21 - jun
  

Audição humana

Categoria(s): Fonoaudiologia, Otorrinolaringologia geriátrica




Conceitos

Colaboradores : Ruy Barbosa Oliveira Neto * & Sandra Chiavegato Perossi **

* Biólogo e pós-graduando do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

** Fisioterapeuta e pós-graduanda do curso Saúde e Medicina Geriátrica da Metrocamp

O som é produzido por ondas de compressão e descompressão alternadas do ar.
As ondas sonoras propagam-se através do ar exatamente da mesma forma que as ondas propagam-se na superfície da água. Assim, a compressão do ar adjacente de uma corda de violino cria uma pressão extra nessa região, e isso, por sua vez, faz com que o ar um pouco mais afastado se torne pressionado também. A pressão nessa segunda região comprime o ar ainda mais distante, e esse processo repete-se continuamente até que a onda finalmente alcança a orelha.

audição

A orelha humana é um órgão altamente sensível que nos capacita a perceber e interpretar ondas sonoras em uma gama muito ampla de freqüências (16 a 20.000 Hz – Hertz).

A captação do som até sua percepção e interpretação é uma seqüência de transformações de energia, iniciando pela sonora, passando pela mecânica, hidráulica e finalizando com a energia elétrica dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro.

O ouvido é constituido por um complexo de membranas que formam canais e cavidades, cheios de endolinfa, que flutuam dentro da perilinfa, que por sua vez as separam e protegem da carapaça óssea da cápsula ótica, situada na intimidade do osso mais duro do corpo humano, o osso temporal. Esse tipo de proteção deve-se à extrema delicadeza do órgão.

Seus órgãos receptores, imersos na endolinfa, o órgão de Corti, responsável pelas sensaçnoes auditivas e as máculas e cristas ampulares, pela sensação de posição do corpo no espaço, vivem em um permanente equilíbrio pressórico, bioquímico e bioelétrico que se interligam. O equilíbrio pressórico entre a endolinfa e a perilinfa, que mantém esses dois sistemas em equivalência de pressão e que conserva sua anatomia, é fornecido pelo líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo, através do aqueduto coclear, sobre o espaço de mesmo nome. Assim, esses dois espaços ficam em equilíbrio pressórico e também com o líquido cefalorraquidiano do espaço subaracnóideo. A compreensão do equilíbrio entre esses três sistemas não só é essencial para o entendimento do funcionamento do ouvido interno, como também explica os acontecimentos de rupturas de membranas e hidropsia endolinfática, como acontece na síndrome de Ménière.

Os equilíbrios bioquímico e bioelétrico do ouvido interno estão relacionados entre si e envolvem interações iônicas entre sódio, potássio e cálcio, especialmente como mediadores de fenômenos elétricos, incluindo polarização e despolarização celular no nível das células ciliadas.

1. Energia sonora – Orelha externa

O pavilhão auditivo capta e canaliza as ondas para o canal auditivo e para o tímpano. O canal auditivo serve como proteção e como amplificador de pressão.

Quando se choca com a membrana timpânica, a pressão e a descompressão alternadas do ar adjacente à membrana provocam o deslocamento do tímpano para trás e para frente. Logo, o tímpano vibra com a mesma freqüência da onda. Dessa forma, o tímpano transforma as vibrações sonoras em vibrações mecânicas que são comunicadas aos ossículos (martelo, bigorna e estribo).

2. Energia mecânica – Orelha média

O centro da membrana timpânica conecta-se com o cabo do martelo. Este, por sua vez, conecta-se com a bigorna, e a bigorna com o estribo. Essas estruturas (ver anatomia da orelha humana), encontram-se suspensas através de ligamentos, razão pela qual oscilam para trás e para frente.

A movimentação do cabo do martelo determina também, no estribo, um movimento de vaivém, de encontro à janela oval da cóclea, transmitindo assim o som para o líquido coclear. Dessa forma, a energia mecânica é convertida em energia hidráulica.

Os ossículos funcionam como alavancas, aumentando a força das vibrações mecânicas e por isso, agindo como amplificadores das vibrações da onda sonora.

Se as ondas sonoras colidissem diretamente na janela oval, não teriam pressão suficiente para mover o líquido coclear para frente e para trás, a fim de produzir a audição adequada, pois o líquido possui inércia muito maior que o ar, e uma intensidade maior de pressão seria necessária para movimentá-lo.

A membrana timpânica e o sistema ossicular convertem a pressão das ondas sonoras em uma forma útil, da seguinte maneira:

1 – As ondas sonoras são coletadas pelo tímpano, cuja área é 22 vezes maior que a área da janela oval.
2 – Portanto, uma energia 22 vezes maior do que aquela que a janela oval coletaria sozinha é captada e transmitida, através dos ossículos, à janela oval.
3 – Da mesma forma, a pressão de movimento da base do estribo apresenta-se 22 vezes maior do que aquela que seria obtida aplicando-se ondas sonoras diretamente à janela oval.
4 – Essa pressão é, então, suficiente para mover o líquido coclear para frente e para trás.

3. Energia hidráulica – Orelha interna

À medida que cada vibração sonora penetra na cóclea, a janela oval move-se para dentro, lançando o líquido da escala vestibular numa profundidade maior dentro da cóclea.
A pressão aumentada na escala vestibular desloca a membrana basilar para dentro da escala timpânica; isso faz com que o líquido dessa câmara seja empurrado na direção da janela oval, provocando, por sua vez, o arqueamento dela para fora. Assim, quando as vibrações sonoras provocam a movimentação do estribo para trás, o processo é invertido, e o líquido, então, move-se na direção oposta através do mesmo caminho, e a membrana basilar desloca-se para dentro da escala vestibular.

A vibração da membrana basilar faz com que as células ciliares do órgão de Corti se agitem para frente e para trás; isso flexiona os cílios nos pontos de contato com a membrana tectórica. A flexão dos cílios excita as células sensoriais e gera impulsos nas pequenas terminações nervosas filamentares da cóclea que enlaçam essas células.
Esses impulsos são então transmitidos através do nervo coclear até os centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral.

Dessa forma, a energia hidráulica é convertida em energia elétrica.

Percepção da altura de um som

Um fenômeno chamado ressonância ocorre na cóclea para permitir que cada freqüência sonora faça vibrar uma secção diferente da membrana basilar. Quando sons de alta freqüência penetram na janela oval, sua propagação faz-se apenas num pequeno trecho da membrana basilar, antes que um ponto de ressonância seja alcançado. Como resultado, a membrana move-se forçosamente nesse ponto, enquanto o movimento de vibração é mínimo por toda a membrana.

Quando um som de média freqüência penetra na janela oval, a onda propaga-se numa maior extensão ao longo da membrana basilar antes da área de ressonância ser atingida.
Finalmente, uma baixa freqüência sonora propaga-se ao longo de quase toda a membrana antes de atingir seu ponto de ressonância.

Dessa forma, quando as células ciliares próximas à base da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como sendo de alta freqüência (agudo), quando as células da porção média da cóclea são estimuladas, o cérebro interpreta o som como de altura intermediária, e a estimulação da porção superior da cóclea é interpretada como som de baixa freqüência (grave).

A intensidade de um som é determinada pela intensidade de movimento das fibras basilares. Quanto maior o deslocamento para frente e para trás, mais intensamente as células ciliares sensitivas são estimuladas e maior é o número de estímulos transmitidos ao cérebro para indicar o grau de intensidade. Por exemplo, se uma única célula ciliar próxima da base da cóclea transmite um único estímulo por segundo, a altura do som será interpretada como sendo de um som agudo, porém de intensidade quase zero.
Se essa mesma célula ciliar é estimulada 1.000 vezes por segundo, a altura do som permanecerá a mesma (continuará agudo), mas a sua intensidade será extrema (a potência do som será maior devido à intensidade de movimento das fibras basilares).

4. Energia elétrica – Da orelha interna aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral

Após atravessarem o nervo coclear, os estímulos são transmitidos, aos centros auditivos do tronco encefálico e córtex cerebral, onde são processados. Os centros auditivos do tronco encefálico relacionam-se com a localização da direção da qual o som emana e com a produção reflexa de movimentos rápidos da cabeça, dos olhos ou mesmo de todo o corpo, em resposta a estímulos auditivos. O córtex auditivo, localizado na porção média do giro superior do lobo temporal, recebe os estímulos auditivos e interpreta-os como sons diferentes.

Entendendo – Ressonância

Ressonância é o fenômeno físico em que se registra a transferência de energia de um sistema oscilante para outro, quando a freqüência do primeiro coincide com uma das freqüências próprias do segundo.

Este fenômeno tem aplicações importantes em todas as áreas da ciência, sempre que há a possibilidade de troca de energia entre sistemas oscilantes. A aplicação mais palpável é na área das telecomunicações, onde as ondas eletromagnéticas atuam como intermediárias na transmissão das informações do transmissor até o(s) receptor(es), constituindo-se o que se chama sinal.

Também se pode destacar a área da espectroscopia, onde a energia radiante incidente é absorvida, refletida ou ainda transmitida pela amostra, fornecendo como resultado um espectro que é a informação da energia absorvida em função do comprimento de onda (ou da freqüência) em forma de um gráfico.

Na área médica, a técnica espectroscópica chamada de Ressonância Magnética Nuclear é chamada de Tomografia de ressonância magnética nuclear ou, mais comumente, de Ressonância magnética. Consiste em aplicar em um paciente submetido a um campo magnético intenso, ondas com freqüências iguais às dos núcleos (geralmente do 1H da água) dos tecidos do corpo que se quer examinar. Tais tecidos, absorvem a energia em função da quantidade de água do tecido. Entretanto, para se localizar espacialmente o grupo de núcleos de hidrogênio, é mister se empregar um meio de se diferenciar o campo, impondo-lhe gradientes segundo certas direções.

Referências:

Piteira,M.R. e col. – Sistema Nervoso Periférico – Universidade Nova de Lisboa –Faculdade de Ciências e Tecnologia, 2006 [on line]

Neves V.T., Feitosa M.A. – Envelhecimento do processamento temporal auditivo – 2002 – [on line]

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13 Comentários »

  1. Paula comenta:

    1 outubro, 2007 @ 12:02 PM

    Gostaria de compreender por qual motivo um profissional fonoAUDIólogo não participou de tal produção. Ora, não seria este o profissional que estuda o sistema auditivo? Acredito que o biólogo e o fisioterapeuta tenham bases de fundamentos em Audiologia, porém tais bases são superficiais para um publicação de um assunto tão específico quanto a audição. Para que um artigo seja fidedigno e considerado científico faz-se necessário a participação de um especialista na área.

  2. Rê comenta:

    11 agosto, 2008 @ 4:58 PM

    Lagal !! me ajudou muito num trabalho

  3. ana maria comenta:

    15 dezembro, 2008 @ 11:13 AM

    me ajude a fazer um trabalho sobre audição ,anatomia da audição
    fisiologia(mecanismo da audição)
    causas da perda auditiva ocupacional
    sintomas auditivose não auditivos relacionados ao ruido
    tipos de protetores auditivos
    colocação crreta dos protetores ……………………..obrigada(o)

  4. ana beatriz comenta:

    22 março, 2009 @ 4:37 PM

    quero saber oque e sao so que muito mais fasil e de pesquisa para uma escolinha

  5. Dilson Pina comenta:

    10 agosto, 2009 @ 1:59 PM

    Venho atravez de v. Sº. me informar tem medicamento para controlar a sudez e Zumbido – porque tem esse pequeno causa que me preojudicar a minha vida tem solução para cura – me ajudar por favor, ficarei muito agradecido pela sua atenção.

  6. darlan ferreira porto comenta:

    16 setembro, 2009 @ 1:04 PM

    oi boenas tardes galerinha

  7. João comenta:

    16 novembro, 2009 @ 11:59 AM

    Esse site tinha q ter mais informações
    sobre o corpo humana, outros conteodos q ajudace o estudante

  8. nao sei comenta:

    24 novembro, 2009 @ 5:17 PM

    nao gostei muito porque ele e um texto confuso com palavras que eu nunca tinha visto na vida antes
    :*

  9. NICOLE FRANÇA comenta:

    16 agosto, 2010 @ 1:31 PM

    GOSTARIA DE SABER SOBRE ALGUMAS EXPERIENCIAS SIMPLES QUE TESTEAM A AUDIÇÃO HUMANA

  10. josé mariano batista da silva comenta:

    25 outubro, 2010 @ 8:27 AM

    esse conteúdo tinha que ter mais informaçoes para que os estudantes possa fica por dentro do assunto.

  11. leticia comenta:

    9 novembro, 2010 @ 5:52 PM

    eu sou aluna d´……….. E eu não conheço muito bem essas coisas AI mas eu sempre achei legal !

    UM SERTO DIA QUERO APRENDER

  12. Edmilson comenta:

    28 fevereiro, 2011 @ 4:00 PM

    Obrigado pela ajuda! O trabalho escolar de minha filha ficou ótimo….

    Ed.

  13. luana comenta:

    11 abril, 2011 @ 5:07 PM

    vou fazer um seminário mais não consigo entender o que são a anatomia e fisiologia do ouvido humano pois estou muito enrrolada me ajude se não tirarei zero nãoconsigo fazer nadinha.
    bjus bjus e bjus!
    castanhal-pa

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