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Doença de Alzheimer - Tratamento medicamentoso
Categoria(s): DNT, Neurogeriatria, Psicogeriatria |
Resenha
O estudo Epidoso que acompanha idosos residentes na comunidade em São Paulo, mostrou que o total de casos de demência é 7,1%. E, utilizando-se critérios diagnósticos clÃnicos, 70% dos casos foram considerados doença de Alzheimer, 12% demência vascular e 3% demência mista. A prevalência aumentou com a idade e foi mais alta entre indivÃduos com baixo nÃvel educacional.
Considerando-se a alta prevalência da doença de Alzheimer (DA) em todo o mundo e seu péssimo prognóstico, inúmeras pesquisas têm sido desenvolvidas a fim de se conseguir novas alternativas terapêuticas.
Fisiopatogenia da DA
Embora com etiopatogenia ainda não completamente conhecida, sabe-se que o déficit cognitivo na DA decorre basicamente da deficiência do neurotransmissor acetilcolina, por sua vez decorrente da morte neuronal exacerbada em população de neurônios colinérgicos. Em vista disso, as pesquisas terapêuticas visão: aumentar a produção de acetilcolina com substâncias precursoras (colina, L-acetilcarnitina e a citicolina); drogas que inibissem a enzima de degradação da acetilcolina (Ex. donepezil, galantamina, tacrina, fisostigmina e o metrifonato).
Farmacologia
Precursores da acetilcolina - Assim, as primeiras tentativas de tratamento tinham como proposta, aumentar a produção de acetilcolina pelos neurônios sobreviventes, através da suplementação de colina, o que não produziu efeitos significativos. Outros precursores também foram utilizados, como a L-acetilcarnitina e a citicolina, porém com resultados pouco animadores, sugerindo que o problema não é a falta de precursores e sim a falta de atividade neuronal capaz de produzir acetilcolina.
Inibidores da acetil-colinesterase - Uma alternativa foi buscar drogas que inibissem a enzima de degradação da acetilcolina, a acetil-colinesterase (AchE), melhorando o aporte de acetilcolina na fenda sináptica. Atualmente, várias drogas estão disponÃveis nesta linha de atuação, respaldadas por estudos clÃnicos controlados por placebo.
Inibidores da AChE (IAChE)
Os IAChE têm comprovada efetividade em estudos clÃnicos controlados por placebo, melhorando a cognição por critérios objetivos e subjetivos. Embora não revertam a progressão da doença, tendem a estabilizar o quadro cognitivo a médio prazo, diminuindo a velocidade das perdas, porém não contribuem para a cura da DA, que progride inevitavelmente. O perÃodo mÃnimo de tratamento com IAChE é de seis meses para a avaliação da resposta.Dependendo desta e da tolerância do paciente, o tratamento deve ser continuado, sendo que o efeito parece se manter por dois anos.
Os IAChE podem ser seletivos da AChE ou não seletivos e inibir também a butirilcolinesterase (BuChE), uma enzima que parece estar envolvida na patogênese da DA, cuja inibição pode apresentar benefÃcios clÃnicos adicionais.
Além da seletividade, essas drogas se diferenciam enquanto inibidores reversÃveis, pseudo-irreversÃveis e irreversÃveis da AChE. Entre os IAChE seletivos temos o donepezil e a galantamina que são inibidores reversÃveis. Entre os não seletivos temos a tacrina e a fisostigmina que são reversÃveis e a rivastigmina que é pseudo-irreversÃvel. Temos ainda o metrifonato, um inibidor não seletivo irreversÃvel.
Tacrina - A primeira droga disponibilizada no mercado como IAChE foi a tacrina, que embora tenha demonstrado melhoras significativas da cognição em estudos clÃnicos controlados, mostrou efeitos adversos importantes, como a elevação de enzimas hepáticas (demandando controles periódicos de TGO e TGP), além de requerer várias tomadas ao dia.
A segunda geração de inibidores da acetilcolinesterase, mostrou ter bem menos toxicidade hepática e maior facilidade posológica. Os efeitos colaterais são, em geral, gastrointestinais, tipo náuseas, vômitos e diarréia, podendo também afetar o sono.
Donepezil - O donepezil, de vida média mais longa, é administrado em dose única diária de 5 mg, podendo chegar a 10 mg, se houver melhora do quadro cognitivo e o paciente não apresentar reações adversas.
Rivastigmina - A rivastigmina, de vida média mais curta, deve ser administrada em duas tomadas ao dia, iniciando-se com comprimidos de 1,5 mg (3 mg/dia). A cada duas semanas, a dose pode ser aumentada em 1,5 mg até uma dose máxima de 6 mg duas vezes ao dia. Há estudos mostrando que a rivastigmina, por inibir também a BuChE, pode ter benefÃcios adicionais em termos da lentificação da progressão da doença. Mais recentemente foi lançada a galantamina, que além de inibir a acetilcolinesterase, exerce uma modulação alostérica nos receptores nicotÃnicos pós-sinápticos, desta forma potencializando o efeito neurotransmissor. Deve ser tomada em duas doses diárias, iniciando com 8 mg e chegando a 24 mg ao dia.
Todas as drogas, no entanto, até o momento descritas com alguma eficácia, têm efeito a curto e médio prazo, já que não tratam o processo que leva a degeneração neuronal.
Tratamento preventivo
O tratamento preventivo da DA, almeja, uma droga que melhore o prognóstico da DA, é a preservação dos neurônios ainda existentes. Uma droga com potencial preventivo, se tomada em fases pré-clÃnicas. Algumas substâncias se têm mostrado promissoras como neuroprotetores, é o caso do alfa-tocoferol (vitamina E) em doses elevadas (até 2000 UI/dia), assim como a selegelina (inibidor da MAO-B), que também tem atividade antioxidante. A antioxidação, no caso da DA, atua neutralizando o processo de desgaste celular por estresse oxidativo, que leva, em última instância, à morte neuronal por apoptose (suicÃdio celular).
Outras vitaminas e fitoterápicos (por exemplo: Gingko-biloba), com efeito antioxidante, estão sendo estudados quanto ao potencial de neuroproteção.
O uso de antiinflamatórios não hormonais, assim como de estrogênio, parece proteger contra a DA, por razões ainda não totalmente esclarecidas.
Referências:
Brucki, S.M.D.; Bertolucci, P.H.F.; Okamoto, I.H.; Macedo, M.B.M.; Toniolo Neto, J.; Ramos, L.R. Consortium to Establish a Registry for Alzheimer’s Disease. I. Aspectos epidemiológicos. Arquivos de Neuropsiquiatria 1994; 52 (sup.):pp.99.
Brucki, S. M. D. Curso clÃnico da Doença de Alzheimer. In: Forlenza, O. V & Caramelli, P. Neuropsiquiatria geriátrica, São Paulo, Atheneu, P.119-28, 2000.

Mônica Cristine Jovê Motti comenta:
14 Junho, 2007 @ 16:00
Muitas vezes o quadro de DA vem acompanhado de delÃrio e alucinações e devem ser medicados com antipsicóticos.Os exemplos são: haloperidol,tioridazida,periciazida e os neurolépticos atÃpicos( Clozapina,risperidona e olanzapina).
Distúrbios psicóticos e agitação , além de depressão, insônia e ansiedade, podem ser agravarados pelo déficit colinérgico da DA e o uso de anticolinesterásicos podem melhorar o comportamento.
A depressão é muito freqüênte na DA e a escolha do antidepressivo deve levar em conta os seus efeitos colaterais e principalmente o seu efeito anticolinérgico. Exemplos : fluoxetina, paroxetina, sertralina e citalopram.
Já no caso da apatia, pode não responder ao antidepressivo, eventualmente pode-se usar psicoestimulantes como o metilfenidrato ou dextroanfetamina.
Sempre que possÃvel , medidas simples e não farmacológicas devem fazer parte do tratamento, procurando evitar os efeitos colaterais dos psicofármacos.
Bibliografia: Brucki, Sonia M.D. e Nitrini,Ricardo, Demencias IrreversÃveis; Atualizações Diagnósticas e Terapêuticas em Geriatria, cap.43,pag:406-407.
antonio comenta:
5 Janeiro, 2008 @ 12:47
ola.
sou uma pessoa que estou a procura de ajuda ,pois meu pai possui DA e gostaria
de saber se existe algum orgão que possa nos auxiliar em relação ao DA..
vagner soares fraga comenta:
27 Maio, 2008 @ 12:11
MINHA MÃE TEM ALZHEIMER preciso de ajuda , gostaria de saber se a falta de B 12
pode causar DEMÊNCIA ela não foi ainda diagnosticada como ALZHEIMER mas sim
como DEMÊNCIA VASCULAR SENIL mas os sintomas são muito parecidos com ALZHEIMER ela sempre foi vegetariana e tem 76 anos será que injeção de B12 pelo
menos ajudaria ela fez exame da CARÓTIDA e deu uma obstrução parcial ela também
teve MICRO-DERRAMES me enviem material . . .
Desde já obrigado
Vagner .
viviane comenta:
31 Outubro, 2008 @ 07:56
Gostaria de saber se no Brasil , existe um genérico com a fórmula do Aricept , que é o donepezil hydrochloride?