26 - maio
  

Vertigem – Síndrome de Ménière: Tratamento medicamentoso

Categoria(s): Neurologia geriátrica, Otorrinolaringologia geriátrica




Painel

A doença de Ménière também é muito freqüente, principalmente em adultos e idosos. A queixa é de crises vertiginosas, diminuição da audição, zumbido e sensação de pressão ou ouvido cheio. O zumbido, a diminuição da audição e a sensação de plenitude no ouvido costumam piorar durante as crises de vertigem.

As crises vertiginosas geralmente são intensas, com náuseas, vômitos, suores no rosto e nas mãos, palidez e palpitações. A crise pode ser precedida por manifestações premonitórias (aura) podem anunciar (minutos, horas ou dias antes) a crise vertiginosa iminente. A associação com Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) e migrânea (enxaqueca) é freqüente, com os sintomas característicos destas afecções. A VPPB pode aparecer durante, logo após ou meses depois das crises vertiginosas.

O intervalo entre as crises é variável, e o paciente pode ficar sem nenhum sintoma, e ocorrer perda progressiva da audição ao longo do tempo. Alguns pacientes relatam audição flutuante, variável em função do tempo. Outros sintomas comuns são hipersensibilidade a sons mais intensos e distorção da sensação sonora.

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Figura 1. endolinfa normal Figura 2. hipertensão endolinfática
O substrato fisiopatológico é a hipertensão da endolinfa, líquido que irriga as estruturas sensoriais auditivas e vestibulares do labirinto. A hipertensão endolinfática pode ser ocasionada pela deficiência de reabsorção da endolinfa no saco endolinfático, pelo excesso de sua produção ou por ambos os mecanismos.

As possíveis etiologias da doença de Ménière são: diabetes, hipoadrenalismo, hipopituitarismo, hipotireoidismo, deficiências nutricionais, alergia por inalantes ou alimentos, doenças auto-imunes, viroses, lues, trauma craniano, cervical, acústico, barométrico ou cirúrgico, distúrbios cardiovasculares, osteodistrofias da cápsula ótica, estreitamento de meato acústico interno, senilidade labiríntica, distonias neurovegetativas ou distúrbios psicossomáticos.

Sinais freqüentes na avaliação otoneurológica são: perda auditiva neurossensorial unilateral ou bilateral, com limiares variáveis em audiometrias seriadas; recrutamento à comparação dos limiares tonais com os limiares dos reflexos do músculo do estapédio na impedanciometria; hidropsia endolinfática na eletrococleografia e sinais de disfunção vestibular periférica na vestibulometria.

Tratamento medicamentoso

Medidas gerais – A restrição de açúcares refinados, chá, café e álcool e a recomendação de evitar erros alimentares, como ficar longos períodos do dia sem comer e não comer nada (ou comer pouco) pela manhã, reforça o efeito terapêutico da medicação e da reabilitação vestibular.

Nas crises – Nos episódios de vertigem o uso de diazepam, dimenidrinato e/ou ondansetrona, por via intramuscular, é útil. Quando o intervalo entre a aura e a instalação da crise permitir, a associação de betaistina 24 mg e domperidona 10 mg por via oral com clonazepam 0,25 mg por via sublingual pode evitar ou atenuar a eclosão dos sintomas agudos.

Fases subagudas e crônicas – na fase subaguda e crônica da doença a betaistina (via oral), clonazepam (via oral ou sublingual) e cinarizina (via oral) podem agir favoravelmente . A medicação antivertiginosa também facilita a execução dos exercícios de reabilitação vestibular na clínica e/ou em casa. A betaistina é o medicamento de eleição para o tratamento continuado da afecção, recomendando-se a sua utilização por um ano ou mais.
O uso adicional do clonazepam pode reforçar o efeito antivertiginoso da betaistina na doença de Ménière.

A labirintectomia química com gentamicina, a descompressão de saco endolinfático ou a neurectomia vestibular podem ser indicados nos insucessos com o tratamento clínico.

Efeito hormonal

Cerca de 10% da população mundial tem algum tipo de tontura e esta pode ser de origem central ou periférica. Na mulher a incidência é maior que no homem (aproximadamente 2:1) e ao se investigar as causas da tontura verifica-se que todas as citadas pela literatura incidem também na mulher e com o agravante de que a variação hormonal normal ou anormal influencia no funcionamento do ouvido interno; o que pode ocasionar ou agravar a tontura e, com isso, pode-se ter uma paciente com os sintomas de “tensão pré-menstrual” que tem também tonturas.

A retenção de sódio e água que ocorre no período menstrual pode levar a um quadro clínico semelhante à doença de Ménière pela hipertensão perilinfática e, à semelhança do que ocorre nesta doença, podem ocorrer sintomas auditivos. A interrupção do ciclo menstrual que ocorre na gravidez pode produzir melhora dos sintomas, assim como também o uso de anticoncepcionais pode ser benéfico a essas pacientes. Entretanto no período gravídico, pelas alterações endócrinas do pâncreas, com seu aumento de produção de insulina, incrementam os períodos de hipoglicemia e alteram o funcionamento da orelha interna, podendo desencadear alguns sintomas neurovegetativos e labirínticos (desequilíbrio, náuseas e vômitos).

As variações dos níveis hormonais que acontecem no ciclo menstrual podem alterar o equilíbrio intralabiríntico. Já foram observadas alterações do limiar auditivo, do limiar para o reflexo estapediano, dos potenciais eletrofisiológicos de curta e longa latências durante a variação cíclica menstrual. Neste processo, envolvem-se mediadores do sistema nervoso central como o GABA e a serotonina, que são muito importantes na manutenção das funções labirínticas.

Tire suas dúvidas acessando as 10 páginas – Vertigem – 200 dúvidas a respeito

Referências:

Ganança MM, Munhoz MSL, Caovilla HH, Silva MLG. Condutas na vertigem. São Paulo: Moreira Júnior; 2004.

Ganança MM, Munhoz MSL, Caovilla HH, Silva MLG, Ganança CF, Ganança FF. Como diagnosticar e tratar labirintopatias. Rev Bras Med. 2004; 61:108-12.

Freitas, MR; Weckx, LLM – Como diagnosticar e tratar labirintopatias. Rev Bras Med 55 – Ed especial,1998.

Ganança, MM; Caovilla, HH; Munhoz, MS; SILVA, MLG; Frazza, MB; Ganança, FF, Ganança, CF – “Labirintites” no Idoso: Diagnóstico Laboratorial. Atualidades em Geriatria, 2(13): 8-10, 1997.

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259 Comments »

  1. selma regina comenta:

    23 abril, 2014 @ 9:34 PM

    ola amigos,eu queria saber se teve alguém q fico boa da minie pq eu continuo muito mal infelizmente já tomei acho q todos medicamento de tontura porfavo mi manda email

  2. Prosper comenta:

    5 junho, 2014 @ 10:05 PM

    Há dois meses, sofro com essa moléstia e já pude perceber a dimensão do problema. Perdi audição dos graves do ouvido direito já na primeira crise. Procurei os grandes centros médicos, doutores “conceituados” com valor de consulta exorbitantes, entretanto aconselho-lhes a poupar este dinheiro. Fiquei decepcionado, deu-me a impressão que realmente falta pesquisa sobre esta doença, haja vista que uma doença já descoberta em 1861 e nem sequer algum “Dr.” sabe os reais motivos que a causam? Quanto mais vocês se informarem mais verão as lacunas que ainda existem sobre a Méniere. Cortei 100% os doces e carboidratos de absorção rápida, tomo labirin (4 ao dia) entre outros medicamentos já mencionados aqui. Entendo literalmente os sofrimento de todos e que Deus nos ajude…Abraços, Yle.

  3. lih comenta:

    21 agosto, 2014 @ 8:47 PM

    Ola,meu filho de 10 anos foi diagnosticado com a sindrome,depois de 8 longos meses de exame,as crises são fortissima,as veses ocorrem desmaio.estou muito triste pois mesmo fazendo o tratamento certinho, as crises ainda continua,amo meu filho demais, sofro muito,,ele toma labirin 18mg 2x ao dia ,queria saber se alguma mãe ai passa por isso ,acredito muito em deus ,e tenha certeza que isso vai passar,hoje mesmo ele teve uma crise o dia inteiro,meu coração esta em pedaços,

  4. Beatriz Maria Teixeira Guerra comenta:

    3 setembro, 2014 @ 9:06 PM

    Tenho 46 anos e descobri a sindrome de Meniere há 9 meses atrás,fiz todos os exames,eletrcocleografia,audiometria,especialista como otonerologista e uso betaserc 24mg continuo de 12/12 horas.Trabalho como enfermeira em Neonatologia e gostaria de saber se posso continuar trabalhando nesta área,se existem exames e tratamentos atualmente melhores e se há em grandes centros como São Paulo ou Rio alguma outra forma de tratamento. Obrigada Bia

  5. Beatriz Maria Teixeira Guerra comenta:

    3 setembro, 2014 @ 9:12 PM

    Gostaria de saber se há algum tratamento alternativo,além de dietas,exercicios fisicos e dormir melhor. Obrigada Bia

  6. Amarildo Guilherme comenta:

    9 setembro, 2014 @ 10:05 AM

    Faço tratamento para labirintite desde 2010; Em março de 2014, estava trabalhando quando tive uma crise muito forte com tonturas e vomito incessante, e somente com remedios aplicados na veia (intravenoso) a crise parou, porem, neste mesmo ano, ja fui ao pronto socorro por aproximadamente 20 vezes com forte crises de tontura, náusea e vomito. Fui diagnosticado como Sindrome de Meniere, perdi a audição esquerda e tenho um zumbido muito forte neste ouvido, quase me enlouquece, as vezes tenho vontade de enfiar algum objeto no ouvido para diminuir o zumbido e a pressão na cabeça; Desde então estou afastado do trabalho. Faço uso dos seguintes medicamentos: Pela manhã : 02 comprimidos de Betaserc 24 mg , 01 Meclin de 24 mg, 01 Pentoxifilina de 400 mg e 01 Dramin B6. No almoço: 01 Pentoxifilina de 400 mg e 01 Meclin 24 mg; A tarde: 02 Betaserc 24 mg, 01 Meclin 24 mg e 01 Pentoxifilina 400 mg: A noite: 01 Rivotril 0,5 mg, 01 Rohypnol 0,5 mg, além do ginkobolba que tomo 4 vezes ao dia. Estou desesperado pois com todo esses medicamento, ainda ssim sinto nauseas de vez em quando e a pressão na cabeça e o zumbido não diminuem, além de os ouvidos estarem tampados quase sempre. Alguem pode me ajudar por favor?

  7. walter comenta:

    29 setembro, 2014 @ 8:21 PM

    Boa noite Meus queridos companheiros de Meniere!
    Sou portado dessa sindrome que desde já declaro que nõ me pertence e já estou repreendendo em nome de Jesus.
    Tenho 53 anos e nos últimos 3 tenho essa sindrome, comecei com um zumbido do lado esquerdo do ouvido e após vertigem com 3 horas de duração, seguida de muito enjôo e após vários exames como: Tomografia, ressonancia, e vários exames especiais no ouvido, mas graças a Deus não foi encontrado nada cancerigêno.
    tomo 4 comprimidos de Bedatine 24mg, zoloft 50mg, rivotril 2mg e consegui que não atingisse o outro lado do ouvido.
    Já tive dois drop Atacks e acho que nã tem sensação pior do que isso é como se perdesse o chão e tivesse caindo de um prédio de 5 andares.Tem dias que não quero sair de casa mas infelizmente sei que esse não é o caminho.
    Aconselho a todos a se pegarem Deus, pois só ele é o médico dos médicos e o único que tem poderes para nos livrar desse mal, creiam.
    Sou empresário, preciso trabalhar, mas sei que se me entregar vou morrer trancado dentro de casa, acho que minha fé me faz continuar e persistir nessa luta, pois sei que somente assim conseguirei enfrentar meu zumbido que já foi de grilo, cigarra e agora parece que tenho uma panela de pressão dentro do ouvido, tudo que como me ataca, não bebo a anos , não tomo refrigerantes e não fumo.
    Estou sempre buscando me informar se no mundo existe alguém que conseguiu essa cura.
    Posso indicar uma especialista em zumbido Dra Jeanne Oiticica 5051- 0049

  8. carlos comenta:

    3 outubro, 2014 @ 10:24 AM

    Descobri a tal da doença. Só tenho tonturas, nada mais.É complicado o que sinto . Estou fazendo tratamento espiritual. Não sei mais o que fazer. Os médicos que fui são todos charlatões. São num total de 08 . qdo recebem a consulta, falam que esgotaram seus conhecimentos Sei que existe seriedade mais ainda não encontrei.CONTINUO TONTO. qdo vou num médico ele fala que somente qdo descobrir e eu ficar bom é que vou ser liberado. ISSO NUNCA ACONTECEU.
    CARLÃO.

  9. Zenira comenta:

    8 novembro, 2014 @ 10:11 PM

    Oi Roberto Negrao.
    Meu nome é Zenira e a quatro anos fui diagnosticada com a Sindrome de Meniére.
    Demorei tres meses para ter este diagnóstico. Até que encontriei o Dr. Mario Sergio Lei Munhoz, professor da UNIFESP,otorrino,.
    Foi aí que comecei a ter uma vida praticamente normal.
    Digo normal porque vc sabe, assim como todos nos portadores desta sindrome, ela não tem cura.
    o telefone do Dr. é: (11)3289-07.97 e (11)3289-84.29.
    Boa sorte.

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