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Out
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Depressão presente na vida do idoso.
Categoria(s): DNT, Gerontologia, Psicogeriatria |
Resenha
Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti *
* Médica geriatra
Os distúrbios psiquiátricos mais prevalentes nos idosos são as sÃndromes depressivas e as demenciais, que alteram a qualidade de vida, aumentam a morbidade e a mortalidade do idoso.
Definição: A depressão é o nome atribuÃdo a um conjunto de alterações comportamentais, emocionais e de pensamento, com distúrbio do humor e ou anedonia (perda ou diminuição do interesse pela vida).
Os fatores etiológicos da depressão no idoso (maior que 60 anos) podem ser divididos em biológicos e psicossociais, onde é classificado como biológico a perda neuronal e diminuição de neurotransmissores; o genético; a doença fÃsica e as medicações. E classificado como fatores psicossociais a diminuição de renda; as modificações no papel social; o luto/perdas e a doença fÃsica incapacitante e/ou dolorosa.
A depressão também pode ser classificada em depressão de inÃcio em fases precoces da vida e em depressão de inÃcio tardio que ocorre em pacientes acima de 60 e 65 anos. No caso a depressão de inÃcio tardio esta relacionada com alterações do sistema nervoso central, e observa-se a probabilidade do paciente evoluir para o quadro de demência do tipo Alzheimer.
Pacientes com alterações vasculares também podem desenvolver a depressão de inÃcio tardio. Nos casos de AVC e nas demências vasculares a presença de depressão esta bem aumentada.
A depressão e a doença fÃsica estão relacionadas e é de suma importância para o idoso, devido a redução das reservas funcionais, as alterações no mecanismo de homeostase e as alterações nos diversos sistemas orgânicos, além de grande número de doenças crônicas e do aumento do número dos medicamentos utilizados, que levam o idoso a toda a sua vulnerabilidade frente a depressão.
Pode-se observar que a depressão desencadeia ou mesmo agrava as doenças preexistentes e em geral é acompanhada de dores, mal estar fÃsico, sensação de fraqueza e cansaço, alterações do sono e do apetite.
A depressão pode causar diretamente a doença fÃsica, existe a relação entre as alterações da imunidade e também pode-se observar a depressão como fator de risco para as doenças cardiovasculares. Além de que o paciente idoso deprimido pode não aceitar o tratamento, não aderindo e acaba por se cuidar menos, desde a higienização até a alimentação.
Em muitos casos a depressão surge como secundária a doença fÃsica, por exemplo causada pelo hipotireoidismo ou por carcinomas, por reação as conseqüências da própria doença fÃsica devido as limitações e mesmo a dor que a doença esta causando. Outra causa de depressão é o uso abusivo de álcool, benzodiazepÃnicos e drogas ilÃcitas, nestes casos independem da idade.
Quanto aos fatores psicossociais relacionados a depressão como o falecimento do cônjuge, o afastamento dos filhos, a diminuição de renda, as limitações fÃsicas, a aposentadoria e as modificações no papel social, todos esses fatores podem afetar o idoso de diversas maneiras e dependem da idade, do tipo do evento, da personalidade e da história de vida de cada um. Podem ser fatores desencadeantes ou mesmo fatores predisponentes.
Quadro clÃnico
Os sintomas entre idosos e adultos jovens são os mesmos, o que difere no idoso é o relato de sintomas somáticos como alteração no sono e no apetite , muito mais do que os sintomas psicológicos como alteração do humor e anedonia. E dentre os sintomas psicológicos o idoso apresenta mais a anedonia do que os sintomas de distúrbio do humor. Outra queixa é a alteração cognitiva, onde o idoso reclama das alterações de memória.
Como vemos a depressão nos idosos depende da interação entre os fatores ambientais, constitucionais, biológicos e suporte social.
Os fatores ambientais são as questões negativas da vida como as limitações,que acabam por desencadear a depressão.
Os fatores constitucionais são as propensões genéticas ao desenvolvimento da depressão, como os traços marcantes da ansiedade.
Os fatores biológicos levam a depressão através das doenças fÃsicas e a conseqüente incapacitação , incluindo também a depressão vascular de inÃcio tardio.
O suporte social favorece a depressão por: a ruptura dos vÃnculos sociais, a perda do espaço ocupacional, a diminuição do rendimento econômico e o isolamento.
A incapacidade decorrente da senilidade é um fator de risco importante para o desenvolvimento da depressão no idoso, gerando estresse e alterações negativas da vida. A imobilidade, a dor, a ansiedade, hospitalização,a reabilitação demorada, a sensação de perdas, a baixa auto-estima, desmoralização , as restrições das atividades sociais e interpessoais podem precipitar o inÃcio da depressão.
A depressão e o Luto
Segundo dados norte-americanos 78% das pessoas viúvas tem mais de 65 anos. Observa-se um aumento de consultas médicas e um aumento da mortalidade por suicÃdio e acidentes. Provavelmente a depressão não tratada nesta fase pode estar contribuindo para este quadro. Os viúvos tem depressão e por isso uma percepção negativa da vida, tendem a usar o tabagismo ou mesmo drogas e podem apresentar um comprometimento do sistema imunológico. O luto é um fator desencadeante de transtornos de ansiedade.
Após um perÃodo de 6 meses 24% a 30% apresentam o quadro depressivo, ao longo de 1 ano 16% apresentam depressão e em torno de 2 anos 15% apresentam a depressão. O luto complicado esta associado à história pessoal anterior de transtorno depressivo e a história familiar de depressão.
Pseudodemência depressiva
A presença de depressão emocional pode chegar a 20% nos idosos, afetando a cognição e a motivação para a memória. Alguns casos são reversÃveis após o tratamento, porém em outros os pacientes evoluem para demência.
Depressão pós AVC
A depressão é uma complicação psiquiátrica mais freqüente nos pacientes com acidente vascular cerebral (AVC). Observa-se que após o quadro do AVC o paciente apresenta uma limitação funcional, com conseqüências negativas nas relações interpessoais, nas relações com a famÃlia, social e na qualidade de vida.
Os fatores de risco para o desenvolvimento da depressão pós o AVC são a presença do prejuÃzo funcional, prejuÃzo cognitivo, história de depressão, idade, sexo, história de AVC prévio, hipercortisolemia, aspectos sociais e correlatos neuroanatômicos.
Depressão e as doenças cardÃacas
Estudos recentes sugerem que a depressão é um fator de risco para o desenvolvimento da doença coronariana e também leva a um aumento da mortalidade pós um infarto do miocárdio. A depressão levaria a diminuição da aderência dos pacientes cardÃacos ao tratamento por desilusão, desesperança ou desinteresse e também o paciente poderia não querer manter a própria saúde (desistência).
Outro efeito da depressão seria por efeitos deletéricos através de mecanismos biológicos como a adesividade crescente das plaquetas, tornando o paciente vulnerável a oclusão arterial e novo IM; ou mesmo por influencia no sistema nervoso autônomo sobre a contratura muscular lisa das coronárias.
Alguns estudos comprovaram a presença de depressão em pacientes portadores de Insuficiência cardÃaca congestiva mesmo após a alta hospitalar.
Outro estudo demonstra que a depressão aumentaria a incidência das arritmias ventriculares, pelo predomÃnio do sistema nervoso simpático. Há algum tempo propõe-se que a depressão afeta a coagulação e a trombogenese.
Depressão no idoso institucionalizado
O idoso que vive em uma institucionalização vive separado do ambiente familiar, na presença de pessoas estranhas e muitas vezes isolado, sentindo-se abandonado, dependente e inútil. Em relação a algumas instituições onde existe uma baixa qualidade de vida oferecida para o idoso, este acaba por apresentar um quadro insegurança, descontentamento e também uma falta de intimidade. Todo este processo pode levar a um quadro de depressão mesmo que o paciente não tenha histórico da doença ou o histórico familiar do transtorno de ansiedade e depressão.
Observando todo este quadro que o paciente vem apresentando,ainda podemos utilizar critérios para diagnóstico de depressão e em seguida pode-se começar o tratamento de acordo com o idoso, sendo os bloqueadores seletivos da recapitação da serotonina (ISRS) os mais utilizados (Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina, Citalopram), e dentre os antidepressivos tricÃclicos (Imipramina, Clomipramina, Amitriptilina e Nortriptilina) a nortriptilina é considerada a melhor para o idoso. Outras medicações utilizadas são a Venlafaxina, Mirtazapina e a Bupropiona.
Referências:
JUNIOR,ALBERTO STOPPE. Depressão em Idosos.Atualizações Diagnósticas em Terapêutica em Geriatria, cap60, pg 565 a 571.
BALLONE GJ- Depressão no Idoso-in. PsiqWeb,Internet,disponÃvel em revisto em 2006.
TERRONI,LMN et al. Depressão Pós AVC: Fatores de risco e terapêutica antidepressiva-Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP. [on line]
BALLONE GJ- Personalidade Tipo A e Cardiologia- in PsiqWeb,Internet,2001, revisto 2003.
BALLONE GJ- Psicossomática e Hipertensão Arterial- in. PsiqWeb, Internet, disponÃvel 2003.

Núccia comenta:
17 Abril, 2008 @ 23:21
De fato esta página é um verdadeiro achado aqui na net, estou muito satisfeita com o conteúde deste artigo. Parabéns e sucesso sempre!
Marino comenta:
29 Abril, 2008 @ 03:52
Foi ótimo ler este artigo, pois estamos aqui com meu sogro de 91 anos que está viúvo
depois de 63 anos de casamento. Isto faz apenas 3 meses. Acho que não é necessário dizer
mias nada.
Saudaçôes
Marino
Rodrigo comenta:
9 Agosto, 2008 @ 20:40
Até que enfim achei alguma coisa interessante. Parabéns continuem assim.
clarice comenta:
25 Agosto, 2008 @ 22:22
Olá li seu artigo, estou com minha mãe com depressão e ela tem 82 anos.
Está tomando antidepressivo e mas faz 3 meses que está com tontura e fizemos todos exames e não descobrimos o pq?
Eu acho qu eé a depressão . A tontura é sintoma de depressão?
Existe algo para se fazer alé, da medicação?
Estamos em campinas tem algum medico para me indicar?
Nao sei mais o q fazer?? pode me ajudar?
Ariany comenta:
10 Novembro, 2008 @ 14:54
Curso Enfermagem e estou montando um projeto de pesquisa,opinei por este assunto e lendo este arquivo pude conseguir maiores informacões sobre a depressão em idosos,causas e consequencias.