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Abr
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Lipotímia nos idosos - Síncope
Categoria(s): Cardiogeriatria, Emergências, Neurogeriatria, Otogeriatria |
Resenha
Colaborador : Dr Antonio Cesar Antoniazzi
* Médico Pós-graduando Curso Saúde e Medicina Geriátrica Metrocamp
Lipotímia ou síncope é relato comum na prática médica, correspondendo a aproximadamente 1 a 6% das internações hospitalares e 3% dos atendimentos nos Pronto Socorros. Segundo o estudo Framinghan, 3% dos homens e 3,5% das mulheres apresentaram o quadro pelo menos uma vez em suas vidas, sendo que o primeiro episódio ocorreu geralmente por volta dos 50 anos. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém sua incidência aumenta com a idade.
Estudos específicos com idosos institucionalizados demonstram incidência anual de 6%. A recorrência é bastante elevada, e uma vez constatado um episódio, a probabilidade de recidiva é de 30%. A mortalidade é variável e está diretamente relacionada com a causa subjacente e a idade, sendo que as maiores taxas estão relacionadas com a síncope cardiogênica e mais de 60 anos. Deve-se ressaltar que a grande maioria dos episódios de síncope, apesar de evoluir com bom prognóstico, pode acarretar comprometimento na qualidade de vida e traumatismos, especialmente em indivíduos idosos.
A lipotímia é definida como a perda ou diminuição súbita e transitória da consciência, associada a perda do tônus postural (queda), seguida de uma recuperação espontânea depois de um tempo variável, dependendo da causa e outros fatores, sendo determinante a diminuição brusca do fluxo sanguíneo cerebral.
O fluxo sanguíneo cerebral (50 a 60ml/100g de tecido) é normalmente mantido por mecanismos intrínsecos cerebrovasculares, periféricos, e por mecanismos cardíacos compensatórios. Entretanto, em determinadas ocasiões, seja por redução do débito cardíaco, vasodilatação arterial ou depleção grave de volume (Ex.sangramentos, desidratação), a capacidade desses mecanismos pode ser excedida e a lipotímia ocorre.
Outro fator que merece atenção é a Hipotensão arterial ortostática, definida como a queda da pressão sistólica de 20mmHg ou mais e a pressão diastólica de 10mmHg ou mais, dentro dos 3 minutos após adotar a postura ortostática. A Hipotensão ortostática devida a falhas no sistema nervoso autonômico simpático, conhecida como Hipotensão neurogênica, decorre da incapacidade de aumentar a freqüência cardíaca e os níveis de noradrenalina ao adotar a posição ereta, o que ocorre em patologias neurodegenerativas e neuropatias periféricas que afetam as fibras autonômicas (Diabetes mellitus, Alcoolismo, Amiloidose, etc). As causas primariamente neurológicas relacionam-se aos ataques epiléticos, hipertensão intra-craniana e doenças vasculares cerebrais.
Na história clínica especial investigação deve ser feita quanto a presença de possíveis fatores desencadeantes do episódio de lipotímia, tais como, esforço físico, estresse emocional, mudança postural, como também o sexo, idade, a identificação de antecedentes, tipo de sintomas, sintomas premonitórios e durante o período de recuperação, o uso de medicamentos hipotensores, antidepressivos, hipoglicemiantes ou antecedentes mórbidos como diabetes, cardiopatia, epilepsia ou doenças vasculares cerebrais. A história clínica, portanto, deve ser a mais detalhada possível, com dados obtidos tanto do paciente como do acompanhante ou cuidador. Estes podem oferecer informações importantes com respeito a movimentos involuntários, palidez, sudorese ou cianose, freqüência do pulso ou valores da pressão arterial, confusão ou transtornos motores ou da linguagem depois da episódio, etc.
É de suma importância a avaliação clínica detalhada dos pacientes, visto que causas cardiovasculares, metabólicas e neurológicas devem ser descartadas nestes indivíduos.
A avaliação cardiológica é muito importante, pois a associação de lipotímia e doença cardiológica tem grande valor prognóstico, já que a mortalidade dos pacientes com lipotímia de causa cardíaca é de 18 a 33% se comparada com a mortalidade de 0 a 12% em pacientes com lipotímia sem cardiopatia, e de 1 a 6% nos casos de etiologia desconhecida. Na avaliação deve-se buscar doença estrutural do coração, quadros de arritmias mediante ECG (Holter eletrocardiográfico de 24 horas), estudos eletrofisiológicos e prova de esforço, e por último, a suspeita do seio carotídeo. O risco de morte súbita varia de 3 a 5%, maior nos casos de falência cardíaca avançada e menor nos casos de lipotímia de etiologia desconhecida.
Em grande porcentagem dos pacientes, a causa da lipotímia permanece indefinida, apesar dos esforços diagnósticos. Na maioria destes casos, trata-se de lipotímia neurocardiogênica (vasovagal), podendo ser detectado pelo teste da inclinação (Tilt table test).
Episódios de lipotímia são recorrentes em cerca de 30% dos pacientes com mais de 65 anos.
Sintetisando:
1. A Lipotímia ou Síncope é uma síndrome clínica que pode ter causas neurológicas, cardiovasculares e metabólicas.
2. Os mecanismos fisiopatológicos mais importantes são a diminuição brusca da pressão arterial, a queda do volume/minuto cerebral e transtornos metabólicos.
3. A hipotensão ortostática é outro mecanismo menos freqüente, mas de igual importância.
4. A correta avaliação clínica constitui a pedra angular para o diagnóstico.
5. Na avaliação do paciente, o médico se encontra envolvido em 4 problemas fundamentais: diagnóstico diferencial entre lipotímia e crise epilética, avaliação de doença cérebro-vascular, possibilidade de hipertensão intra-craniana e avaliação da hipotensão ortostática neurogênica.
6. A mortalidade do paciente com lipotímia de causa cardíaca é maior que a de pacientes por outras causas.
Referências:
1. Villamisar AB, Gómez JAR, Suárez ME, Cué MC - Síncope. Consideraciones diagnósticas. Revista Cubana de Medicina Militar vol.31, n.2 134-139, Ciudad de La Habana, abr-jun. 2002 [on line]
2. Sotolongo PC, Vilas LA, Mómpo GL, Carrillo PC, Carrillo CC - Manejo del síncope vasovagal en la atención médica primaria. Revista Cubana de Medicina General Integral, vol.19, n.3, Ciudad de La Habana, mayo-jun.2003 [on line]
3. Atualização Terapêutica 2003, Manual Prático de Diagnóstico e Tratamento, 21 edição, Editora Artes Médicas.
Tags: diabetes, disautonomia, hipotensão ortostática, lipotímia, síncope

Síncope nos idosos - Desmaio, perda da conciência comenta:
31 Maio, 2007 @ 09:22
[...] Veja mais [...]
Hipotensão ortostática comenta:
19 Setembro, 2007 @ 00:00
[...] O teste utilizado não só para o diagnóstico como também para avaliar a evolução é o teste “standing time”, que o tempo em que o indivíduo, partindo da posição supina, pode permanecer de pé e imóvel até o início dos sintomas. Quando o indivíduo e capaz de permanecer nesta posição por mais de três minutos, sem sintomas, considera-se que sua pressão se estabilizou. Veja mais [...]
Lorrane Moreira comenta:
29 Novembro, 2007 @ 13:16
Amei as informações…
Eu não sabia nada sobre este assunto,estav muito curiosa.Eu apresentei estes sintomas e o médico tem quase certeza de que é realmente lipotímia.Gostaria de que me dessem mais informações,pois tenho 15 anos e segundo o que li é mais comum em pessoas de mais idade.
Estou bastante preocupada,farei alguns exames para saber se realmente é lipotímia.
Obrigada pela atenção
Tania Tavares comenta:
26 Março, 2008 @ 09:50
A minha mãe está com 82 anos. É uma pessoa muito ativa, que faz hidroginástica três vezes por semana, caminha bastante, mas tem apresentado um quadro de elevação de pressão. Nessa semana da Páscoa, precisamente no Sábado, 22/03/08, depois de fazer uma longa caminhada sob um sol intenso, apresentou a seguinte reação: sentiu muito cansaço, sentiu necessidade de ir ao banheiro (diarréia) e depois foi colocada em um sofá deitada. Depois ela ficou sentada e com a cabeça baixa (pois disse que se sentia melhor assim). Eu sempre do lado dela, perguntando se estava sentindo alguma coisa, alguma dor. Ela dizia que não. Então ela ficou por uns 3 minutos assim de cabeça baixa, mas em dado momento, eu percebi que as mãos começaram a tremer. Então, tentei falar com ela, mas ela já estava completamente sem cor e sem nenhum movimento. Saiu de órbita. Entrei em pânico e chamei meus familiares. Levamos correndo para um hospital da região onde estávamos, que era em Itaboraí. Ali ela ficou sob observação. A pressão subiu muito. O hospital deu alta, mas a minha mãe apresentou queda de pressão e começou tudo novamente. Foi quando conseguimos levá-la para um Hospital no centro de Niterói (AMIL-HCN) e agora ela está lá. Segundo os médicos, depois de uma série de exames, constaram que ela teve uma Síncope e também problema relacionado com Seio Carotídeo. Agora estão querendo chegar a uma conclusão se vão colocar marca-passo ou não. Por isso estou aqui, hoje 26/03/08, pesquisando sobre isso. Agradeço pelas informações, mas ainda espero uma solução por parte dos médicos.
Romulo Silva comenta:
30 Outubro, 2008 @ 20:49
Apresento o quadro acima ha sete anos, ja procurei diversos medicos (cardiologista, neuro, geral, otorrino) o unico exame de que deu resultado positivo foi o tilt test, mas conforme o medico o unico tratamento que me passou foi 3 litros de agua por dia e exercicio postural por 20 minutos ao dia para tentar amenisar, mesmo assim tenho todos os dias os sintomas, minha qualidade de vida esta comprometida apesar de ser uma pessoa de 32 anos sem vicios e que pratica exercicios aerobico todos os dias, gostaria de receber informacoes que deram certo com outros.
Desde ja agradeço.