Arquivo de Julho, 2007

24
Jul

 Ritmo circadiano e o sono nos idosos

Categoria(s): Gerontologia, Neurogeriatria, Psicogeriatria

Resenha

Colaboradora : Maíra Silva Mamana

* Naturologa, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

sonoO termo ritmo circadiano provém do Latim circa diem, que significa “por volta de um dia”. O ritmo circadiano regula todos os ritmos do corpo desde a digestão até ao processo de eliminação, desde o crescimento ao renovar das células, assim como a subida ou descida da temperatura.Quando há distúrbios do ciclo circadiano, ocorrem diversas alterações, como déficit de atenção, alterações na qualidade do sono, concentração e performace no trabalho e exigências sociais.

Os ciclos circadianos são controlados nos mamíferos pelos núcleos supraquiasmáticos (NQS) (relógios) do hipotálamo anterior e este, por sua vez, estão sob controle temporal por agentes sincronizadores, como a luz.

Qualidade do sono

Com a chegada do processo de envelhecimento ocorrem alterações no ritmo circadiano, provavelmente na qualidade da transmissão da informação ótica pela retina ou ao nível do marcador central – NSQ –, que perde a capacidade de resposta informação. Isso ocasiona modificações na quantidade e qualidade do sono, as quais afetam mais da metade dos adultos acima de 65 anos de idade.

O sono tem sido definido como um estado fisiológico complexo, que requer uma integração cerebral completa, durante a qual ocorrem alterações dos processos fisiológicos e comportamentais, como mobilidade relativa e aumento do limiar de respostas aos estímulos externos. É um estado descontínuo organizado em fases que se diferenciam por traçados eletroencefalográficos específicos. os estudos cronobiológicos descrevem dois sistemas neuroanatômicos que se inter-relacionam sincronicamente na manutenção do ciclo sono-vigília: o Sistema Indutor do Sono e o Sistema Indutor da Vigília. O primeiro mantém os estados de alerta e a capacidade de concentração; o segundo, é responsável pelos diferentes estágios do sono.

Os mecanismos neurofisiológicos que induzem os estados devigília encontram-se no Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), formado por neurôniosnoradrenérgicos, catecolaminérgicos, serotonérgicos, glutamatérgicos e gabaérgicos, entre outros, particularmente ativos durante o estado de vigília. O SRAA conecta-se com todo o diencéfalo e ativa o córtex cerebral. Esses mecanismos funcionam de acordo com o ritmo circadiano. Assim, quando aumenta a temperatura corporal, aumenta a atividade metabólica, com maior produção de catecolaminas, substâncias indutoras da vigília; quando a temperatura cai, a liberação de catecolaminas diminui. Por outro lado, no Sistema Indutor do Sono, os neurônios promotores do sono “tornam-se ativos, diminuindo a atividade cortical através da inibição dos neurônios do SRAA”. O sono pode também ser facilitado pela diminuição de estímulos sensoriais como ruídos e claridade.

O ciclo claro-escuro é o mais importante fator ambiental sincronizador dos ritmos biológicos. A luz muda a fase do relógio circadiano por uma cascata de eventos no interior das células do núcleo supraquiasmático (NSQ), incluindo a ativação do gene mPer1. A informação da claridade/escuridão é transmitida, via trato retino-hipotalâmico, da retina (único receptor da informação) para o núcleo supraquiasmático (NSQ) e deste para a glândula pineal, que regula a secreção de melatonina.

A melatonina exerce um efeito de sincronização no marcador circadiano, sendo fortemente suprimida na presença de luz, aumentando até um determinado platô durante o sono e diminuindo novamente com o despertar.

Existem inúmeras causas potenciais de distúrbios de sono na terceira idade. No intuito de facilitar o seu reconhecimento e manejo na prática clínica, elas foram sistematizadas e classificadas. Uma dessas classificações, elaborada pela Associação Americana dos Distúrbios do Sono, agrupa os principais transtornos em três categorias: dissonias, parassonias e distúrbios médico-psiquiátricos.

Além dos distúrbios relacionados ao ritmo circadiano, transtornos ambientais, tais como higiene inadequada de sono e consumo de substâncias psicoativas, interferem no padrão normal de sono.

Na higiene inadequada do sono, incluem-se tanto as expectativas acerca do sono quanto as condições para dormir (luminosidade, ruídos, temperatura, companheiro de quarto, atividades inapropriadas na cama, ingestão de alimentos e líquidos precedendo o horário de ir para a cama, horário de uso de diuréticos), assim como as alterações comportamentais ou psicossociais.

A adequada avaliação e planejamento das rotinas diárias e de rituais de sono poderão auxiliar o profissional de saúde a selecionar os sincronizadores eficazes.

As condições para dormir devem envolver sempre a preocupação com um ambiente físico confortável e seguro.

Entre os fatores psicossociais, responsáveis pelos distúrbios de sono no idoso, estão o luto, a aposentadoria e as modificações no ambiente social (isolamento, institucionalização, dificuldades financeiras). A morte do cônjuge tem um forte impacto na velhice, podendo estar associada ou não depressão. A aposentadoria e as modificações no ambiente social, quando rompem com os hábitos regulares do idoso, contribuem para reduzir a amplitude do ritmo circadiano, produzindo fragmentação do sono noturno e, freqüentemente, cochilos diurnos usados como fuga monotonia.

Os fatores comportamentais com maior interferência sobre os distúrbios de sono na velhice são a redução da atividade física e da exposição luz solar. A atividade física regular parece resultar em aumento da profundidade e duração do sono. Contudo, alguns cuidados devem ser observados: os exercícios devem ser adequados s condições de saúde do idoso (leve ou moderada intensidade); realizados várias horas antes de dormir, evitando-se o período da manhã quando ocorrem as alterações da pressão arterial, da viscosidade sanguínea e da agregabilidade plaquetária, o que aumentaria o risco de acidentes vasculares cerebrais e cardiovasculares. A exposição ao sol contribui para a regularização do ritmo circadiano e a liberação de melatonina ajusta a temperatura central do corpo e a consolidação do sono.

Ainda que tenham efeito mais lento do que o uso de medicamentos, essas intervenções melhoraram o sono em 70-80% de pessoas jovens. No entanto, sua eficácia diminui com a idade, o que sugere um permanente monitoramento dos efeitos para avaliar a necessidade de combinar estratégias não farmacológicas com terapia medicamentosa.

Os transtornos do sono decorrem também do uso de drogas e álcool. Estima-se que 90% dos idosos utilizam pelo menos uma medicação e que a maioria deles consome dois ou mais medicamentos de uma só vez. Em decorrência, muitos idosos apresentam distúrbios de sono como efeito colateral ou cumulativo dessas drogas, devido diminuição do metabolismo e excreção nesta faixa etária. Em relação aos hipnóticos, largamente consumidos pelos idosos, ressalta-se o efeito depressor sobre o sono REM, necessário para o alívio do estresse mental, tais como tensão e ansiedade.

Além disso, o uso crônico de hipnóticos, sedativos e álcool pode induzir a insônia e, conseqüentemente, hipersonolência diurna, perda do equilíbrio, prejuízos na cognição e no desempenho psicomotor.

Prevenção e tratamento

A prevenção e o tratamento dos distúrbios de sono na terceira idade podem ser feitos por meio de medidas terapêuticas não medicamentosas, destinadas a melhorar a qualidade e quantidade de sono.

Entre essas medidas, está a Terapia Cognitiva e Comportamental, que inclui:
1) a educação sobre a higiene do sono;
2) o controle de estímulos;
3)o relaxamento muscula;
4) a restrição do sono;
5) a terapia cognitiva para a insônia.

Referências:

(1) APARECIDA. F, CALDEIRA. C. J, KOGA. A, MORIOKA. R, NEVES. W, JÚNIOR. J. Cronobiologia e suas Aplicações na Prática Médica. Revista HB Científica – vol.7 n° 1 –Jan/Fev/Mar/Abril, 2000.

(2) ARAÚJO, J.F. Introdução ao Tema Cronobiologia. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) –RN, 1999. Disponível em: <http://www.ufrn.cb.br>. Acessado ás 21:30 dia 22.06.2007.

(3) GEIB, L.T.C; NETO,A.C; NUNES, M.L; WAINBERG, R. Sono e Envelhecimento. Revista Psiquiatria. RS, 25′(3): 453-465, set./dez. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br>

(4) GMDRM: Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmo Biológico. <http://www.crono.icb.usp.br/>. Acessado ás 15:07 dia 24.06.2007.

Veja Também:
Ritmo Circadiano e Ciclo Sono-Vigília
Ritmo circadiano - Cronobiologia
Risco dos hipnóticos nos idosos
Insônia nos idosos - Ação dos hipnóticos
Papel da luz solar no corpo humano
O sono e o sistema endócrino

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23
Jul

 Osteoporose - Abordagem não medicamentosa

Categoria(s): Gerontologia

Resenha

Colaboradora : Sandra Chiavegato Perossi

* Fisioterapêuta, especializada no método Pilates, Pós-graduanda do Curso Saúde e Medicina Geriátrica - METROCAMP

osteoporose

A osteoporose é um grande inimigo oculto de toda a humanidade, causando dores e invalidez nos mais idosos e encargos financeiros para os mais jovens. Este fragelo acomete sobretudo as mulheres na idade pós-menopausa. A pedra fundamental no combate osteoporose é a abordagem terapêutica e preventiva sem o emprego de medicamentos. Esta abordagem visa:

1. Modificar de hábitos de vida

a) Dieta
Otimizar a ingestão de cálcio, presente principalmente em alimentos lácteos e verduras verde-escuras (couve-flor, brócolis, agrião, alface), é a medida mais utilizada e mais aceita por pacientes com baixa massa óssea.
Atualmente, acredita-se que a maior ingestão de proteínas, animal ou vegetal, implica em melhor saúde óssea. O aconselhamento para diminuir a oferta protéica nesses pacientes, pelo risco de ocasionar balanço negativo de cálcio, não encontra mais respaldo na literatura. Recomenda-se, ainda, redução do excesso de sal de cozinha.

b) Diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas e cafeinadas, bem como redução do fumo

c) Atividade física
Recomenda-se exercícios físicos, principalmente aqueles realizados contra a gravidade, caminhadas e corridas leves. Caminhadas de 40 minutos por dia, quatro a cinco vezes por semana, é o mínimo necessário para a manutenção da densidade óssea.

Exercícios para promover uma melhora no equilíbrio, força muscular, coordenação, condicionamento físico, melhora na amplitude de movimento também são recomendados, além de exercícios de extensão da coluna.Mais recentemente, a prática da musculação e de Pilates com exercícios contra resistência, associados a caminhadas, também tem se revelado útil para a manutenção da massa óssea e melhora do equilíbrio. Exercícios contra a gravidade são também importantes.

Embora os mecanismos não sejam claros, parece que as cargas mecânicas estimulam as células ósseas (osteoblastos e osteócitos) nos ossos carregados a alterarem o fluxo de cálcio para aumentar a produção de prostaciclina, prostaglandina E2, óxido nítrico, glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD),além de aumentar a síntese de RNA, com subseqüente liberação de crescimento (Frontera 1999).

d) Exposição solar
A exposição ao sol diária por pelo menos 15 minutos fornece a quantidade mínima necessária para a adequada conversão da vitamina D pelos raios ultravioleta. O uso concomitante de protetor solar pode prejudicar essa conversão.

2. Emprego da fisioterapia
Objetivos:
1. Alívio da dor;
2. Melhora da mobilidade;
3. Auxílio para enfrentar os efeitos psicossociais da doença;
4. Prevenção de perdas ósseas adicionais, tendo em vista a redução do risco de fratura.

Métodos:
1. Hidroterapia
2. Massagens
3. Reeducação Postural
4. Exercícios

Efeito dos exercícios:
1. Promover uma melhora no equilíbrio, força muscular, coordenação, condicionamento físico, na amplitude de movimento;

2. Diminuir a dor; visando sempre a prevenção de quedas e conseqüentemente risco de fraturas.

Tratamento da osteoporose em homens

Devido a menor prevalência da osteoporose em homens, poucos estudos têm analisado sua terapêutica.

Em homens portadores de osteoporose primária e secundária, um terço dos quais era portador de hipogonadismo, observou-se aumento da massa óssea e redução da incidência de fraturas após administração de 10 mg de alendronato diariamente.

A administração de testosterona durante 12 meses em homens hipogonádicos, eugonádicos e em tratamento com corticoesteróide, determinou aumento de 5% da massa óssea.

Prevenção

Para a prevenção é importante considerar os fatores de riscos da população e principalmente os hábitos de vida, que deverão ser mudados conforme já descrito acima.
As orientações higieno-dietéticas gerais são recomendadas como medidas preventivas. Entre elas, destacam-se o aumento da ingestão de cálcio (leite e derivados), redução do excesso de sal de cozinha, otimização da atividade física e a exposição solar, reposição hormonal, parar de fumar e redução da ingestão de bebidas alcoólicas e cafeinadas.

Referências:

1. Carvalho Filho, E.T.;Papaléo Neto, M. – Geriatria: Fundamentos, Clinica e Terapêutica –2. edição - Ed. Atheneu – São Paulo, SP, 2006.

2. Fernandes, C. E. e col. – Osteoporose: Como diagnosticar e tratar - Revista: Revista Brasileira de Medicina – Edição: Dez 00 V 57 N 12 – Osteoporose - Disponível em http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp acessado em 27/06/07 s 23:51 hs.

3. Frontera, W.R.; Dawson, D.M.; Slovik, D.M. – Exercício Físico e Reabilitação – Artmed – Porto alegre, RS, 1999.

4. Pinheiro, M.M.; Szejnfeld, V.L. - Osteoporose: noções gerais e epidemiologia – Revista: Sinopse em Reumatologia - Edição: Out 01 A 3 N 4 - Tema: Revisão Disponível em http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp acessado em 26/06/07 s 22:22 hs.

5. Pinheiro, M.M.; Szejnfeld, V.L. - Osteoporose: quadro clínico, qualidade de vida e diagnóstico - Revista: Sinopse em Reumatologia - Edição: Out 01 A 3 N 4 - Tema: Revisão Disponível em http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp acessado em 26/06/07 s 24:00 hs.

6. Pinheiro, M.M.; Szejnfeld - Tratamento da osteoporose - Revista: Sinopse em Reumatologia - Edição: Out 01 A 3 N 4 - Tema: Revisão Disponível em http://www.cibersaude.com.br/revistas.asp acessado em 27/06/07 s 22:31 hs.

Veja Também:
Osteoporose
Fraturas nas mulheres na pós-menopausa
Osteoporose - Planejamento terapêutico
Osteoporose - Fraturas nos homens idosos
Estudo de caso - Osteoporose
Progeria

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22
Jul

 O câncer é parte do envelhecimento?

Categoria(s): DNT, Gerontologia, Oncogeriatria

Ponto de vista

Sempre nos profissionais da área da saúde nos perguntamos - O câncer é parte do envelhecimento?

oncoA resposta tem que ser afirmativa, pois, quanto mais tempo vivemos mais tempo de exposição aos agentes carcinógenos* teremos. Além disso, a senescência imunológica (envelhecimento do sistema de defesa humano), as alterações na composição dos tecidos (principalmente quanto proporção entre os tipos de colágeno), as mutações genéticas, um maior período de latência levando a um aumento na detecção dos cânceres, são alguns fatores que devem considerados.

Os conhecimentos da biologia molecular do câncer fazem-nos acreditar que o fator mais importante é o próprio tempo de vida, que permite a gradual mudança do genótipo (nosso gene) e aparecimento do fenótipo (aspecto anatômico) canceroso.

Para que o câncer se desenvolva é necessário que haja um desarranjo em vários pontos de controle da divisão celular e do controle do arranjo arquitetural tecidual. A nível celular é preciso que a célula se imortalize, inibindo o fenômeno da apoptose (chamada de morte célular programada); que ocorra uma desregulação nas vias de transdução do sinal mitótico do citoplasma ao núcleo; e que sejam inibidos (ou deletados) genes supressores de tumores.

Na arquitetura tecidual é necessário que a célula possa crescer independentemente da adesão ao substrato; que haja proliferação dos vasos sangüíneos que possam manter a viabilidade tumoral.

* O agente carcinógeno que pode ser substâncias químicas (arsênico, asbesto, aminas aromáticas, benzeno, cromatos, níquel, cloreto de vinil, álcool, nozes de betel, tabaco, agentes alquilantes, dietilestilbestrol, oximetolona, torotrast), vírus, radiação ou luz solar .

Veja Também:
Câncer gástrico
Câncer e Morte celular programada
Feminização do envelhecimento
O estresse e o envelhecimento
Envelhecimento - fenômeno de Hayflick
Estudo de caso - Sangramento intestinal

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21
Jul

 Respeito ao idoso - Repensando o papel do cuidador

Categoria(s): Gerontologia, Sociologia

Editorial

Colaborador : Ruy Barbosa Oliveira Neto *

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

“Se deve tratar com respeito o idoso vítima de crimes, dando imediata atenção a seus reclamos e apurando com rigor os delitos”, Tal frase acredito que resuma bem o contexto abordado na cartilha, pois na maior parte das vezes não se apura com seriedade os abusos contra os idosos renegando assim a autenticidade da sua palavra. Em outras palavras essa já seria uma forma de “violência” contra os mesmos. Esses abusos podem ser de várias maneiras e dentre elas podemos citar:
1.abusos físicos,
2.psicológicos,
3.sexuais,
4.abandono,
5.negligências nas informações por eles declaradas,
6.abusos financeiros,
7.autonegligência

Esses fatos somados a marginalização feita pelos jovens e adultos para com os idosos e a não colaboração socio econômica dos orgão governamentais, agravam ainda mais o quadro.

Com o aumento do número de idosos, assim como o da violência urbana, o que se percebe é que Os idosos acabam ficando nas mãos de familiares ou cuidadores despreparados para o trato com esta população, uma rápida atuação nesse sentido fazer-se-ia necessária, envolvendo principalmente a parte cultural do processo, com palestras e auxílios in locus, tentando assim minimizar essa falta de concientização populacional.

A falta de educação no trânsito ocasiona por negligência dos condutores muitas mortes em idosos em nosso país.

Maus tratos e quedas elevam ainda mais esses números, seja pelos ambientes residenciais ou públicos, que não proporcionam ambientes propícios aos idosos.

A fratura de colo de fêmur é uma das principais causas de hospitalização e metade dos idosos que sofrem esse tipo de lesão falece dentro de um ano e uma outra parcela significativa torna-se dependente do cuidados de outras pessoas.

Enfim o problema é muito complexo, mas não insolúvel, e envolve a sociedade como um todo, e se não começarmos a mudar esse quadro através de medidas sociais, culturais e econômicas, com certeza os frutos dessas negligências serão colhidos por nós mesmos.

Referências:

Cartilha do idoso – [on line]

Gaiolli, CCLO - Ocorrência de maus tratos em idoso no domicílio (Teste de Mestrado - USP) [on line]

Veja Também:
Higiene dos idosos
Cuidados ao medicar o paciente idoso
Violência e abuso contra o idoso
Histórias da Eneida - Quem me dera!
Iatrogenia - Insônia causada por medicamentos
Índice de Katz

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20
Jul

 Hipoglicemia nos idosos

Categoria(s): Bioquímica, DNT, Emergências, Endocrinogeriatria, Nutrição

Editorial

Colaboradora: Angela Terezinha Faveri Fornari *

* Nutricionista e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A hipoglicemia é um distúrbio em que a concentração de açúcar do sangue encontra-se anormalmente baixa. Quando a glicemia está abaixo de 60 mg%, com grandes variações de pessoa a pessoa, podem ocorrer sintomas de uma reação hipoglicêmica.

O quadro é assustador: fome súbita, fadiga, tremores, tontura, batedeira, suores, pele fria, pálida e úmida, turvação da vista, dor de cabeça, dormência nos lábios e língua, irritabilidade, desorientação, mudança de comportamento, convulsões e até perda de consciência. Tais sintomas podem ser observados isoladamente ou em grupo, mas a conduta é sempre a mesma para melhorar a taxa de açúcar no sangue, isto é, elevar rapidamente o nível. Caso não corrigida rapidamente, a glicemia pode ficar cada vez mais baixa. Hipoglicemia noturnas podem se manifestar com pesadelos e gritos, além dos sintomas mencionados.

O cérebro é particularmente sensível concentração sérica baixa de glicose, pois a glicose é sua principal fonte energética. Hipoglicemias severas podem levar a danos neurológicos.
Os indivíduos com diabetes grave de longa duração são particularmente propensos hipoglicemia grave. Isto ocorre porque as células das ilhotas pancreáticas não produzem glucagon normalmente e as adrenais não produzem epinefrina normalmente, os principais mecanismos imediatos através dos quais o organismo combate a concentração sérica baixa de açúcar.

Hipoglicemia no diabético

A hipoglicemia, que é um distúrbio evitável, pode ocorrer nas seguintes situações:
- quando o diabético omite refeições, atrasa suas refeições ou come muito pouco
- quando apresenta vômitos e diarréia
- quando pratica exercícios físicos excessivos (esportes ou trabalho pesado), principalmente não estando bem alimentado
- por doses excessivas de insulina ou hipoglicemiantes orais
- por excesso de bebidas alcoólicas, que impedem a liberação de glicose pelo fígado

Outras causas de hipoglicemia

Uma causa rara de hipoglicemia é uma doença auto-imune na qual o organismo produz anticorpos contra a insulina. A concentração sérica de insulina flutua anormalmente quando o pâncreas produz um excesso de insulina para fazer frente aos anticorpos. Este distúrbio pode ocorrer em indivíduos diabéticos ou não.

A hipoglicemia também pode ser decorrente de uma insuficiência renal ou cardíaca, de um câncer, da desnutrição, da disfunção hipofisária ou adrenal, do choque e de uma infecção grave. Uma doença hepática extensa (p.ex., hepatite viral, cirrose ou câncer) também pode produzir hipoglicemia.

O organismo de algumas pessoas apresentam uma alergia pouco comum: aversão a frutas, chamada de intolerância frutose ou fructosemia. A frutose, açúcar presente em todas as frutas, encontra-se em maior quantidade na uva, no mel, na maçã e na pêra. Mas também está presente em alguns legumes, como a beterraba e é bastante utilizada para adoçar produtos alimentícios e bebidas. A frutose dentro do organismo tem a função de converter o açúcar em moléculas mais simples para que possam ser absorvidas pelo corpo. A doença pode se manifestar por herança genética ou na idade avançada, pois com o passar dos anos, ocorre o envelhecimento do intestino, que começa a perder as enzimas que convertem os açúcares em moléculas. Se não tratada, a fructosemia pode causar a hipoglicemia e distúrbios no fígado.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia deve iniciar-se o mais prontamente possível. O objetivo imediato do tratamento é elevar o açúcar no sangue, que se encontra muito baixo, restaurando o bem estar. Oferecer balas, açúcar ou líquidos com duas colheres de sopa de açúcar em meio copo do líquido. Se a pessoa estiver em coma ou se recusar a colaborar, coloque um lenço entre as arcadas dentárias e introduza colheres de café com açúcar entre a bochecha e a gengiva, massageando-a por fora.

Caso seja necessário, aplicar uma injeção de 1 mg de Glucagon subcutâneo, igual aplicação de insulina; a consciência retorna aproximadamente em cinco minutos, permitindo um lanche repositor.

Os indivíduos não diabéticos com tendência hipoglicemia geralmente conseguem evitar os episódios, consumindo freqüentemente pequenos lanches ao invés das três refeições diárias habituais.

Os indivíduos com tendência hipoglicemia devem carregar consigo um cartão ou uma pulseira para informar equipe de emergência sobre a sua condição. É importante que os amigos e parentes da pessoa com diabetes saibam que ela está em uso de insulina ou de hipoglicemiante oral. Assim, já poderão fazer o diagnóstico de hipoglicemia.

Monitoramento

Algumas pessoas com diabetes costumam manter suas glicemias mais elevadas para evitar as hipoglicemias. Porém, a glicemia alta leva, com o correr do tempo, a complicações degenerativas importantes. Portanto, o melhor é perder o medo das hipoglicemias, monitorando-se adequadamente a cada suspeita de estar hipoglicêmico.

Para obter um melhor controle dos níveis glicêmicos, não basta o paciente apenas acreditar que está fazendo tudo corretamente ou ter a sensação de estar sentindo-se “bem”. É necessário monitorar, no dia-a-dia, os níveis glicêmicos.

Quanto melhor o controle do diabetes, maior o risco de hipoglicemia, daí a importância também da monitorização da glicemia mais vezes tanto para evitar a hipo, como também para que não se coma em excesso na correção dela, o que invalidaria os esforços para manter o controle. A monitorização permite que o paciente, individualmente, avalie sua resposta aos alimentos, aos medicamentos (especialmente insulina) e atividade física praticada.

Para isso, existem modernos aparelhos. A concentração de açúcar no sangue pode ser dosada em casa, utilizando uma gota de sangue, obtida através da punção do dedo no momento em que os sintomas ocorrem, e um dispositivo que controla a concentração sérica de glicose, os glicosímetros, de fácil utilização e que nos fornecem o resultado da glicemia em alguns segundos. Siga as orientações do seu médico quanto ao número de testes que deve ser realizado.

Referências

ALBUQUERQUE Reginaldo. Hipoglicemia. Sociedade Brasileira de Diabetes.[on line]

Diabetes Mellitus. [on line]

FAJANS, Stefan S. Diabetes Mellitus; Hipoglicemias. Manual Merck, Seção 13 - Distúrbios Hormonais, Capítulo 148 – Hipoglicemia. [on line]

FELDMAN Jane. COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES.[on line]

Folha Online. Seção equilíbrio. Intolerância a frutas pode causar hipoglicemia. [on line]

GOMES Mário C.O. Hipoglicemia - a queda de açúcar no sangue. [on line]

LIMA Josivan; MENDONÇA Deise R.B. Como Cuidar de uma Hipoglicemia? [on line]

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Seção Conteúdo Público. O que é Diabetes? [on line]

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Diabetes Mellitus. [on line]

Veja Também:
Estudo de caso - Diabetes com hipoglicemia pós-prandial
Estudo de caso - Hipoglicemia em não diabético
Diabetes: Crise de hipoglicemia
Insulina - Produção e ações
Vertigem - 200 dúvidas a respeito: Parte 2
Diabetes no idoso - controle dietético e energético

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