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Jun
02
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Fisiologia do sono do idoso
Categoria(s): Biogeriatria, Bioquímica, Neurogeriatria |
Resenha
Na década de 50 os neurofisiologistas americanos Nathaniel Kleitman, Willian Dement e Eugene Aserinsky, descobriram algo fundamental: o sono não é o mesmo durante toda a noite, mas possui vários estágios e dois estados diferentes.
Classicamente divide-se o sono em 5 fases: 4 fases de sono não-REM e 1 fase de sono REM. Esta divisão entre sono REM (também conhecido como sono paradoxal) e sono não REM (denominando de sono de ondas lentas) tem como fundamento ser o sono REM o período onde é mais comum sonhar (em inglês, Rapid Eyes Moviment, uma característica desta fase são os movimentos oculares rápidos ).
Um adulto normal jovem entra no sono através dos estágios Não-REM. O estágio 1 é um breve fase transicional entre estar acordado e dormindo e dura cerca de 5 min. É um sono muito leve. O estágio 2 que dura cerca de 10 a 20 min. durante o ciclo inicial é considerado o verdadeiro sono fisiológico. Os estágios 3 e 4 , também chamados delta ou de ondas lentas do eletroencefalograma (Figura), são os mais profundos, e podem durar entre 20 e 40 min no primeiro ciclo de sono. Na fase 4 que é atingida em média 1 hora após a pessoa adormecer, está totalmente relaxado e se encontra bastante insensível aos estímulos exteriores. A seqüência inicial é seguida por um retorno do estágio 4 ao 3 e ao 2 seguidos de um episódio REM. O primeiro período REM realiza-se de 70 a 90 min após o início do sono e tem normalmente breve duração (5 a 15 min).
A medida que os ciclos de sono se sucedem gastamos menos tempo nas fases mais profundas e mais no sono REM. Nos últimos ciclos de sono da noite não chegamos a atingir o nível mais profundo de sono, a fase 4, gastando maior tempo no sono REM. Os períodos delta são predominantes no primeiro terço da noite, enquanto que a proporção de sono REM é maior no último terço da noite. A duração dos ciclos NREM-REM é de aproximadamente 90 min mas pode variar entre 70 e 120 min. Os períodos delta são predominantes no primeiro terço da noite, enquanto a proporção de sono REM é maior no ultimo terço da noite. É idade dependente.
O sono REM não é regularmente distribuído durante a vida da pessoa. Os primeiros meses de vida é a fase na qual o sono REM é mais freqüente. Das 17 horas diárias que o bebê dorme, 08 horas são de sono REM. Já nos adultos, 1/4 das 08 horas diárias de sono é composto de sono REM. A pessoa idosa dorme menos que um adulto e também tem o sono REM menor. Estes dados deixam claro que quanto mais velho, mais amadurecido, com mais experiência de vida, menor a necessidade de sonho e do sono REM. O bebê, que está aprendendo as primeiras lições neste mundo, tem no sono REM 1/3 de seu dia. Ele precisa amadurecer física e psiquicamente, sua mente tem que passar por profundas e constantes reorganizações, assim sua necessidade de sonhos seria maior.
Dois fatos importantes ocorrem nas fases do sono: na fase 4 Não-REM do sono está mais relacionada ao descanso e reparação do corpo, sendo que este processo é maior no início do sono; e o sono REM está mais relacionado a reparação e reordenação da mente, sendo que este processo se torna mais relevante à medida em que o descanso e reparação do corpo atingiram graus significativos.
O fato de movimentos oculares e de sonhos ocorrerem também nas fases não REM é indicativo de que o processo de reparação e reordenação da mente seja constante durante todo o sono, sendo mais relevante na fase REM.
Sabemos de nossa experiência própria que existem variações individuais, no ciclo sono-vigilia. Algumas pessoas dormem quatro a cinco horas sem se sentir cansados, outros precisam de nove a 10 horas; alguns dormem cedo e acordam de madrugada; outros dormem tarde e só acordam no meio do dia.
A medida que a idade avança, o padrão dos ciclos começa a mudar. Os idosos têm menos sono nos estágios 3 e 4 (isto é, no sono profundo), menos sono REM, e despertam mais vezes durante a noite, levando-os a cochilar durante o dia.
Como os indutores do sono afetam a “arquitetura” do ritmo sono-vigilia?
A grande maioria dos indutores do sono/hipnóticos hoje disponíveis pertencem à classe dos benzodiazepínicos (BZDs). Embora muitas vezes eficazes, e merecedores de todo respeito por seu papel na história da terapia farmacológica do sono, os BZDs costumam ser desprovidos de efeito hipnótico seletivo, e afetam também a arquitetura do sono.
Diversos estudos têm revelado interações típicas entre BZDs e a estrutura fisiológica do sono, como: aumento do estágio2; redução dos estágios 3 e 4; aumento da latência do sono REM e redução do tempo de sono REM.
Além disso, os BZDs estão desagradavelmente ligados a estatísticas que não raro os associam à amnésia anterógrada, a dependência/abuso e a insônia de rebote, fatores que podem comprometer a qualidade do sono (e da vigília no dia seguinte) do paciente, especialmente nos idosos.
Referências:
Lent R. Cem Bilhões de Neurônios Conceitos Fundamentais de Neurociência. Eds. Atheneu Faperj 2001. Rio de janeiro. Cap. 16 A consciência regulada - O sono p.534-552.
Insônia - Instituto do sono (2006). [on line]
JUNIOR, Edmund H. Duthie; KATZ, Paul R. Geriatria Prática. Sono nos idosos. 3ª edição, Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2002, pág.230-236.
POYARES, Dalva et.al.(2003). I Consenso Brasileiro de Insônia. [on line]
Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina. (2000). Distúrbios do sono. [on line]
Nicolau PFM -Insônia, Atualizações, perguntas e respostas [on line]
Anatomia do SNC e o sono
A regulação do sono é regida pelo segmento mesencefálico-pontino do tronco cerebral, onde se situa a chamado sistema reticular ativador que é constituída de agregados de células de diferentes tipos e tamanhos, entremeadas numa densa rede de fibras nervosas ascendentes, descendentes e horizontais. Na parte alta, ou mesencefálica, situa-se o núcleo gigantocelular, de função ativadora “vigiliogênica”; na parte baixa, ou pontina, situam-se o locus ceruleus e outros núcleos, de função depressora “hipnogênica”. Estes núcleos se relacionam entre si e com as demais porções do SNC, gerando os ciclos de sono e despertar. O sono, pois, não é só um processo passivo de “repouso”, mas sim basicamente um mecanismo ativo do qual participam estruturas de função específica.
Neurotransmissores
Em nosso organismo, todas as respostas interneuronais, sejam elas excitatórias ou inibitórias, são mediadas por substâncias denominadas neurotransmissores. Os neurotransmissores são liberados na sinapse nervosa, entre o axônio de um neurônio e os dendritos de outro(s), por ocasião da passagem de um estímulo elétrico interneuronal. Os neurotransmissores podem ter caráter excitatório (facilitando a despolarização ou “disparo” do neurônio seguinte) ou inibitório (dificultando esse “disparo”, mediante hiperpolarização ou “estabilização” do neurônio seguinte). Hoje, são conhecidos mais de 30 destes mediadores bioquímicos. Cada tipo de neurônio e cada região de nosso cérebro tem capacidade de produzir e possui afinidade para um ou mais neurotransmissores. No mesencéfalo, tem especial importância a acetilcolina (Ach). Já nas porções hipnogênicas pontinas, o principal neurotransmissor é o ácido gama-aminobutírico (GABA), embora se saiba que, na fase REM do sono, também participe significativamente a noradrenalina (NORA).
Bioquímica dos neurotransmissores
Sabe-se hoje que o ácido gama-amino-butírico (GABA) é o neurotransmissor mais abundante no SNC, atuando de forma inibitória no cérebro e no tronco cerebral. E secretado no cerebelo, gânglios da base, e em diversas áreas corticais. O GABA é capaz de atuar no locus ceruleus - um dos centros-chave do sono. Após ser sintetizado e liberado nas sinapses nervosas, ele interage com o complexo macromolecular dos receptores GABA, o que resulta na abertura de um canal de íon cloro-específico (cloro-ionóforo). A abertura do canal de cloro propicia um influxo aumentado destes íons (de carga negativa) para o interior do neurônio, hiperpolarizando a célula. O que diminui a probabilidade da mesma atingir seu limiar de disparo e, por conseguinte, conduzir algum estímulo (inibição neuronal). O GABA exerce ações semelhantes também no hipotálamo e na porção anterior do cérebro, regiões igualmente envolvidas na gênese do sono. É importante destacar que a maior liberação de GABA ocorre justamente durante o sono natural. Mais ainda, estudos de ultra-estrutura e de imuno-histoquímica revelaram que os complexos macromoleculares de receptores GABA apresentam as seguintes particularidades:
1) Existem duas subpopulações de receptores GABA, a saber, GABA-A e GABA-B. Os receptores GABA-A são bem caracterizados, e desempenham papel importante na gênese do sono.
2) Existem, no complexo, também subpopulações de receptores, aos quais podem ligar-se os indutores de sono; estes receptores, inicialmente chamados benzodiazepínicos, são hoje denominados receptores Ômega, subdividindo-se em 1, 2 e 3; cada um tem atividade mais ou menos específica, resultando em efeitos hipnóticos (indução do sono), anticonvulsivantes e miorrelaxantes, respectivamente.
Leitura - Nicolau PFM -Insônia, Atualizações, perguntas e respostas [on line]

edson nemoto comenta:
19 Setembro, 2008 @ 20:15
A anatomia do sono no idoso,teria outras funções?Ou asa mesmas funções de uma pessoa normal,tais como o refazer da memória,rejuvenecimento,etc……..bom em torno desta reportagem,gostei,interessante……..tchau.