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Tuberculose pulmonar nos idosos

Categoria(s): DNT, Demografia, Infectologia, Pneumogeriatria, Programa de saúde


Resenha

Colaboradora: Angela Terezinha Faveri Fornari *

* Nutricionista e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

Conceitos

kochA Tuberculose (TBC) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, o Bacilo de Koch. O M. tuberculosis é um aeróbio obrigatório e um parasita intracelular facultativo. A capacidade de invadir e disseminar-se pelo corpo humano está, principalmente, ligada à capacidade dos bacilos da TBC de sobreviver e proliferar no interior de fagócitos mononucleares.

Atinge principalmente os pulmões, mas pode acometer diversas partes do corpo, como pleura (derrame pleural), ossos, meninge (meningite tuberculosa), gânglios (ínguas), ovário, trompas, testículos, intestino, entre outros.

O contágio ocorre por via inalatória, a partir de aerossóis durante o ato da tosse, fala e espirro de pessoa que está com tuberculose pulmonar. Os aerossóis ficam em suspensão no ar como gotículas microscópicas (chamadas de gotículas de Pflugge) que ao serem aspiradas por uma pessoa sã, ultrapassam os mecanismos de defesa da árvore respiratória vindo a se depositar nos alvéolos pulmonares onde então iniciarão o processo patológico da doença.

A tuberculose pode acontecer em diversas áreas do corpo, mas é só quem tem tuberculose no pulmão, com exame de escarro positivo, que tem o risco de contaminar outras pessoas. O escarro dos pacientes pode conter entre 1 milhão e 100 milhões de bacilos/ml e essas pessoas tossem com freqüência. Apesar de os pacientes com TBC expectorarem um número impressionante de bacilos, a probabilidade de geração de partículas infecciosas é relativamente baixa.

Epidemiologia e notificação

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em 1990, um terço da população mundial, ou 1,7 bilhão de pessoas, apresentava infecção latente por M. tuberculosis. Hoje esse número pode chegar a 2 bilhões. Pode atingir todos os grupos etários, embora cêrca de 85% dos casos ocorram em adultos e 90% em sua forma pulmonar. De cada 100 pessoas que se infectam com o bacilo, cerca de 10 a 20% adoecerão. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam um aumento de sua incidência em todo o território nacional.
Sendo uma doença infecciosa crônica, na ausência de tratamento eficaz evolui para a doença ativa, de forma consuptiva, sobrevindo, como última conseqüência, a morte.

O Brasil passa por uma transição demográfica, cuja conseqüência tem sido o aumento do segmento da população de idosos, apresentando características que os diferenciam do resto da população. Concomitante ao aumento desta população vulnerável, vem-se observando o aumento do número de casos de tuberculose na faixa etária correspondente aos idosos.

A tuberculose é uma doença de Notificação Compulsória, ou seja, de controle obrigatório pela Secretaria de Saúde e é, atualmente, a principal causa infecciosa de morbidade e mortalidade no mundo.

Tbc na população de idosos

Apesar do tema ter sido interesse de pesquisas desde a década de 40 do século passado, ainda existem poucos trabalhos e indefinição sobre o comportamento diferenciado da TBC na população de idosos.

Os idosos de hoje são sobreviventes de coortes nascidas na década de 1940, tendo sido expostos à TBC durante suas infâncias, quando a prevalência da doença era alta e os esquemas terapêuticos menos eficazes. Por este motivo estima-se que 20% a 50% dos idosos tenham TBC. Esta população, albergando o bacilo de Koch e com as deficiências próprias do envelhecimento, pode vir a desenvolver a doença.

A população geriátrica está mais predisposta ao desenvolvimento da tuberculose, tanto a partir da reativação endógena (mais freqüente e que constitui num “foco” de manutenção da doença na comunidade), quanto da reinfecção exógena.

Por ter sua transmissão preferencial ligada à via aérea, a doença encontra no idoso um sistema respiratório senescente, com redução de seus mecanismos de defesa, o que aumenta ainda mais o risco de infecção e de adoecimento a partir de reativação de focos latentes.

Esta maior suscetibilidade à doença pode ser explicada pela depressão das defesas orgânicas na idade avançada, incluindo as alterações na função imune, no clearance mucociliar e na função pulmonar. Além disso, as inúmeras condições imunossupressoras associadas tais como diabetes, insuficiência hepática, insuficiência renal, desnutrição e terapia prolongada com corticosteróides também podem contribuir de forma decisiva no desenvolvimento da lesão tuberculosa.

A literatura de países desenvolvidos relata que a maioria dos idosos desenvolve TBC por reativação de foco latente de cepas adquiridas na infância, quando ainda não havia tratamento específico. Conseqüentemente, a grande maioria dessas cepas não é resistente à medicação usual, e, como a farmacodinâmica dos medicamentos antituberculose é a mesma nos idosos (aumentando apenas a possibilidade de efeitos colaterais e de interação medicamentosa), a maioria deles evolui para a cura.

A TBC no idoso é mais comumente localizada nos pulmões, porém sua apresentação radiológica pode ser atípica. No idoso freqüentemente tem o seu diagnóstico retardado pela dificuldade de reconhecimento do quadro clínico, que muitas vezes é confundido com as alterações próprias do envelhecimento ou não é referido de forma adequada pelo paciente, situação agravada pela falta de profissionais capacitados para o atendimento aos idosos.

Diagnóstico

O exame instituído para diagnóstico de TBC, nas unidades de saúde, é a baciloscopia, que no idoso nem sempre é possível de ser realizada, pela menor freqüência de tosse eficaz e, portanto, de produção de escarro, bem como pelas limitações cognitivas, que geram problemas na coleta do exame.

A confirmação bacteriológica da doença deve ser buscada, visto que, no idoso, os sintomas clássicos sugestivos da doença são menos freqüentes. Além do mais, o diagnóstico diferencial da TBC no idoso é muito mais amplo, sendo freqüente a ocorrência de patologias graves que podem provocar dúvidas, como as neoplasias. Dessa forma, se o exame de escarro for negativo, métodos invasivos não devem ser descartados para a elucidação diagnóstica.

Um estudo, realizado no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, relatou uma mediana de tempo do início dos sintomas até o diagnóstico, para a população geral, de 60 dias, o que pode expressar problemas de acesso aos serviços de saúde. Outro estudo mostra uma alta porcentagem de óbitos (31,1%), refletindo a maior vulnerabilidade à doença entre os idosos.

Programas de saúde

Desde a década de 70 (século XX), no Brasil estão disponíveis praticamente todos os recursos técnicos indispensáveis para o diagnóstico, tratamento e profilaxia da tuberculose. O Ministério da Saúde definiu a TBC como prioridade entre as políticas governamentais de saúde e, atualmente, a Secretaria de Políticas de Saúde, através do Departamento de Atenção Básica, estabeleceu parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, através dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde e Saúde da Família, com estratégias para reorganização da atenção básica do país mediante as quais seria possível controlar a TBC.

Os idosos constituem um grupo populacional de risco para TBC e, portanto, merecem abordagem especial dos programas de controle da doença, que devem levar em consideração as peculiaridades desta faixa etária.

Os profissionais das equipes das unidades básicas de saúde são o agente mais importante para a reversão desse quadro. Eles devem estar capacitados e instrumentalizados para poder educar a comunidade em que atuam a prevenir a TB, buscar os casos suspeitos, fazer um diagnóstico rápido e preciso, instituir o tratamento adequado e acompanhar os clientes até a cura.

Referências:

CAMPINAS, Lúcia L.S.L.; FERRAZOLI, Luciane; TELLES, Maria A.S.; et al. Manual de orientação para coleta de amostras de escarro, e outros materiais para baciloscopia e cultura para diagnóstico e controle da Tuberculose. Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac. Divisão de Tuberculose. 2002. [on line]

CAVALCANTI, Zilda R.; ALBUQUERQUE, Maria F.P.M.; CAMPELO, Antonio R.L.; et al. Características da tuberculose em idosos no Recife (PE): contribuição para o programa de controle. J Bras Pneumol. 2006;32(6):535-43. [on line]

OLIVEIRA, Hedi M.M.G.; RIBEIRO, Fernando C.V.; BHERING, Marcela L.; et al. Tuberculose no idoso em hospital de referência. Pulmão RJ 2005; 14(3): 202-7. [on line]
SOUZA, Jorge W.M. Tuberculose. [on line]

Prefeitura de Porto Alegre. Programa municipal de controle da tuberculose. PMPA/SMS / Políticas em Saúde / Pneumologia. [on line]

MAIA, Plínio V. Tuberculose. [on line]

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4 Comentários »

  1. magno cardoso comenta:

    29 Novembro, 2007 @ 17:21

    Queria receber maiores informações sobre o tratamento da turberculose nos idosos afim de melhor acompanhar o tratamento de um avó

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    30 Novembro, 2007 @ 12:13

    Olá. Magno
    Futuramente, entrará no ar uma página a este respeito.
    Todo dia tem uma página nova, com assunto sobre geriatria e gerontologia.
    Já existem 60 páginas programadas, indo ao ar automaticamente.
    O mais breve colocaremos uma página a respeito do tratamento da TBC.
    Prof. Armando

  3. adenalva matos da costa comenta:

    14 Abril, 2008 @ 18:47

    gostaria de saber como cuidar de um idoso com TB

  4. SUELI comenta:

    20 Abril, 2008 @ 12:24

    Gostaria de saber qual hospital de referência que cuidede casos referente à Pulmões pois meu irmão de 40 nos de idade têm bronquite crônica, e hoje mesmo foi medicado pelo médico do posto pois seu RX, mostrou uma peneumonia e outras coisas,ele sugeriu que ele procure um especialista para definir o que seria estas outras coisas,a medicação que ele está usando é a amoxilina, mas a minha preucupação é que ele já teve agua na pleura quando mais jovem, por favor me orientem aonde ele deve procurar, pois eles são moradores da Baixada Fluminense,e lá os recursos são os mínimos possíveis, e os profissinonais de lá não ligam por acharem que a população de lá não são esclarecidos e por isso não estão nem ai para eles, desde já na certeza da colaboração de vocês obrigado Sueli.

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