26 - jun
  

Herpes zoster – “Cobreiro”

Categoria(s): Dermatologia geriátrica, Infectologia, Inflamação, Neurologia geriátrica, Oftalmologia geriátrica




Painel

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti *

* Médica geriatra

O Herpes zoster (HZ) é uma doença viral causada pelo Varicella Zoster, que é um DNA-vírus, agente causador da varicela (catapora). Trata-se de um vírus exclusivamente da raça humana, de prevenção possível através da vacinação, entretanto após sua instalação ele pode persistir de forma latente por toda a vida. O fenômeno de reativação tardia apresenta-se em pacientes imunoincompetentes, já acometidos por outras doenças por exemplo: Linfoma não Hodgkin, Doença de Hodgkin, leucemias, transplantados em imunosupressão medicamentosa, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, etc. E pode acometer pacientes com alteração imunológica própria do envelhecimento (idosos- alteração da resposta imunológica das células T). O zóster esta associado a complicações como neuralgia pós herpética, oftalmite herpética, miocardite, parestesias, miopatias, entre outras.

Epidemiologia

Estudos mostram a incidência anual de herpes zoster é de 2,9/1000 nos EUA, 4,6/1000 na Islândia, 4,0/1000 na Itália e 4,8/1000 na França. Não há dados nacionais , pois a doença não é de notificação compulsória. No estudo da Itália cerca de 50% ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos, e mais de 75% dos casos em pessoas acima de 50 anos. Há uma forte relação da incidência de herpes zoster com a população idosa acima da oitava década de vida( 10/1000), visto que a um aumento no número de casos devido provavelmente a longevidade e ao número de pacientes imunocomprometidos.

Diagnóstico

herpes

O diagnóstico é basicamente clínico. Lesões vesicobolhosas agrupadas sobre base eritematosa, seguindo trajeto de nervos, unilaterais. Pode ser feito por cultura de tecidos.

Quadro Clínico

O HZ Tem um período de incubação de 7 a 12 dias, o início é rápido e com manifestações cutâneas características por vesículas agrupadas seguindo o trajeto de um nervo, unilateral, acompanhada ou precedida de dor neural e febre. Os dermátomos (são as áreas da pele inervadas por fibras provenientes de uma única raiz nervosa) mais acometidos são os: torácicos (55%), cranianos (20%), lombares (15%) e sacrais (5%). Na face o ramo oftálmico do nervo trigêmio é o mais acometido, podendo levar a cegueira devido a possível queratite. O envolvimento dos ramos maxilar e mandibular pode expressar-se com lesões osteolíticas e dentárias. As manifestações motoras podem localizar-se na face, como na Síndrome de Remsay-Hunt, com as características vesículas cutâneas no conduto auditivo(zoster octicus), e paralisia ipsilateral do tipo infranuclear.

Neuralgia pós-herpética

A neuralgia pós-herpética pode ocorrer de 10% a 15% dos casos, durar de 6 meses a anos, sendo a complicação mais comum no idoso. Outras complicações que podem-se observar são: a infecção bacteriana secundária, as oculares (uveite) e as neurológicas (meningite, encefalite, etc).

Tratamento

Terapia antiviral – A terapia antiviral é utilizada com a finalidade de promover com mais rapidez a cura e reduzir a gravidade e a incidência da neurite pós-herpética.
Aciclovir- dose: 800mg 5x ao dia , por 7 a 10 dias VO
15mg/kg/dia por gotejamento, 3x ao dia EV
Valaciclovir- dose : 1g, 3x ao dia de 7 a 14 dias VO
Fanciclovir – dose : 500mg a 750mg, 3x ao dia de 7 a 14 dias VO.

Vacina contra o Herpes Zoster – O Shingles Prevention Study conduziu um grande estudo com a finalidade de estabelecer o impacto de uma vacina contra o Herpes Zoster . O estudo teve por objetivo estudar a redução da dor e do desconforto relacionado a doença, o impacto sobre a sua incidência como um todo, além de medir a freqüência de complicações, como a PHN (neuropatia pós herpética), em uma população idosa (Oxman et al). Estudo duplo cego randomizado, placebo contolado, de 38.546 indivíduos acima de 60 anos, usou-se a vacina de vírus vivo atenuado Oka/Merck.

Durante o seguimento do estudo foram confirmados 957 casos de zoster, 315 no grupo vacinado e 642 no grupo placebo, foi usado o antiviral em ambos os grupos,ocorreram 107 casos de PHN, sendo 27 no grupo vacinado e 80 no placebo. O uso da vacina reduziu o impacto da doença em termos de dor e desconforto em 61,1%, reduziu a incidência da doença em 51% e reduziu a incidência de PHN em 66,5%. Na avaliação estratificada por faixa etária a redução da doença foi de 65% no grupo de 60 a 69 anos e de 55% no grupo acima de 70 anos.

Efeitos adversos da vacina foi a reação local, geralmente leve. A vacina foi aprovada pelo FDA, em junho de 2006 e tem previsão de disponibilidade no Brasil por volta de 2007.

Referências:

1-Vilela,JC. – Herpes Zoster, Atualizações Diagnósticas e Terapêutica em Geriatria; cap.81, pg 747 e 748, editora Ateneu,2007.
2-Naylor,RM. – Neuralgia Pós-herpética, Instituto Simbidor
3- Silva, LJ; Richtmann R – Vaccines under development: group B streptococcus, herpes-zoster, HIV, malaria and dengue. J. Pediatr. (Rio de J.). 2006, vol. 82, no. 3, suppl. [on line]

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502 Comments »

  1. Tina Diniz comenta:

    8 junho, 2015 @ 1:06 PM

    Estou com Herpes Zoster estou tomando o remédio Aciclovir são 4 comprimidos a cada 4 horas ou seja 20 comprimidos dia, durante 7 dia, tenho me sentido muito bem, o cobreiro ta seco quase ñ tem, mas o que me tirou a dor antes de saber que estava com essa doença, e achava que eu tinha pancreatite foi o chã de tanchagem com uma raiz que chama alcaçuz que me tirou a dor e aliei o aciclovir com o chã tomo os dois desde 01/06 e ja tou 95% boa espero ter ajudado e deus abençoe a todos

  2. stella comenta:

    12 junho, 2015 @ 11:54 AM

    Meu pai teve herpes zoster no peito e também nas costas, só que ele continua sentindo dores mesmo tomando medicamentos para a dor. Gostaria de saber se existe planta caseira que cura essa dor.
    Obrigada!

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