Arquivo de 23/out/2007





23 - out

Contos do Bié – O Santo que eu queria e os sinos de meu desejo

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *

* Poeta Mineiro

São FranciscoAté que enfim se decidiu, após longas e extenuantes reuniões do vigário com os principais da cidade, entre eles o senhor prefeito, a demolição da velha igreja matriz.
Não levou muitos dias chegaram à cidade Dedê e Armelindo, pedreiros competentes, encarregados de construir o novo templo… Solteiros. Dedê, magro, alto, simpático, fala mansa. Armelindo, gordão, também muito amável e comunicativo.

Vi-os pela primeira vez do lado de fora da igreja, em companhia do vigário e de grande parte dos principais da cidade que decidiram levar a cabo a nova obra. Examinaram o velho templo a ser demolido e toda a área em volta, como a estudar onde seriam depositados os materiais básicos da futura construção.

A cidade estava eufórica e eu muito mais ainda. Afinal chegará a hora de ter um santo em minha casa. Seria uma oportunidade para eu rezar quase que dia e noite, a rogar ao santo que mantivesse a guerra lá fora e restabelecesse a saúde de meu pai. As inúmeras imagens e estampas dos santos da igreja seriam distribuídas a determinadas casas da cidade, que aí permaneceriam até a conclusão do novo templo. Ora, eu raciocinava, todos de nossa casa éramos assíduos freqüentadores das rezas e missas , e meu pai, em sendo membro do coro, onde tocava e cantava, e ainda prestava assistência técnica ao harmônico, preenchia todos os requisitos para abrigar um santo em casa. Pronto, eu matutava ,favas contadas, e, no meu íntimo e silenciosamente, alegrava-me, imaginando-me ajoelhado em algum canto da casa, diante do santo que ali iria estar, zelando por mim, por meu pai e meus irmãos, por toda a família.

Amiudaram-se minas idas à igreja, e quantas vezes, durante o dia, via-me a sós com meus medos, pavores e esperanças, postado diante das imagens, como a fazer uma via-sacra, detendo-me diante de cada um dos santos e santas, examinado-os em detalhes, reparando bem neles, no seu jeito de ser, na sua fisionomia, triste, alegra, decidida ou não. Lá num canto, à direita do altar principal, entre outras, via-se a imagem de Nossa Senhora das Dores, que parecia imensa, uma dona de toda altura, o manto a cobrir-lhe a cabeça e todo o corpo até as extremidades dos pés. Expressão de tristeza e dor, o olhar fixo, perdido no espaço, em direção à imagem do filho, o Senhor Morto, estendido no esquife, ali a seus pés. Nunca recebiam minha visita, e eu já descartara a ida dos dois para minha casa. São Sebastião, apesar de crivado de flechas, ensangüentado, não demonstrava expressão de dor e de derrota. A cabeça erguida e os olhos vivos pareciam traduzir sua indiferença ao martírio, o que me deixava seguro e confiante em tê-lo como hóspede e por isto já figura como um dos escolhidos, e, além dele, incluía-se uma santa linda, o olhar terno, as delicadas mãos a segurar um feixe de flores. Devia ser Santa Luzia. Havia outro santo, figura simpática de um velhinho, com uma criança ao lado, uma das mãos em sua cabeça, em gesto de afago. Era São Vicente de Paula. Mas com quem me simpatizei, de fato, e mais me demorava diante de sua imagem, foi São Francisco de Assis. Já escutava muita história a seu respeito, em especial de seu convívio com a natureza, a que chamava de irmã. Figurava entre os mais citados para ficar em minha casa, que, apesar de acanhada e muito simples, pobre até, dispunha, num dos cômodos dos fundos, de um viveiro com tuins, além de um bando enorme de pombas caseiras. Sua imagem poderia ser acomodada ao lado do viveiro, junto aos barulhentos passarinhos verdes.

Todos estes planos eu traçava silenciosamente em meu coração, e não via a hora em que o vigário fizesse o anuncio oficial das casas contempladas para acolher as imagens dos santos de devoção de todos nós, velhos, adultos e crianças. Por isto eu não perdia uma reza, um terço e muito menos missa, na expectativa da grande notícia. Esta frequencia à igreja animou muitas beatas minhas vizinhas e as professoras do grupo onde eu estudava, pois quem sabe haveria em mim uma santa vocação para padre, menino bom, rezador, de bom procedimento- “bem procedido?”

Todas as tardes, a partir das seis horas, logo após o momento do Ângelus na Radio Tamoio, em que Júlio Louzada levava às lágrimas, mormente as mulheres, os ouvintes de seu programa, tinha início a novela em que se abordava a vida dos santos, e estava sendo levada ao ar a vida de São Francisco de Assis.

Chegou, afinal, o dia do grande anúncio e também de minha decepção e tristeza, de vez que nossa casa não figurava entre as que iriam acolher as imagens dos santos e santas. Terminada a celebração daquela manhã fria e úmida do mês de junho, permaneci no interior da igreja, cujos trabalhos de demolição teriam início na semana seguinte, com a retirada das imagens e de todos os utensílios e componentes que pudessem ser aproveitados no novo prédio, e os sinos seriam um dos primeiros a serem retirados, junto com o velho e tradicional relógio e seu pesado pêndulo.

De início em nicho, orei a todos os santos e santas, dentendo-me mais um pouco diante daqueles de minha maior simpatia e devoção. Dei início aos meus passos pela parte reservada exclusivamente às mulheres, e, do último nicho fui para o outro lado, lugar de exclusivo assento dos homens. Passei rápido ao lado de Nossa Senhora das Dores e do esquife do Senhor Morto, postados ao lado da sacristia e do altar-mor.

À tardezinha voltei à igreja e dirigi meu adeus aos santos todos, cujas imagens, na tarde daquele domingo, foram levadas às sua novas e provisórias moradas, em procissão formada por diversos grupos dos fiéis devotos, que iam saindo a entoar hinos de louvores.
E fiquei ali, do lado de fora, tiritando de frio, e vi quando sumiu, no fim do largo do chafariz, o derradeiro grupo de fiéis que levaram o Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores à casa de seu Lalade e Sinhazinha, onde foram acolhidos. E já de noite, no silêncio da rua erma e deserta, tomei o caminho de casa. Aqui e acolá escutavam-se os cantos dos pássaros noturnos, entre eles o curiango, que, piando agouros, dava-me a pressentir.

Uma noite de maus sonhos e pesadelos

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23 - out

Colesterol – Previnindo as altas taxas

Categoria(s): Cardiogeriatria, Gerontologia, Nutrição

Colesterol – Previnindo as altas taxas

 

Medicina popular

FrutasMuitas pessoas só pensam em iniciar uma boa alimentação quando os seus exames sangüíneos mostram aumento do colesterol, e esquece que ele não subiu da noite-para-o-dia, e sim, é resultado de inúmeros hambúrguer com batata fritas. Pois, embutido neste simples lanche está o colesterol, uma substância perigosa para a saúde.

Veja mais: Entendendo o colesterol

O grande vilão do colesterol é a sua fração LDL (colesterol perigoso), que se infiltra nas paredes das artérias e causa a chamada aterosclerose, responsável pelo entupimento das artérias, infartos e derrames cerebrais.

Fazer exercícios físicos, não fumar, ingerir alimentos saudáveis e, principalmente, conter o apetite insaciável são fatores que contribuem para a redução da taxa de colesterol LDL no organismo, protegendo-o dos seus efeitos danosos.

O nível do colesterol HDL (colesterol bom) deve estar sempre alto pois ele “limpa” a sujeira do organismo.

Veja mais – Colesterol Bom e Colesterol Ruim

Importante

O colesterol não pode ser abolido de vez da dieta alimentar, por ser constituinte dos hormônios testosterona (no homem) e estrogênio (na mulher). Além de ser importante para a produção dos ácidos biliares que ajudam a absorção das gorduras, sintetiza a vitamina D, imprescindível para os ossos, e é vital para manter as membranas que protegem as células.

Dicas de SAÚDE

Inclua sempre verduras cruas nas refeições.
Evite ingerir alimentos que contenham gorduras.
Na hora do preparo do frango ou do peixe, por exemplo tire toda a pele dos mesmos.
Procure usar suplementos alimentares ricos em vitaminas C e E , complexo B e lecitina de soja. Isto ajudará a reduzir a taxa de LDL no sangue.
Troque o leite comum pelo desnatado embalado em caixa. Os outros tipos contém altíssimo nível de gordura.
Não se automedique.
Coma alimentos ricos em fibras, como pão integral, aveia e farinha integral. Os alimentos fibrosos têm dupla vantagem: além de reduzir as taxas de colesterol, são bons auxiliares em dietas de emagrecimento, porque dão a sensação de saciedade.
Reduza o consumo de carne bovina e suína.
Coma, o máximo, quatro gemas de ovos por semana.

O poder da maçã – Entre uma série de frutas que devem ser consumidas, destaca-se a maçã, na qual cientistas encontraram a fórmula perfeita. Na França, foi realizada uma pesquisa com um pequeno grupo de pessoas saudáveis de meia-idade, dando-lhes, durante um mês, três maçãs por dia. Ao final do teste, o nível do LDL havia diminuído em 80% dos testados e o do HDL, aumentado.

Muitas pessoas acham que, por usar óleo vegetal, seja de soja, granola ou girassol, ou mesmo o azeite de oliva, que não contém colesterol, estão reduzindo o nível de gordura. Só que isto é um engano. Ao esquentar o óleo para um refogado, por exemplo, a gordura se torna saturada. O ideal seria cozinhar os alimentos no vapor e depois, se for o caso, acrescentar apenas um pouco de óleo por cima.

Recomendações dietéticas para as pessoas com hipercolesterolemia

ALIMENTOS PROIBIDOS

Evitar frituras
Gema de ovo, maionese, chantilly, requeijão, leites e derivados (manteiga, creme de leite, yogurte, queijos amarelos e cremosos).
Chocolate, coco, (manteiga de cacau e óleo de coco), óleo de dendê (palma), banha.
Embutidos (salame, presunto, patê, salsicha, linguiça, etc)
Bacon.

ALIMENTOS DE USO MODERADO

Vaca, frango, coelho desprezar as gorduras e as peles.
Miúdos (figado, rins, etc)
Presunto magro, peixes sem pele, soja, grão de bico, ervilha e lentilha.
Nozes, amendoim, castanha do Pará, castanha de caju.
Abacate.

ALIMENTOS PERMITIDOS

Leite completamente desnatado, chá, café, queijo branco, ricota, margarina, clara de ovo.
Pão, macarrão, sagu, fubá, mandioca, araruta, arroz, milho, feijão, aveia, batata, legumes e verduras
(exceto as incluídas no item acima)
Açúcares e doces
Todas as frutas citricas e sucos naturais

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