Arquivo de julho, 2007

31
jul

 Lagrima – Fisiologia do filme lacrimal

Categoria(s): Dicionário, Oftalmologia

Dicionário

olho seco

Filme lacrimal - O filme lacrimal é composto por três camadas: a mais anterior é a camada de lipídios, seguida pela camada intermediária que é a aquosa e pela camada de mucina, a qual está intimamente ligada ao epitélio corneano e conjuntival.

A camada lipídica é secretada pelas glândulas de Meibomian. Quando as pálpebras se fecham, durante o piscar, a camada lipídica é comprimida contra a aquosa e, quando as pálpebras se abrem, a camada lipídica espalha-se sobre a camada aquosa, impedindo sua exposição, diminuindo a evaporação da lágrima. A camada aquosa ocupa quase toda a espessura do filme lacrimal e contém, entre outras substâncias, oxigênio (maior fonte de oxigenação corneana), lizosima (papel bactericida) e imunoglobulinas (principalmente Ig A, que impede a aderência de bactérias à superfície corneana). A camada mucosa é produzida pelas células caliciformes da conjuntiva, é uma camada hidrofílica que adere à superfície ocular hidrofóbica, permitindo que a lágrima se distribua homogeneamente na superfície corneana até o próximo piscar; dissolve-se também na camada aquosa, diminuindo a tensão superficial com a camada lipídica (hidrofóbica), tornando o filme lacrimal mais estável e, por fim, mantém a superfície corneana úmida.

Entre duas piscadas, com o olho aberto, o componente aquoso se evapora lentamente, aproximando a camada de lipídios com a camada de mucina. Os lipídios se difundem, então, pelo que restou da camada aquosa e atingem a camada mucosa, formando uma área hidrofóbica, que repele a porção aquosa (mancha seca). Este período, desde o piscar até a formação da mancha seca, chama-se tempo de rotura do filme lacrimal.

A secreção lacrimal é dividida em basal e reflexa. A secreção basal provém das glândulas de Krause e Wolfring e a reflexa é produzida pela glândula lacrimal principal. Enquanto que a secreção basal é constantemente produzida, a reflexa só é secretada mediante estimulação (tátil ou química).

Avaliação da lágrima – A produção de lágrima pode ser avaliada pelo teste de Schirmer, fluoresceína ou tintura de Rosa Bengala.

Referências:

Juan Murube del Castillo – Ojo seco – Dry Eye – Olho seco [on line]

Klopfer J. Effects of environmental air pollution on the eye. J Am Optom Assoc (United States) 60: 773-8, 1989.

 

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31
jul

 Diabetes: Complicações

Categoria(s): Bioquímica, DNT, Endocrinogeriatria

Resenha

Colaboradora: Larissa Franceschetti Lopes Cunha *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

A Diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos. Caracteriza-se por hiperglicemia crônica com distúrbios do metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas.

No idoso há um aumento da intolerância a carboidratos, levando a elevação da glicemia. O fator genético, diminuição da secreção da insulina e maior resistência à insulina são os fatores associados ao metabolismo de carboidratos.(1)

As complicações crônicas da Diabetes Mellitus estão relacionadas com alterações vasculares gerando lesões em órgãos alvo, ou seja, os danos, disfunção e falência de órgãos como rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos. (1,2)

Podemos dividir as complicações crônicas no grupo das microangiopatias, onde encontramos a retinopatia diabética, a nefropatia diabética, e a neuropatia diabética. O grupo das macroangiopatias é representado pelo IAM, AVC, Insuficiência arterial periférica (MMII) e o pé diabético, que agrupa as alterações sensitivas, vasculares e mecânicas.

A fisiopatologia das alterações vasculares secundárias ao diabetes está relacionada com a hiperglicemia crônica e geração de produtos avançados de glicação. A hiperglicemia crônica também está associada a geração de espécies de oxigênio altamente reativos e promoção de ciclos de metabolismo da glicose alternativos, como o ciclo do sorbitol onde existe o papel da enzima aldoseredutase.(3)

Neuropatia periférica – A neuropatia diabética, uma das complicações crônicas, é uma doença nos nervos causada pela diabetes. Os danos nos nervos causados pela diabetes também podem conduzir a problemas com órgãos internos, tais como o trato digestivo, coração e órgãos sexuais, causando indigestão, diarréia ou constipação, vertigem, infecções na bexiga e impotência.(4)

A neuropatia periférica é a forma mais comum. A polineuropatia sensitiva-motora simétrica periférica (luvas e botas) é a mais prevalente, com redução da sensibilidade tátil à dor e temperatura, e parestesias ou hiperestesias. A neuropatia autonômica pode acometer o sistema cardiovascular (hipotensão ortostática), sistema gastrintestinal (gastroparesia, diarréia, distensão abdominal), geniturinário (incontinência ou retenção urinária, disfunção erétil).(3)

mielina

A figura ilustra um nervo com sua bainha de mielina destruída (coloração verde-amarelada), o início do nervo está normal (coloração translucida)

Os cientistas não sabem as causas da Neuropatia diabética, mas é provável que vários fatores contribuam: hiperglicemia, ou uma condição associada a diabetes, que causa mudanças químicas nos nervos. Estas mudanças prejudicam a habilidade dos nervos para transmitir sinais. A Hiperglicemia também danifica vasos sanguíneos que levam oxigênio e nutrientes aos nervos.(4)

A avaliação do pé diabético, que envolve alterações vasculares e neurológicas, deve ser feita anualmente e em menor tempo nos pés de risco, pois grande parte das amputações é precedida de úlceras. A avaliação neurológica de sensibilidade tátil, dolorosa, térmica, avaliação vascular (pulsos), avaliação tegumentar (pele, rachaduras, micoses) e observação de pontos de pressão devem ser efetuados no exame do pé de pacientes portadores de diabetes.

A neuropatia periférica predispõe ás úlceras dos pés através da redução da percepção de dor e de desconforto com corpos estranhos no calçado, calçados apertados e ao caminhar. O dano nervoso motor causa fraqueza e perda dos músculos pequenos dos pés e, com a perda da sensibilidade da posição da articulação, leva à postura inadequada. Isso concentra a pressão em áreas vulneráveis, tais como as cabeças metatársicas e o calcanhar. A pressão estimula a formação de calosidades, que é precursora da úlcera.As causas importantes das úlceras do pé diabético são as neuropatias, a isquemia derivada da doença macro vascular, a mobilidade limitada da articulação levando à pressão anormal no pé. A doença micro vascular, prejudicando a nutrição e a oxigenação do tecido, também contribuem.

Nefropatia diabética – A lesão renal é uma das complicações crônicas do diabetes, que  inicia-se com perda de proteína pela urina, evoluindo para a chamada glomerulopatia diabética caracterizada por uma quadro clínico de síndrome nefrótica (edema, hipoproteinemia, hipercolesterolemia, anemia), hipertensão arterial chegando a insuficiência renal crônica. Cerca de 35 % dos diabéticos tipo 1 e 10 % dos diabéticos tipo 2 desenvolvem a doença renal. (5)

Retinopatia Diabética – A Retinopatia Diabética é caracterizada por alterações vasculares. São lesões que aparecem na retina, podendo causar pequenos sangramentos e, como conseqüência, a perda da acuidade visual. Exames de rotina (como o “fundo de olho”) podem detectar anormalidades em estágios primários, o que possibilita o tratamento ainda na fase inicial do problema. (5)

Níveis de glicose ao diagnóstico muito elevado: 270 a 300 mg/dl, especialmente se acompanhados de perda de peso, cetonúria e cetonemia. O automonitoramento do controle glicêmico, quando possível, é uma parte fundamental do tratamento. A medida da glicose no sangue capilar é o teste de referência. A freqüência depende do grau de controle, dos medicamentos anti-hiperglicêmicos utilizados e de situações específicas.

No tratamento farmacológico usa-se hipoglicemiantes orais como: Secretagogos de insulina (Sulfoniluréias), Sensibilizadores da ação da insulina (Biguanidas), entre outros.Pacientes que não conseguem manter glicemia de jejum igual ou inferior a 140m/dl apesar da dieta, hipoglicemiantes orais e exercícios, tem indicação de fazer insulinoterapia.(4)

O tratamento não farmacológico tem como objetivo uma dieta balanceada e a atividade física que aumenta a sensibilidade à insulina e melhora a tolerância à glicose.

Modificação do estilo de vida é difícil na terceira idade. Mas deve-se estimular cuidados gerais de saúde como: suspensão do fumo, aumento da atividade física e reorganização dos hábitos alimentares. Dietas restritivas, além de nutricionalmente inadequadas, são de difícil aderência entre idosos. Deve-se insistir nas vantagens do fracionamento dos alimentos. Não é recomendável o uso habitual de bebidas alcoólicas e deve-se atentar para possíveis deficiências nutricionais associadas (Vit B12, acido fólico, etc…).

Referências:

1- Brasil. Ministério da Saúde Secretaria de Assistência à Saúde. Redes Estaduais de Atenção à Saúde do Idoso: Guia operacional e portarias relacionadas/Ministério da Saúde, Secretaria de Assistência à Saúde – Brasília: MS, 2002.

2- Prevenção de doenças Crônicas. Investimento vital. Copyright Organização Mundial da Saúde (OMS), 2005.

3- Guimarães, Renato M, Cunha, Ulisses G.V. Sinais e Sintomas em Geriatria, Revinter, Rio de Janeiro.

4- Moraes, E.N. Princípios Básicos de Geriatria e Gerontologia. Coopmed, (2006 em editoração).

5- Lourenço, R. A; Motta, L. B. Prevenção de doenças e promoção de saúde na terceira idade. In: Veras, Renato P. (org.). Terceira Idade: Alternativas para uma sociedade em transição. Edição. Rio de Janeiro: Relume-Dumará /UnATI-UERJ, 1999.

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30
jul

 Blefarite

Categoria(s): Dicionário, Oftalmologia

Dicionário

Blefarite é uma inflamação nas pálpebras. A inflamação ocorre nas glândulas que secretam gordura localizadas na pálpebra superior e inferior. A condição pode ser crônica ou recorrente. Os sintomas incluem: fotofobia, prurido, olhos vermelhos, lacrimejamento, secreção ocular, crostas nas pálpebras podendo, também, ocorrer úlcera palpebral. A blefarite pode evoluir para uma conjuntivite. O tratamento inclui: limpeza diária do local com água morna e shampoo neutro. Em certos casos é necessário o uso de colírio e/ou pomada de corticóide leve. Caso tenha infecção por bactéria o uso de antibiótico tópico é necessário.

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30
jul

 Hormônio de crescimento: o mito do rejuvelecimento

Categoria(s): Bioquímica, Endocrinogeriatria, Nutrição, Saúde Geriátrica

Editorial

ghO hormônio de crescimento (GH, de “growth hormone”) tem seu nome derivado da sua função biológica mais evidente, que é de promover o crescimento da criança e adolescente até que seja atingida a estatura final. No entanto, o GH continua a ser secretado pela glândula hipófise na idade adulta. Com que finalidade, já que o crescimento se completou?

Funções do GH – O GH exerce várias outras funções: adultos privados desse hormônio por doença da hipófise e tem perda de massa muscular, ganham gordura, descalcificam seus ossos, tem menos energia e força muscular e apresentam distúrbios cognitivos e mesmo depressão. Essas alterações podem ser revertidas através de injeções de GH.

Curiosamente, a produção de GH pelo organismo normal decresce com o envelhecimento, chegando a níveis muito baixos após os 60 anos. Em paralelo, várias das alterações descritas acima, principalmente perda de massa e de força muscular e distúbios na esfera mental, também são encontradas no idoso sem doenças na glândula hipófise.

Dessa forma, ser que a reposição de GH em idosos saudáveis poderia também ser benéfica?

Rudman e colaboradores (1990), mostrando que homens saudáveis acima de 60 anos, ao receber GH por seis meses, aumentaram a massa muscular e reduziram a massa gordurosa, obtiveram pequeno aumento na densidade dos ossos. Esse estudo teve grande interesse no meio médico, mas provocou verdadeiro furor na imprensa leiga, com alguns jornais e revistas de grande impacto alardeando a descoberta do “elixir da juventude”.

A realidade

A medida que outros estudos sobre a reposição de GH em idosos foram sendo realizados, verificou-se que, apesar do ganho na massa muscular, a maioria dos trabalhos não mostra que a força muscular e a capacidade aeróbica tenham sido beneficiadas: na verdade, estudos em idosos comparando indivíduos em uso de GH com outros desempenhando exercícios físicos mostraram que a força muscular e a capacidade aeróbica tiveram pequena melhora.

Finalmente, o uso de GH não melhorou a massa, nem os distúrbios cognitivos de idosos. Por outro lado, mesmo com doses consideradas “seguras”, foram evidenciados efeitos colaterais, como inchação dores articulares e musculares, distúrbios dos nervos periféricos e diabetes.

Apesar dos estudos não terem evidenciado aumento da incidência de câncer, não podemos esquecer que o GH promove proliferação das células e que os idosos constituem um grupo em maior risco de tumores.

O abuso

Apesar das evidências contrárias ao uso indiscriminado de GH em idosos saudáveis, o trabalho pioneiro de Rudman vem servindo indevidamente de base para que profissionais mal-intencionados, ou não aprofundados no tema, indiquem essa reposição.

Mais ainda, pode-se encontrar na internet sites com enxurradas de produtos proclamados como “GH” ou “estimulantes do GH”, “ativos” por via oral e vendidos sem receita médica.

Obviamente esses produtos não passaram pelo crivo de estudos sérios.

Quando repor o GH?

A redução na produção do GH com o envelhecimento pode ser vista através de duas perspectivas, não necessariamente excludentes: 1) representa um quadro de deficiência hormonal que pode ser tratada em determinadas situações; 2) seja uma adaptação ao envelhecimento, no sentido de proteger o idoso de problemas inerentes a essa faixa etária, tais como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, diabetes mellitus e neoplasias malignas.

Assim, imperativo estabelecer um equilíbrio entre os dois pontos de vista, selecionando rigorosamente o idoso a ser reposto com GH, como, por exemplo, aquele debilitado e sem possibilidade de exercitar-se.

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29
jul

 Uso do cateter vesical em idosos

Categoria(s): Gerontologia, Nefrogeriatria, Urogeriatria

Painel

Colaboradora: Astrid Arruda Celidonio Florentino *

* Enfermeira e pós-graduanda do curso Gerontologia da Metrocamp

sondaO idoso com incontinência urinária deve ser reavaliado periodicamente para que se possa ter uma indicação correta para o uso da sonda vesical, classificando o tipo de incontinência.

Quando indicada, a cateterização vesical é realizada por meio de técnica asséptica, por profissional da enfermagem treinado e com uso de material estéril.

Aos familiares e cuidadores, são dados todas as orientações necessárias, frente a medidas de manutenção, higiene, manipulação,etc.

O tempo para troca da sonda é definido conforme orientação médica e/ou casos de obstrução, presença de grande quantidade de resíduos no sistema, mau funcionamento do cateter.

Tipos de cateter vesical

-uretrovesical simples: utilizado em cateterização de alívio;

-cateter folley: possui um balão de retenção, que impede a saída involuntária da sonda, utilizado para sondagens de demora;

-cateter folley 3 vias: também possui balão de retenção, utilizado para irrigação vesical.

Apresenta-se de diversos materiais, como: látex, silicone 100%, material siliconizado, impregnado com prata ou nitrofurazona, mas a mais utilizada é a sonda de látex por seu baixo custo. Porém, como desvantagem, deteriora mais rapidamente comparada com a de silicone.

Existem alguns estudos mostrando que o cateter de silicone apresenta menor incidência de obstrução por gerar menos reação inflamatória na uretra.

Cateter impregnado com nitrofurazona e ou prata, é uma alternativa para uso em unidades de queimados.

Profilaxia e tratamento antimicrobiano

A infecção do trato urinário, é uma condição freqüente em idosos, principalmente com o uso do cateter de demora. O uso do cateter vesical por período superior a trinta dias, aumenta a flora microbiana, porém, o uso do antimicrobiano, não reduz a incidência de complicações, mas contribui para o aumento da resistência bacteriana. Por isso, não deve ser feita de forma intempestiva, onde os riscos superam os benefícios.

Em casos sintomáticos (cistites relacionadas ao cateter), o tratamento deve ser realizado por no máximo 14 dias, realizando-se também a troca da sonda vesical.

Papel da enfermeira

O papel da enfermeira é voltado para as orientações frente à conduta de reestruturação da incontinência, prevenindo e melhorando a condição dos idosos incontinentes, através de cuidados básicos, higiene, prevenção de lesões no períneo, favorecerem um ambiente adequado para manter a continência, conservando-o seco e evitando outras complicações.
É de fundamental importância, que a enfermeira geriátrica reconheça o impacto que esta condição gera na população idosa, para trabalhar todos os aspectos que influenciam o quadro do problema: psicológico,social e ambiental

Referências:

Freitas, VE Py L – Tratado de Geriatria e Gerontologia. In: maciel c. A; incontinência urinária. Guanabara koogan, 2006. Capítulo 72: p. 723 – 732.

Rodrigues AP. Rosalina & Mendes m. R. Maria; incontinência urinaria em idosos: proposta para a conduta da enfermeira. Rev. Latino americana de enfermagem – Ribeirão Preto: julho 1994

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