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20

Hipoglicemia nos idosos

Categoria(s): Bioquímica, DNT, Emergências, Endocrinogeriatria, Nutrição


Editorial

Colaboradora: Angela Terezinha Faveri Fornari *

* Nutricionista e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A hipoglicemia é um distúrbio em que a concentração de açúcar do sangue encontra-se anormalmente baixa. Quando a glicemia está abaixo de 60 mg%, com grandes variações de pessoa a pessoa, podem ocorrer sintomas de uma reação hipoglicêmica.

O quadro é assustador: fome súbita, fadiga, tremores, tontura, batedeira, suores, pele fria, pálida e úmida, turvação da vista, dor de cabeça, dormência nos lábios e língua, irritabilidade, desorientação, mudança de comportamento, convulsões e até perda de consciência. Tais sintomas podem ser observados isoladamente ou em grupo, mas a conduta é sempre a mesma para melhorar a taxa de açúcar no sangue, isto é, elevar rapidamente o nível. Caso não corrigida rapidamente, a glicemia pode ficar cada vez mais baixa. Hipoglicemia noturnas podem se manifestar com pesadelos e gritos, além dos sintomas mencionados.

O cérebro é particularmente sensível concentração sérica baixa de glicose, pois a glicose é sua principal fonte energética. Hipoglicemias severas podem levar a danos neurológicos.
Os indivíduos com diabetes grave de longa duração são particularmente propensos hipoglicemia grave. Isto ocorre porque as células das ilhotas pancreáticas não produzem glucagon normalmente e as adrenais não produzem epinefrina normalmente, os principais mecanismos imediatos através dos quais o organismo combate a concentração sérica baixa de açúcar.

Hipoglicemia no diabético

A hipoglicemia, que é um distúrbio evitável, pode ocorrer nas seguintes situações:
- quando o diabético omite refeições, atrasa suas refeições ou come muito pouco
- quando apresenta vômitos e diarréia
- quando pratica exercícios físicos excessivos (esportes ou trabalho pesado), principalmente não estando bem alimentado
- por doses excessivas de insulina ou hipoglicemiantes orais
- por excesso de bebidas alcoólicas, que impedem a liberação de glicose pelo fígado

Outras causas de hipoglicemia

Uma causa rara de hipoglicemia é uma doença auto-imune na qual o organismo produz anticorpos contra a insulina. A concentração sérica de insulina flutua anormalmente quando o pâncreas produz um excesso de insulina para fazer frente aos anticorpos. Este distúrbio pode ocorrer em indivíduos diabéticos ou não.

A hipoglicemia também pode ser decorrente de uma insuficiência renal ou cardíaca, de um câncer, da desnutrição, da disfunção hipofisária ou adrenal, do choque e de uma infecção grave. Uma doença hepática extensa (p.ex., hepatite viral, cirrose ou câncer) também pode produzir hipoglicemia.

O organismo de algumas pessoas apresentam uma alergia pouco comum: aversão a frutas, chamada de intolerância frutose ou fructosemia. A frutose, açúcar presente em todas as frutas, encontra-se em maior quantidade na uva, no mel, na maçã e na pêra. Mas também está presente em alguns legumes, como a beterraba e é bastante utilizada para adoçar produtos alimentícios e bebidas. A frutose dentro do organismo tem a função de converter o açúcar em moléculas mais simples para que possam ser absorvidas pelo corpo. A doença pode se manifestar por herança genética ou na idade avançada, pois com o passar dos anos, ocorre o envelhecimento do intestino, que começa a perder as enzimas que convertem os açúcares em moléculas. Se não tratada, a fructosemia pode causar a hipoglicemia e distúrbios no fígado.

Tratamento

O tratamento da hipoglicemia deve iniciar-se o mais prontamente possível. O objetivo imediato do tratamento é elevar o açúcar no sangue, que se encontra muito baixo, restaurando o bem estar. Oferecer balas, açúcar ou líquidos com duas colheres de sopa de açúcar em meio copo do líquido. Se a pessoa estiver em coma ou se recusar a colaborar, coloque um lenço entre as arcadas dentárias e introduza colheres de café com açúcar entre a bochecha e a gengiva, massageando-a por fora.

Caso seja necessário, aplicar uma injeção de 1 mg de Glucagon subcutâneo, igual aplicação de insulina; a consciência retorna aproximadamente em cinco minutos, permitindo um lanche repositor.

Os indivíduos não diabéticos com tendência hipoglicemia geralmente conseguem evitar os episódios, consumindo freqüentemente pequenos lanches ao invés das três refeições diárias habituais.

Os indivíduos com tendência hipoglicemia devem carregar consigo um cartão ou uma pulseira para informar equipe de emergência sobre a sua condição. É importante que os amigos e parentes da pessoa com diabetes saibam que ela está em uso de insulina ou de hipoglicemiante oral. Assim, já poderão fazer o diagnóstico de hipoglicemia.

Monitoramento

Algumas pessoas com diabetes costumam manter suas glicemias mais elevadas para evitar as hipoglicemias. Porém, a glicemia alta leva, com o correr do tempo, a complicações degenerativas importantes. Portanto, o melhor é perder o medo das hipoglicemias, monitorando-se adequadamente a cada suspeita de estar hipoglicêmico.

Para obter um melhor controle dos níveis glicêmicos, não basta o paciente apenas acreditar que está fazendo tudo corretamente ou ter a sensação de estar sentindo-se “bem”. É necessário monitorar, no dia-a-dia, os níveis glicêmicos.

Quanto melhor o controle do diabetes, maior o risco de hipoglicemia, daí a importância também da monitorização da glicemia mais vezes tanto para evitar a hipo, como também para que não se coma em excesso na correção dela, o que invalidaria os esforços para manter o controle. A monitorização permite que o paciente, individualmente, avalie sua resposta aos alimentos, aos medicamentos (especialmente insulina) e atividade física praticada.

Para isso, existem modernos aparelhos. A concentração de açúcar no sangue pode ser dosada em casa, utilizando uma gota de sangue, obtida através da punção do dedo no momento em que os sintomas ocorrem, e um dispositivo que controla a concentração sérica de glicose, os glicosímetros, de fácil utilização e que nos fornecem o resultado da glicemia em alguns segundos. Siga as orientações do seu médico quanto ao número de testes que deve ser realizado.

Referências

ALBUQUERQUE Reginaldo. Hipoglicemia. Sociedade Brasileira de Diabetes.[on line]

Diabetes Mellitus. [on line]

FAJANS, Stefan S. Diabetes Mellitus; Hipoglicemias. Manual Merck, Seção 13 - Distúrbios Hormonais, Capítulo 148 – Hipoglicemia. [on line]

FELDMAN Jane. COMPLICAÇÕES AGUDAS DO DIABETES.[on line]

Folha Online. Seção equilíbrio. Intolerância a frutas pode causar hipoglicemia. [on line]

GOMES Mário C.O. Hipoglicemia - a queda de açúcar no sangue. [on line]

LIMA Josivan; MENDONÇA Deise R.B. Como Cuidar de uma Hipoglicemia? [on line]

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Seção Conteúdo Público. O que é Diabetes? [on line]

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Diabetes Mellitus. [on line]

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3 Comentários »

  1. Roberta Inácio do Couto comenta:

    24 Julho, 2007 @ 22:21

    Como é esta injeção que se faz de glucagon, é realizado subcutânea mesmo.

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    25 Julho, 2007 @ 20:23

    O glucagon é injeção sub-cutânea ou intra-muscular utilizada nas emergência de hipoglicemia graves. Vem em um estojo com pó e diluente para preparar no momento da injeção. A industria farmacêutica Novo nordisk tem o produto com o nome de Glucagen.

  3. Sílvia comenta:

    22 Fevereiro, 2008 @ 10:20

    Gostaria de obter maiores informações sobre a perda de audição relacionada a hipoglicemia e intolerância a lactose. Minha glicemia e baixissima estou perdendo a audição, faço dieta na qual tenho que comer frutas, legumes, carboidratos e proteínas juntos, não consumo açúcar nem leite.

    Obrigada.

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