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Jul
30
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Hormônio de crescimento: o mito do rejuvelecimento
Categoria(s): BioquÃmica, Endocrinogeriatria, Nutrição, Saúde Geriátrica |
Editorial
O hormônio de crescimento (GH, de “growth hormone”) tem seu nome derivado da sua função biológica mais evidente, que é de promover o crescimento da criança e adolescente até que seja atingida a estatura final. No entanto, o GH continua a ser secretado pela glândula hipófise na idade adulta. Com que finalidade, já que o crescimento se completou?
Funções do GH - O GH exerce várias outras funções: adultos privados desse hormônio por doença da hipófise e tem perda de massa muscular, ganham gordura, descalcificam seus ossos, tem menos energia e força muscular e apresentam distúrbios cognitivos e mesmo depressão. Essas alterações podem ser revertidas através de injeções de GH.
Curiosamente, a produção de GH pelo organismo normal decresce com o envelhecimento, chegando a nÃveis muito baixos após os 60 anos. Em paralelo, várias das alterações descritas acima, principalmente perda de massa e de força muscular e distúbios na esfera mental, também são encontradas no idoso sem doenças na glândula hipófise.
Dessa forma, ser que a reposição de GH em idosos saudáveis poderia também ser benéfica?
Rudman e colaboradores (1990), mostrando que homens saudáveis acima de 60 anos, ao receber GH por seis meses, aumentaram a massa muscular e reduziram a massa gordurosa, obtiveram pequeno aumento na densidade dos ossos. Esse estudo teve grande interesse no meio médico, mas provocou verdadeiro furor na imprensa leiga, com alguns jornais e revistas de grande impacto alardeando a descoberta do “elixir da juventude”.
A realidade
A medida que outros estudos sobre a reposição de GH em idosos foram sendo realizados, verificou-se que, apesar do ganho na massa muscular, a maioria dos trabalhos não mostra que a força muscular e a capacidade aeróbica tenham sido beneficiadas: na verdade, estudos em idosos comparando indivÃduos em uso de GH com outros desempenhando exercÃcios fÃsicos mostraram que a força muscular e a capacidade aeróbica tiveram pequena melhora.
Finalmente, o uso de GH não melhorou a massa, nem os distúrbios cognitivos de idosos. Por outro lado, mesmo com doses consideradas “seguras”, foram evidenciados efeitos colaterais, como inchação dores articulares e musculares, distúrbios dos nervos periféricos e diabetes.
Apesar dos estudos não terem evidenciado aumento da incidência de câncer, não podemos esquecer que o GH promove proliferação das células e que os idosos constituem um grupo em maior risco de tumores.
O abuso
Apesar das evidências contrárias ao uso indiscriminado de GH em idosos saudáveis, o trabalho pioneiro de Rudman vem servindo indevidamente de base para que profissionais mal-intencionados, ou não aprofundados no tema, indiquem essa reposição.
Mais ainda, pode-se encontrar na internet sites com enxurradas de produtos proclamados como “GH” ou “estimulantes do GH”, “ativos” por via oral e vendidos sem receita médica.
Obviamente esses produtos não passaram pelo crivo de estudos sérios.
Quando repor o GH?
A redução na produção do GH com o envelhecimento pode ser vista através de duas perspectivas, não necessariamente excludentes: 1) representa um quadro de deficiência hormonal que pode ser tratada em determinadas situações; 2) seja uma adaptação ao envelhecimento, no sentido de proteger o idoso de problemas inerentes a essa faixa etária, tais como hipertensão arterial, insuficiência cardÃaca, diabetes mellitus e neoplasias malignas.
Assim, imperativo estabelecer um equilÃbrio entre os dois pontos de vista, selecionando rigorosamente o idoso a ser reposto com GH, como, por exemplo, aquele debilitado e sem possibilidade de exercitar-se.
