muito importante o papel dos médicos em diagnosticar precocemente, e sobretudo das esteticistas, fisioterapêutas, enfermeiras em encaminhar ao dermatologista todo paciente com lesões suspeitas. Os podólogos e as manicures podem levantar suspeita nos casos de lesões ungeais (psoríase ungeal).

Tratamento

As lesões podem desaparecer espontaneamente ou como resultado da terapia, mas certamente haverá recorrências. Há ainda tendência das medicações perderem sua efetividade gradualmente. O método de tratamento varia de acordo com a topografia das lesões, severidade, duração, tratamento prévio e a idade do paciente.

Tem sido concenso atual que o uso de corticosteróide, sistêmico ou tópico não deve ser indicado, pois apesar de melhora as lesões nas fases iniciais, promove exacerbações futuras.

Luz solar – Na maioria das vezes a luz do sol leva a uma melhora da psoríase. No entanto, a queimadura da pele pode causar a exacerbação da lesão. A luz ultravioleta artificial (UVB) é freqüentemente usada como seu substituto.

Farmacoterapia

Ácido salicílico – usualmente incorporados no cold cream ou pomadas hidrofílicas em concentrações de 3% a 5%. Auxilia na remoção das escamas e promove a eficácia de outros agentes tópicos. Se aplicado em áreas mais extensas, poderá levar à intoxicação por salicilato (tinitus, confusão aguda, hipoglicemia refratária – especialmente em pacientes diabéticos e com comprometimento da função renal. As esteticísta tem papel de destaque na remoção das peles doentes, porém esta remoção deve ser feita com muito cuidado, pois se ocorrer um lesão da pele sadia, e sobre esta lesão que costuma aperecer nova área de psoríase.

Acitretina – retinóide derivado da vitamina A (retinol), ativo em alterações da queratinização e na psoríase. Os efeitos colaterais são queilite, conjuntivite sêca, dermatite, xerose, rinite sêca com sangramento nasal, fragilidade cutânea, perda do extrato córneo das palmas e solas e prurido generalizado.

Ciclosporina A – imunossupressor que atua inibindo os linfócitos T auxiliadores (CD4) ativados, impedindo a produção de IL-2 e outras linfoquinas. Os efeitos adversos são dose-dependente, como diminuição da função renal, hipertensão, elevação sérica do colesterol e triglicérides, hipertricose, hipertrofia gengival, tremor, fadiga, náuseas, sensações parestésicas.

Metotrexato (ametopterina) – antagonista do ácido fólico teria ação na hiperproliferação celular. As indicações para o seu uso são psoríase eritrodérmica, artrite psoriática moderada a severa, psoríase pustular aguda generalizada, nas psoríases com mais de 20% de superfície corpórea total acometida, psoríase pustular localizada, psoríase afetando certas áreas do corpo como aquelas em que seu emprego e função normais estão prejudicados (como mãos) e a falta de resposta à fototerapia, PUVA ou retinóides. É necessário selecionar os doentes, excluindo aqueles com hepatopatias, doenças hematológicas e outras doenças sistêmicas.

Tazaroteno – retinóide tópico em gel a 0,05% e 0,1%, indicado para uso em lesões estáveis até 20% da área corporal.

Adalimumabe – anticorpo monoclonal da imunoglobulina recombinante humana (IgG1) que se liga especificamente ao Fator de Necrose Tumoral (TNF) neutralizando a sua função biológica e bloqueando sua interação com os receptores de TNP p55 e p75 na superfície celular, com isso diminuindo o rápido ciclo de formação do tecido epitelial alterado na psoríase. Esta terapia tem sido indicado para os casos de psoríase generalizada ou com artrite reumatóide associada.

Associação Nacional de Portadores de Psoríase  [on line]

Referências:

Arruda L.F., Campbell G.A.M., Takahashi, M.D.F. Psoríase. An bras Dermatol, Rio de janeiro, 2001; 76(2): 141-167.

Du Vivier A. Atlas de dermatologia clínica. Denoto SLM et al. Editora Manole Ltda. São Paulo. Segunda edição.1995; 5.1-5.16.

Linden, K.G., Weinstein, G.D. Psoriasis: Current perspectives with an Emphasis on Treatment [Rewiews] Am J Med 107(6) dec 1999; 595-605.

Minelli L, Salmaso JC, Santilli SMA – Psoríase: Como diagnosticar e tratar. Rev. Brasil. Med 2001; 58(10):732-740

Sampaio S.A.P., Rivitti, E.A. Dermatologia. Editora Artes Médicas. São Paulo. Segunda Edição. 2000; 170-179.

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