Arquivo de outubro, 2007





31 - out

Hipertensão arterial de início na terceira idade

Categoria(s): Biogeriatria, Cardiogeriatria, DNT

Resenha

Por que o indivíduo sadio, ao atingir a velhice, se torna hipertenso?

Esta pergunta nos abre um amplo campo de estudo e, ao que parece, famílias inteiras seguem este caminho.

Com relação à PA pouco acima dos valores normais para o adulto jovem (120/80 mmHg), ainda não se conseguiu definir tratar de uma alteração que faz parte da “essência” do idoso, ou seja, é uma condição própria da idade. Apesar dos estudos estatísticos revelarem que o idoso tem PAs mais altas que a população jovem, definir qual o nível pressórico pode ser considerado normal para esta população é um desafio. Certo é que a hipertensão arterial sistólica isolada causa mais malefícios que a hipertensão sisto-diastólica, sendo um fator de incapacitação do indivíduo idosos.

EstudoNo estudo de Framingham, 50% dos idosos hipertensos eram portadores de hipertensão sistólica isolada; uma pequena parcela, de hipertensão diastólica; e os demais, de hipertensão sistodiastólica. Nesse estudo, a maioria dos idosos era portadora de hipertensão arterial de etiologia indeterminada, idiopática ou essencial. Apenas 10% tinham hipertensão secundária de causa renal, ou induzida por medicamentos.

Vários fatores contribuem para a hipertensão arterial do idoso. A diminuição da complacência das grandes artérias é responsável pela hipertensão sistólica. A hipossensibilidade barorreceptora aumenta a responsividade do sistema nervoso simpático. A retenção de sódio aumenta a expansão plasmática.

No intuito de discutirmos esta problemática reportaremos as pesquisas sobre a longevidade do ser humano e de seus orgãos. Os estudos biológicos revelaram que as células humanas têm a capacidade de se duplicar 56 vezes, fenômeno de Hayflick , o que permitiria ao homem uma sobrevida de aproximadamente 115 anos, mas, como sabemos isto não ocorre.

Determinados orgãos envelhecem mais precocemente que outros, como o timo, que inicia sua involução aos 20 anos de idade, levando a alterações funcionais do sistema linfócitos T, causando a sérias deficiências imunológicas.Fato semelhante ocorre com os baroceptores, que ficam com a sensibilidade diminuída com a idade, provocando distúrbios na regulação pressórica. Ao que tudo indica estes fatos se devem a manifestação de genes latentes ativados por infecções, medicamentos ou estresses psicológicos.

A ação genética é bem evidente quando estudamos a HAS nas doenças auto imunes,onde podemos identificar mediadores imunológicos celulares ou humorais que agindo como substências vaso ativas provocam isquêmia nas organelas sensopressóricas dos rins, causando aumento da viscosidade sangüínea e da resistência periférica. A hipótese que a HAS seja ocasionada pela atuação do sistema genético, é tentadora, mas a determinação dos gens envolvidos no processo é difícil pela heterogenicidade das séries caso-contrôle. Contudo acredita-se que a ação genética se deva a um sítio de “hipotética resposta imune” ligado ao sistema maior de histocompatibilidade (HLA), como HLA -A28, B27 e BW15.

Tratamento

Os principais objetivos do tratamento anti-hipertensivo são a redução do risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. No estudo de Framingham, houve alta prevalência de acidentes vasculares cerebrais, doença arterial periférica e insuficiência cardíaca. Anualmente, 1,5% das mulheres e 2% dos homens desenvolveram doença arterial coronária. Verificou-se também que o aumento da pressão arterial sistólica ou diastólica, estágio I, aumentou o índice de mortalidade cardiovascular em quatro vezes nos homens e duas vezes nas mulheres, entre 65 e 74 anos de idade. O estudo SHEP (“Systolic Hypertension in the Elderly Program)” avaliou a redução de mortalidade da população idosa submetida a terapêutica anti-hipertensiva com diuréticos e/ou bloqueadores beta-adrenérgicos. Houve redução de 36% na incidência de acidente vascular cerebral e de 27% na de infarto agudo do miocárdio.

A intervenção medicamentosa visa diminuir a morbi-mortalidade do idoso. As dificuldades em estabelecer o momento exato da terapêutica farmacológica decorrem da escassez de estudos nessa população. Os dados disponíveis não demonstram benefícios em reduzir a pressão arterial sistólica abaixo de 140 mmHg. Entretanto, níveis sistólicos > 160 mmHg aumentam o risco e as complicações de doenças cardiovasculares. Níveis sistólicos de 150 mmHg devem ser corrigidos, quando houver outros fatores de risco. A pressão arterial diastólica deve ser corrigida quando > 95 mmHg.

Ao iniciarmos o tratamento do hipertenso idoso devemos fazer algumas considerações sobre o comportamento do seu organismo, no sentido de esquematizarmos melhor a terapêutica empregada. Um ponto importante é o chamado ritmo circadiano que compreende as variações normais que ocorrem nos parâmetros vitais do ser humano num período aproximado de 24 horas.

Alguns autores verificaram que o pico de incidência do acidentes vasculares cardíacos e cerebrais ocorrem ao redor das 10:00 horas e esta na dependência da elevação rápida da pressão arterial que normalmente ocorre entre as 6:00 e 9:00 horas. A terapêutica eficiente teria efeito benéfico na prevenção destas complicações.

Na terceira década tem início uma série de fenômenos fisiológicos que influem sobremaneira nos equilíbrios homeostáticos, como a diminuição da perfusão renal, com conseqüênte diminuição do fluxo de filtração glomerular. Em um indivíduo de 90 anos a capacidade de filtração glomerular é reduzida à metade e há perda de 30 % da massa renal, só não havendo uremia e retenção importante de escórias pela poliúria compensatória do idoso.

O organismo do idoso, em decorrência das alterações do envelhecimento, esta propenso a ter graves reações idiosincrásicas, devendo-se tomar muito cuidado na associação de fármaco (polifarmácia).

Apesar do uso freqüente de diuréticos e bloqueadores beta-adrenérgicos, outros agentes anti-hipertensivos podem ser igualmente eficazes, com menos efeitos colaterais. Os bloqueadores beta-adrenérgicos têm indicação preferencial na hipertensão associada a angina ou infarto do miocárdio prévio. Os bloqueadores dos canais de cálcio constituem indicação de escolha nos hipertensos idosos com doença arterial coronária associada. Os inibidores da enzima de conversão da angiotensina e os bloqueadores alfa adrenérgicos são preferíveis em hipertensos com doenças associadas, nas quais os tiazídicos e os bloqueadores beta-adrenérgicos são contra-indicados, como diabetes, insuficiência cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica.

A intervenção anti-hipertensiva no idoso diminui o risco de doenças cardiovasculares. Entretanto, a redução das cifras tensionais constitui apenas um dos objetivos, devendo ser complementada pela identificação e correção dos outros fatores de risco.

No seguimento dos hipertensos idosos os efeitos colaterais dos medicamentos devem ser rapidamente detectados e corrigidos evitando-se a cronicidade dos sintomas e mesmo o óbito. Este relevantes fatos justificam uma avaliação detalhada dos sintomas nos controles dos retornos, nunca um rápido e sumário exame clínico somente com o intuito de saber se a PA está eficazmente controlada

Papel do estado psicológico

A avaliação e controle do estado psicológico do paciente hipertenso idoso e importante e beneficia muito o tratamento. O idoso comumente apresenta-se com graus variados de ansiedade , decorrente de uma reação de defesa contra uma agressão percebida ou real, com tendência ao isolamento, à solidão e rejeição, sendo estes fatores, por si só, desencadeantes ou mantenedores da hipertensão arterial. Muitas vezes o idoso se julga inoportuno e pouco importante para ocupar o horário do médico e de seus auxiliares tão atarefados. O simples fato do médico colocar-se à sua disposição para ouvi-lo, além de demonstrar que o mesmo é importante para a sociedade reduz seu estado de ansiedade, permitindo a detecção precoce das possíveis reações adversas dos medicamentos.

Veja – V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão  Arterial .  Sociedade Brasileira de  Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia.
Referências:

Hall PM. Hypertension in women. Cardiology 1990;74(suppl 2):25.

Klein CH et al. Relatório de pesquisa: hipertensão arterial na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. MFRJ/ENSP/FIOCRUZ 1992.

Santos FRG. Prevalência de hipertensão arterial em idosos residentes no distrito de São Paulo: influência de fatores relacionados com a composição da população. [Tese de Mestrado] São Paulo, Departamento de Epidemiologia da Escola Paulista de Medicina, 1993.

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30 - out

Histórias da Eneida – Na casa de minha prima Adair

Categoria(s): Contos e Poemas

Sabedoria

Colaboradora: Eneida Tagliolatto *

* Poetisa Paulista

Carl LarssenNa casa de minha prima Adair, a nora da mesma que se chama Ana Paula, tendo o dom de cabelereira, costuma usar um pequeno espaço ali para fazer sempre os reparos de estética nas parentes mais próximas; como cortar e tingir cabelos, dar uma limpada nas sombrancelhas, arrancar uns determinados pelinhos que teimam em aparecer no queixo, etc e tal… Eu então já tendo telefonado avisando que ia hoje à tarde lá, cheguei um pouco antes da hora combinada, porque assim conversaria um pouco com minha prima, conversa essa sempre parecida; recordações.

A nora chegou e logo começou a preparar a cadeira onde eu sentaria, e de tesoura em punho foi dando um trato no meu cabelo e em seguida, aquela tinturinha básica.

O bom mesmo veio depois, eu já toda arrumada estava parecendo a Hilary Clynton, ou a Marta Suplicy, isso dito pela filha de minha prima que chegara há pouco ali. Desconjuro, fui logo dizendo; só falta você dizer para eu relaxar e gozar. Depois de boas gargalhadas, entramos casa adentro (o espaço que falei era no quintal), pois o café já estava sendo servido, e para deleite de todos, minha prima havia feito pão de queijo e bolo de milho verde.

Quer coisa melhor do que cortar cabelo na casa da prima?

* Pintura de Carl Larsson(1853-1919)

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30 - out

Memória – Aspectos anatômicos e fisiológicos

Categoria(s): Neurologia geriátrica, Psicologia geriátrica, Terapeuta ocupacional

Resenha

A memória é fator inerente e absolutamente necessário à todas atividades do reino animal, no ser humano esta se especializou muito tornando ser pensante. A memória está inserida nas nossas funções involuntárias, no desenvolvimento das nossas habilidades e no reconhecimento das informações sensitivas e sensoriais advindas da visão, audição, olfação, gosto, e tato. A memória nos permite respostas ao mundo interno (nosso corpo) e externo, nossa comunicação através das mais variadas formas de expressão.

Hipotálamo

Toda e qualquer forma de aprendizagem, de aquisição de conhecimentos ou reconhecimentos e identificação de fatos, dependem basicamente de processos de memória. Em resumo, somos o produto de nossa memória.

De uma forma simplista podemos imaginar o nosso cérebro como um computador, que inicialmente não tem nenhum sistema operacional e o programador insere sistemas básicos que faz todo o sistema funcionar. Estas funções de sobrevivência do nosso cérebro são inconsciente e que geram resposta imediata. Exemplo, o reflexo de retirar rapidamente a mão de um local extremamente quente e nocivo para nossa saúde, como chapa quente de um fogão. Estes estímulos chamados de nociceptivos, existem até em seres unicelulares e a resposta reflexa de memória medular. Esta seria a memória do “sistema DOS” dos computadores.

Nossos hábitos, as habilidades motoras (dirigir automóvel, escrever, usar o teclado do computador), os condicionamentos de comportamentos, a habilidade de falar, raciocínio matemático, que utilizamos no dia-a-dia, mas não nos apercebemos conscientemente de como as operamos, constituem a chamada memória não declarativa ou implícita. Estas memórias seriam como os programas de desenho, escrita, planilhas e cálculos do computador.

Após retirarmos a mão da chapa quente tomamos consciência do fato, o primeiro reflexo se processa na medula espinhal (reflexo medular) e só posteriormente, o estímulo ascende as regiões superiores do cérebro (cortex cerebral). A memória que torna consciente os fatos chama-se memória declarativa ou explícita.

A memória declarativa pode ser evocada à nossa consciência, representando fatos ou episódios. Quando relembramos e associamos a fatos, como no exemplo anterior, queimaduras e dor, é a chamada memória semântica. Quando relacionada a uma determinada temporalidade chama-se memória episódica.

Relacionando com a informática podemos entender que a memória semântica é lembrar e concientizar com escrever um texto usando ao Word, e memória episódica, a lembrança do episódio em que estivemos escrevendo o artigo (como este artigo que estava sendo escrito há 15 dia). Ambas memórias são conscientes, mas o ato de digitar o texto é inconsciente (memória não declarativa ou implícita).

O nosso cérebro tem a capacidade de seleciona as informações relevantes que devem ou não serem estocadas. A toda hora, somos bombardeados com um mundo infinito de informações (sensitivas, visuais, auditivas, táteis, gustativas, psíquicas) trazidas do meio ambiente, ou de nossa atividade psíquica. O cérebro pode fazer um estoque temporário das informações (memória de curto prazo ou imediato), envolvendo a chamada memória elétrica. Estas informações poderão ser ou não transferidos a áreas cerebrais distintas, de modo a serem consolidadas (estocadas) de maneira mais duradoura, a memória de longo prazo e, posteriormente com os reforços passar a memória remota.

Quanto mais reforço, seja pela importância dos fatos, a relevância ou pelo impacto emocional (negativo ou positivo) que as informações produzem, assim como a repetição da ação, mais clara e mais duradoura será a memória.

A aquisição de informações específica e de nosso interesse depende da focalização sobre a informação, neutralizando as interferências internas (vg. situação emocional) e externas (vg. ruídos, iluminação). Estados emocionais como, ansiedade, estresse, depressão, apatia, insônia, sonolência, dispersividade, etc. interferem negativamente na retenção de informações.

Reconhecendo o passado (memória episódica) – A cronologia dos eventos de nossa vida, nascimento, data de formatura, data de casamento, etc, fica registrada através da eficácia da conexão entre neurônios na região do hipocampo. Ali existe, também, células que quando ativadas provocam em nós a sensação de novidade e são chamadas de células de novidade.

No hipocampo existem inúmeros neurônios de reconhecimento episódico que nunca foram ativados e que estão estreitamente conectados às células de novidade. Quando um evento ocorre pela primeira vez, ele ativa fortemente um desses neurônios, e sua estreita conexão com a célula de novidade nos proporciona a sensação de novidade. Mas essa forte ativação afrouxa a conexão entre ele e a célula de novidade. Dessa forma, nas próximas vezes que o mesmo evento ocorrer a sensação de novidade será cada vez menor, pois o neurônio que agora reconhecerá sempre esse episódio estará cada vez menos conectado com a célula de novidade.

Lesões na região do hipocampo podem ter efeitos devastadores, pois podem destruir a nossa memória retrospectiva. Deixamos de reconhecer nossos familiares, nossos amigos, os locais importantes de nossa vida, etc. Tudo se torna novo para nós e precisamos reaprender tudo outra vez.

Reconhecendo recente (memória declarativa) – As lesões neurológicas podem destruir a capacidade de reconhecer o recente. Não perdemos nosso passado antigo, mas não podemos gravar nosso passado recente. A partir do momento da lesão, perdemos nossa capacidade de guardar o ocorrido. Já não podemos mais nos lembrar do que aconteceu minutos atrás. O caso símbolo foi descrito em 1957, do paciente HM de 27 anos, com epilepsia refratária aos medicamentos, sendo submetido a uma cirurgia de retirada dos lobos temporais e suas partes mediais de ambos os hemisférios, incluindo na ablação os hipocampos e os núcleos amigdalóides. Após a cirurgia, controlou-se as crises epiléticas, porém, o paciente perdeu a capacidade de formar novas memórias de longo prazo, conservando a memória de seu passado antes da cirurgia. Diferente da memória retrógrada, dos fatos ocorridos no passado, a memória anterógrada (que envolve fatos recentes) localiza-se no lobo temporal região do hipocampo e amígdala.

A memória depende de diversos sistemas de conexões neurais, sendo um dos principais o chamado circuito de Papez, que envolve o hipocampo, o fórnix, os corpos mamilares e o septum e o núcleo anterior do tálamo. As regiões mais sensíveis para a produção de distúrbios da memória são: os lobos temporais mediais, o diencéfalo e a região frontobasal.

Referências:

Kaster S, Ungerleider LG – Mechanisms of visual attention in the human cortex. Annual Reviews of Neuroscience 2000,23:315-341.

Lent R – Cem Bilhões de Neurônios: Conceitos Fundamentais de Neurociência. São Paulo, Editora Atheneu 2001

Purves D, Augustine GJ, Fitzpatrick D, Katz LC, et al Cap 24. Cognition. In LaMantia AS & McNamara JO – Neuroscience Sinauer Associates, Sunderland, EUA 1997,p.465-482.

Purves D, Augustine GJ, Fitzpatrick D, Katz LC, et al Cap 29. Human Memory. In LaMantia AS & McNamara JO – Neuroscience Sinauer Associates, Sunderland, EUA 1997,p.465-482.

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29 - out

Dificuldade de deglutir os alimentos – Disfagia

Categoria(s): Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia geriátrica

Editorial

A inapetência (falta de apetite) é um dos grandes responsáveis pela piora do estado de saúde dos idosos. Uma série de fatores pode provocar a inapetência, e dentre eles chama atenção a dificuldade de deglutição dos alimento, interferindo no transporte desse alimento da boca até o estômago. Este fato chama-se de disfagia, e não é uma doença e sim um sinal de algum mal funcionamento da orofaringe ou esofago.

A disfagia pode ser causada por inúmeras doenças, sendo classificadas nas formas: neurogênicas; mecânicas; iatrogências, psicogênicas e decorrente do envelhecimento.

Nos idosos há uma deterioração do sistema sensitivo e motor, decorrente do processo natural do envelhecimento, porém isso não causa a disfagia, mas deixa a fisiologia da deglutição de mais propensa à fragilização.

O aumento do depósito de gorduras e crescimento de tecido fibroso na língua, ocasiona sua hipertrofia, diminuição da mobilidade, alteração na força de propulsão, levando a incoordenação dos movimentos e menor amassamento do alimento junto ao palato, não forma o bolo alimentar.

A disfunção e artrose da articulação temporo-madibular leva a uma diminuição da força mastigatória; o alimento é pouco triturado e ocorre a incapacidade de lateralizar o alimento na boca. Outro fator prejudicial é a incontinência labial que ocorre com muita freqüência.

A perda das papilas gustativas, alteram o paladar do idoso, sendo um dos maiores responsáveis pela recusa na alimentação. As perdas dentárias ou próteses mal adaptadas completam o terrível quadro.

Todas estas disfunções resultam em engasgos, tosses e pigarros constantes, mesmo sem estar se alimentando. O idoso se recusa a usar alimento sólidos, usa muito líquido nas refeições, pode ter regurgitação nasal, dificuldade de mastigação, isolamento durante a refeição (vergonha de atos incovenientes -vômitos, regurgitação nasal, tosse, espirros – ou de ser repreendido durante o almoço e ou jantar em família).

Como citamos anteriormente existem inúmeras causas que promovem a disfagia, podem ser um sinal de alerta para doenças graves como o câncer de laringe. O idoso deve fazer uma avaliação periódica aos odontologias, otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, pois estes profissionais podem diagnósticar e tratar corretamente as disfunções da deglutição, evitando a desnutrição e isolamento social.

Saiba mais sobre fisiologia da deglutição

Referências:

Kennedy, J. G. & Kent, R. D. Physiology substrates of normal deglutition.
Dysphagia,1988; 3: 24 -37.

Dodds, W. The physiology of swallowing. Dysphagia, 1989;3, 171-178.

Russo I – Intervenção Fonoaudiológica na Terceira Idade – Editora Revinter, São Paulo,1999.

Freitas EV et al – Tratado de Geriatria e Gerontologia – Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro,2002.

Macedo Filho ED et al – Disfagia: Abordagem multiprofissional Editora Frôntis, São Paulo,1999

Jacobi J – Disfagia: Avaliação e tratamento – Editora Revinter, São Paulo,2003

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28 - out

Paciente Terminal – Aplicação dos princípios morais e éticos

Categoria(s): Conceitos, Gerontologia, Sociologia, Tanatologia

Paciente Terminal – Aplicação dos princípios morais e éticos

Colaboradora : Vera Regina Tufaile Kovask *

* Enfermeira e Gerontóloga

Observamos na área da saúde, o benefício com o avanço tecnológico, como o aumento do tempo médio de vida, a preservação e erradicação de algumas doenças. O aumento da eficácia e a segurança de novas terapias também levam a questionamentos quanto ao aspecto econômico, ético e legal em pacientes cuja indicação nem sempre são apropriadas, indicando que o emprego de tais medidas de tratamento possam ser inadequadas.

Nas unidades de terapia intensiva existe um grupo de pacientes que por mais que você utilize todo o arsenal tecnológico a evolução da doença levará a morte (inevitável) e no entanto prolongou-se o sofrimento do paciente.

Na ultima década foram testados inúmeros escores clínicos com o objetivo de identificar aqueles pacientes com alta taxa de mortalidade e os mais aceitos foram o TISS, APACHE, MOF e em pediatria o PRISM. Porém esses escores não se aplicam a casos individuais, eficazes em grupos de pacientes.

Hoje a finalidade do médico é fornecer o melhor cuidado possível junto com a melhor evolução e com os recursos disponíveis, dentro da ética médica e respeitando o paciente.

Conceituação de paciente terminal

Na evolução de uma doença, em um determinado momento mesmo dispondo de todos os recursos observamos que o paciente não é mais salvável, ou seja, a morte é inevitável. Neste momento as medidas terapêuticas não aumentam a sobrevida, apenas prolongam o processo lento de morrer.

O momento em que o paciente deixa de ser salvável e passa a um quadro de morte inevitável é impreciso, variável e depende de uma série de fatores.

A identificação do período de inversão de expectativas envolve um processo de racionalização, levando a uma postura crítica, neutra, isenta de preconceitos, avaliando as opções terapêuticas de acordo com o estágio da doença.

Essa racionalização leva em conta pelo menos três grandes critérios:

1- Objetivos- através de imagens, exames laboratoriais, anatomo-patológicos;

2- Subjetivos- exame clínico, ausência de interação com o meio ambiente, etc;

3- Intuitivos- avaliados pelo grupo médico e do paciente.

Após a aplicação desses critérios obtemos uma concepção do paciente como um todo e o atual estágio da doença. Agora com a aplicação deste conceito mais os princípios de moral e ética, podemos adotar as medidas adequadas para cada paciente, individualmente.

Aplicação dos princípios morais e éticos

A atuação médica é movida por dois grandes princípios morais: a preservação da vida e o alívio do sofrimento. No caso do paciente ser salvável procuramos a preservação da vida, no entanto quando o paciente não é mais salvável procuramos o alívio do sofrimento.

A aplicação dos princípios éticos: beneficência, não maleficência, autonomia e justiça, deve ser realizada em uma seqüência de prioridades. Os princípios de beneficência e não maleficência são prioritários sobre a autonomia e a justiça.

A fase salvável indica um período de beneficência, onde aplica-se medidas salvadoras como exemplo diálise, transplante, com o objetivo de preservação da vida. Porém, quando a morte é inevitável e a cura já não é mais possível, o objetivo visa a não maleficência, onde as medidas tomadas são para aliviar o sofrimento.

O princípio da autonomia esta secundária em relação a beneficência e a não maleficência. Exemplo um paciente com câncer em uso de quimioterapia, que desenvolve pneumonia bacteriana e por estar depressivo não quer internar para antibióticoterapia. O motivo da recusa pode precipitar a morte e estaria sendo utilizado acima dos conceitos de beneficência e não maleficência.

Em alguns casos os pacientes (3 a 23%) podem apresentar distúrbios cognitivos, tornando impossível uma decisão e nesses casos, são os familiares que usam o princípio da autonomia.

Mesmo a família passa pelos princípios já citados de racionalizacão e no caso do paciente terminal, após este período a família pode participar das decisões junto com a equipe médica. O papel da equipe com a família é o de apresntar de forma imparcial a evolução do caso, discutir pormenorizadamente as possíveis opções, sempre de acordo com a moral e a ética.

O princípio da justiça deve ser levado em conta na decisão final.

Conduta em pacientes terminais

Em primeiro lugar é indispensável haver um consenso em relação ao paciente terminal para depois discutirem as possíveis condutas. Os objetivos devem ser comuns entre familiares e equipe médica, sempre visando a mais conforto e menos sofrimento do paciente.

As condutas empregadas ou não, ao paciente terminal, é polêmica, incluindo a não adoção e/ou retirada de medidas de suporte de vida, ordem de não reanimar, interrupção de tratamento fútil, suspensão de cuidados ordinários ou extraordinários, distanásia e eutanásia.

Uma das recomendações do Task Force on Ethics da SCCM, sugere que uma vez tomada a decisão de suspensão do suporte de vida, a atenção da equipe deve ser de aliiviar o sofrimento do paciente e a atenção da família deve ser de assegurar uma morte mais digna. A equipe deve manter os cuidados de higiene e conforto, tratamento para a dor, depressao, ansiedade.

Veja mais em Cuidados Paliativos

Referências:

Ferrel BR, Coyle, N. An overview of palliative nursing care. American Journal Nursing, V 102, n.5 p.26-32,2002.

Twycross, R. Medicina Paliativa: filosofia y consideraciones éticas. Acta Bioethica, v.6, n.1, p.27-46, 2000.

Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.

Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.

http//www.medicinaintensiva.com.br/eutanásia1.htm

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