Resenha
Colaboradora : Angela Terezinha Favari Fornari
* Nutricionista - Pós-graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica - Metrocamp
Em nossa sociedade, a velhice tende a ser vista como época de perdas e incapacidades. Situações como viuvez, aposentadoria, menor oportunidade de empregos formais e estáveis e aumento dos gastos com a própria saúde fazem com que ocorra a perda de poder aquisitivo do idoso, menores oportunidades de convÃvio social, perda de familiares e amigos e institucionalização, que podem acarretar isolamento social, sentimento de inferioridade e depressão.
Um importante problema do envelhecimento populacional é a ocorrência de pessoas com dependência e necessidade de institucionalização (WHO, 2005).
As condições financeiras têm tudo a ver com a qualidade do envelhecimento. O idoso que tem recursos próprios pode pagar profissionais que cuidem das suas necessidades, inclusive a alimentação.
No Brasil e em outros paÃses em desenvolvimento, os idosos se encontram em completo abandono. Abrigar-se em asilos particulares é muito caro. Nos asilos públicos quando há vagas, não existe o cuidado e o respeito necessário. A tendência é a perda da auto-estima e da dignidade do idoso. Sem vontade nem motivações para viver, ele limitará sua alimentação a um mÃnimo necessário, cairá doente, será hospitalizado e não tardará a morrer.
Quando a famÃlia opta por cuidar de seus idosos, isso não significa que eles estejam sendo bem tratados. No Brasil, estima-se que 1,3 milhão de idosos estejam com baixo peso por conta da desnutrição.
As instituições de longa permanência (ILP) para idosos recebem várias denominações, como casa de repouso, asilo, clÃnica geriátrica. As principais causas de institucionalização do idoso são imobilidade, incontinência urinária e fecal e demência. Os residentes de instituições de longa permanência apresentam como caracterÃsticas comuns múltiplas doenças crônicas e diminuição da independência.
Idosos institucionalizados normalmente são mais velhos que aqueles que vivem em comunidade, com idade média em torno dos 80 anos, apresentam maior número de doenças e dependências fÃsicas, psÃquicas e sociais.
A alimentação é um aspecto importante nesta faixa etária, pois os efeitos do avanço da idade, como as mudanças na composição corporal e no sistema orgânico, alteram os requerimentos nutricionais desta população. A maioria dos idosos conserva os hábitos de alimentação formados quando ainda eram mais jovens É comum encontrarmos idosos desnutridos em nosso meio, especialmente em instituições asilares e em hospitais.
Deve-se destacar que na terceira idade é comum a prescrição de dieta para determinada doença que passa a ficar incorporada a vida da pessoa. O hábito de consumir com muita freqüência “chá com torradas” provoca situação vulnerável a inúmeras deficiências alimentares.
A desnutrição protéico-calórica (DPC) é distúrbio nutricional mais importante observado nos idosos e está associada ao aumento da mortalidade e infecções, com redução da qualidade de vida. Entretanto, a DPC é freqüêntemente ignorada porque é erroneamente vista como parte do processo normal de envelhecimento.
No envelhecimento normal ocorrem aumento do tecido adiposo, redução da massa muscular, redução da água corporal total, perda de paladar e olfato, diminuição na produção de pepsina e do ácido clorÃdrico, com conseqüente diminuição na ingestão de alimentos.
Muitas pessoas nessa faixa etária correm risco de desnutrição por vários motivos:
- Falta de informação sobre uma nutrição adequada
- Limitações financeiras
- Incapacidade fÃsica, que interferem com a compra e preparo de alimentos
- Isolamento social
- Anorexia (falta de apetite)
- Mal absorção provocada por doença gastrointestinal agravam ainda mais o estado nutricional do idoso
- O uso à longo prazo de certas drogas terapêuticas que interferem com a absorção e o metabolismo de nutrientes, pode também causar desnutrição nos idosos.
Muitos idosos têm dificuldade em mastigar, além disso, azia, prisão de ventre, intolerância a lactose e outros problemas digestivos aumentam com a idade.
Estudos mostram elevada ocorrência de baixo peso em idosos de ILP, como também elevada percentagem de pacientes com obesidade. Pessoas idosas que habitam casas de repouso de má qualidade podem desenvolver grave estado de desnutrição simplesmente devido à ingestão inadequada.
Há evidências de que cerca de 70% dos idosos institucionalizados ingerem dieta deficiente em energia e fibras, e cerca de 80% apresentam nÃveis reduzidos de albumina e 50% emagrecimento importante. Estima-se que, atualmente, cerca de 20% da população idosa ambulatorial brasileira tenha desnutrição. Entre idosos hospitalizados e institucionalizados este número pode chegar a 60%.
A desnutrição pode não ser reconhecida nos idosos porque as mudanças associadas ao envelhecimento podem estar sobrepostas à condição de baixo conteúdo protéico energético. Casos de desnutrição grave são mais facilmente identificados do que os leve ou moderadamente desnutridos, que podem não ter sinais declarados de desnutrição. O descuido dos profissionais da saúde em relação a estes aspectos, é responsável pela subnotificação da desnutrição subclÃnica. A desnutrição leva à confusão mental e a uma série de sintomas vagos de difÃcil diagnóstico. Há perda de peso, fraqueza, queda de cabelos, inchaço, alterações da cor da pele, etc.
Os fatores psicológicos, sociais e culturais têm influência na qualidade da alimentação dos idosos. Uma alimentação bem balanceada é capaz de fornecer todas as vitaminas necessárias ao organismo. É fundamental que o idoso apresente uma dieta equilibrada em carboidratos, proteÃnas, gorduras. O atendimento das necessidades de vitaminas e minerais é essencial, pois esses nutrientes, além de atuar regulando diversas funções no organismo, agem como antioxidante e previnem o envelhecimento e aparecimento de doenças. Além disso, é importante a refeição apresentar aspectos agradáveis, como a cor, sabor, aroma e textura, e que seja priorizado o prazer no momento da refeição, atendendo as preferências do idoso.
Referências
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