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Osteoporose - Entendendo o metabolísmo ósseo
Categoria(s): Bioquímica, DNT, Reumatogeriatria |
Conceitos
Colaborador : Ruy Barbosa Oliveira Neto *
* Biólogo, Pós-graduando do Curso de Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp
No tecido ósseo existe uma constante atividade osteoblástica (síntese de matriz, com impregnação de íons cálcio e fosfato na mesma) e uma constante atividade osteoclástica (lise do tecido ósseo com mobilização de íons cálcio e fosfato do tecido ósseo para os líquidos corporais). A atividade osteoblástica é feita por células chamadas osteoblastos; a atividade osteoclástica, por sua vez, pelos osteoclastos.
Papel do paratormônio
O paratormônio é um hormônio produzido por 4 glândulas, chamadas paratireóides, que se localizam atrás da glândula tireoide, que fica localizada no pescoço. Um aumento na secreção de paratormônio promove, nos ossos, um aumento da atividade osteoclástica, o que transfere íons cálcio e fosfato destes tecidos para o sangue. Além disso, o paratormônio aumenta também a atividade da membrana osteocítica que, por meio de transporte ativo, transfere grande quantidade de íons cálcio dos ossos para o sangue. Ambos os eventos promovem uma elevação da calcemia.
Papel da calcitonina
Corte histológico de uma tireóide normal 1 - células parafoliculares ou células C; 2 -folículo tireoideano, rodeado pela células tireoideanas produtoras dos hormônios tireoideanos; 3 - Substância colóide (depósito de hormônio).
A calcitonina é produzida pelas células parafoliculares ou células C da tireóide (número 1 da figura). Um aumento na secreção de calcitonina promove, nos ossos, um aumento da atividade osteoblástica. Através desta, ocorre uma maior síntese de tecido ósseo (matriz protéica), o que atrai grande quantidade de íons cálcio e fosfato do sangue para este novo tecido. Na matriz, cálcio e fosfato combinam-se entre si e com outros íons, formando os diversos sais ósseos, que são responsáveis pela rigidez do tecido ósseo. Valores de referência homens até 12 pg/mL e mulheres até 5 pg/mL.
Componentes minerais dos ossos - Os mais importantes sais ósseos são: fosfato de cálcio, carbonato de cálcio e hidroxiapatita.
O aumento da atividade osteoblástica, portanto, promove uma redução da calcemia, pois uma considerável quantidade de cálcio migra do sangue para os ossos.
Metabolísmo do cálcio
No sistema digestório - Como diariamente todos temos uma pequena perda de cálcio através da diurese, é importante que também tenhamos, pelo menos, uma reposição desta perda através de nossa alimentação. O cálcio, presente em diversos alimentos, é absorvido através da parede do intestino delgado (transporte ativo). Mas, para que ocorra uma adequada absorção se faz necessário a presença de uma substância denominada 1,25-diidroxicolecalciferol.
Formação da 1,25-diidroxicolecalciferol.
Na nossa pele existe, em abundância, um derivado do colesterol denominado 7-desidrocolesterol. Através da irradiação ultravioleta (pelos raios solares) grande parte desta substância é convertida em colecalciferol (vitamina D3). No fígado, o colecalciferol é convertido em 25-hidroxicolecalciferol. Este, nos rins, converte-se em 1,25-diidroxicolecalciferol (esta conversão também exige a presença de paratormônio).
No sistema urinário - Nos túbulos contornados distais dos nefrons há um mecanismo que reabsorve íons cálcio do lúmen tubular para o interstício, e conseqüentemente para o sangue, ao mesmo tempo em que transporta íons fosfato em sentido contrário. Na presença de paratormônio este transporte aumenta, fazendo com que mais cálcio seja reabsorvido (reduzindo a perda urinária deste íon) ao mesmo tempo em que mais íons fosfato seja excretado (aumentando a perda urinária de fosfato).
No epitélio intestinal - O 1,25 diidroxicolecalciferol ativa principalmente uma tríade de reações tais como: ativação de uma proteína fixadora de cálcio, ativação das ATPases estimuladas pelo cálcio e ativação das fosfatases alcalinas. Esses tres processos concomitantemente, somatizam e possibilitam a absorção do cálcio pelo epitélio intestinal.
Conclusão
Portanto, para que ocorra uma boa absorção de cálcio através de nosso sistema digestório, é necessário que: o cálcio esteja presente no alimento (DIETA). não haja falta de vitamina D3 em nosso organismo (para isso é necessária a exposição do corpo aos raios solares ou uma alimentação rica em fontes desta vitamina), a presença do hormônio paratormônio (para que ocorra a conversão de 25-hidroxicolecalciferol em 1,25-diidroxicolecalciferol).
A concentração de cálcio no plasma e seus efeitos no organismo
Mais de 99% do cálcio presente em nosso corpo se encontra depositado em tecidos como ossos e dentes. Sendo assim, o cálcio na forma iônica dissolvida em nosso plasma corresponde a menos de 1% do total de cálcio que possuímos. É muito importante que o nível de cálcio plasmático se mantenha dentro do normal (valor de referência entre 8,4 e 10,2 mg/dL).
Hipercalcemia - Em uma situação de hipercalcemia as membranas das células excitáveis se tornam menos permeáveis ao sódio, o que reduz a excitabilidade da mesma, como conseqüência, ocorre uma hipotonia muscular esquelética generalizada. E no músculo cardíaco ocorre um aumento da força contrátil durante a sístole ou mesmo uma parada cardíaca, devido redução da excitabilidade das fibras de His-Purkinje.
* A hipercalcemia pode ser causada por: hiperparatireoidísmo primário, neoplasias com envolvimento ósseo, particularmente tumores de mama, pulmões e rins, e no mieloma múltiplo. Pode ser vista na tirotoxicose, acromegalia, intoxicação pela vitamina D, excesso de antiácidos e na fase diurética da necrose tubular aguda.
Hipocalcemia - Em uma situação de hipocalcemia, ao contrário, as membranas celulares se tornam excessivamente permeáveis aos íons sódio. O aumento na permeabilidade ao sódio torna as membranas mais excitáveis, assim, os músculos esqueléticos se tornam mais hipertônicos, podendo ocorrer inclusive uma manifestação de tetania (hipocalcêmica). O músculo cardíaco se contrai com menos força.
* Os valores diminuídos do cálcio ocorre no hipoparatireoidísmo primário ou pós cirurgia da tireoide, na deficiência da vitamina D, insuficiência renal crônica, pancreatite aguda, acidose crônica, hipoalbuminemia e hipofunção hipofisária.
Controle da Calcemia - Quando o nível plasmático de cálcio se torna abaixo do normal, as paratireóides aumentam a secreção de paratormônio, este faz com que a calcemia aumente, retornando ao normal. Quando o nível plasmático de cálcio se torna acima do normal, as células parafoliculares da tireóide aumentam a secreção de calcitonina, esta faz com que a calcemia se reduza, retornando ao normal.
Referências:
GHORAYEB, N., BARROS,T. O Exercício. ed. Atheneu, 1999. Pg. 387
GUEDES, D.P., GUEDES, J.E.R.P., Controle do peso corporal: Composição corporal, atividade física e nutrição .ed. Midiograf, 1998. Pg.157
MAZZEO, R.S., CAVANAGH, P., EVANS, W.J., FIATARONE, M.ª, HAGBERG,J., MCAULEY, E., STSRIZE I.J., Exercícios e atividade física para pessoas idosas. Revista Atividade Física e Saúde, v.3, nº.1, p.48-78,1998
NAGIER, M.D.N., ESTORF, M.D.I., Seu corpo de A a Z: Guia prático de exercícios de recuperação e conservação. Rio de Janeiro, 1988. Pg.228-233
NIEMAN, D.C., Exercício e saúde: Como se prevenir de doenças usando o exercício como seu medicamento, ed. Manole, 1999. Pg. 105-118
NUNER, J.F., FERNANDES, J.A., Influência da ginástica localizada sobre a densidade óssea em mulheres de meia idade. Revista Atividade Física e Saúde, v.2, nº.3, p.14-21,1997
OURIQUES, E.P.M., FERNANDES, J.A., Atividade física na terceira idade: uma forma de previnir a osteoporose? Revista Atividade Física e Saúde, v.2, nº.1, p.53-68,1997
PINTO, R.M.A., CHIAPETA, S.M.S.V., O cálcio, o estrogênio e a atividade física na intervenção da osteoporose em mulheres no climatério. Revista Mineira de Educação Física, v.3, nº.1, p.05-16, 1995
RASO,V., ANDRADE, E.L., MATSUDO, S,M., MATSUDO, V.K.R., Exercícios com peso para pessoas idosas. Revista Atividade Física e Saúde, v.2, nº.4, p.17-26, 1997

CAROL comenta:
29 Outubro, 2007 @ 20:47
Obrigada pela resposta!!! Vou passar alguns resultados, para ver se você pode me ajudar, qual especíalista devo procurar. Não tenho condições financeiras, faço as consultas pelo SUS. O primeiro exame que fiz, foi um RX de mãos e punhos, onde constou Textura óssea reduzida e logo em seguida fiz à DENSITOMETRIA ÓSSEA, com resultado de conclusão: OSTEOPENIA e em OBS: Alterações osteo-hipertróficas degenerativas alteram a mensuração densitométrica. Resultado de sangue (dosagem sérica de cálcio) foi de 9,3 mg/dl. Mas como já disse tenho dores, e o osso queima só para se tomar anagésicos…Se eu trabalhar dois dias seguidos sentada trava, minha jornada de trabalho é de 8 horas e meia andando, sou vendedora. Mais uma vez obrigada pela sua atenção e espero que com estes dados você possa me ajudar. Fique com DEUS….
VALÉRIA comenta:
11 Janeiro, 2008 @ 05:39
GOSTARIA DE SABER O QUE SIGNIFICA OSTEOHIPERTROFICAS EM UM RESULTADO DE RAIO X DO JOELHO
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
11 Janeiro, 2008 @ 18:01
Carol,
A descrição de - Alterações osteo-hipertróficas degenerativas no seu exame de densitometria óssea fala a favor da existência de osteoartrose da coluna lombar (bico de papagaio). Faça um exame radiológico da sua coluna. A sua dor lombar é disso. A osteopenia não provoca dor.
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
11 Janeiro, 2008 @ 18:03
Valéria,
Lesões osteohipertrófica - significa aumento da massa óssea em determinado local. Geralmente, esta descrição é usada nos processos de osteoartrose (bicos de papagaio) que pode ocorrer no ossos tíbia e fíbula ou femur do joelho.
Elisabete comenta:
8 Abril, 2008 @ 09:40
Bom dia,
Fiz uma radiografia e o resultado foi ausencia de alterações osseas morfologicas e osteo-hipertroficas marginais e dedução do espeaço intervertebral em L-4-L5e L5-S1
Aguardo
Obrigado
Pedro comenta:
1 Maio, 2008 @ 10:54
Sou estudante de enfermagem e esse trabalho exposto me ajudou muito, quero deixar expresso o meu agradecimento por sua tão valiosa colaboração à quem precisa estudar para executar uma responsavel. Obrigado!
Marcus Vinicius comenta:
31 Julho, 2008 @ 19:43
Dr, boa noite.
Fiz uma radiografia, e foi identificado uma espécie de tumor, e logo após realizei uma tomografia computadorizada no quadril direito para identificar o tumor.
no diagnóstico do exame foi dito o seguinte:
” Lesão osteohipertrófica, de contornos irregulares em continuidade com a medular do aspecto interno do trocânter menor do femur direito, projetando-se inferiormente em planos musculares adjacentes ( notadamente musculatura adutora) onde associam-se areas hipoatenuantes sugerindo edemas”.
o diagnóstico tbm incluiu o Osteocondroma.
a minha maior preocupação é se essa lesão, ou tumor, pode ser maligno. Ha probabilidade?
katya comenta:
16 Novembro, 2008 @ 09:35
DR.
bom dia, já pesquisei tudo sobre osteohipertroficas degenerativas em alguns corpor vertebrais e articulações interapofisárias, mas estou buscando agora um tratamento específico, pois aas dores são muitas e gostaria muito de voltar ao trabalho logo….poderia me dizer quais seriam o possíveis tratamentos? aguardo ansiosa, obrigada