Jul
26

Incontinência urinária no idoso

Categoria(s): Fisioterapia, Gerontologia, Urogeriatria


Revisão

Colaboradora: Astrid Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso de Gerontologia da Metrocamp

A incontinência urinária (IU) no idoso, é uma condição de múltiplas causas, que deve ser investigada, com muita paciência e ponderação. Através do histórico da função vesical, com o apoio dos familiares e cuidadores, exame físico, avaliações de exames complementares, para definir a classificação da incontinência e assim poder tratá-la da forma mais adequada para que se torne o menos traumático para o idoso. Trabalhar com a prevenção deste problema antes que o mesmo possa se instalar.

A incontinência urinaria (IU) é um dos maiores problemas de saúde que afeta a população idosa, devido problemas funcionais e estruturais no sistema urinário, afetando-os no aspecto físico e psicológico, restringindo-lhes em sua independência e dignidade, pois predispõe as infecções perineais, genital, leva as macerações e rupturas de pele, facilitando a formação de úlceras de pressão, interfere no sono do idoso e predispõe as quedas.

Causas

As causas IU são diversas, mas principalmente pode ocorrer por redução da contratilidade e da capacidade vesical, instabilidade do detrusor, declínio da habilidade para retardar a micção, aumento do volume residual.

Na mulher principalmente é comum ocorrer à redução da pressão máxima de fechamento uretral devido atrofia dos tecidos que revestem e envolvem a uretra, a bexiga e a vagina.
Entre os homens, o fator principal que leva alterações do fluxo urinário relacionados ao envelhecimento, é o aumento da próstata.

Doenças como diabetes, uretrites, doenças do sistema nervoso central, uso de medicamentos, restrição da mobilidade, aumento do débito urinário, impactação fecal, distúrbios psíquicos, podem levar a problemas de incontinência urinária.

A prevalência estimada é de 38% a 55% para idosos institucionalizados, 5% a 37% para idosos que vivem na comunidade

Classificação da incontinência urinária

1. Aguda ou transitória: causadas por estado confusional, urgências miccional, infecções, inflamações do trato urinário, por uso de medicamentos, por fatores psicológicos como, raiva, hostilidade, depressão.

2. Persistente (classificada em 4 categorias):

- Incontinência de stress: perda involuntária quando a pressão intravesical excede a pressão uretral máxima por pressão intrabdominal e ausência da contração do músculo detrusor. Ocorre quando se realizam exercícios, durante espirros, risos.

- Urgência urinária: perda involuntária associada ao forte desejo de urinar. Ocorre em casos de algumas doenças como, demências senis, Parkinson, AVCs, escleroses cerebrais múltiplas e também em pessoas idosas saudáveis.

-Incontinência de superfluxo: a pressão intravesical excede a pressão máxima da uretra devido à elevação da primeira, associada à distensão da bexiga, na ausência da atividade do detrusor. Ocorre em casos de obstrução por aumento da próstata, bexiga neurogênica não inibida (perda freqüente de pequeno volume) e bexiga neurogênica atônica, onde o paciente não se percebe a distensão vesical, o reflexo miccional não chega a ser desencadeado (Ex. na bexiga neurogênica do diabetes).

-Incontinência funcional: perda urinária involuntária, associada à incapacidade de usar o toalete e relacionada a perdas cognitivas e físicas do idoso, fatores psicológicos e ambientais que levam a dificultar o uso do toalete.

Incontinência causada por medicamentos

Anticolinérgicos, antidepressivos, agonista alfa –adrenérgico (retenção) , antagonista alfa-adrenérgico (relaxamento), analgésicos narcóticos, sedativos hipnóticos, antipsicóticos, diuréticos.

Exames complementares

1. Urinálise;
2. Uréia, creatinina, cálcio e glicemia;
3. Citologia urinária,
4. Avaliação ginecológica e urológica;
5. Estudo urodinâmico

Referências:

Freitas, VE Py L - Tratado de Geriatria e Gerontologia. In: Maciel C. A; incontinência urinária. Guanabara koogan, 2006. Capítulo 72: p. 723 – 732.

Rodrigues AP. Rosalina & Mendes m. R. Maria; incontinência urinária em idosos: proposta para a conduta da enfermeira. Rev. Latino americana de enfermagem – Ribeirão Preto: julho 199

Indique esse artigo Indique esse artigo


4 Comentários »

  1. Fisiologia da micção comenta:

    9 Agosto, 2007 @ 00:02

    [...] incontinência urinária no idoso é um fator importantíssimo a qualidade de vida dos idosos, causando constrangimento e [...]

  2. Maria de Nasaré Camara comenta:

    22 Agosto, 2007 @ 08:01

    Sofro perda urinaria decorrente de bexiga nervosa,a bexiga está no lugar certo, isto é não tenho queda de bexiga. O meu problema de acordo com exames, decorre de o esfinter se afastar e bexiga cair. Tenho 64 anos e sempre tive boa saúde. O problema surgiu após completar 60 anos. Já procurei urologistas e ginecologista diversos, mas nenhum resolve o problema. Faço natação e hidroginástica. Gostaria de ter se possível, alem das informações, indicação , se é que existe de medico especializado no assunto

  3. celia comenta:

    1 Setembro, 2007 @ 05:20

    paciente com 97 anos, apesar da idade muito lúcido, portador de câncer de pulmão, há mais ou menos um ano e meio, fez 45 seções de radioterapia, não fez quimioterapia. Portador também de efizema pulmonar (eu creio que agora esteja num estágio mais avançado). Está apenas tendo acompanhamento clínico,devido ao fato de ser muito idoso. Agora apresentou o quadro de bexiga neurogênica (”procedimento paliativo?” retirada da urina 3 vezes ao dia através de sonda uretral). Fui informada que possivelmente o quadro seria permanente, caso ele não venha a reagir com o procedimento realizado.O que eu tenho observado é que ele está tendo alguns lápsos de aminésia, algumas vezes fica com as mão trêmulas e por 3 vezes, ele estava andando e a perna esquerda ficou sem movimento. Diante do relatado, gostaria de obeter mais informações, pois o que eu tenho ouvido “é: ele é uma paciente muito idoso e que é bom que a família se prepare para os acontecimentos” , eu não quero ouvir isso, os médicos não entram em detalhes. Então se voces puderem me dar algum esclarecimento a respeito eu agradeço muito.

  4. Paula Boechat comenta:

    25 Junho, 2008 @ 20:57

    Sou psicanalista e tenho uma paciente de 76 anos que de 2 anos para cá vem apresentando incontinência urinária severa, que a impede de sair de casa e até de dormir sem acordar toda noite com a cama muito molhada de urina.
    Fez vários exames com urologistas que afinal lhe disseram que é portadora da Síndrome da BEXIGA NERVOSA. Há 30 anos ela teve um tumor de útero e se submeteu a uma radioterapia antes de fazer a histerectomia e oforectomia. O urologista consultado lhe disse que sua Bexiga Nervosa decorre da radioterapia. Além da radioterapia, há 20 anos ela é medicada com antidepressivos e antihipertensivos.
    Gostaria de saber se existe alguma cirurgia que possa melhorar as suas condições, uma vez que os sintomas a impedem de socializar, acompanhar o marido , e ter uma vida mais partcipante com a família, levando-a a regredir para a depressão.
    Agradeço a orientação.

RSS Feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe seu comentário aqui !