Nov
01

Estudo de caso - Parkinsonismo

Categoria(s): Caso clínico, Gerontologia


Interpretação clínica

Homem de 62 anos, casado, alto executivo de setor bancário, vem apresentando tremores nas mãos há 2 anos, que o impede de escrever, assinar documentos, e se alimentar corretamente. Estes fatos, têm causado constrangimento e isolamento social. Há 1 dia os tremores se acentuaram com movimentos bizarros e contorções da cabeça e tronco, provocando queda. A história clínica destaca úlcera péptica “nervosa” em tratamento continuado, náusea, dislipidemia e enxaqueca. Ao longo dos últimos 4 anos tem feito uso de ranitidina, metoclopramida, lovastatina e propranolol. Na familia não existem casos de doença de Parkinson, Alzheimer ou demência. Ao exame físico apresenta discreta diminuição da mímica facial, bradicinesia, rigidez assimétrica e diminuição dos movimentos do braço direito enquanto caminha. Demais aparelhos com exame normal.

O parkinsonismo pode ser causado por medicamentos, e essa possibilidade deve sempre ser suspeitada nas pessoas que fazem uso crônico de antieméticos e anticolinérgicos. No presente caso a metoclopramida (agente antiemético) pode causar parkinsonismo, o mesmo pode acontecer com o uso crônico de dopamina e antagonistas dos receptores H2. Estes fármacos podem levar a reação distônica aguda, caracterizada por ativação anormal dos músculos faciais, cervicais ou dos membros, que freqüentemente conferem aspectos distorcidos ao corpo e mesmo movimentos oculares bizarros. O geriatra menos experiente pode interpretar estes aspectos com de fundo psicogênico. O tratamento é de emergência com a emprego de difenidramina.

Os profissionais devem tomar o cuidado de avisar aos pacientes que a interrupção de medicamentos antipsicóticos e a antiparkinonianos pode causar um situação emergencial grave denominada síndrome neuroléptica malígna* (veja mais) com risco de morte.

* síndrome neuroléptica maligna (SNM) é um quadro agudo mais crítico e dramático que se caracteriza por rigidez importante, hipertermia, tremor, alteração do estado mental, disfunção do sistema autonômico (alterações do ritmo cardíaco, intestinal, urinário), elevação da taxa sangüínea dos leucócitos e da enzima creatinofosfoquinase.

Veja mais sobre Parkinson.

Referências:

Lu CS, Chu NS - Acute dystonic reaction with asterixis and myoclonus following metoclopramide therapy. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 1988;51:1002-1003.



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