Set
26

Hiperglicemia aguda no idoso

Categoria(s): Bioquímica, Emergências, Endocrinogeriatria


Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A hiperglicemia é o aumento da glicose no sangue. A Sociedade Brasileira de Diabetes considera que valores acima de 126 mg em jejum são índices suspeitos de diabetes. Valores acima de 200 mg em qualquer ocasião fazem o diagnóstico. Para detectar hiperglicemia deve medir a glicose no sangue, pode ser feito nas seguintes ocasiões: em jejum e antes das principais refeições (almoço e jantar) ; em jejum e 2 horas após as principais refeições e até duas horas após as refeições (glicemia pós-prandial).

As principais causas de hiperglicemia são: diabetes mellitus primária ou secundária a outras doenças, excesso de alimentação, pouco exercício físico e a síndrome metabólica (hipertensão + dislipidemia + diabetes + obesidade).

O idoso primeiramente é assintomático tendo o estado confusional agudo, a incontinência urinária e o coma cetoacidótico como manifestações iniciais. Posteriormente, os principais sintomas são: sede, poliúria, visão turva, muita fome com emagrecimento, cansaço fácil, impotência, pele seca, cefaléia, podendo evoluir para náuseas, vômitos, sonolência, dificuldades para respirar e hálito cetônico (adocicado).

Metabolísmo dos carbohidratos

Os carboidratos dos alimentos são convertidos, em poucas horas, no monossacarídeo glicose, o principal carboidrato encontrado no sangue.

Após a absorção dos carboidratos nos intestinos, a veia porta hepática fornece ao fígado uma quantidade enorme de glicose que vai ser liberada para o sangue e suprir as necessidades energéticas de todas as células do organismo.

As concentrações normais de glicose plasmática (glicemia) situam-se em torno de 70 - 110 mg/dl, sendo que situações de hiperglicemia tornam o sangue concentrado alterando os mecanismos de troca da água do intra e extra cleular, além de ter efeitos degenerativos no sistema nervoso central. Sendo assim, um sistema hormonal apurado entra em ação para evitar que o aporte sangüíneo de glicose exceda os limites de normalidade. Os hormônios pancreáticos insulina e glucagon possuem ação regulatória sobre a glicemia plasmática.

A insulina é produzida nas células beta das ilhotas de Langerhans e é armazenada em vesículas do Aparelho de Golgi em uma forma inativa (pró-insulina). Nessas células existem receptores celulares que detectam níveis de glicose plasmáticas (hiperglicemia) após uma alimentação rica em carboidratos.

A ativação da insulina ocorre com a retirada do peptídeo C de ligação, com a liberação da insulina na circulação sangüínea. Como efeito imediato, a insulina possui três efeitos principais:

1-Estimula a captação de glicose pelas células;
2-Estimula o armazenamento de glicogênio hepático e muscular (glicogênese);
3-Estimula o armazenamento de aminoácidos (fígado e músculos) e ácidos graxos (adipócitos).

Como resultado dessas ações, há a queda gradual da glicemia (hipoglicemia) que estimula as células alfa-pancreáticas a liberar o glucagon. Este hormônio possui ação antagônica à insulina, com três efeitos básicos:

1-Estimula a mobilização dos depósitos de aminoácidos e ácidos graxos;
2-Estimula a glicogenólise;
3-Estimula a neoglicogênse.

A captação de glicose pela célula se dá pelo encaixe da insulina com o receptor celular para insulina. Esse complexo sofre endocitose, permitindo a entrada de glicose, eletrólitos e água para a célula; a glicose é metabolizada (através da glicólise e Ciclo de Krebs), a insulina degradada por enzimas intracelulares e o receptor é regenerado, reiniciando o processo.

O tratamento dependerá do fator que desencadeou a hiperglicemia, e como medida emergencial utiliza-se a hidratação, suplementação de potássio e insulinoterapia. Este tratamento deve ser feito um unidades de terapia intensiva.

Ver mais - Diabetes: Complicações

Referências:

1- Brasil. Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde. Redes Estaduais de Atenção à Saúde do Idoso: Guia operacional e portarias relacionadas/Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde – Brasília: MS, 2002.

2- Prevenção de doenças Crônicas. Investimento vital. Copyright Organização Mundial da Saúde (OMS), 2005.

3- Guimarães, Renato M, Cunha, Ulisses G.V. Sinais e Sintomas em Geriatria, Revinter, Rio de Janeiro.

4- Moraes, E.N. Princípios Básicos de Geriatria e Gerontologia. Coopmed, (2006 em editoração).

5- Lourenço, R. A; Motta, L. B. Prevenção de doenças e promoção de saúde na terceira idade. In: Veras, Renato P. (org.). Terceira Idade: Alternativas para uma sociedade em transição. Edição. Rio de Janeiro: Relume-Dumará /UnATI-UERJ, 1999.

Tags: , ,

Indique esse artigo Indique esse artigo


1 Comentário »

  1. Alvaro L Trentini comenta:

    16 Dezembro, 2007 @ 06:45

    Larissa,

    Fiz uma busca na internet para entender o que é “síndrome de má-absorção de glicose” e encontrei esta resenha.
    Gostaria de agradecê-la por esta publicação, pois ajudou no entendimento e elogiar a clareza com que você conseguiu expor o assunto num meio que é muito permeado por termos técnicos!

    Obrigado,

    Alvaro

RSS Feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe seu comentário aqui !