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Teste ergométrico – Parâmetros hemodinâmicos e metabólicos

Categoria(s): Cardiogeriatria, Fisioterapia




Teste ergométrico – Parâmetros hemodinâmicos e metabólicos

Durante as últimas décadas o exercício físico vem sendo sistematicamente recomendado por proporcionar melhora da capacitação física e prevenir progressões da aterosclerose coronariana (1). A ergometria tornou-se então um dos métodos diagnósticos não invasivos de melhor relação custo-benefício e o mais solicitado para a realização de diagnóstico e acompanhamento de pacientes com insuficiência coronariana, assim como nos portadores de hipertensão arterial, arritmias cardíacas e em candidatos a programas de condicionamento físico (2). Muitas vezes, os médicos atentam para um único parâmetro no teste ergométrico, o eletrocardiográfico. Tem isquemia diagnósticada pela alteração do segmento ST, ou arritmia, por mudanças no complexo QRS. Poucos observam as variáveis hemodinâmicas e metabólicas que mostram importantes dados da performance cardiovascular do paciente, sobretudo nos idosos.

Variáveis hemodinâmicas

a. Resposta cronotrópica
A resposta cronotrópica foi utizada para definir o comportamento da freqüência cardíaca para o esforço desenvolvido. De acordo com a curva de subida da freqüência cardíaca para as diversas cargas, a resposta cronotrópica foi classificada em normal, exacerbada ou deprimida. Esta última é caracterizada como déficit cronotrópico e definida como: (FC máxima prevista – maior FC atingida). X 100/FC.
A resposta cronotrópica ao teste foi considerada deprimida quando o déficit cronotrópico era maior que 10%.

b. Resposta tensional
A resposta tensional serviu como indicador da reserva inotrópica do coração. A resposta tensional é resultante da interação de duas forças opostas: representada pelo débito cardíaco, que deve aumentar progressivamente, e a resistência periférica, que deve diminuir para permitir o necessário aumento do fluxo para a musculatura em exercício. Em condições normais, o fenômeno produz suave e progressiva da pressão sistólica, que tende a se estabilizar à medida que o paciente vai-se aproximando do nível de esforço máximo, enquanto a pressão diastólica não se modifica ou exibe pequenas variações para mais ou para menos. As peculiaridades da resposta tensional a transforma em uma das variáveis mais importantes do teste de esforço.

c. Duplo produto (FC x PAS)
É o resultado da multiplicação da freqüência cardíaca pela pressão arterial sistólica, servindo como índice aproximado do trabalho cardíaco e do consumo de oxigênio miocárdico (MVO2). Valores maiores que 40.000 refletem boa reserva cardíaca.

Variáveis metabólicas

a. Consumo periférico de oxigênio (VO2)
É a quantidade de oxigênio utilizada pelo corpo em metabolismo aeróbico, medida em litros/minuto ou ml/min/kg. Depende da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue, definido pelo débito cardíaco, e da capacidade de utilização periférica, definida pela diferença arteriovenosa de oxigênio de tal forma que: “VO2 = débito sistólico x freqüência cardíaca x diferença arteriovenosa periférica.

Como o débito sistólico e a diferença A-V variam em margem relativamente estreita, esgotando rapidamente suas reservas, o VO2 depende em grande parte da freqüência cardíaca, com a qual guarda relação linear, o que permite que ele seja estimado por extrapolação a partir da curva de FC.

O VO2 máximo define o limite da capacidade funcional do sistema aeróbico e caracteriza-se pela não elevação do consumo,a despeito de novos incrementos da carga de trabalho.
O consumo mínimo de oxigênio de um indivíduo sentado, em repouso, é estimado em 3,5 ml/min/kg e eqüivale a 1 MET, unidade utilizada para definir o gasto calórico das atividades físicas.

b. Capacidade funcional aeróbica (CFA)
A capacidade funcional aeróbica poderá ser classificada de acordo com o VO2 máximo em “muito fraca, fraca, razoável, boa e excelente.

c. Déficit funcional aeróbico (DFA)
O DFA é expresso em valores percentuais a partir da equação:“DFA= (VO2 máximo previsto – VO2 máximo estimado) x 100/VO2 máximo previsto.

d. Consumo de oxigênio pelo miocárdio (MVO2)
Definido pelo produto “débito coronário x diferença A-V coronária de O2”. Constitui outra forma de expressão do trabalho cardíaco. Na prática, costuma ser estimado por equações teóricas, sendo a Hellerstein a mais utilizada.
MVO2 = duplo produto x 0,0014-6,3 ml O2/100g.VE.min

Referências:

1. Alfieri R.G. – Exercício Físico – Editorial. Arq. Bras de Cardiol. 55(4):221-222; 1990.

2. Consenso Nacional de Ergometria. Arq. Bras. Cardiol. 65(2):189–211; 1995.

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5 Comentários »

  1. ze welliton comenta:

    16 dezembro, 2007 @ 12:33 PM

    olá o site é muto interessante. sou zé welliton, estudo fisioterapia e gosto da área de geriatria, se puderem mandar ao meu e-mail, materia sobre medicina geriatrica ficarei muto contente.
    grato.

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    16 dezembro, 2007 @ 2:28 PM

    Zé Welliton,
    Diariamente tem um artigo novo, é só voce colocar o site no seu favorito.
    Prof. Armando

  3. Ademilson Prado comenta:

    4 outubro, 2008 @ 5:03 PM

    Por favor preciso saber o que significa respsota anorma, devido alteração no seguimento ST, isto é grave?

  4. an deyse comenta:

    16 fevereiro, 2012 @ 1:28 PM

    muito bom mesmo devemos sempre comentar oque de fato é bom mesmo
    vamos colaborar e ajudar em coisas importantes

  5. ana deyse comenta:

    16 fevereiro, 2012 @ 1:30 PM

    muito bom mesmo vamos copia e aprender muito

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