Arquivo de 14/ago/2007





14 - ago

Risco dos hipnóticos nos idosos

Categoria(s): Cuidador de idosos, Neurologia geriátrica, Psicologia geriátrica

Resenha

Colaboradora: Roberta Inácio Couto *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

corujaEstudos relatam que passamos dois terço de nossa vida dormindo, e calcula-se que 14% das pessoas sofrem de algum transtorno do sono. Muitas vezes, busca-se nos medicamentos indutores do sono, a solução e acaba-se ocasionando outros problema, com quedas, fraturas e até óbito.
O que são hipnóticos ?

Hipnóticas e sedativas são substâncias, que se utiliza em doses menores para sedação, durante o dia e em doses maiores para a indução do sono na hora de dormir.

Os benzodiazepínicos são atualmente, as drogas mais utilizadas como hipnóticos.
Quando dizemos ansiolíticos, benzodiazepínicos observamos que a sedação destas drogas está na dependência da dose. Os benzodiazepínicos ditos hipnóticos são os possuidores de um efeito e sedação rápida e de meia-vida plasmática.

O sono – Uma das atribuições do hipnótico é conseguir atingir o sono, que é definido como um estágio de inconsciência do qual o indivíduo desperta por vários estímulos podendo se eles sensoriais ou não. Há múltiplos estágios de sono, como um sono leve ou sono profundo. O sono leve recebe ondas lentas, é a fase de vigília e relaxamento, diminui tônus vascular periférico, ocorre uma redução de 10 a 30% da pressão sanguínea, frequência respiratória e metabolismo basal, esta é a fase do sono, sem sonhos. A fase do sono profundo é também conhecida como sono REM, em uma noite normal de sono ocorre por cêrca de 5 a 30 minutos e geralmente só ocorre após 80 a 100 minutos da pessoa adormecer. Esse sono geralmente é associado a sonhos intensos, a frequência cardíaca e a respiração irregular. No sono REM o metabolismo global do encéfalo pode aumentar em até 20%.

Insônia – A insônia é um dos sintomas mais freqüente no idoso, esse transtorno aumenta conforme a idade se avança. Vários fatores podem ser considerados como causa para este distúrbio como: problemas fisiológicos, doenças médicas e psiquiatra (como hipertensão, depressão e o uso indevido de alguns medicamentos), problemas sociais (mudanças nas rotinas de atividade, hábitos como sono e vigília).

Existem 03 tipos de Insônia:
A Inicial, que é quando a pessoa custa pegar no sono.
Insônia Intermediária: quando acorda durante a noite.
Insônia Final: quando acorda muito cedo, apesar de dormir rápido.
O sono é importante para a saúde e qualidade de vida, idoso com insônia tendem a ter mais acidentes, para se tratar � insônia em curto prazo, os hipnóticos são apropriados. A insônia dita inicial ocorre nas pessoas com estresse emocional e as insônias finais nos casos de depressão.

Hipnóticos

Os hipnóticos também são classificados como Ansiolíticos. Ao tratarmos Ansiolíticos podemos dizer que há Ansiolíticos Benzodiazepínicos e Ansiolíticos não Benzodiazepínicos.

Portanto os Benzodiazepínicos(BDZ), causam mais reações adversas psicomotoras durante o dia, do que os não BDZ.

Os idosos ao usarem estas medicações devem ter um acompanhamento médico constante, pois os usos destas drogas podem desenvolver uma dependência, confusão, má coordenação, respiração lenta. O uso destes fármacos pode fazer com que o indivíduo sinta deprimido e ansioso, alguns apresentam até a perda de memória. Com isso o idoso pode ficar com expressão de dementes, a fala é lentificada, dificuldade de pensar e compreender os outros, diante dessas reações as quedas nos idosos, torna-se mais freqüente.

Diante do que já foi dito estes medicamentos são utilizados para a indução sono. Nessa fase o sono apresenta movimento rápido nos olhos, conhecido como a fase (REM) é a fase da qual o indivíduo sonha. Portanto o padrão do sono se torna totalmente alterados, a pessoa sonha mais e também acorda mais.

Na medida geral esses transtornos são mais graves, quando as dosagens dos medicamentos são de altas, e o rompimento destes fármacos pode causar abstinência grave nas primeiras 12 a 20 horas, o indivíduo pode ficar nervoso, inquieto e enfraquecido.
Os fármacos mais utilizados como hipnóticos são: Alprazolan, Bromazepan, Clonazepan, Diazepan, Lorazepan, Nitrazepan e Midazolan.

A farmacocinética destes fármacos é de grande relevância, pois as intensidades que os mesmos atingem o seu sítio de ação específico são rápidas. A absorção, distribuição, biotransformação e eliminação destas drogas, não teria nenhuma influência no metabolismo, quando aplicada em um indivíduo jovem, sem doença crônica. Já no idoso os efeitos adversos sofre várias modificações na disponibilidade da droga, levando um aumento na resposta do órgão efetor. Essas modificações são conseqüência do processo de envelhecimento. O idoso sofre uma diminuição da massa muscular e água corporal, diante deste processo, o metabolismo hepático, homeostático,e a capacidade de filtração e de excreção renal, fica comprometido.

Portanto os idosos são mais susceptíveis a se intoxicarem com o uso destas medicações.
O indivíduo idoso leva mais tempo para eliminar a droga do organismo, se ainda ele tiver alguma doença crônica associada, o processo de absorção, distribuição e eliminação, se retarda a cada vez mais. Por tanto, os hipnóticos são drogas que devem ser utilizadas como último recurso para a insônia. Portanto, vale lembrar que a insônia é apenas um sintoma e não uma doença em si. Os benzodiazepínicos empregados como hipnóticos desempenham um papel coadjuvante ao tratamento.

Referências:Guyton. Arthur. C; Fisiologia Humana e Mecanismo de Doenças, 6º ed; editora Guanabara, ano 1997; pág 438-440.

Coutinho. F.L, Texto sobre envelhecimento. Avaliação do Impacto da Intervenção Geriátrica na prescrição do Idoso, V.7, Nº 2. Rio de Janeiro. 2007.

Mamano MS – Ritmo circadiano e o sono nos idosos [on line]

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