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Doenças cardíacas no idoso

Categoria(s): Cardiogeriatria, Publicações


Revisão

Autores:
Antonio Carlos Leitão de Campos Castro
Armando Miguel Junior

Resumo

O progresso das ciências da saúde aumentou a sobrevida média; como conseqüência, 12% da população têm idade superior a 65 anos e o grupo que mais cresce é o das pessoas com mais de 80 anos. É importante, do ponto de vista médico, considerar a avaliação do estado cardíaco e hemodinâmico, pois o envelhecimento do coração ocorre de uma forma lenta e progressiva, limitando as funções dos idosos. Seu tratamento deve ser particularizado, onde a fisioterapia reabilitatória é fundamental.

Introdução

O objetivo do bom atendimento geriátrico é a manutenção da função considerada ótima, devendo-se fazer o necessário do ponto de vista físico e social. A atividade física e o combate ao sedentarismo têm papel preponderante no bem-estar e na manutenção da capacidade funcional dos idosos. Observou-se relação inversa entre atividade física e incidência de doença isquêmica do coração. As doenças crônicas têm maior incidência nos idosos, principalmente as cardiovasculares e as neoplasias.

Os programas regulares de reabilitação, que incluem exercícios físicos, produzem efeitos fisiológicos benéfico, ajudando a manter capacidade funcional satisfatória e melhor qualidade de vida. Os fatores de risco para a perda da autonomia e da independência do idoso são relacionados solidão, morar isoladamente, realocação recente, perda de cônjuge, pobreza, ausência de amigos ou parentes na proximidade, incontinência urinária, demência e perda das habilidades para as rotinas da vida diária, levando conseqüentemente institucionalização.

A demência, a passividade e o quanto atividade física e mental é encorajada são fundamentais na determinação do prognóstico da perda de independência, da morbidade e da mortalidade do idoso. As atividades básicas com o cuidado diário, como tomar banho, vestir-se, utilizar o banheiro, caminhar, grau de continência, pentear-se, comunicação e capacidade de se alimentar, devem ser cuidadosamente avaliadas. Para cada diagnóstico e terapêutica prescrita ao idoso, os mesmos devem ser avaliados funcionalmente, pois o impacto dos problemas sobre a vida diária será de importância decisiva na qualidade de vida do paciente. Deve-se evitar a multiplicidade de medicamentos. Os horários e os esquemas de medicação devem ser simplificados.

O idoso reduz involuntariamente seus níveis habituais de atividade, para o que concorrem vários fatores tais como depressão, instabilidade músculo-esquelética e outros problemas de saúde associados que limitam a mobilidade. A capacidade homeostática normalmente atinge seu máximo entre os 25 e os 30 anos; depois disso, ocorre declínio progressivo de cada parâmetro fisiológico. O desempenho cardiovascular declina progressivamente com a idade, e o indivíduo tem que conviver com um coração idoso somado doença cardíaca.

Com a progressão dos anos ocorre redução da capacidade aeróbica, e isso é percebido pelo idoso como maior trabalho e maior cansaço na execução de tarefas usuais. Várias alterações físicas dos idosos são erroneamente atribuídas ao envelhecimento, quando são realmente decorrentes de distúrbios devidos a hipocinesia. O encurtamento dos músculos flexores e o enfraquecimento dos músculos que atuam em oposição gravidade, mantendo a cabeça e os músculos que suportam a coluna, restringem a expansão do tórax e do diafragma, resultando na postura encolhida estereotipada do idoso.

As alterações biológicas do envelhecimento modificam a função ventricular, com prolongamento do tempo de relaxamento e de contração dos ventrículos, redução da resposta do sistema nervoso simpático e redução da complacência do ventrículo esquerdo com aumento da impedância periférica. O coração do idoso apresenta declínio na resposta estimulação adrenérgica e acentuação da sensibilidade aos betabloqueadores e aos bloqueadores de cálcio. Há redução do número de mitocôndrias por peso e volume, que contribui para a redução do desempenho mesmo com o órgão intato.

A automaticidade espontânea e o número de células de marcapasso no nó sinoatrial e nas ramificações da rede de Purkinje declinam com a idade, uma alteração que pode contribuir para a exacerbação da arritmogênese e bradicardia. A velocidade de condução do impulso elétrico é mais lenta no nó atrioventricular e nas regiões juncionais. O coração do idoso contrai e relaxa mais lentamente, com muita probabilidade devido ao decréscimo da liberação de cálcio e sua menor remoção pelo retículo sarcoplasmático.

O colágeno do miocárdio torna-se mais exuberante e aumenta a rigidez do coração, reduzindo sua complacência diastólica, mais do que a contratilidade, durante a sístole. A degeneração das estruturas fibrosas de suporte do coração e a calcificação da valva aórtica e do anel da valva mitral são freqüentemente associadas ao bloqueio de ramo do feixe de His, hemibloqueio ou bloqueio atrioventricular completo.

A pressão média aumenta progressivamente com a idade, como resultado do aumento da resistência periférica. Comumente, são observadas amplas flutuações da pressão arterial, como resultado de aumento da rigidez aórtica, neuropatia do sistema autonômico e redução da função barorreceptora. A hipertensão arterial e a hipotensão ortostática podem coexistir no mesmo paciente, sendo a primeira a causa mais freqüente de insuficiência cardíaca congestiva do idoso.

A função pulmonar decresce com o envelhecimento, mas os fatores ventilatórios, na ausência de doença pulmonar coexistente, em geral não limitam a capacidade de trabalho físico.

A doença cardiovascular, em especial a doença coronária, tem maior prevalência nos idosos, e é responsável por mais de dois terços das mortes cardíacas. A doença isquêmica do coração, tanto infarto agudo do miocárdio como doença coronária crônica, é o achado patológico mais comum nos pacientes idosos. Os sintomas da doença coronária podem ser bastante atípicos, pois a dor de angina clássica é mais uma exceção do que a regra. O estilo de vida sedentário, os problemas musculoesqueléticos e a artrite, presentes em muitos dos pacientes coronários tornam a dispnéia um sintoma mais freqüente do que a angina induzida pelo esforço na isquemia miocárdica. O infarto do miocárdio ou a morte súbita são, em geral, as manifestações clínicas iniciais da doença coronária do idoso, freqüentemente precipitados por hemorragias agudas, hipotensão, hipóxia, arritmia, infecção e durante atos cirúrgicos.

Os pacientes idosos com infarto agudo do miocárdio têm mortalidade maior, e mesmo nos infartos considerados de baixo risco há maior incidência de choque cardiogênico e ruptura do miocárdio.

O achado de sopro sugestivo de estenose aórtica é freqüente, e na maioria das vezes está associado redução do orifício da valva aórtica devida calcificação, valva aórtica bicúspide e doença valvar aórtica degenerativa. À semelhança dos mais jovens com estenose aórtica, a ocorrência de síncope, angina ou insuficiência cardíaca congestiva tem mau prognóstico e indica mortalidade elevada.

A regurgitação da insuficiência aórtica é a lesão valvar mais freqüente no idoso, podendo ocorrer como lesão isolada resultante de degeneração mixomatosa da valva, ou pode estar associada a estenose aórtica ou doença valvar mitral. O aparecimento de angina do peito e fibrilação atrial freqüentemente indica evolução rápida, com deterioração clínica.

A endocardite bacteriana é cada vez mais freqüente nos idosos, mesmo sem os pré-requisitos de doença valvar preexistente. A infeção por enterococos tornou-se prevalente devido elevada incidência de desordens urológicas. O Streptococcus viridans é menos freqüente como agente causador de endocardite, pois a maioria dos idosos é desprovida de dentes.

A reabilitação cardiovascular tornou-se um componente aceito nos cuidados dos pacientes após infarto do miocárdio e cirurgias cardíacas, bem como em outras lesões cardiovasculares. No sentido mais amplo, todos os tipos de tratamento, como educação, aconselhamento, nutrição e treinamento físico são combinados para compor a reabilitação. Todas essas técnicas têm a finalidade de ajudar os pacientes, dentro de suas possibilidades, a retornar ao estilo de vida normal.

O efeito adverso do repouso no leito, mesmo por alguns dias, é mais evidente nos idosos. A mobilização precoce previne a intolerância ortostática, pois a posição vertical limita a ocorrência de hipovolemia e de taquicardia reflexa.

Referências:
Ostfeld AM, Bortnichak E. Classification and prevalence of heart disease in the elderly. In: Luchi RJ, ed. Clinical Geriatric Cardiology. London: Churchill Livingstone, 1989;3.

Burke GL, Mamolio TA. Epidemiology of established major cardiovascular risk factors. In: Kapoor AS, Singh BN, ed. Prognosis and Risk Assessment in Cardiovascular Disease. New York: Churchill Livingstone, 1993;61.

Timiras PS. Cardiovascular alterations with age. In: Timiras PS, ed. Physiological basis of geriatrics. New York: MacMillan, 1988;268.

Harris R. Fitness and the aging process. In: Harris R, Frankel L, eds. Guide to Fitness after Fifty. New York: Plenum Press, 1977;3.

Moss AJ. Diagnosis and management of heart disease in the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;66.

Harris R. Exercise and physical fitness for the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;87.

Wenger NK. Elderly coronary patients. In: Wenger NK, Hellerstein HK, eds. Rehabilitation of the Coronary Patient. New York: Churchill Livingstone, 1992;415.

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5 Comentários »

  1. maria angelica aparecida mezadre comenta:

    4 Junho, 2008 @ 09:10

    Bom Dia!
    Por gentileza gostaria muito que fosse lido e explicado o que se segue abaixo:
    Minha mãe,tem 77 anos de idade, em 18/04/2007, foi operada da mama esquerda, tirou um quadrante de mama proveniente de um cancer, no hop. IBCC/SP, ela tem um problema cardiaco, fazendo uso de remedios tambem para pressão alta, labirintite e do cancer,agora no mes de maio ela apresentou um quadro de pneumonia, e ontem 03/06/08, fui pegar o resultado do ecocardiograma e apresentou o seguinte diagnostico:ALTERAÇÃO DEGENERATIVA DA VALVA AÓRTICA E MITRAL.
    Agora ela vem apresentando depressão, falta de apetite, e até vontade de pegar na cozinha algo para se alimentar, pois ela diz que tem dores fortes por todo o corpo e sem vontade de andar e de nada.
    Temos levado aos medicos de cardiologia e do controle do cancer mensalmente, quase que obrigando-a pois ela não tem nem mais vontade para isto!
    Perguntas: Que devo eu fazer para levantar a auto estima de minha mãe? O cancer que ela teve é o culpado por todo esses quadros que ela esta apresentando atualmente?
    Desde já agradeço pela gentil atenção e espero que me respondam.
    Att.
    MARIA ANGELICA APARECIDA MEZADRE
    RUA DR. ESTEVÃO DE ALMEIDA 128-VILA CASCATINHA-SÃO VICENTE/SP-CEP 11.370-080
    FONE (13)-3561-6362.

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    4 Junho, 2008 @ 09:46

    Olá
    Maria Angelica,
    De uma forma geral todas as doenças crônica provocam nas pessoas um quadro de depressão, motivada pela sensação de invalidez e inutilidade. Nesses casos é importante um apoio psicológico, que ajuda na recuperação e estabilização do quadro clínico.
    Prof. Armando

  3. lAUZANIA fORENTE comenta:

    11 Junho, 2008 @ 14:40

    pOR GENTILEZA FIZ EXAMES , ECO CARDIOGRAMA E FOI DIAGNOSTICADO QUE TENHO COMPLACENCIA VENTRICULAR ESQUERDA, PASSEI NO CARDIO E ELE ME DISSE QUE NAO POSSO FAZER ATIVIDADES FISICAS NO MOMENTO , POIS SEMPRE FIZ E SOU OBESA NECESSITO DELAS , PODERIA ME DIZER O QUE TENHO REALMENTE E SE E RESTRITO ATIVIDADES FISICAS

  4. Olivia comenta:

    22 Agosto, 2008 @ 17:41

    eu melhorei muito de pois que eu vi esses recados
    bejos

  5. fatima comenta:

    13 Outubro, 2008 @ 10:24

    Mas afinal que doença é que os idosos têm????????????????

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