31 - jul
  

Diabetes Mellitus – Complicações

Categoria(s): Bioquímica, DNT, Endocrinologia geriátrica




Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A Diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos. Caracteriza-se por hiperglicemia crônica com distúrbios do metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas.

No idoso há um aumento da intolerância a carboidratos, levando a elevação da glicemia. O fator genético, diminuição da secreção da insulina e maior resistência à insulina são os fatores associados ao metabolismo de carboidratos.(1)

As complicações crônicas da Diabetes Mellitus estão relacionadas com alterações vasculares gerando lesões em órgãos alvo, ou seja, os danos, disfunção e falência de órgãos como rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos. (1,2)

Podemos dividir as complicações crônicas no grupo das microangiopatias, onde encontramos a retinopatia diabética, a nefropatia diabética, e a neuropatia diabética. O grupo das macroangiopatias é representado pelo IAM, AVC, Insuficiência arterial periférica (MMII) e o pé diabético, que agrupa as alterações sensitivas, vasculares e mecânicas.

A fisiopatologia das alterações vasculares secundárias ao diabetes está relacionada com a hiperglicemia crônica e geração de produtos avançados de glicação. A hiperglicemia crônica também está associada a geração de espécies de oxigênio altamente reativos e promoção de ciclos de metabolismo da glicose alternativos, como o ciclo do sorbitol onde existe o papel da enzima aldoseredutase.(3)

Neuropatia periférica – A neuropatia diabética, uma das complicações crônicas, é uma doença nos nervos causada pela diabetes. Os danos nos nervos causados pela diabetes também podem conduzir a problemas com órgãos internos, tais como o trato digestivo, coração e órgãos sexuais, causando indigestão, diarréia ou constipação, vertigem, infecções na bexiga e impotência.(4)

A neuropatia periférica é a forma mais comum. A polineuropatia sensitiva-motora simétrica periférica (luvas e botas) é a mais prevalente, com redução da sensibilidade tátil à dor e temperatura, e parestesias ou hiperestesias. A neuropatia autonômica pode acometer o sistema cardiovascular (hipotensão ortostática), sistema gastrintestinal (gastroparesia, diarréia, distensão abdominal), geniturinário (incontinência ou retenção urinária, disfunção erétil).(3)

mielina

A figura ilustra um nervo com sua bainha de mielina destruída (coloração verde-amarelada), o início do nervo está normal (coloração translucida)

Os cientistas não sabem as causas da Neuropatia diabética, mas é provável que vários fatores contribuam: hiperglicemia, ou uma condição associada a diabetes, que causa mudanças químicas nos nervos. Estas mudanças prejudicam a habilidade dos nervos para transmitir sinais. A Hiperglicemia também danifica vasos sanguíneos que levam oxigênio e nutrientes aos nervos.(4)

A avaliação do pé diabético, que envolve alterações vasculares e neurológicas, deve ser feita anualmente e em menor tempo nos pés de risco, pois grande parte das amputações é precedida de úlceras. A avaliação neurológica de sensibilidade tátil, dolorosa, térmica, avaliação vascular (pulsos), avaliação tegumentar (pele, rachaduras, micoses) e observação de pontos de pressão devem ser efetuados no exame do pé de pacientes portadores de diabetes.

A neuropatia periférica predispõe ás úlceras dos pés através da redução da percepção de dor e de desconforto com corpos estranhos no calçado, calçados apertados e ao caminhar. O dano nervoso motor causa fraqueza e perda dos músculos pequenos dos pés e, com a perda da sensibilidade da posição da articulação, leva à postura inadequada. Isso concentra a pressão em áreas vulneráveis, tais como as cabeças metatársicas e o calcanhar. A pressão estimula a formação de calosidades, que é precursora da úlcera.As causas importantes das úlceras do pé diabético são as neuropatias, a isquemia derivada da doença macro vascular, a mobilidade limitada da articulação levando à pressão anormal no pé. A doença micro vascular, prejudicando a nutrição e a oxigenação do tecido, também contribuem.

Nefropatia diabética – A lesão renal é uma das complicações crônicas do diabetes, que  inicia-se com perda de proteína pela urina, evoluindo para a chamada glomerulopatia diabética caracterizada por uma quadro clínico de síndrome nefrótica (edema, hipoproteinemia, hipercolesterolemia, anemia), hipertensão arterial chegando a insuficiência renal crônica. Cerca de 35 % dos diabéticos tipo 1 e 10 % dos diabéticos tipo 2 desenvolvem a doença renal. (5)

Retinopatia Diabética – A Retinopatia Diabética é caracterizada por alterações vasculares. São lesões que aparecem na retina, podendo causar pequenos sangramentos e, como conseqüência, a perda da acuidade visual. Exames de rotina (como o “fundo de olho”) podem detectar anormalidades em estágios primários, o que possibilita o tratamento ainda na fase inicial do problema. (5)

Níveis de glicose ao diagnóstico muito elevado: 270 a 300 mg/dl, especialmente se acompanhados de perda de peso, cetonúria e cetonemia. O automonitoramento do controle glicêmico, quando possível, é uma parte fundamental do tratamento. A medida da glicose no sangue capilar é o teste de referência. A freqüência depende do grau de controle, dos medicamentos anti-hiperglicêmicos utilizados e de situações específicas.

No tratamento farmacológico usa-se hipoglicemiantes orais como: Secretagogos de insulina (Sulfoniluréias), Sensibilizadores da ação da insulina (Biguanidas), entre outros.Pacientes que não conseguem manter glicemia de jejum igual ou inferior a 140m/dl apesar da dieta, hipoglicemiantes orais e exercícios, tem indicação de fazer insulinoterapia.(4)

O tratamento não farmacológico tem como objetivo uma dieta balanceada e a atividade física que aumenta a sensibilidade à insulina e melhora a tolerância à glicose.

Modificação do estilo de vida é difícil na terceira idade. Mas deve-se estimular cuidados gerais de saúde como: suspensão do fumo, aumento da atividade física e reorganização dos hábitos alimentares. Dietas restritivas, além de nutricionalmente inadequadas, são de difícil aderência entre idosos. Deve-se insistir nas vantagens do fracionamento dos alimentos. Não é recomendável o uso habitual de bebidas alcoólicas e deve-se atentar para possíveis deficiências nutricionais associadas (Vit B12, acido fólico, etc…).

Referências:

1- Brasil. Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde. Redes Estaduais de Atenção à Saúde do Idoso: Guia operacional e portarias relacionadas/Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde – Brasília: MS, 2002.

2- Prevenção de doenças Crônicas. Investimento vital. Copyright Organização Mundial da Saúde (OMS), 2005.

3- Guimarães, Renato M, Cunha, Ulisses G.V. Sinais e Sintomas em Geriatria, Revinter, Rio de Janeiro.

4- Moraes, E.N. Princípios Básicos de Geriatria e Gerontologia. Coopmed, (2006 em editoração).

5- Lourenço, R. A; Motta, L. B. Prevenção de doenças e promoção de saúde na terceira idade. In: Veras, Renato P. (org.). Terceira Idade: Alternativas para uma sociedade em transição. Edição. Rio de Janeiro: Relume-Dumará /UnATI-UERJ, 1999.

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9 Comentários »

  1. Hiperglicemia aguda no idoso comenta:

    26 setembro, 2007 @ 12:03 AM

    [...] Ver mais – Diabetes: Complicações [...]

  2. Aldenide Maria dos Santos comenta:

    19 outubro, 2007 @ 3:22 PM

    De fácil entendimento, uma linguagem simples e clara. Gostei muito e tirei as dúvidas sobre complicações diabéticas.
    Xêro…

  3. maria aparecida de souza mota comenta:

    8 abril, 2008 @ 10:16 AM

    adorei as informações

  4. vicente de Paulo comenta:

    26 fevereiro, 2009 @ 3:07 PM

    As HIPOglicemias frequentes e muito violentas, podem causar um tipo de complica;áo que [e pouco discutida a falta de paramëtro das taxas normais de glicemia. Ou seja, o diab[etico passa a náo perceber o estado de hipoglicemia. Quando a glicemia est[a baixa o diab[etico descompensado náo percebe. Seria um tipo de complica;áo? sim ou náo?

  5. Margarete Barberan comenta:

    20 agosto, 2009 @ 11:30 AM

    Meu marido é diabético, faz uso de insulina duas vezes ao dia. Ele apresentou uma dor na perna há muito tempo e agora anda arrastando a perna. Tem muito dificuldade para levantá-la. Gostaria de saber qual especialidade médico devo procurar, pois o Endocrino disse para ir ao Neurologista e fomos mas não pediu exame algum e o remédio que prescreveu não teve efeito algum. Pode por favor me informar qual especialidade devo procurar??

  6. fabiana mendez comenta:

    24 agosto, 2010 @ 4:29 PM

    eu sou diabetica e sofro muito com isso esse e o meu comentario de hoje dia 24/08/10 moro no monte belo cacoeiro de itapeirim espirito santo tenho fe em deus que vou mi livrar dessa doença

  7. Luciane Lesjak comenta:

    15 setembro, 2010 @ 6:17 PM

    Meu marido é diabetico, descobriu a doença há 1 ano, toma metformina diariamente, porém não faz dieta alimentar. Estou preocupada porque sei que é importante, porém não consigo convence-lo. Sei que é dificil mudar hábitos alimentares, mas ele não sente dores e acha que está tudo bem. Gostaria de saber as consequencias da diabetes neste caso, em que a pessoa não segue uma dieta alimentar recomendada para diabéticos, e ainda se altera o estado de humor da pessoa diabética, pois ele anda muito nervoso e ansioso.
    Onde posso encontrar informações específicas para o caso?

  8. CLAUDIO comenta:

    29 julho, 2011 @ 2:52 PM

    ENF Claudio .Geralmente a patologia esta relacionado a varias complicaçoes, uma delas seria arterioscleroses,geralmente ela acomete os membros inferiores entao deve ser feita uma avaliacao com um vascular.,esta seria minha opniao no caso.

  9. Anônimo comenta:

    20 dezembro, 2011 @ 2:08 AM

    muito bom
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