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Contos do Bié - Carro de Bois
Categoria(s): Contos e Poemas |
Sabedoria
Colaborador: Gabriel Araújo dos Santos *
* Poeta Mineiro
A saída do carro tem início pelos bois de guia, que obedecem a um leve
toque na guiada - vara comprida com inúmeras argolas presas a uma
espécie de ferrão. Ao tilintar das argolas, logo se põem em movimento
e se arrancam em passos lerdos, sem afobação, nenhuma pressa, modo
herdado do comportamento do carreiro, alma tranqüila, que ao longo dos
anos se faz entender pelos companheiros de trabalho na árdua luta
desta vida, palmilhando os estreitos caminhos que serpenteiam os
fundões de grota.
Não havia uma criança que não desejasse ardentemente pegar
uma chepa nos carros de bois.
O cantar dolente completava o atrativo da meninada
irrequieta. Os solavancos nas trilhas irregulares constituiam como que
um desafio para se manter equilibrado no exíguo espaço entre os dois
fueiros que servem de apoio nos momentos de intenso balanço. Porém,
ao atravessar as raras planícies, que gozo sem conta, sentados de
costas para as juntas, as pernas suspensas a balançarem livres, o
olhar a querer ver tudo em frente e em volta, a estrada de terra
ficando para trás, estreitando-se sempre, � medida que a geringonça
avança…
Como o canto triste do carro que me levava,
triste também tornava-se tudo em volta, e até minh´alma.
A monotonia imperava, tal a preguiçosa marcha dos bois
carreiros, num esforço ingente transportando as toras. Toras, quem
sabe, das árvores que já galguei.
E eu ia montado no carro, distanciando-me dos prados e
das serras; das bicas em que eu bebia e dos corgos em que me banhava,
parceiros de minha alegria nos dias de intensas e santas estripulias.
E o carro cantava. Tudo era melodia. As letras, eu
inventava; a música, o carro fazia…

Eneida Tagliolatto Pires comenta:
30 Agosto, 2007 @ 18:21
Gabriel, toda vez que leio esse trecho que você fala a respeito do carro de boi, eu acabo viajando junto e toda inspirada só posso te dizer isso:
“Ouvindo o ranger das rodas desse carro,
que entoa tão linda melodia,
eu como um pássaro que na certa voava seguindo atento,
procuro ouvir a letra; não consigo,
mas continuo batendo as asas com a esperança
de que mais alto o menino solte seu canto,
para que ali naquela estrada tudo se transforme em encanto”.
Eneida Tagliolatto
PEDRO CORTES DE OLIVEIRA comenta:
24 Março, 2008 @ 23:20
AI QUE SAUDADES ME DA DO TEMPO DE CRIANÇA QUANDO VINHA UM CARRO DE BOI PELA ESTREADA POEIRENTA. PARADA DELES ERA NO FUNDO DE MINHA HUMILDE CASA ONDE COLHIAM AGUA PÁRA FAZER ALMOÇO TANTO OS CARREIROS COMO OS BOIADEIROS QUE ALI PASSAVAM. ONDE FINDAVA UMA CERCO DO PATRIMÔNIO ALI ESPERAVA QUANDO OOUVIA O CANTAR DE COCÕES . POXA QUE SAUDADES EU TENHO DA MINHA INFANCIA. AINDA BEM QUE TEM ESTES ARQUIVOS PARA MATAR NOSSAS SAUDADES. UMA PENA QUE MEU QUERIDO IRMÃO NAO ESTA ENTRE NÓS MAIS. COM ISSO COMPUS UM POEMA (TRIBUTO AO IRMÃO) COM FUNDO DE UM CARRO DE BOI CO IMAGEM TIRADA DESTE ARQUIVO. PARABENS POR TEREM ESTA INICIATIVA. QUE CONTINUE SEMPRE COM ESTE ESPIRITO DE CULTURA E CONSERVAÇÃO DE NOSSOS AVÓS. AQUI AINDA TEM A CARREATA DO SENHOR SEBASTIÃO LEITEIRO, UM GRANDE SUCESSO POR ESTE LADO ONDE VEM SEMPRE DUPLAS SERTANEJAS COMO LIU E LKEU POR VARIAS VEZES CANTAR NESTA CARREATA.
PEDRO CORTES DE OLIVEIRA.
PATROCINIO MG 24 DE MARÇO DE 2008