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Jul
04
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Sistema nervoso vegetativo - Disautonomias
Categoria(s): Cardiogeriatria, DNT, Endocrinogeriatria, Neurogeriatria |
Painel
Como o sistema nervoso vegetativo ou autonômico participa da modulação funcional de vários sistemas do organismo, o conjunto de manifestações clínicas que acompanham as suas disfunções, que recebem o nome de disautonomia, possui uma gama muito ampla de sinais e sintomas.
MANIFESTAÇÕES DAS DISAUTONOMIAS
- Hipotensão ortostática
- Taquicardia de repouso
- Hipertensão supina
- Angina pecturis
- Infarto do miocárdio sem dor
- Parada cardiorespiratória
- Alterações na motilidade do tubo gastro-intestinal
(esofagite de refluxo, plenitude gástrica, diarréia noturna alternada com constipação)
- Anormalidades da sudorese
(anidrose de membros inferiores com hiper-hidrose compensatória em tronco superior e face)
- Bexiga neurogênica,
- Impotência sexual
-Alterações da regulação do diâmetro pupilar.
A morte súbita no curso de determinadas doenças como diabetes mellitus, síndrome de imunodeficiência adquirida, doença de Chagas e o infarto do miocárdio, tem sido freqüentemente associada a disfunção autonômica. Chama atenção para a grande incidência de parada respiratória neste grupo de pacientes.
As disautonomias podem se manifestar de diversas maneiras de acordo com o sistema predominantemente acometido. O quadro abaixo cita as principais manifestações das disautonomias.
A disautonomia pode ocorrer em qualquer paciente diabético, porém e mais freqüente nas doenças de longa duração e independente do uso de insulina.
Aspectos peculiares das disautonomias
Alimentação - A alimentação exerce um efeito depressor potente nestes pacientes e é durante a primeira hora pós-prandial quando mais provavelmente pode ocorrer síncope.
Natação- Embora os pacientes com insuficiência autonômica avançada possam permanecer em pé por poucos segundos, se mergulhados n’água sua tolerância à postura ereta é quase ilimitada. Por este motivo a natação é recomendada a estes pacientes.
Hipertensão arterial sistêmica.- São conhecidos casos de insuficiência autonômica que desenvolveram hipertensão arterial maligna, com resistência vascular elevada, porém não se sabe o motivo.
Função respiratória - A função respiratória exerce marcante efeito sobre a pressão arterial nas disautonomias. porém os papéis específicos da tensão de oxigênio, da tensão de dióxido de carbono e do pH ainda são desconhecidos.
Cardiopatia isquêmica - Embora relativamente incomum, a angina pecturis pode ocasionalmente acompanhar a insuficiência autonômica. Obrigando o médico a observar o uso dos nitritos e vasodilatadores, que podem agravar o quadro de hipotensão, gerando mais hipóxia miocárdica e piorando a angina. Em vista, disto, qualquer paciente com piora paradoxal da angina com o uso de nitritos, deve-se pesquisar disautonômia.
Diagnóstico - A avaliação funcional do sistema nervoso autonômico é muito importante para caracterizar as disfunções, obtendo a explicação e o correto tratamento.
TESTES AUTONÔMICOS Os testes de avaliação do sistema nervoso autonômico cardíaco servem para demonstrar sua integridade e podem estar relacionados com as manifestações decorrentes de seu acometimento.
Os testes comumente empregados são:
a) Freqüência cardíaca : Neste teste avalia-se a média da diferença entre as freqüências cardíacas máxima e mínima obtidas durante a inspiração e a expiração dos ciclos respiratórios, com o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos/minuto (0.1 Hz) o paciente respirando na freqüência de 6 ciclos por minuto (01. Hz) considerando-se anormal quando a diferença < 1,1.
b) Manobra de Valsalva - Paciente em posição supina é instruído a soprar através de bocal conectado a manômetro aneróide durante 15 seg. após a inspiração profunda mantendo pressão de 40 mmHg, sendo obtida a taxa de Valsalva que e a relação entre o maior intervalo RR (após a manobra) e o menor intervalo RR (durante a manobra), sendo considerado anormal quando a diferença < 1,1.
c) Teste de exercício isométrico (”handgrip”) - manter 30% da contração máxima desenvolvida (avaliado por dinamômetro), durante 5 minutos, sendo considerado normal aumento da pressão diastólica de > 16 mmHg, e anormal a elevação < 10 mmHg.
d) Teste ortostático ou posicional - avaliação da freqüência cardíaca até 60 batimentos cardíacos após o paciente assumir a posição ereta, verificando a relação do intervalo RR no ECG do 30′ batimento em relação ao 15′ a partir do início da manobra (relação 30:15), sendo considerado normal >1,04 e anormal <1,00.
Considera-se, também, normal a queda da pressão sistólica < 10 mmHg e anormal > 30 mmHg.
e) Teste de propranolol - aplica-se de 0.2 mg/kg por via venosa até o máximo de 10 mg, estando o paciente em posição supina e monitorizado pelo ECG, obtendo-se traçados de 10 seg. no 1′, 5′ e 10′ minuto após a aplicação. Considera-se como resposta normal queda mínima de 12 bpm de freqüência cardíaca inicial.
f) Teste da atropina - realiza-se após 1 dia do teste do propranolol, aplicando-se 0.04 mg/kg de sulfato de atropina por via venosa, em paciente em posição supina e monitorização do ECG, obtêm-se traçados de 10 s no 1′, 5′ e 10′ minutos após a injeção. Considera-se normal um aumento de 25% da freqüência cardíaca inicial.
Tratamento - O tratamento é complexo e depende do tipo de etiologia da lesão do sistema nervoso autonômico.
Referências:
Castro CLB, Nobrega ACL, Araujo CGS - Teste autonômicos cardiovasculares. Uma revisão Crítica. Parte I. Arq Bras Cardiol, 1992;59(1):75-85.
Julius S - Autonômic nervous system dysregulation in human hypertension. Am J Cardiol, 1991;67:3B-7B.
Clarke BF, Ewing DJ, Campbell IW - Diabétic autonômic neuropathy. Diabetology,1979;17:195-212.
Page MM, Watkins PJ - The heart in diabetes: Autonômic neuropathy and cardiopathy. Clin Endocr Metab. 1977;6:377.
Lloyd-Mostyn RH, Watkins PJ - Total cardíac denervation in diabétics autonômic neuropathy and cardiomiopathy. Diabetis. 1976;25:748.
Robertson D, Cavalvante JW - Hipotensão ortostática. Arq Bras Cardiol,1992;58(4):255-261.
Naik RB, Mathis CJ, Warren DJ - Diagnosing autonômic neuropathy. Lancet, 1981;1:328.
Levy MN - Sympathetic-parasympathetic interaction in the heart. Circ Res.1971;29:437.
Tags: disautonomia, hipotensão ortostática, manobra de valsalva

Valquiria comenta:
5 Maio, 2008 @ 18:02
Boa noite , é interesante sua pesquisa, pois não tenho diabetes e meu médico constatou que tenho disautonomia; tenho duvidas sobre esta doença, pois tenho os sintomas mas não sou diabetica e meus exames estão tds normais , não faço tratamento mas tenho dificuldade de concentrarme e como se esteve-se com meu cerebro vazio mas que especialista devo procurar pois sou joven demais para ter tal diagnostico, e sou estudante de tec. enfermagem como direcionar meu futuro. Poderia tirar minhas duvidas. Desde ja agradeço.
erika comenta:
27 Julho, 2008 @ 10:56
Eu tenho disautonomia cerebro vascular, fiz o dopple transcraniano e o meu medico passou propanolol,meu sintomas sao sudorese, pressão alta, falra de ar em locais fechados ou quente, vomitos ,dores de cabeça,visão turva etc.. mas ainda tenho muita duvida sobre a disautonomia o meu medico fala q eu tenho desde nova mas so agora q estar evoluido , se poderem me explicar melhor agradeço…
maria teresa comenta:
28 Setembro, 2008 @ 14:26
Parece que a minha sobrinha tem disautonomia. Sofre muito, porque ainda não tem tratamento, não consegue sair da cama com cansaço, tem imensa sudorese que disparam após contração do ventre, por vezes prisão da bexiga e intestinos, desmaios frequentes, má qualidade de sono por não ser reparador, causado pelo excesso de sudorese, falta de concentração, taquicardia, tem vindo a piorar… tenho esperança que consiga um tratamento que a permita sair da cama e ter qualidade de vida, se souberem mais sobre este assunto, por favor não deixem de ajudar, não sei se estão em Portugal, ela está e com muito bons médicos, mas não é fácil os variadíssimos exames dão quase todos negativos e quando dão positivos, são pouco indicativos.Está sem vida, sempre na cama com 32 anos. Teresa