Arquivo de Junho, 2007

13
Jun

 A Fisioterapia no século XXI e a Geriatria

Categoria(s): DNT, Demografia, Fisioterapia, Gerontologia, Programa de saúde

Edital

Os avanços médicos das últimas décadas promoveram a queda da mortalidade entre as doenças infecciosas, beneficiando os grupos mais jovens da população. Estes “sobreviventes” passam a viver mais e expostos a fatores de risco para doenças crônico-degenerativas.

O segmento que cresce mais rápido é o de pessoas acima de 75 anos. Estes 12% idosos ocupam 33% do tempo do medico e a usam 25% das medicações prescritas. Além disso, são responsáveis por 40% das admissões hospitalares. A previsão para os próximos 20 anos é um aumento de idosos atingindo 18% do total da população, com grande impacto econômico social.

No Brasil, 5,85% da população é maior de 65 anos. No período de 1950 a 2025, o número de idosos no país deverá aumentar em 15 vezes, enquanto o restante da população em 5 vezes (Projeções da Organização Mundial de Saúde, OMS). O país ocupará o 6.° lugar no mundo quanto ao contingente de idosos, alcançando 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, em 2025.

Como decorrência do crescimento da população idosa e do aumento da longevidade, as doenças do aparelho cardiocirculatório continuarão a liderar as estatísticas de letalidade, seguidas pelos cânceres e por outras doenças crônicas, como as do aparelho respiratório, e osteoarticular.

Alia-se a estas mudanças o aumento do tabagismo, apesar das campanhas anti-tabágico, diminuição das atividades físicas diárias, mudança do perfil de dieta (rica em calorias e gorduras) e aumento do estresse. Estes fatos fazem surgir cada vez mais casos de obesidade, dislipidemia (alterações do colesterol e triglicérides), hipertensão arterial sistêmica e aumento de resistência insulina (componentes da síndrome metabólica). Todos estes fatos juntos predispõe as doenças cardiovasculares.
Este tipo de transição epidemiológica obrigará a readequar os programas de saúde pública, com prioridade para as medidas assistenciais e preventivas para as doenças não transmissíveis, e programas sociais com forte ação na socialização do idoso e seu retorno a vida ativa no mercado de trabalho.

Para cuidarmos dos idosos que as atuais conjunturas populacionais estão criando, necessitamos de profissionalizar os jovens prevendo para as próximas décadas o seu ingresso no futuro contingente de idosos. Pois, como sabemos, o emprego, é um fator determinante por toda a vida adulta, tendo grande impacto sobre a preparação, sob o aspecto financeiro, da pessoa para a velhice.

Papel da fisioterapia

O fisioterapêuta deste século deverá estar preparado para atuar na equipe multi e interdisciplinar, conhecendo os múltiplos aspectos das doenças crônicas e principalmente, das condições bio-psico-sociais dos idosos. O papel preventivo deverá sobrepujar o caráter reabilitatório das fisioterapias atuais. A atuação integrada do fisioterapêuta deverá ser sentida de forma consistente em todos os níveis de atendimento ao idoso. Procurando agir nos ambulatórios e consultórios médicos, evitando-se a hospitalização, que é considerada fator de risco de óbitos por provocar condições que agravam a saúde, como infecções, isolamento social, iatrogenia, entre outras que podem proporcionar perda de independência e autonomia.

Como sabemos os idosos hospitalizados apresentam um declínio físico progressivo e após a alta hospitalar, nem sempre conseguem recuperar o seu desempenho funcional anterior. Cabe ao fisioterapêuta, atuar neste segmento, de forma a minimizar estas “seqüelas” reabilitando o idoso de forma plena no mais breve período de tempo possível.

O fisioterapêuta do século XXI, necessita de conhecimentos a respeito não só da patologia que está sendo tratada, mas também de noções de nutrição, farmacologia, psicologia, filosofia e sociologia. Pois, não raramente será solicitado, pelo paciente, de informações a este respeito. Estas informações, certamente, não virão apenas das cadeiras do curso de fisioterapia, mas do convívio com as equipes que atendem os idosos.

Referência:

CUNHA, U e VEADO MAC- Fratura da extremidade proximal do fêmur em idosos: independência funcional e mortalidade em um ano. Revista de Ortopedia e Traumatologia, junho 2006,VOL 41, NO 6,p.195-199.

MAIA FOM, DUARTE YAO,LEBRAO ML et al Risk factors for mortality among elderly people. Revista Saúde Pública, Dec. 2006, vol.40, no.6, p.1049-1056.
IBGE. Informações estatísticas e geocientíficas. [on line]

OMS _ Envelhecimento ativo [on line]

Veja Também:
A marcha nos idosos - Parte 2. Papel da fisioterapia geriátrica
Doença de Alzheimer - Pneumonia aspirativa
Osteoartrose do joelho - Aspectos fisioterápicos
Osteoporose
Estudo de caso - Vertigens posturais
Terapia Ocupacional na Geriatria - Parte 2. TO no Brasil

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12
Jun

 Dor lombar nos idosos - avaliação clínica

Categoria(s): DNT, Emergências, Fisioterapia, Reumatogeriatria

Resenha

As dores lombares (lombalgias) constituem-se num problema de saúde pública e previdenciária. Representa a segunda causa de falta ao trabalho, perdendo apenas para as doenças virais agudas do trato respiratório alto (gripes), resultando em uma perda de produtividade maior que qualquer outra condição médica. Estima-se que a dor lombar acometa cerca de 70% da população ativa em países industrializados.

Anatomia das vértebras - Unidade funcional

colunaAs vértebras estão conectadas por uma tríade de elementos articulares, compostas fundamentalmente pelo disco intervertebral (no segmento anterior) e por um par de articulações interfacetárias ou interapofisárias revestidas por tecido sinovial (no segmento posterior). A coluna lombar possui cinco destas unidades, cuja integridade estrutural e capacidade funcional dependem amplamente do disco intervertebral, sendo estabilizada pelos ligamentos longitudinais anterior e posterior. Além destes elementos, esta unidade móvel tem em sua constituição outros ligamentos, músculos e fáscias, vasos sangüíneos e estruturas nervosas.

O disco intervertebral é um dos principais fatores responsáveis pela flexibilidade e elasticidade da coluna lombar. É formado por uma camada externa fibrosa concêntrica, o anel ou ânulo fibroso, combinada delicadamente com uma parte cartilaginosa central, o núcleo pulposo. A sustentação e estabilização do núcleo pulposo são realizadas por duas placas cartilagíneas, remanescentes da cartilagem de crescimento do corpo vertebral. Além de fornecer sustentação para a postura ereta e proteção para as estruturas nervosas, esta unidade motora permite também a mobilização do tronco.

O núcleo pulposo ao lado das curvaturas da coluna vertebral tem a função de amortecedor de choques e comportamento hidrostático. O envelhecimento da unidade motora se dá por; osteoporose, doença degenerativa discal associada idade, reação osteofitária, espessamentos ligamentares, alterações das articulações interfacetárias, encurtamento e insuficiência muscular.

Avaliação da dor lombar

Na lombalgia é importante caracterizar a forma de início, duração, freqüência, localização e irradiação da dor, bem como a associação com fatores de melhora ou piora. A dor lombar do tipo mecânica apresenta início súbito, geralmente associado a manobras de esforço físico, tendendo a ser de curta duração (dias, até duas semanas), melhorando com repouso e piorando com esforços físicos e movimentos.

A dor lombar de caráter inflamatório apresenta início gradual, sem fatores predisponentes, de intensidade geralmente progressiva, apresentando-se por período prolongado (semanas a meses), com componente de rigidez matinal nítido, além de despertar o paciente durante a noite.

Qualquer que seja a possível causa, um exame físico completo deve ser realizado antes da avaliação do sistema músculo-esquelético.

Exame locomotor

Flexão
- Torna-se útil a medida da distância dedo-chão na avaliação do grau de comprometimento da mobilidade, como também na resposta ao tratamento. A dor exacerbada pela flexão sugere alteração nos elementos anteriores da coluna, incluindo doença discogênica. Tal movimento deve ser avaliado, levando-se em conta o grau de aptidão física, volume abdominal e idade do paciente. O teste de Schober (medida em centímetros da excursão lombar) deve ser realizado rotineiramente.

Extensão - Uma exacerbação da dor por este tipo de movimento sugere dano aos elementos posteriores da coluna, incluindo as articulações interfacetárias.

Lateralização - A causa exata da dor com tais movimentos é de difícil caracterização. A dor homolateral pode ter origem nas articulações interfacetárias, enquanto a dor produzida no lado oposto ao movimento pode ter origem na musculatura, em ligamentos ou nas fáscias.

Rotação - Consiste na rotação da coluna sobre seu próprio eixo. Dores exacerbadas por esses movimentos são sugestivas de alterações nas estruturas musculares ou nas articulações interfacetárias.

Marcha - A marcha poderá auxiliar na diferenciação da síndrome radicular L5 daquela de S1. Na compressão da raiz de L5, o paciente terá dificuldade para se manter ou andar sobre os calcanhares; no acometimento de S1, é difícil ficar ou andar na ponta dos pés.

Exame neurológico

O exame neurológico dos membros inferiores é muito importante, e constitue de várias manobras e avaliação dos reflexos e da sensibilidade tátil, térmica e dolorosa.

Teste de Lasegue - O teste de Lasegue é útil na detecção de processo compressivo do nervo ciático. Deve ser realizado com o paciente em decúbito dorsal, elevando-se passivamente a perna com o joelho em extensão completa; a positividade do teste ocorre quando o paciente refere dor na face posterior da perna a partir de 30° de elevação. A presença de dor contralateral nesta manobra sugere lesão central de grande volume no canal medular (geralmente hérnias mediolaterais extrusas).

Manobra de Valsalva - A realização da manobra de Valsalva (expiração com a glote fechada) proporciona um aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano sobre as raízes nervosas. Quando durante esta manobra ocorre uma acentuada exacerbação da dor ou se houver uma nítida reprodução da irradiação, principalmente se inexistente antes da realização da prova, torna-se muito provável que exista uma compressão radicular.

Teste de Ely - O teste de Ely ou teste do estiramento do nevo femoral é realizado com o paciente em decúbito ventral, sendo o joelho flexionado com o quadril em hiperextensão, ocorrendo dor na presença de síndromes compressivas radiculares de L3 e L4.

Complementando o exame, devemos pesquisar a integridade dos reflexos patelar (L4) e aquileu (S1), a força dos grupos musculares dos membros inferiores e a pesquisa da sensibilidade cutânea.

Em pacientes com suspeita de dor lombar de origem visceral, um exame detalhado das lojas renais, região abdominal e pélvica, além da palpação cuidadosa dos pulsos periféricos.

Veja - prevenção [on line]

Referências:

Diagnóstico e tratamento das lombalgias e lombociatalgias - Projeto diretrizes - AMB/CFM [on line]
Cecin HA - Consenso Brasileiro sobre lombalgias e lombociatalgias. São Paulo. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Comitê de Coluna Vertebral. 60 pags., 2000.

Chahade WH, Ribeiro SMT & Teres RB - Como diagnosticar e tratar lombalgias. Rev. Bras. Med. 1984; 41: 249-61.
2. Antonio SF, Szajubok JCM & Chahade WH - Como diagnosticar e tratar lombalgias e lombociatalgias. Rev. Bras. Med 1995; 52: 85-102.

Antonio SF - Abordagem diagnóstica e terapêutica das dores lombares. Rev. Bras. Med 2002; 59: 449-461.

Veja Também:
Dor lombar nos idosos - como previnir
Estudo de caso - Compressão medular
Desaferentação
Incontinência Anal nos idosos - Parte 2. Avaliação diagnóstica
Osteoporose - Planejamento terapêutico
Estudo de caso - Tremor nas mãos

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11
Jun

 Colostomia nos idosos - Complicações e cuidados gerais

Categoria(s): Gastrogeriatria, Nutrição

Resenha

Colaboradora : Natália Azambuja Mendonça

* Enfermeira - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp

Estomia é um procedimento cirúrgico cujo objetivo é criar uma abertura artificial entre os órgãos internos ocos com o meio externo, portanto, é a exteriorização de um órgão através de uma “boca”.

As estomias são indicadas, principalmente, para descomprimir, drenar, aliviar tensões de anastomose e proteger suturas de um órgão danificado.

O aspecto de um estoma normal é cor vermelho vivo, úmido e brilhante, devido a presença do muco intestinal e insensível ao toque. As estomias podem ser de três tipos: iliostomia, onde ocorre a exteriorização de um segmento do íleo; urostomia é a abertura abdominal para a criação de um trajeto alternativo de drenagem da urina; e colostomia, que é a exteriorização de um segmento intestinal.

Complicações - as complicações das estomias são classificadas em, precoces e tardias.

Complicações precoces

- Sangramento: pode ocorrer nas primeiras horas após a confecção do estoma; originário de pequenas veias cutâneas do mesentério ou parede abdominal;
- Edema: causada pela infiltração de líquido nos tecidos e mobilização da alça intestinal;
- Isquemia: deficiência da circulação sanguínea do estoma;
- Retração: é a penetração, total ou parcial, da alça intestinal na cavidade abdominal;
- Descolamento muco cutâneo: é a ruptura da linha de sutura entre o estoma e a parede abdominal.

Complicações tardias

- Dermatite: é a irritação da pele causada pelo contato com o fluído intestinal;
- Estenose: diminuição do orifício externo do estoma;
- Hérnia: é a saída de vísceras abdominais pelo trajeto do estoma, formando um abaulamento em torno do estoma.
- Prolapso: é a saída parcial ou total da alça intestinal pelo estoma.

Cuidados gerais com as estomias

Uma pele intacta em redor do estoma constitui um pré-requisito para que o estomizado possa viver bem. Por isso é importantíssimo executar o autocuidado adequadamente, para prevenir as complicações que possam interferir em sua qualidade de vida.
- A higiene da pele deve ser feita com sabonete líquido e neutro e água morna; este procedimento pode ser feito no chuveiro;
- Não deve utilizar esponjas, pois poderá causar traumas e sangramentos importantes, logo que o estoma é insensível ao toque;
- Enxaguar abundantemente a pele e secar com material macio, ex; algodão ou toalha;
- Os pelos devem ser cortados com tesoura. Não utilizar depilatórios com lâmina, pois pode contribuir para aparecimento de inflamação na raiz do pelo;
- Utilizar um dispositivo indicado fixando-o e adaptando-o bem ao estoma, impedindo que a fezes entrem em contato com a pele periestoma;
- Deixar no mínimo 2 cm de resina sintética entre o estoma e a flange para garantir uma vedação segura;
- O esvaziamento da bolsa deve ser realizado sempre que o conteúdo atingir em terço de sua capacidade;
- A troca do dispositivo deverá ser efetuada quando ocorrer infiltração do conteúdo; evitar trocas desnecessárias; geralmente o sistema de duas peças tem duração de até sete dias, e o sistema uma peça três dias;
- Agendar a troca para o horário em que o intestino estiver menos ativo, geralmente no início da manhã antes do café da manhã, duas a quatro horas após as refeições e antes de dormir;
- Observar o aspecto do estoma e da pele periestoma a cada troca do dispositivo;
- Na presença de prega cutânea, dobra abdominal ou se o contorno da pele peristoma for irregular, aplicar pasta protetora para nivelar a pele. Deixar secar de um a dois minutos;
- Retirar a placa com gaze ou compressa umedecida com água morna ou embaixo do chuveiro. Segurar a pele para evitas trauma na retirada na base adesiva;
- Lavar as mãos antes e após o procedimento.

Cuidados no paciente idoso

No paciente idoso deve-se atentar em alguns detalhes. Para poder elaborar um plano de cuidados, é importante avaliar se o mesmo possui alguma dificuldade para a realização do autocuidado. Caso adquira deficiência visual ou D. de Parkinson terá dificuldade na troca do dispositivo; deficiência auditiva ou demência não permitirá que compreenda sobre os cuidados quando explicado pela equipe, assim é importante a presença de um familiar ou cuidador para que possa auxiliar no cuidado diário.

Glossário:

Colostomia - exteriorização de um segmento intestinal (colon) para a pele através de uma abertura.
Estomia - abertura ou boca
Iliostomia - abertura com exteriorização de um segmento do íleo para a pele.
Urostomia - abertura abdominal para a criação de um trajeto alternativo de drenagem da urina.

Referência:

- KATAYAMA R.C.V., Manual de Orientações de Estomia, Via Comunicação Editores, São Paulo, 2006.

Veja Também:
Cuidados paliativos
Colostomia - Lavagem intestinal pelo estoma (irrigação)
Terminalidade - Parte 1. Cuidados paliativos
Trombose venosa e embolia pulmonar
Infecção urinária nos idosos
Diverticulose - Inflamação: diverticulite

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10
Jun

 Iatrogenia - Insônia causada por medicamentos

Categoria(s): Bioquímica, Neurogeriatria, Psicogeriatria

Resenha

A grande maioria dos indutores do sono/hipnóticos hoje disponíveis pertencem classe dos benzodiazepínicos (BZDs). Embora muitas vezes eficazes, e merecedores de todo respeito por seu papel na história da terapia farmacológica do sono, os BZDs costumam ser desprovidos de efeito hipnótico seletivo, e afetam também a arquitetura do sono.

Diversos estudos têm revelado interações típicas entre BZDs e a estrutura fisiológica do sono, como: aumento do estágio2; redução dos estágios 3 e 4; aumento da latência do sono REM e redução do tempo de sono REM.

Além disso, os BZDs estão desagradavelmente ligados a estatísticas que não raro os associam amnésia anterógrada, dependência/abuso e insônia de rebote, fatores que podem comprometer a qualidade do sono (e da vigília no dia seguinte) do paciente, especialmente nos idosos.

Outros medicamentos

Estimulantes do SNC (efedrina, anfetaminas, metilfenidato, cafeína) que podem acarretar aumento da latência do sono e diminuição do tempo total de sono.

- antihipertensivos (Beta bloqueadores, clonidina e agonista alfa) podem eventualmente provocar aumento dos despertares, redução do sono REM e pesadelos.

- antidepressivos: (Imipramina, clomipramina, bupropiona, sertralina, venlafaxine, fluvoxamine, paroxetina, fluoxetina, sibutramina) podem ocasionar aumento dos despertadores, redução do sono REM, aumentando da latência REM, aumento dos movimentos dos membros e bruxismo.

Veja mais - Fisiologia do sono do idoso

Referências:

Lent R. Cem Bilhões de Neurônios Conceitos Fundamentais de Neurociência. Eds. Atheneu Faperj 2001. Rio de janeiro. Cap. 16 A consciência regulada - O sono p.534-552.

POYARES, Dalva et.al.(2003). I Consenso Brasileiro de Insônia. [on line]

Nicolau PFM -Insônia, Atualizações, perguntas e respostas [on line]

Veja Também:
Iatrogenia medicamentosa em idosos
Iatrogenia - Lesões hepáticas medicamentosas
Hospitais Geriátricos - Novos conceitos
Auto-medicação nos idosos
Iatrogenia - Efeitos dos medicamentos
Insônia nos idosos - Tratamento farmacológico

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09
Jun

 Doença de Alzheimer - Clínica e Histopatologia

Categoria(s): DNT, Neurogeriatria, Programa de saúde

Painel

A doença de Alzheimer é definida clinicamente como progressiva perda das funções, cognitivas (memória) em duas ou mais áreas não associadas a outros tipos de demência, atingindo entre 10 a 15 % da população com mais de 65 anos e 50 % após os 80 anos.

Perda recente da memória e redução gradativa das atividades habituais são características marcantes do início da doença. Pequenos esquecimentos se acentuam não se recordam com clareza da conversa de ontem, erram caminhos que faziam com facilidade. Não se lembram do que comeram ontem. No início, o diagnóstico correto é muito difícil.

Sjoren dividiu a Doença de Alzheimer em 4 estágios, sendo que em todos a memória está afetada.

Estágio I ‑ Dura de dois a quatro anos se caracteriza por certa desorientação espacial, depressão, apatia e desinteresse pelo cotidiano.

Estágio II e III - Podem durar de 3 a 5 anos. Os sintomas se agravam. A memória já está gravemente afetada. Tem dificuldade em reconhecer seus familiares. Apresentam afasia, apraxia, agnosias, agitação psicomotora, passam a depender totalmente de terceiros.

Estágio IV – Sua duração é muito variada. Neste estágio ocorre a perda total da memória, ocorre apatia e prostração, tornam-se anímicos, indiferentes, extremamente rígidos, espásticos e apresentam incontinência urinária e fecal. Ficam em estado vegetativo e a morte ocorre por infecções.

No exame físico podemos encontrar os reflexos extrapiramidais exacerbados, bradicinesia, rigidez, sinal de Babinski positivo, mioclonias e Parkinsonismo.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com a aterosclerose, outros tipos de demência, depressão, disfunções da glândula tireóide, tumores cerebrais, hidrocefalia oculta, intoxicação por metais pesados, subnutrição e intoxicação medicamentosa.

O diagnóstico laboratorial é feito por mapeamento cerebral na ressonância magnética. Neste exame podemos observar que os núcleos do Hipocampo, da Raphe e “Locus Ceruleus” são bastante afetados.

Estudos anatomopatológicos

Em 1907 ‑ Alois Alzheimer, ao fazer uma necrópsia no cérebro de uma mulher de 51 anos que havia falecido com demência, e detectou uma diminuição do peso do cérebro e o exame microscópico, a presença de placas senis e emaranhados (novelos) neurofibrilares. Nos anos subseqüentes as alterações foram descritas minuciosamente.

O peso do cerebro é de 30 a 40% menor que o normal.

alzhNos exames histopatológicos encontramos: placas senis, emaranhados neurofibrilares, neurônios fantasmas, depósitos de lipofuscina (pigmento formado pelo DNA ligado proteína), filamentos emparelhados helicoidais que são causados pelo ácido glutâmico alterando a concentração de fósforo na proteína TAU e placas neuríticas resultante do aumento da atividade das proteases.

As placas senis são constituídas de substância amilóide que tem em seu núcleo a proteína Beta‑amilóide A4, e uma proteína precursora da placa amilóide AAP (potente gerador de RL).

A deposição da proteína Beta-amilóide é considerada por muitos pesquisadores como fator desencadeante mais importante da Doença de Alzheimer. Suspeita‑se que a deposição da proteína Beta e AAP esteja ligada a alterações no cromossomo 21 (O mesmo da Síndrome de Down).

Em1990, Margareth Periack‑Vance pesquisando um grupo de doentes identificou no cromossomo 19 alterações desencadeantes da doença.

Em outubro de 1992 a doença foi, também associada ao aumento da glicação da Apolipoproteína E4 (Apoe4) aumentando sua ligação com a placa amilóide.

Alguns cientistas associam a doença presença de um vírus lento.

Glossário

Afasia - comprometimento dos dispositivos corticais relacionados função da linguagem (sinônimo - disfasia).
Agnosia - perda da capacidade de reconhecer objetos ou símbolos utilizando um dos cinco sentidos.
Anímicos - sem mímica, face sem expressão.
Apraxia - impossibilidade de executar, correta e apropriadamente, atos voluntários, embora não apresente qualquer paralisia ou desordem de tipo sensitivo, atáxico, hipercinético, gnósico ou mental. (sinônimo - dispraxia).
Ataxia - Desordens da coordenação motora e do equilíbrio.
Mioclonias - Movimento musculares involuntários.
Sinal de Babinsky. O Sinal de Babinsky, ou reflexo Cutâneo-Plantar extensor, indica-nos uma lesão dos neurónios Cortico-Espinhais. Pesquisa-se o Reflexo Cutâneo-Plantar raspando ligeiramente a planta do pé sendo a resposta normal a Flexão Plantar dos dedos do pé. A resposta anormal e a extensão dos dedos do pé (sinal de Babinsky positivo).

Referência

Laboratório de Neurociências da USP[on line]

Associação Brasileira de Alzheimer é um núcleo de pessoas envolvidas em cuidar de doentes com Doença de Alzheimer.(abaixo o link).

albraz

Veja Também:
Doenças inflamatórias intestinais
Demência - Parte 5. Tipos de doenças
Doença de Paget
Estudo de caso - Tremor nas mãos
Estudo de caso - artrite e colite
Estudo de caso - Parkinsonismo

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