Arquivo de 19/mai/2007





19 - mai

Insônia nos idosos – Como é o tratamento farmacológico?

Categoria(s): Neurologia geriátrica, Plantas medicinais, Psicologia geriátrica

Resenha

Colaboradora : Ana Cláudia da Cunha Corrêa

* Médica – Pós-Graduanda em Saúde e Medicina Geriátrica – Metrocamp

drogasA insônia é o distúrbio de sono mais comum e talvez o mais freqüente queixa após a de dor. As queixas de insônia estão associadas com variantes demográficas incluindo idade (mais de 25% das pessoas com 65 anos ou mais relatam interrupção do sono principalmente os aposentados, inativos ou viúvos), sexo (é duas vezes mais comum em mulheres) e status ocupacional e socioeconômico.

Outro dado importante seria que 20% das pessoas que hoje têm insônia tomaram pílulas para dormir em alguma época do passado. O manejo da insônia, principalmente com relação a sua terapêutica, vem sofrendo modificações com o decorrer dos anos com a finalidade de priorizar aspectos preventivos em relação ao tratamento convencional evitando-se assim o uso abusivo de medicamentos, muitas vezes desnecessários. O tratamento farmacológico da insônia deve ser ajustado ao tratamento do problema subjacente.

Os sedativos hipnóticos, como os benzodiazepnicos (substâncias sedativas as quais reduzem a atividade e excitação, produzem sonolência e facilitam o início e/ou manutenção do sono), devem ser usados somente para o alívio dos sintomas e apenas por curtos períodos de tempo, em conjunto com as técnicas comportamentais.

Para os pacientes que se queixam de dificuldade de iniciar o sono são mais apropriados os sedativos de ação rápida (triazolam ou zolpidem, este último classificado como novos hipnóticos), para os que queixam de insônia pela madrugada, são mais convenientes os sedativos-hipnóticos com meia-vida mais prolongada (ex, temazepam). Esses medicamentos devem ser prescritos somente para as pessoas que tenham insônia transitória, não ultrapassando o seu uso por mais de três semanas. Os pacientes com insônia crônica só devem usar esse sedativo intermitentemente (uma vez a cada duas noites) e devem ser prescritos na dose eficaz mais baixa possível.

Outras classes de drogas de ação sedativas são:
- anti-depressivos;
- anti-histamínicos (em especial os antagonistas do receptor H1), como a prometazina. Entretanto não são drogas de escolha para o tratamento da insônia primária.

Importante- Está totalmente contra indicado o seu uso em pacientes com apnéia do sono.

Fitoterápicos (Valeriana, Camomila, Kava e Passiflora) – A Valeriana diminui a latência do sono, a quantidade do estágio 1 do sono não REM e aumenta a quantidade do sono de ondas lentas. A Camomila apresenta atividade ansiolítica. A Kava parece apresentar atividade ansiolítica e sedativa. E por fim, a Passiflora parece melhorar a qualidade do sono em humanos. É importante ressaltar que as substâncias citadas acima necessitam de mais estudos, não estando nada do descrito acima comprovado cientificamente.

Triptofano – o controle do ciclo sono-vigìlia foi um dos primeiros comportamentos no qual um papel para a serotonina foi identificado. Vários estudos mostraram que a depleção de serotonina com p-clorofenilalanina (inibidor da triptofano hidroxilase) induzia á insônia. A reversão deste efeito ocorria com administração de seu precursor 5-hidroxitriptofano. Mas tarde, contatou-se que a L-triptofano diminuía a latência do sono e aumentava seu tempo total.A comprovação de que o aumento de triptofano na dieta aumentava a quantidade de serotonina no cérebro justificou o início do seu emprego com terapêutica adjuvante na insônia. Entretanto, sua ingestão por via oral é desaconselhada por efeitos colaterais.

Melatonina – A melatonina tem sido foco de muitos debates e sua exploração na prática clínica tem ocorrido nos últimos anos, entretanto, regras para seu uso terapêutico ainda são assunto de muitos estudos. A melatonina é o principal hormônio da glândula pineal dos mamíferos. Sua síntese e liberação ocorrem no período de escuro. O pico da melatonina segue um padrão circadiano ocorrendo antes dos períodos de maior propensão ao sono. Também é conhecido o fato de que essa substância pode estar alterada nos distúrbios sazonais do humor, depressão maior e distúrbio pré-menstrual. A melatonina é capaz de promover o sono.A melatonina apresenta níveis aumentados antes do início de sono. O aumento e queda desses níveis de secreção têm relação com o ritmo endógeno de temperatura. O efeito da melatonina exógena é controverso. Ainda não são claros os benefícios da melatonina para o tratamento da insônia. Em idosos houve uma redução da latência de sono, mas nesta população, a manutenção do sono pode ser o ponto mais crítico. Também não existem evidências de que idosos com baixa secreção de melatonina exibam resposta a administração de melatonina exógena. Entretanto a melatonina pode ser capaz de promover o início do sono. Estudo toxicológico mostra que a melatonina é segura em altas doses. Sua principal indicação é o tratamento do transtorno causado por mudanças de fuso horário.

Outros fármacos – antipsicóticos, antiepilépticos, analgésicos, entre outros: esses medicamentos são indicados primariamente de acordo com a doença de base, optando-se por aqueles que possuem como efeito secundário a sedação.

Referências:

Duthie Jr Edmund H. Duthie Jr; Katz, Paul R. Geriatria Prática. Sono nos idosos. 3ª edição, Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2002, pág.230-236.

Martinez, Denis (2006) Os cuidados com o sono.[on line]

Poyares, Dalva et.al.(2003). I Consenso Brasileiro de Insônia. [on line]

Veja – Insônia na menopausa

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