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09

Infarto no miocárdio - marcadores bioquímicos

Categoria(s): Bioquímica, Cardiogeriatria, Emergências


Conceitos

O diagnóstico de infarto do miocárdio com a utilização dos marcadores de lesão miocárdica é extremamente importante para o início do tratamento, pois as alterações eletrocardiográficas podem demoram a surgir. Porém, este método também tem suas limitações, como veremos a seguir.

Creatinaquinase - A creatinaquinase é uma enzima que catalisa a transferência de fosfato de alta energia da molécula do trifosfato de adenosina para produzir a creatina fosfato. Embora sensível para o diagnóstico de lesão muscular, não é específica para o diagnóstico de lesão miocárdica.

Sua isoenzima CK-MB, embora considerada padrão para o diagnóstico de infarto do miocárdio, também apresenta limitações decorrentes de sua presença na musculatura periférica. A maioria dos pacientes apresenta elevação dos níveis de CK-MB entre seis e oito horas, normalizando-se entre dois e três dias, enquanto a creatinaquinase atinge seu pico em torno de 21 horas, normalizando-se em cinco dias.

Mioglobina - A mioglobina é uma hemoproteína citoplasmática de baixo peso molecular, encontrada tanto em músculo cardíaco como em periférico, sendo, portanto, inespecífica. Como é liberada rapidamente e com vida média curta, o que limita seu uso. Não é um marcador a ser utilizado para diagnóstico, principalmente por causa de sua inespecificidade (se eleva nas lesões musculares, além do cardíaco). No infarto do miocárdio, os níveis se encontram entre 0,15 e 0,5 microgramas/mL e se elevam antes da creatinoquinase.

Troponinas - As troponinas são proteínas regulatórias localizadas no músculo estriado ligadas ao aparato contrátil celular. As tropinas I e T são específicas para o diagnóstico de lesão miocárdica por possuírem cadeia de aminoácidos diferente da cadeia de aminoácidos das troponinas do músculo esquelético. A troponina C apresenta cadeia de aminoácidos idêntica para ambos os músculos; por isso, é um marcador inespecífico e não é utilizada.

Normalmente a troponina T cardíaca não está presente no sangue circulante. Sua quantificação é feito por imunoensaio. É considerada o padrão-ouro (melhor exame) entre os marcadores bioquímicos da necrose (lesão por morte) do tecido miocárdico, com excelente sensibilidade e especificidade. Os valores máximos ocorrem entre 24 e 48 horas, permancendo elevados até 14 dias após o infarto agudo do miocárdio.

Proteínas ligadas ao ácido graxo - As proteínas ligadas ao ácido graxo devem estar envolvidas no transporte de ácidos graxos de cadeia longa do sarcolema aos diferentes locais de oxidação e esterificação. Possuem baixo peso molecular de 15 kilodaltons, são hidrofílicas e encontram-se no citoplasma celular. Novos testes com anticorpo monoclonal para esse marcador estão sendo desenvolvidos, o que permitirá sua utilização futura.

Glicogênio 6 fosforilase - Glicogênio 6 fosforilase é a enzima chave para a glicogenólise e possui três isoenzimas: BB (cerebral), MM (muscular) e LL (fígado). A isoenzima BB é também encontrada no miocárdio, onde é predominante, enquanto a isoenzima MM é exclusivamente de musculatura periférica. Durante episódios isquêmicos, a glicogenólise é aumentada e grandes quantidades da isoenzima BB são liberadas.

Atinge a circulação sanguínea mais precocemente que a CK-MB e que as troponinas e apresenta reação cruzada em menos de 1% com as isoenzimas LL e MM. Dados preliminares indicam que a forma BB é um sensível marcador de lesão miocárdica.

Referências:

Birdi I, Angelini GD, Bryan AJ. Biochemical markers of myocardial injury during cardiac operations. Ann Thorac Surg 1997;63:879-84.

Mair P, Mair J, Seibt I, et al. Cardiac troponin T: a new marker of myocardial tissue damage in bypass surgery. J Cardiothorac Vasc Anesth 1993;7(6):674-8.

Etievent JP, Chocron S, Toubin G, et al. Use of cardiac troponin I as a marker of perioperative myocardial ischemia. Ann Thorac Surg 1995;59:1192-4.

Suzuki K, Sawa Y, Kadoba K, et al. Early detection of cardiac damage with heart fatty acid-binding protein after cardiac operations. Ann Thorac Surg 1998;65:54-8.

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4 Comentários »

  1. Sávia Perina Portilho Falci comenta:

    8 Fevereiro, 2008 @ 06:53

    Bom dia, adorei o artigo.
    Sou bioquímica e fui convidada a dar uma palestra para estudantes do curso de Educação Física sobre maradores de lesão muscular. Gostaria, se pudesse, que me enviasse qualquer artigo sobre o assunto para enriquecer minha palestra.
    Ou pelo menos listasse pra mim quais os marcadores mais importantes de serem citados no caso de lesão muscular.

  2. Rosemary goncalves comenta:

    5 Maio, 2008 @ 12:37

    Olá, bom dia,

    Sou estudande do curso de fisioterapia e estou fazendo um trabalho sobre INDICADORES BIOQUIMICOS DO INFARTO DO MIOCARDIO, e gostaria que me enviassem algum artigo sobre este assunto.

    obrigada

  3. leika madureira comenta:

    13 Outubro, 2008 @ 09:16

    Bom dia sou estudante de farmácia bioquimica e preciso fazer uma apresentação na semana da farmácia, gostaria que vocês me enviassem algum material sobre os marcadores bioquimicos do infarto do miocárdio, conto com a gentileza de vocês e desde já os agradeço.

  4. Alba Leal comenta:

    22 Outubro, 2008 @ 19:31

    Olá! sou enfermeira e trabalho numa sala de urgência e emergência e gostaria de saber quais os exames que devo pedir tanto de bioquimica como outra conduta em pacientes com infarto:

    Obrigada!!

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