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Incapacidade funcional e o papel da fisioterapia
Categoria(s): Fisioterapia, Gerontologia |
Painel
Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti *
* Médica geriatra
A incapacidade funcional exerce grande efeito negativo no bem-estar individual, gerando mais necessidade de assistência formal, informal e cuidados por longos períodos (Jette, 1996; Lamb, 1996). As doenças não transmissíveis (DNT), representadas, sobretudo, pelas osteoartroses, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca, diabetes, doenças coronarianas e cérebro vasculares, são as maiores causas de incapacidades, especialmente entre os mais velhos.
Segundo Melzer e Parahyba (2004), a prevalência de incapacidade funcional na população idosa brasileira é maior em mulheres, aumenta com o avançar da idade. A disparidade econômica e educacional são os indicadores mais importantes deste fato.
Segundo Rabelo e Cardoso (2005) a Incapacidade funcional é comumente definida como a restrição da capacidade do indivíduo de desempenhar atividades normais da vida diária e quantifica o impacto de doenças ou acidentes. Refere-se também a limitações específicas no desempenho de papéis socialmente definidos e de tarefas dentro de um ambiente sociocultural e físico particular. Estão incluídas as atividades básicas e instrumentais de vida diária, os papéis no trabalho, nas atividades não-ocupacionais, nos recreativos ou de lazer
Papel da fisioterapia
Visando atingir uma velhice com saúde e qualidade de vida, deve-se ter como objetivos fisioterápicos: 1. promover medidas que possibilitem o retardar os processos inerentes ao envelhecimento, 2. Orientar sobre os fatores que podem estimulem o envelhecimento prematuro ou patológico, e como evita-los; 3. reduzir ao máximo as situações que gerem perda da independência e autonomia do idoso.
Por isso a prevenção das doenças, a fisioterapia aplicada quando necessária e a introdução de atividades físicas de acordo com cada paciente sempre será benéfico.
Durante a avaliação fisioterápica inicial do paciente idoso é fundamental a utilização de questionários como a escala funcional de Katz e Lawton, que permitem a compreensão imediata da capacidade funcional do indivíduo. Em seguida a anamnese é dirigida, questionando-se quanto a ocupação anterior e a identificação do cuidador.
Depois de se estabelecer o diagnóstico clínico, é feito uma correlação entre doença e o grau de incapacidade existente, além de avaliar a queixa e a duração da incapacidade.
No exame físico, inicialmente, deve observar a marcha, se está acompanhado, usando bengala, muleta ou cadeira de rodas. No exame da marcha verificam-se as fases, do equilíbrio e da coordenação, as atividades instrumentais de vida diária.
O exame dos movimentos do sistema locomotor, compreendido pela força muscular, pelo trofismo, pelas amplitudes dos movimentos articulares, pelo padrão respiratório, e alteração de sensibilidade, a postura, tanto estática como dinâmica.
Principais doenças incapacitantes
As principais doenças que causam incapacidade nos idosos e devem ter uma avaliação fisioterápica são:
1 - O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como “derrame cerebral”, pode ocasionar deficiências motoras e/ou sensitivas localizadas, sendo que esses sinais neurológicos indicam a área do cérebro que foi afetada.
Após um episódio de AVC podemos observar uma grande deterioração da qualidade de vida, tornando o paciente incapacitado para andar, ver, sentir, falar.
2 - As doenças pulmonares crônicas representadas principalmente pela doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): a asma e a bronquiectasia, pioram a qualidade de vida dos idosos, pois o paciente sente falta de ar (dispnéia), tosse com expectoração, que levam a baixa tolerância a exercícios, limitando-o nas atividades da vida diária (AVD).
A pneumonia pode ocorrer em pacientes idosos acamados ou mesmo portadores de doenças crônicas, sendo extremamente freqüente e grave nessa faixa etária.
3 - Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, de evolução lenta e progressiva, que leva a incapacidade física nas fases mais avançadas, com sintomas como tremor, rigidez, acinesia (perda de movimento), alterações de postura e da motricidade automática, resultando em quedas freqüentes e riscos de fraturas
4 - Doenças osteoarticulares são afecções que acometem o idoso entre elas a osteoporose, a artrite reumatóide e a osteoartrose.
-A osteoporose é muito comum e está associado ao grande risco de queda e fraturas. As fraturas de quadril e de colo de fêmur estão entre as maiores causas de imobilização e dependência física.
-A artrite reumatóide é um processo inflamatório crônico, sistêmico, afetando as membranas sinoviais e causando além de dor, deformidades articulares.
-A osteoartrose é uma doença articular degenerativa, leva a dor articular e incapacidade, com rigidez matinal no início e deformidade na fase tardia, com instabilidade articular e dor mesmo no repouso.
5 - As Demências são doenças neurológicas responsáveis por mais de 50% das admissões em casas de repouso, por causar incapacidade de realizar as AVDs. Leva a um quadro de diminuição progressiva da função cognitiva,isto é, perda de memória, perda da capacidade de abstração e juízo, geralmente com alteração da personalidade. Exemplos são a Doença de Alzheimer e a demência por múltiplos infartos, além de falta de vitaminas, hipotireoidismo, infecções e outras.
6 - Quedas: a instabilidade do porte e as quedas são as maiores causas de incapacidade para os idosos, sendo causada tanto pelos próprios fatores do envelhecimento como por diversos outros fatores como causas patológicas, fatores extrínsecos.
7 - O idoso restrito no leito, por fatores físicos apresentam aspectos psicológicos que compõe um “quadro de imobilidade” que piora muito a sua qualidade de vida.
Dos fatores físicos citar as disfunções neurológicas, osteoarticulares e cardiovasculares, por serem geralmente as mais incapacitantes.
Os fatores psicológicos como medo de cair e a depressão contribuem para a diminuição da mobilidade. Nos pacientes restritos ao leito que não tem condições de ter uma cadeira de rodas, uma bengala, ou mesmo não tem outros suportes adequados para a doença na própria casa, e principalmente a falta de estímulo pelo cuidador.Todos estes fatores pioram o quadro do paciente e aumentam a sua incapacidade.
O importante é investir na prevenção, é olhar o paciente em todo o seu mundo, onde vive, o que come, onde dorme, quem cuida, se precisa de ajuda e antes não precisava, avaliar as medicações utilizadas, introduzir novos tratamentos desde a fisioterapia, a fitoterapia a acupuntura, tratamento cirúrgico e medicamentoso se for o caso, nunca desistir e dar esperança para que o paciente consiga trabalhar com as suas doenças, a sua vida, a dignidade e principalmente corrigir a incapacidade procurando a sua independência, a sua autonomia.
Referências:
YUASO,DR e SGUIZZATTO,GT; Fisioterapia em pacientes idosos. Gerontologia, cap.30,pg.331-347, Atheneu,2002.
RABELO, Dóris Firmino y CARDOSO, Chrystiane Mendonça. Auto-eficácia, doenças crônicas e incapacidade funcional na velhice. PsicoUSF, jun. 2007, vol.12, no.1, p.75-81.
Tags: Artrite, AVC, bronquite, dispnéia, DPOC

ERALDO DE SOUZA LACERDA comenta:
23 Novembro, 2007 @ 08:11
ola…sou academico do curso de fisioterapia da FACULDADES INTEGRADAS AEMS de TRES LAGOAS MS, estou no sexto periodo e pesquisando para um trabalho de Geriatria, quero primeiro parabenizar pois esse site foi de extrema importancia para minha pesquisa, esta bem explicado o papel do fisioterapeuta e me deixa com mais vontade de seguir nessa area…
Se for possivel, gostaria de ser informado mais sobre o papel do fisioterapeuta no tratamento de disfunções neurologicas em idosos e como manipular o paciente tanto para coloca-lo em uma cadeira de roda, coloca-lo na cama ou em qualquer outro tipo de dispositivos de auxilio…
obrigdo!
Prof. Armando comenta:
26 Novembro, 2007 @ 04:33
Prezado Eraldo,
Na área da Fisioterapia Geriátrica este é um dos melhores livros.
Fisioterapia Geriátrica - A prática da Assistência ao Idoso (2. edição)
Jose Rubens Rebelatto & José Geraldo da Silva Morelli
Editora - Manole, Barueri,SP, 2007
Esta obra aborda aspectos demográficos do envelhecimento da população e discorre sobre as diversas teorias atuais que procuram explicar o processo de envelhecimento humano, este livro analisa a influência desse processo nos diferentes órgãos e sistemas corporais do indivíduo. Outra característica marcante é a listagem dos diferentes procedimentos para a aplicação dos recursos físicos na terapia de afecções do idoso, destacando os cuidados necessários, as indicações e as contra-indicações.
Cap. 1 Qualidade de vida na velhice
Cap. 2 Aspectos biológicos do envelhecimento
Cap. 3 Avaliação do idoso: anamnese e exame da performance física
Cap. 4 Fisiologia do exercício aplicada ao idoso
Cap. 5 Quedas: fatores determinantes, conseqüências e intervenções profissionais
Cap. 6 Aplicações dos recursos eletrotermofototerápicos em idosos
Cap. 7 Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de disfunções neurológicas
Cap. 8 Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de doenças reumáticas
Cap. 9 Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de patologias traumato-ortopédicas
Cap. 10 Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de disfunções cardiovasculares
Cap. 11 Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de disfunções do sistema respiratório
Cap. 12 Revitalização geriátrica
Cap. 13 Emergências e primeiros socorros em geriatria
Boa sorte.
suellen comenta:
16 Abril, 2008 @ 23:34
olá,estou no 1º ano de fisio e pesquisando para um trabalho sobre o papel do fisioterapeuta nas doenças cardiacas,gostaria de saber qual a importancia do fisioterapeuta em um paciente q sofreu insuficiencia coronariana?
obrigada…e achei mto intereçante esse site!
luciana narcizo comenta:
19 Abril, 2008 @ 00:47
Estou no sétimo período, e estou fazendo meu trabalho de tcc, sobre geriatria,achei muito interessante este site.
clemilda comenta:
26 Maio, 2008 @ 13:37
Olá!
Estou ajudando minha irmã em um trabalho da faculdade,ela está no terceiro periodo de fisioterapia e estamos necessitando de alguns dados.
Mas primeiramente quero parabenizá-los pelas matérias disponíveis para que possamos aprender sempre mais.Segue abaixo conteúdo de materias para pesquisas:
*Evolução da fifiologia do exercico desde seu surgimento até os dias atuais;
*Apontar o momento em que a fifiologia do exercico passou a ter relevância cientifica;
*Explicar a importancia da fisiologia do exercico para fisioterapeuta;
*Identificar e descrever as patologias pela fisioterapia apartir dos anos 70 e, como evoluiu está doença, e como é esta doença que apresenta hoje em 2008.Erradicada?Agravada?Virou epidemia?
Certa de poder contar com vossa colabaoração e atenção, agradeço.
Caso tenha algum livro que eu possa comprar que fale sobre o assunto favor me informar.
Obrigada1
Clemilda
clemilda comenta:
26 Maio, 2008 @ 13:38
Parabéns pelo site , é muito bom mesmo , sempre que tenho tempo e preciso leio as matérias.
Andreia comenta:
30 Setembro, 2008 @ 18:21
Olá sou fisioterapeuta gostaria de indicações de livro
s neurológicos aplicados a pacientes portadors de seque
las de avc.(tratamento fisioterápico)
como possso comprar aguardo sua resposta.obrigado(a)