Arquivo de 9/mai/2007





09 - mai

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

Categoria(s): Fisioterapia, Otorrinolaringologia geriátrica

Resenha

Colaboradora : Talita Gameiro Ribeiro *

* Fisioterapêuta e Gerontóloga

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a vestibulopatia mais comum em idosos, principalmente do sexo feminino. A VPPB é um distúrbio que se caracteriza por episódios momentâneos recorrentes de vertigem que sugerem à mudança de posição da cabeça, principalmente à extensão do pescoço, ao rolar da cama de um lado para o outro, ao levantar-se da cama ou inclinar o corpo para baixo. A vertigem começa após uma latência de alguns segundos após assumir-se a nova posição. Aumenta até um nível máximo de ceder, durando em geral menos de 1 minuto.

A VPPB está associada ao nistagmo rotatório, com abalos em direção ao solo se o paciente estiver deitado com a cabeça para o lado do ouvido afetado. Quando o paciente se senta ou se coloca em uma posição neutra, ocorrem ainda alguns abalos nistagmos, com a fase rápida em direção ao lado oposto. Estes sintomas podem ser reproduzidos no consultório através do teste posicional. A VPPB é fatigável. A repetição do teste posicional abole a resposta.

A VPPB pode estar associada a traumatismo craniano, infecção ou degeneração, mas as vezes pode ocorrer espontaneamente no idoso. O paciente em geral não se queixa de perda auditiva, zumbido ou plenitude aural. Os cristais de carbonato de cálcio (resto de otólitos) se deslocam do utrículo para o canal semicircular posterior, superior ou lateral (canaliculitíase) ou se aderem à cúpula (cupolitíase) destes canais, excitando anormalmente as estruturas sensoriais labirínticas à ação da gravidade na mudança de posição da cabeça de posição da cabeça e gerando a vertigem.

É bastante freqüente, a associaçãoda VPPB com a doença de Ménière e a migrânea (enxaqueca).

Diagnóstico

O diagnóstico de VPPB pode ser feito quando há vertigem posicional e quando o teste de posicionamento que usa a manobra de Dix-Hallpike precipita um surto de nistagmo de torção exacerbado. Pode ser usado também um par de lentes de Fresnel, o que provoca o nistagmo rotatório na direção do ouvido que está pendente. Em casos persistentes e crônicos, refratários ao tratamento, deve ser obtida uma imagem de Ressonância Magnética (IRM) para excluir a possibilidade de neuroma acústico ou tumor no quarto ventrículo. Avaliação otológica, com teste audiológico e vestibular também podem ser solicitados.

Manobra de Dix-Hallpike.

Essa manobra consiste na movimentação da cabeça do paciente de forma a promover um deslocamento da endolinfa e, conseqüentemente, da cúpula do canal semicircular posterior. Na manobra de Dix-Hallpike, o paciente está inicialmente em posição sentada, com a cabeça rodada lateralmente (direita ou esquerda, conforme o lado a ser testado), em aproximadamente 45 graus. Com o examinador segurando a cabeça do paciente, promove-se um brusco e rápido movimento de deitar, em decúbito dorsal horizontal. Ao ser deitado, por não haver uma fixação horizontal da cabeça, esta fica pendente para trás, em aproximadamente 30 graus. O paciente fica imobilizado nessa posição, com os olhos abertos e olhar fixo. Nos portadores de VPPB, ocorre um evidente nistagmo, alguns segundos após o estímulo (com latência), que dura menos de 45 segundos (esgotável). O exame otoneurológico, representado principalmente pelas provas calóricas clássicas, não apresenta achados típicos da VPPB. Nesses pacientes, as provas calóricas podem se apresentar normais ou com respostas hiper ou hipo-reflexas.

Tratamento
A história natural da vertigem posicional benigna é sua resolução espontânea. A maioria dos pacientes fica livre dos sintomas em algumas semanas ou meses. Os sintomas podem ser abolidos por vários exercícios posturais, reabilitação vestibular, uso de medicamentos ou até em alguns casos o tratamento cirúrgico.

Manobras de reposicionamento – ultimamente, esta forma de tratamento vem, cada vez mais, ganhando espaço em relação às demais. Isso se deve à sua praticidade, facilidade na realização, associada a altos índices de sucesso. Em todas as manobras, o objetivo é fazer com que os fragmentos degenerados de otocônias, presentes anormalmente no canal semicircular posterior, sejam encaminhados de volta, pela ação da gravidade, para o utrículo.

Duas manobras clássicas surgiram: a manobra liberadora de Semont, descrita em 1988; e o reposicionamento canalicular de Epley, descrito em 1992. Diferentes modificações dessas técnicas vêm sendo apresentadas nos últimos anos. Muitos autores consideram a manobra liberadora de Semont agressiva, por desencadear, muitas vezes, severas tonturas, não sendo, portanto, bem tolerada pelos pacientes. A manobra de Epley, com algumas possíveis modificações, é a que tem sido mais largamente adotada, possivelmente por ser considerada mais tolerada pelos pacientes. Geralmente, preconiza-se a utilização de um pequeno vibrador junto à região da mastóide do lado acometido, que ajudará no deslocamento dos fragmento do canal semicircular posterior. Após a realização da manobra, recomenda-se ao paciente que durante 48 horas evite deitar com a cabeça baixa, na mesma altura do corpo, e que procure repousar meio sentado. Ele deve evitar também movimentos bruscos com a cabeça, para a frente e para trás. Essas orientações visam a minimizar a tendência de fragmentos migrarem de volta ao canal semicircular posterior.

Tire suas dúvidas acessando as 10 páginas – Vertigem – 200 dúvidas a respeito

Referências:

Resende, C. R.; Taguchi, C. K.; Almeida, J. G.; Fujita R. R. – Reabilitação Vestibular em Pacientes Idosos Portadores de Vertigem Posicional Paroxística Benigna. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, julho/agosto 2003. [on line]

Ribeiro, A. S. B.; Pereira J. S.- Melhora do equilíbrio e redução da possibilidade de queda em idosas após os exercícios de Cawthorne e Cooksey. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, jan/fevereiro de 2005.[on line]

Silva, A. L. S.; Simões E. L. – Tratamento Individualizado de Paciente Idoso com Vertigem Postural: Relato de Caso. Portal do envelhecimento, junho de 2005. [on line]

DIX, M.R.; HALLPIKE, C.S. – The pathology, symptomatology and diagnosis of certain common disorders of the vestibular system. Proc Soc Med 45:431-354, 1952.

SCHUKNECHT, H.F. – Cupulolithiasis. Arch. Otolaryngol., 90:765-78, 1969.

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09 - mai

Vertigem – Manobra de Dix-Hallpike

Categoria(s): Dicionário, Otorrinolaringologia geriátrica

Dicionário

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é a vestibulopatia mais comum em idosos, principalmente do sexo feminino. A VPPB é um distúrbio que se caracteriza por episódios momentâneos recorrentes de vertigem que sugerem à mudança de posição da cabeça, principalmente à extensão do pescoço, ao rolar da cama de um lado para o outro, ao levantar-se da cama ou inclinar o corpo para baixo. A vertigem começa após uma latência de alguns segundos após assumir-se a nova posição. Aumenta até um nível máximo de ceder, durando em geral menos de 1 minuto.

A VPPB está associada ao nistagmo rotatório, com abalos em direção ao solo se o paciente estiver deitado com a cabeça para o lado do ouvido afetado. Quando o paciente se senta ou se coloca em uma posição neutra, ocorrem ainda alguns abalos nistagmos, com a fase rápida em direção ao lado oposto. Estes sintomas podem ser reproduzidos no consultório através do teste de posicionamento que usa a manobra de Dix-Hallpike precipita um surto de nistagmo de torção exacerbado.

Manobra de Dix-Hallpike.

Essa manobra consiste na movimentação da cabeça do paciente de forma a promover um deslocamento da endolinfa e, conseqüentemente, da cúpula do canal semicircular posterior. Na manobra de Dix-Hallpike, o paciente está inicialmente em posição sentada, com a cabeça rodada lateralmente (direita ou esquerda, conforme o lado a ser testado), em aproximadamente 45 graus. Com o examinador segurando a cabeça do paciente, promove-se um brusco e rápido movimento de deitar, em decúbito dorsal horizontal. Ao ser deitado, por não haver uma fixação horizontal da cabeça, esta fica pendente para trás, em aproximadamente 30 graus. O paciente fica imobilizado nessa posição, com os olhos abertos e olhar fixo. Nos portadores de VPPB, ocorre um evidente nistagmo, alguns segundos após o estímulo (com latência), que dura menos de 45 segundos (esgotável). O exame otoneurológico, representado principalmente pelas provas calóricas clássicas, não apresenta achados típicos da VPPB. Nesses pacientes, as provas calóricas podem se apresentar normais ou com respostas hiper ou hipo-reflexas.

Dix-Hallpike

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