09 - jul
  

Infarto no miocárdio – marcadores bioquímicos

Categoria(s): Bioquímica, Cardiogeriatria, Emergências




Conceitos

O diagnóstico de infarto do miocárdio com a utilização dos marcadores de lesão miocárdica é extremamente importante para o início do tratamento, pois as alterações eletrocardiográficas podem demoram a surgir. Porém, este método também tem suas limitações, como veremos a seguir.

Creatinaquinase – A creatinaquinase é uma enzima que catalisa a transferência de fosfato de alta energia da molécula do trifosfato de adenosina para produzir a creatina fosfato. Embora sensível para o diagnóstico de lesão muscular, não é específica para o diagnóstico de lesão miocárdica.

Sua isoenzima CK-MB, embora considerada padrão para o diagnóstico de infarto do miocárdio, também apresenta limitações decorrentes de sua presença na musculatura periférica. A maioria dos pacientes apresenta elevação dos níveis de CK-MB entre seis e oito horas, normalizando-se entre dois e três dias, enquanto a creatinaquinase atinge seu pico em torno de 21 horas, normalizando-se em cinco dias.

Mioglobina – A mioglobina é uma hemoproteína citoplasmática de baixo peso molecular, encontrada tanto em músculo cardíaco como em periférico, sendo, portanto, inespecífica. Como é liberada rapidamente e com vida média curta, o que limita seu uso. Não é um marcador a ser utilizado para diagnóstico, principalmente por causa de sua inespecificidade (se eleva nas lesões musculares, além do cardíaco). No infarto do miocárdio, os níveis se encontram entre 0,15 e 0,5 microgramas/mL e se elevam antes da creatinoquinase.

Troponinas – As troponinas são proteínas regulatórias localizadas no músculo estriado ligadas ao aparato contrátil celular. As tropinas I e T são específicas para o diagnóstico de lesão miocárdica por possuírem cadeia de aminoácidos diferente da cadeia de aminoácidos das troponinas do músculo esquelético. A troponina C apresenta cadeia de aminoácidos idêntica para ambos os músculos; por isso, é um marcador inespecífico e não é utilizada.

Normalmente a troponina T cardíaca não está presente no sangue circulante. Sua quantificação é feito por imunoensaio. É considerada o padrão-ouro (melhor exame) entre os marcadores bioquímicos da necrose (lesão por morte) do tecido miocárdico, com excelente sensibilidade e especificidade. Os valores máximos ocorrem entre 24 e 48 horas, permancendo elevados até 14 dias após o infarto agudo do miocárdio.

Proteínas ligadas ao ácido graxo – As proteínas ligadas ao ácido graxo devem estar envolvidas no transporte de ácidos graxos de cadeia longa do sarcolema aos diferentes locais de oxidação e esterificação. Possuem baixo peso molecular de 15 kilodaltons, são hidrofílicas e encontram-se no citoplasma celular. Novos testes com anticorpo monoclonal para esse marcador estão sendo desenvolvidos, o que permitirá sua utilização futura.

Glicogênio 6 fosforilase – Glicogênio 6 fosforilase é a enzima chave para a glicogenólise e possui três isoenzimas: BB (cerebral), MM (muscular) e LL (fígado). A isoenzima BB é também encontrada no miocárdio, onde é predominante, enquanto a isoenzima MM é exclusivamente de musculatura periférica. Durante episódios isquêmicos, a glicogenólise é aumentada e grandes quantidades da isoenzima BB são liberadas.

Atinge a circulação sanguínea mais precocemente que a CK-MB e que as troponinas e apresenta reação cruzada em menos de 1% com as isoenzimas LL e MM. Dados preliminares indicam que a forma BB é um sensível marcador de lesão miocárdica.

Referências:

Birdi I, Angelini GD, Bryan AJ. Biochemical markers of myocardial injury during cardiac operations. Ann Thorac Surg 1997;63:879-84.

Mair P, Mair J, Seibt I, et al. Cardiac troponin T: a new marker of myocardial tissue damage in bypass surgery. J Cardiothorac Vasc Anesth 1993;7(6):674-8.

Etievent JP, Chocron S, Toubin G, et al. Use of cardiac troponin I as a marker of perioperative myocardial ischemia. Ann Thorac Surg 1995;59:1192-4.

Suzuki K, Sawa Y, Kadoba K, et al. Early detection of cardiac damage with heart fatty acid-binding protein after cardiac operations. Ann Thorac Surg 1998;65:54-8.

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11 Comentários »

  1. Sávia Perina Portilho Falci comenta:

    8 fevereiro, 2008 @ 6:53 AM

    Bom dia, adorei o artigo.
    Sou bioquímica e fui convidada a dar uma palestra para estudantes do curso de Educação Física sobre maradores de lesão muscular. Gostaria, se pudesse, que me enviasse qualquer artigo sobre o assunto para enriquecer minha palestra.
    Ou pelo menos listasse pra mim quais os marcadores mais importantes de serem citados no caso de lesão muscular.

  2. Rosemary goncalves comenta:

    5 maio, 2008 @ 12:37 PM

    Olá, bom dia,

    Sou estudande do curso de fisioterapia e estou fazendo um trabalho sobre INDICADORES BIOQUIMICOS DO INFARTO DO MIOCARDIO, e gostaria que me enviassem algum artigo sobre este assunto.

    obrigada

  3. leika madureira comenta:

    13 outubro, 2008 @ 9:16 AM

    Bom dia sou estudante de farmácia bioquimica e preciso fazer uma apresentação na semana da farmácia, gostaria que vocês me enviassem algum material sobre os marcadores bioquimicos do infarto do miocárdio, conto com a gentileza de vocês e desde já os agradeço.

  4. Alba Leal comenta:

    22 outubro, 2008 @ 7:31 PM

    Olá! sou enfermeira e trabalho numa sala de urgência e emergência e gostaria de saber quais os exames que devo pedir tanto de bioquimica como outra conduta em pacientes com infarto:

    Obrigada!!

  5. Fábio comenta:

    6 fevereiro, 2009 @ 11:39 PM

    Gostei muito do artigo e gostaria de saber da autora se ela poderia disponibilizar algum material para enriquecer minha tese.
    Preciso de alguns marcadores da lipólise, de lesão muscular aguda e crônica!
    Também se seria possível algum exame para verificar a UCP2 e 3.
    Desde já agradeço sua contribuição e relevancia em nosso meio acadêmico com seu valoroso trabalho.

  6. Mariana comenta:

    1 fevereiro, 2010 @ 12:37 PM

    Ola..
    sou academica de Farmacia e bioquimica, e gostaria que me enviassem se possivel; artigos sobre Marcadores Bioquimicos em lesões cardiacas..
    desde ja agradeço.

  7. Tomas Pereira comenta:

    5 julho, 2010 @ 3:17 PM

    Boa tarde.

    Sou estudante de Ensino Médio e tenhqo eu bfazer uma monografia sobre algo na área emq ue pretendo me formar. No meu caso medicina. Então escolhi fazer sobre as causas do Infarto. Gostaria de saber se tem tem alguma dica, orientação, sugestão ou material que possa me ajudar a fazer uma pesquisa e posteriormente minha monografia.

    Obrigado.

  8. Ivana Martins comenta:

    10 novembro, 2010 @ 12:47 AM

    Sou estudante de Enfermagem irei fazer uma prova de Bioquimica sobre IAM (Infarto d Miocárdio), gostaria se possivel enviasse material para poder entender como a bioquimica influencia no IAM

  9. ANA MARIA RIBEIRO LOBATO comenta:

    16 abril, 2011 @ 12:00 AM

    Ivana

    Meu marido teve IAM no dia 8/4/011

    Na manhã do dia 8 as dores eram fortes, ele apresentava palidez e sudorese intensa
    Levado ao Hospital, fizeram EEG – normal
    PA – 12×8
    8:40 horas – Exame de sangue para dosagem da CK – MB = 15 U/L (abaixo de 24)
    Foi medicado com Isordil, AAS – PA – 11X7
    A dor não passou – hipótese do médico: sintomas de stress
    Foi liberado com receita de Dolamin (2 comp) relaxantes
    15 horas – A dor persistia – Pressão no peito
    16 horas – levamos a outro hospital e contatamos o cardiologista de plantão que solicitou urgência
    Repetição do EEG – normal / PA – 12×8
    Avaliação clínica provável – Angina – Medicação indicada
    18 horas: Exame sangue para dosagem de CK – MB = 184.OO U/L acusando o infarto
    TROPONINA = 62.72 ng/ mL
    Leucócitos – 13.500
    Mantido na Unidade Intracoronariana – Internação Rx tóracico e medicação dor intensa (morfina)
    23 horas – EEG – Supra – Hemodinâmica /cateterismo/ Angioplastia na Descendente Anterior
    01:05 – CK-MB – 315.OO U/L

    De acordo com a equipe do hospital que o salvou, o procedimento correto do primeiro cardiologista seria mantê-lo internado, verificando – de 3/3 horas a evolução ou não da dosagem da CK- MB. Felizmente ele sobreviveu!
    Abrs

  10. DANIEL SALU REGO comenta:

    20 outubro, 2011 @ 12:47 PM

    boa tarde minha esta em estado de observção com os seguintes vl CK DE MANHA 40 U/L TROPONINA < 3
    A TARDE ELA FOI LEVADA AO MEDICO PARA PODE REPETIR O EXAME DE CK 45 U/L TROPONINA NÃO INFORMADO
    AS DORES NO PEITO COMEÇARAM POR VOLTA DE 1 H DA MANHÃ E LEVADA AO HOSPITAL AS 4 HS DA MANHÃ
    SEGUIDA COM VONTADE DE VOMITOS E A PRESSÃO ARTERIAL 17 / 13
    POR ACASO A MINHA ESTAVA TENDO UM PRINCIPIO DE INFARTO?
    DESDE JA AGRADEÇO POR ALGUMA INFORMAÇÃO.

  11. Adriana Castro comenta:

    26 abril, 2012 @ 11:39 PM

    Até que fim te achei Sávia,sumiu,esqueceu da gente,estou com saudades,de noticias,beijinhos…

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