Arquivo de 10/out/2007





10 - out

Prática de exercícios nos idosos

Categoria(s): Cardiogeriatria, Programa de saúde pública

Editorial

Após a 1970, ocorreu massificação da prática de exercícios físicos regulares entre a população normal, com o objetivo de mudanças no estilo e na qualidade de vida, mas também para a prevenção das doenças cardiovasculares. Como resultado positivo, observou-se que os índices de longevidade cresceram três vezes mais do que a média das décadas anteriores. Porém, entre os pontos negativos, destacou-se os primeiros relatos de morte súbita entre a população aparentemente normal e que se exercitava, sem supervisão, nos parques, clubes e avenidas de grandes centros urbanos do mundo ocidental.

exercícios nos idososApós as publicações do “Guia Completo de Corrida”, de Jim Fixx (1977), e “Aptidão Física em Qualquer Idade”, de Kenneth Cooper  estimularam a prática de exercícios físicos regularmente, em todo mundo. Enquanto os índices de morte por doenças cardiovasculares, de acordo com o National Center for Health Statistics, caía de 511,6 em 1961 para 424,2 por 100 mil habitantes em 1981. Os eventos cardiovasculares aumentava nos práticantes regular de exercícios.

Fisiologia cardiovascular do exercício

O exercício, aumentando o tônus simpático (liberação de adrenalina), eleva a freqüência cardíaca, a pressão arterial, e também a velocidade e a força de contração do músculo cardíaco. Como esses elementos são os determinantes do consumo de oxigênio do miocárdio, poderá ocorrer isquemia na condição de doença obstrutiva das artérias coronárias. Resultará, então, metabolismo anaeróbio (sem oxigênio) das fibras miocárdicas, alterações do pH celular e modificações importantes de suas propriedades eletrofisiológicas, causando arritmias graves.

As modificações desencadeadas pelo esforço persistem após a cessação do exercício ativo. Dessa forma, explicam-se as arritmias que aparecem no período de recuperação dos testes de esforço.

Entre os mecanismos evocados para explicar a gênese das arritmias cardíacas após um exercício estão a queda da freqüência cardíaca e a venodilatação periférica, reduzindo o retorno venoso para o coração. A queda do débito cardíaco que resulta dessas condições prejudica o enchimento das coronárias, provoca ou acentua a isquemia, e favorece o aparecimento de arritmias. Todos esses fatos são agravados se, após a interrupção de um exercício de moderada para grande intensidade, o indivíduo permanecer em pé, permitindo que mais de 60% do volume sanguíneo possam ficar retidos nos membros inferiores. Daí a importância do período de desaquecimento ativo após o término de um exercício, com o retorno venoso sendo mantido pelas contrações da musculatura esquelética dos membros inferiores.

Como vemos, o aparecimento ou o agravamento de arritmia durante o exercício é conseqüência de múltiplos fatores que não atuam isoladamente. Essa estreita inter-relação entre os mecanismos neuro-humorais, eletrofisiológicos e hemodinâmicos se faz em intensidades variáveis de caso para caso, explicando as diferentes respostas do ritmo cardíaco em indivíduos aparentemente com condições cardiológicas semelhantes.

Exames preventivos

Toda prática de exercício depende, fundamentalmente, de uma avaliação, inicial, clínica e cardiovascular. O teste ergométrico é, sem dúvida alguma, o método de investigação mais adequado na tentativa de estudar e expor algum distúrbio do ritmo induzido pelo esforço. Sua indicação é obrigatória em indivíduos que se disponham à práticar exercícios regularmente.

A realização do exame, indiscriminadamente em atletas ou em normais que se exercitam regularmente, demonstra dados semelhantes aos da eletrocardiografia ambulatorial, com arritmias pouco expressivas. A ocorrência de arritmias ventriculares aumenta quando os testes atingem níveis próximos à freqüência cardíaca máxima teórica.

O encontro de arritmias ventriculares induzidas por esforço em indivíduos sem cardiopatia orgânica demonstrada não deve ser motivo de tratamento antiarrítmico ou de suspensão ou diminuição da atividade física. Nos cardiopatas isquêmicos ou não, em programas de reabilitação, o enfoque deverá ser mais rigoroso e individualizado para cada caso.

Referências:

Amsterdam EA. Sudden death during exercise. Cardiology 1990;77: 411-7.

Wenger NK. Exercise and Heart. Philadelphia: FA Lewis OD, 1985

Coplan NL, Glein GW, Nicholas JA. Exercise and sudden cardiac death. Am Heart J 1988;115:207-12.

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