21 - abr
  

Doenças cardíacas no idoso

Categoria(s): Cardiogeriatria




Revisão

Autores:
Antonio Carlos Leitão de Campos Castro
Armando Miguel Junior

Resumo

O progresso das ciências da saúde aumentou a sobrevida média; como conseqüência, 12% da população têm idade superior a 65 anos e o grupo que mais cresce é o das pessoas com mais de 80 anos. É importante, do ponto de vista médico, considerar a avaliação do estado cardíaco e hemodinâmico, pois o envelhecimento do coração ocorre de uma forma lenta e progressiva, limitando as funções dos idosos. Seu tratamento deve ser particularizado, onde a fisioterapia reabilitatória é fundamental.

Introdução

O objetivo do bom atendimento geriátrico é a manutenção da função considerada ótima, devendo-se fazer o necessário do ponto de vista físico e social. A atividade física e o combate ao sedentarismo têm papel preponderante no bem-estar e na manutenção da capacidade funcional dos idosos. Observou-se relação inversa entre atividade física e incidência de doença isquêmica do coração. As doenças crônicas têm maior incidência nos idosos, principalmente as cardiovasculares e as neoplasias.

Os programas regulares de reabilitação, que incluem exercícios físicos, produzem efeitos fisiológicos benéfico, ajudando a manter capacidade funcional satisfatória e melhor qualidade de vida. Os fatores de risco para a perda da autonomia e da independência do idoso são relacionados à solidão, morar isoladamente, realocação recente, perda de cônjuge, pobreza, ausência de amigos ou parentes na proximidade, incontinência urinária, demência e perda das habilidades para as rotinas da vida diária, levando conseqüentemente à institucionalização.

A demência, a passividade e o quanto à atividade física e mental é encorajada são fundamentais na determinação do prognóstico da perda de independência, da morbidade e da mortalidade do idoso. As atividades básicas com o cuidado diário, como tomar banho, vestir-se, utilizar o banheiro, caminhar, grau de continência, pentear-se, comunicação e capacidade de se alimentar, devem ser cuidadosamente avaliadas. Para cada diagnóstico e terapêutica prescrita ao idoso, os mesmos devem ser avaliados funcionalmente, pois o impacto dos problemas sobre a vida diária será de importância decisiva na qualidade de vida do paciente. Deve-se evitar a multiplicidade de medicamentos. Os horários e os esquemas de medicação devem ser simplificados.

O idoso reduz involuntariamente seus níveis habituais de atividade, para o que concorrem vários fatores tais como depressão, instabilidade músculo-esquelética e outros problemas de saúde associados que limitam a mobilidade. A capacidade homeostática normalmente atinge seu máximo entre os 25 e os 30 anos; depois disso, ocorre declínio progressivo de cada parâmetro fisiológico. O desempenho cardiovascular declina progressivamente com a idade, e o indivíduo tem que conviver com um coração idoso somado à doença cardíaca.

Com a progressão dos anos ocorre redução da capacidade aeróbica, e isso é percebido pelo idoso como maior trabalho e maior cansaço na execução de tarefas usuais. Várias alterações físicas dos idosos são erroneamente atribuídas ao envelhecimento, quando são realmente decorrentes de distúrbios devidos a hipocinesia. O encurtamento dos músculos flexores e o enfraquecimento dos músculos que atuam em oposição à gravidade, mantendo a cabeça e os músculos que suportam a coluna, restringem a expansão do tórax e do diafragma, resultando na postura encolhida estereotipada do idoso.

As alterações biológicas do envelhecimento modificam a função ventricular, com prolongamento do tempo de relaxamento e de contração dos ventrículos, redução da resposta do sistema nervoso simpático e redução da complacência do ventrículo esquerdo com aumento da impedância periférica. O coração do idoso apresenta declínio na resposta à estimulação adrenérgica e acentuação da sensibilidade aos betabloqueadores e aos bloqueadores de cálcio. Há redução do número de mitocôndrias por peso e volume, que contribui para a redução do desempenho mesmo com o órgão intato.

A automaticidade espontânea e o número de células de marcapasso no nó sinoatrial e nas ramificações da rede de Purkinje declinam com a idade, uma alteração que pode contribuir para a exacerbação da arritmogênese e bradicardia. A velocidade de condução do impulso elétrico é mais lenta no nó atrioventricular e nas regiões juncionais. O coração do idoso contrai e relaxa mais lentamente, com muita probabilidade devido ao decréscimo da liberação de cálcio e sua menor remoção pelo retículo sarcoplasmático.

O colágeno do miocárdio torna-se mais exuberante e aumenta a rigidez do coração, reduzindo sua complacência diastólica, mais do que a contratilidade, durante a sístole. A degeneração das estruturas fibrosas de suporte do coração e a calcificação da valva aórtica e do anel da valva mitral são freqüentemente associadas ao bloqueio de ramo do feixe de His, hemibloqueio ou bloqueio atrioventricular completo.

A pressão média aumenta progressivamente com a idade, como resultado do aumento da resistência periférica. Comumente, são observadas amplas flutuações da pressão arterial, como resultado de aumento da rigidez aórtica, neuropatia do sistema autonômico e redução da função barorreceptora. A hipertensão arterial e a hipotensão ortostática podem coexistir no mesmo paciente, sendo a primeira a causa mais freqüente de insuficiência cardíaca congestiva do idoso.

A função pulmonar decresce com o envelhecimento, mas os fatores ventilatórios, na ausência de doença pulmonar coexistente, em geral não limitam a capacidade de trabalho físico.

A doença cardiovascular, em especial a doença coronária, tem maior prevalência nos idosos, e é responsável por mais de dois terços das mortes cardíacas. A doença isquêmica do coração, tanto infarto agudo do miocárdio como doença coronária crônica, é o achado patológico mais comum nos pacientes idosos. Os sintomas da doença coronária podem ser bastante atípicos, pois a dor de angina clássica é mais uma exceção do que a regra. O estilo de vida sedentário, os problemas musculoesqueléticos e a artrite, presentes em muitos dos pacientes coronários tornam a dispnéia um sintoma mais freqüente do que a angina induzida pelo esforço na isquemia miocárdica. O infarto do miocárdio ou a morte súbita são, em geral, as manifestações clínicas iniciais da doença coronária do idoso, freqüentemente precipitados por hemorragias agudas, hipotensão, hipóxia, arritmia, infecção e durante atos cirúrgicos.

Os pacientes idosos com infarto agudo do miocárdio têm mortalidade maior, e mesmo nos infartos considerados de baixo risco há maior incidência de choque cardiogênico e ruptura do miocárdio.

O achado de sopro sugestivo de estenose aórtica é freqüente, e na maioria das vezes está associado à redução do orifício da valva aórtica devida à calcificação, valva aórtica bicúspide e doença valvar aórtica degenerativa. À semelhança dos mais jovens com estenose aórtica, a ocorrência de síncope, angina ou insuficiência cardíaca congestiva tem mau prognóstico e indica mortalidade elevada.

A regurgitação da insuficiência aórtica é a lesão valvar mais freqüente no idoso, podendo ocorrer como lesão isolada resultante de degeneração mixomatosa da valva, ou pode estar associada a estenose aórtica ou doença valvar mitral. O aparecimento de angina do peito e fibrilação atrial freqüentemente indica evolução rápida, com deterioração clínica.

A endocardite bacteriana é cada vez mais freqüente nos idosos, mesmo sem os pré-requisitos de doença valvar preexistente. A infeção por enterococos tornou-se prevalente devido à elevada incidência de desordens urológicas. O Streptococcus viridans é menos freqüente como agente causador de endocardite, pois a maioria dos idosos é desprovida de dentes.

A reabilitação cardiovascular tornou-se um componente aceito nos cuidados dos pacientes após infarto do miocárdio e cirurgias cardíacas, bem como em outras lesões cardiovasculares. No sentido mais amplo, todos os tipos de tratamento, como educação, aconselhamento, nutrição e treinamento físico são combinados para compor a reabilitação. Todas essas técnicas têm a finalidade de ajudar os pacientes, dentro de suas possibilidades, a retornar ao estilo de vida normal.

O efeito adverso do repouso no leito, mesmo por alguns dias, é mais evidente nos idosos. A mobilização precoce previne a intolerância ortostática, pois a posição vertical limita a ocorrência de hipovolemia e de taquicardia reflexa.

Referências:

Ostfeld AM, Bortnichak E. Classification and prevalence of heart disease in the elderly. In: Luchi RJ, ed. Clinical Geriatric Cardiology. London: Churchill Livingstone, 1989;3.

Burke GL, Mamolio TA. Epidemiology of established major cardiovascular risk factors. In: Kapoor AS, Singh BN, ed. Prognosis and Risk Assessment in Cardiovascular Disease. New York: Churchill Livingstone, 1993;61.

Timiras PS. Cardiovascular alterations with age. In: Timiras PS, ed. Physiological basis of geriatrics. New York: MacMillan, 1988;268.

Harris R. Fitness and the aging process. In: Harris R, Frankel L, eds. Guide to Fitness after Fifty. New York: Plenum Press, 1977;3.

Moss AJ. Diagnosis and management of heart disease in the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;66.

Harris R. Exercise and physical fitness for the elderly. In: Reichel W, ed. Clinical Aspects of Aging. Baltimore: Williams & Wilkins, 1989;87.

Wenger NK. Elderly coronary patients. In: Wenger NK, Hellerstein HK, eds. Rehabilitation of the Coronary Patient. New York: Churchill Livingstone, 1992;415.

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9 Comentários »

  1. maria angelica aparecida mezadre comenta:

    4 junho, 2008 @ 9:10 AM

    Bom Dia!
    Por gentileza gostaria muito que fosse lido e explicado o que se segue abaixo:
    Minha mãe,tem 77 anos de idade, em 18/04/2007, foi operada da mama esquerda, tirou um quadrante de mama proveniente de um cancer, no hop. IBCC/SP, ela tem um problema cardiaco, fazendo uso de remedios tambem para pressão alta, labirintite e do cancer,agora no mes de maio ela apresentou um quadro de pneumonia, e ontem 03/06/08, fui pegar o resultado do ecocardiograma e apresentou o seguinte diagnostico:ALTERAÇÃO DEGENERATIVA DA VALVA AÓRTICA E MITRAL.
    Agora ela vem apresentando depressão, falta de apetite, e até vontade de pegar na cozinha algo para se alimentar, pois ela diz que tem dores fortes por todo o corpo e sem vontade de andar e de nada.
    Temos levado aos medicos de cardiologia e do controle do cancer mensalmente, quase que obrigando-a pois ela não tem nem mais vontade para isto!
    Perguntas: Que devo eu fazer para levantar a auto estima de minha mãe? O cancer que ela teve é o culpado por todo esses quadros que ela esta apresentando atualmente?
    Desde já agradeço pela gentil atenção e espero que me respondam.
    Att.
    MARIA ANGELICA APARECIDA MEZADRE
    RUA DR. ESTEVÃO DE ALMEIDA 128-VILA CASCATINHA-SÃO VICENTE/SP-CEP 11.370-080
    FONE (13)-3561-6362.

  2. Dr. Armando Miguel Jr comenta:

    4 junho, 2008 @ 9:46 AM

    Olá
    Maria Angelica,
    De uma forma geral todas as doenças crônica provocam nas pessoas um quadro de depressão, motivada pela sensação de invalidez e inutilidade. Nesses casos é importante um apoio psicológico, que ajuda na recuperação e estabilização do quadro clínico.
    Prof. Armando

  3. lAUZANIA fORENTE comenta:

    11 junho, 2008 @ 2:40 PM

    pOR GENTILEZA FIZ EXAMES , ECO CARDIOGRAMA E FOI DIAGNOSTICADO QUE TENHO COMPLACENCIA VENTRICULAR ESQUERDA, PASSEI NO CARDIO E ELE ME DISSE QUE NAO POSSO FAZER ATIVIDADES FISICAS NO MOMENTO , POIS SEMPRE FIZ E SOU OBESA NECESSITO DELAS , PODERIA ME DIZER O QUE TENHO REALMENTE E SE E RESTRITO ATIVIDADES FISICAS

  4. Olivia comenta:

    22 agosto, 2008 @ 5:41 PM

    eu melhorei muito de pois que eu vi esses recados
    bejos

  5. fatima comenta:

    13 outubro, 2008 @ 10:24 AM

    Mas afinal que doença é que os idosos têm????????????????

  6. Thais comenta:

    13 maio, 2009 @ 4:13 PM

    Olá

    gostaria de informações pois infelizmente a família sempre sente que nunca tem informações por completo quando se tem familiar na UTI.

    Minha bisa, de 85 anos teve um infarte e há 21 dias está internada, nesses dias ocorreram notícias animadoras e outras completamente desanimadoras. Ela teve um problemas de respiração devido ao infarte e também surgiu uma infecção no rim, mas tudo em poucos dias foi resolvido, os médicos falaram que ela respondeu a todos os remédios e estava bem, e concluíram que o cateterismo que já havia sido questionado a possibilidade de se fazer seria um risco desnecessário, dizendo que que os benefícios no caso dela não seriam muito e devido a idade é muito arriscado. Já havia até previsão de ela ir pro quarto e sair da UTI, havia cerca de dez dias e já havia acontecido tudo isso, surgiu então uma broncopneumonia mas em 3 dias os médicos também afirmaram que ela já havia respondido aos remédios e estava bem.Há 5 dias atrás, os médicos disseram novamente que seria possível que ela saísse da UTI assim que tirassem todos os remédios dela e assim que ela conseguisse respirar sozinha sem ajuda do oxigênio, foram tirados os remédios dela e ela estava conversando muito bem com todos, brincava, ria, e perguntava até de futebol, lembrava datas… enfim parecia bem. Hoje faz 21 dias desde que tudo começou, e infelizmente ao chegar no hospital tivemos uma surpresa, estávamos na esperança de ela ir para o quarto mas encontramos ela sem falar absolutamente uma palavra, sem abrir os olhos ou mesmo se mexer e os médicos falaram que ela já havia respondido a todos os medicamentos e melhorado de todos os problemas que haviam surgido nesses dias, mas ela não estava conseguindo manter sua oxigenação sem os aparelhos. Ela estava todos esses dias apenas com a máscara de oxigenação, mas hoje falaram que está preocupante e possivelmente tenham que “entubar” ela, porém os próprios médicos falaram que se ela for “entubada” não se livrara nunca mais dos aparelhos devido a idade dela. Toda a minha família não sabe o que pensar, se ela for entubada ela não sairá mais da UTI e se não for eles falaram que corre riscos, mas ninguém nos explica ao certo sobre a entubação. Queria um parecer sobre como é essa entubação, e qual as consequências para uma pessoa da idade dela.

  7. jocelina duarte comenta:

    7 outubro, 2010 @ 2:23 PM

    Olá minha mãe fez um eletrocardiograma e acusou bloqueio das ramificações esquerda ,é perigoso?? sendo que ela é diabetica e tem pressão alta ,alto nivel de trigliceridil e tem 69 anos gostaria que me informassem sobre a possibilidade de tratamento apenas com medicaçao sendo que eu acho o cateterismo muito perigoso ,aguardo resposta

  8. claudia carvalho comenta:

    4 fevereiro, 2011 @ 3:36 PM

    Olá! Minha mae tem 74 anos e ja uns 4 anos convive com efizema pulmonar grave, passa a noite no oxigenio que foi instalado em casa e durante o dia tbém tem ficar uma boa parte do tempo.As sente criser mto forte de falta de ar, a poucos dia sconsultou com seu medico ele pediu uma tomografia, e viu que ela tá com aneurima, ele encaminhou pra outro medico especialista em aneurisma no qual ele disse que ela precisa fazer um cateterismo urgente e ainda disse pra ela que se a veia dela estourar ninguem pode fazer nada por ela.E agora pergunto:
    Ela corre mto risco se fizer esse cateterismo ou o risco é maior se não fizer?
    Digo por causa da idade, do efizema que ja tem, tem pressão alta, ja ficou enternada varias vezes por causa de crise forte de falta ar. Ela só anda dentro de casa e cansa mto , não pode fazer movimentos pq a falta de ar aumenta…
    Não consegue se banhar sozinha e mesmo com ajuda sofre mto…
    O que vcs nos aconselham?
    Sejam rapidos na resposta por favor…
    Abraço e obrigada.

  9. Hilma B Alberton comenta:

    14 dezembro, 2011 @ 9:18 AM

    Meu tem angina está com 83 anos e precisa fazer um cateterismo. Estou com medo.
    Será narriscado, ou não. O medico cardiologista disse que o exame é seguro.
    Alguem pode me responder

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