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Abr
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Pneumonia nos idosos
Categoria(s): DNT, Emergências, Infectologia, Pneumogeriatria |
Resenha
Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jovê Motti
* Médica Geriatra

Pneumonia significa inflamação aguda no parênquima pulmonar, causada por agentes bacterianos, viróticos, fúngicos, químicos ou físicos (1). Classificamos as pneumonias dos idosos de acordo com o local da aquisição, a presença de co-morbidade e a condição imunológica do hospedeiro, a partir desta classificação o tratamento com antibioticoterapia é escolhido, visto que o diagnóstico etiológico (o agente causador) só é diagnosticado em 50% dos caso.
Conforme o local de aquisição, as pneumonias, são classificadas em: adquiridas na comunidade; adquiridas no hospital e as adquiridas nas instituições asilares.
A definição de pneumonia adquirida na comunidade é aquela que acomete o indivíduo fora do ambiente hospitalar ou nas primeiras 48hs após a internação do paciente (2).
A incidência de pneumonias nos idosos aumenta durante os surtos de gripe, o que leva a um maior número de internações, por isso a importância da vacinação do idoso. Alguns estudos mostram que os idosos com pneumonia internam 3 a 4 vezes mais do que os adulto jovens com pneumonia adquirida na comunidade. Já as pneumonias em asilos são de 2 a 4 vezes mais freqüentes do que as adquiridas na comunidade.
Durante a internação, o paciente idoso tem maior chance de desenvolver infecção hospitalar. Entre as infecções hospitalares encontramos com uma maior freqüência as pneumonias, que no caso dos idosos, aumentam o tempo de permanência de internação e têm maior incidência de mortalidade.
No idoso o envelhecimento fisiológico do sistema respiratório e do sistema imunológico não leva ao quadro de pneumonia, entretanto se somarmos as demais doenças que agravam a perda da reserva funcional pulmonar e o tempo de exposição por exemplo ao cigarro, aumentamos o risco de adquirir a pneumonia.
Existe um grande número de fatores predisponentes para pneumonia nos idosos: tabagismo, desnutrição, DPOC, insuficiência cardíaca (IC), insuficiência renal, doença hepática crônica, diabetes, câncer, doença neurológica e psiquiátrica, medicamentos sedativos, alcoolismo, tubos endotraqueais e nasogástricos, cirurgia recente, incapacidade para as atividades de vida diária, internação em hospitais e asilos, gripe.
Quadro clínico de pneumonia no idoso pode apresentar-se atípico, com poucos sintomas ou apenas sintomas inespecíficos, como confusão mental, distúrbio do humor, incontinência, inapetência, emagrecimento, declínio funcional, síncope e quedas.
Febre – pode estar ausente entre 40% a 60% dos casos.
Tosse e dispnéia – presentes na maioria dos casos, porém com pouca expectoração.
Taquipnéia – um dos sinais inespecíficos, presente no quadro de pneumonia do idoso.
Confusão mental - com alta prevalência em idosos com faixa etária mais elevada, de 15% a 50% dos casos, sendo um indicativo de gravidade.
Declínio funcional – a dificuldade de realizar as atividades de vida diária pode estar presente em 50% dos casos. O declínio funcional, inapetência e o delírio são manifestações comuns na pneumonia adquirida nos asilos.
Os idosos com pneumonia também apresentam piora dos quadros das doenças crônicas como insuficiência cardíca, DPOC, Diabetes mellitus. Nos hospitais os idosos podem apresentar como quadro clínico o agravamento da insuficiência respiratória, a piora da função mental e a falência de múltiplos órgãos.
Os principais agentes etiológios de acordo com o local de aquisição são:
1. Pneumonias adquiridas na comunidade: Streptococcus pneumoniae; Haemophilus influenzae; bacilos gram-negativos (Klebisiela, Enterobacter, Pseudomonas, Acinetobacter); Cocos gram-negativos (Moraxella), Microorganismos atípicos (Mycoplasma, Legionella, Chlamydia, Coxiella); Staphylococcus aureus; Vírus da gripe (Influenza).
2. Pneumonias adquiridas no Hospital: Bacilos gram-negativos, Polimicrobiana, Streptococcus pneumoniae, Vírus da gripe, Microrganismos atípicos; Staphylococcus aureus; Anaeróbios.
3. Pneumonias adquiridas nas instituições asilares: Streptococcus pneumoniae; Polimicrobiana; Bacilos gram–negativos; Staphilococcus aureus; Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis; Anaeróbios; Microrganismos atípicos.
A avaliação diagnóstica inclui uma anamnese detalhada, principalmente com histórias anteriores de pneumonia, DPOC , internações anteriores, local onde vive e etc, a radiografia de tórax e um hemograma; já o diagnóstico etiológico é feito pelo exame bacteriológico da secreção pulmonar. Dependendo do quadro clínico como na septicemia podemos colher as hemoculturas, gasometria quando há insuficiência pulmonar, sorologia para vírus no caso das suspeitas etiológicas e demais exames específicos se necessário.
De acordo com todo o quadro clínico, mais a história de vida do paciente, suas condições sócio econômicas, os cuidados da família, a gravidade da doença, observamos o aumento do risco de mortalidade para o idoso e por este motivo podemos fazer uma avaliação do risco de pacientes para sabermos se o tratamento deve incluir a internação.
O diagnóstico diferencial de pneumonia no idoso deve incluir a insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio; tromboembolismo pulmonar; tuberculose; micoses e as neoplasias.
O tratamento da pneumonia no idoso começa pelas medidas de suporte como a hidratação, a nutrição e a oxigenação, preservar as funções cardiovascular e renal do idoso. Quando o paciente esta hospitalizado as medidas de prevenção das úlceras de pressão, da trombose venosa profunda, do delírio e do declínio funcional devem ser instituídas precocemente. Para o tratamento da pneumonias bacterianas consiste na administração de antibióticos nas primeiras 24hs, mesmo não sendo especificado o agente etiológico. A escolha baseia-se na idade do paciente, o local onde a infecção é adquirida, a possibilidade de aspiração, a presença de comorbidades, as condições imunológicas do paciente, e no caso dos hospitais nos germes mais comuns.
A prevenção da pneumonia do idoso é de extrema importância em saúde pública, devido à gravidade da infecção e a alta taxa de mortalidade. A vacinação contra a gripe, a vacinação contra o pneumococo e os cuidados gerais como a higiene oral, posicionamento correto no leito, manutenção do bom estado funcional, controle das doenças crônicas, realização de fisioterapia motora e respiratória, aporte ao familiar, são medidas específicas e por isso a necessidade de uma equipe multidisciplinar preparada para atuação na área de geriatria e gerontologia.
Referências:
1. Costa,E.F.A. - Pneumonias. Tratado de Geriatria e Gerontologia, cap42, pg.353 a 361,2002.
2. Abitbol,R.A. - Pneumonia Comunitária em Adultos, Rotinas de Clínica Médica, Medstudants, 2000. Costa, E.F.A., Pneumonias,Tratado de Geriatria e Gerontologia, cap.42, pg.353 a 361,2002.
Almada-Filho, C.M.A.;Gagliardi,A.M.Z.;Trembuch,M. - Infecções In: Ramos L.R. & Toniolo-Neto J (Cord) - Guia de medicina da UNIFESP - Geriatria e Gerontologia, cap 9, pg 121 a 127,2005.
Tags: asilo, klebisiela, legionella, pneumonia, pseudomonas

Roseli Deckert comenta:
8 Maio, 2007 @ 00:55
Necessito de doutrina médica que explique o cancer de mama pode ser causado por agente externo.(alimento, stress,etc)
Gta. Rose
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
13 Maio, 2007 @ 20:01
Rose,
Veja as páginas dos 9 de novembro 2006 e 01 de fevereiro deste ano com algumas informações a respeito.
Prof. Armando
Gunther Monteiro de Paula Guirado comenta:
27 Novembro, 2007 @ 19:35
Sou acadêmico de medicina e estudando pneumonia no idoso, encontrei este site, o que me forneceu dados sobre o assunto de forma prática e objetiva. Gostei muito e estarei sempre pesquisando por aqui. Obrigado pela gentileza Dra Mônica Cristine Jovê Motti!
Wilian Ramalho comenta:
6 Fevereiro, 2008 @ 03:46
Primeiramente gostaria de agradecer aos editores da home-page.
Meu avô está hoje com 93 anos de idade, foi fumante 81 anos e também alcoólatra 60 anos.
Ele começou a sentir-se mau, percebi que ele estava fazendo muita força para respirar e seus braços ficaram gelados e transpirava muito “nos braços” .
Levamos ele ao hospital contratamos um Médico e ele disse o seguinte: O pulmão dele esta fechando.
Não entendi muito. Voltamos no outro dia ele disse que meu avô também esta com pneumonia, ele esta fazendo muita força para respirar. Um detalhe que achei importante falar, ele esta bem lúcido falando e respondendo tudo.
Queria que os Senhores podiam me falar se há alguma esperança de sobrevivência ?
Eu sou leigo podem notar na minha forma de digitar esse texto, Na minha opinião
o “Hospital” ajuda a matar mais depressa o idoso por ser um ambiente contaminado
Digo isso porque eu acredito que quando um idoso é medicado com antibióticos ou qualquer medicamento ele se torna mais vulnerável a qualquer infecção isso é verdade ?
É possível dar um tratamento ao idoso com pneumonia em casa ?
Por que será que o medico disse: O pulmão do seu avô esta fechando!!!
Agradeço desde já a todos vocês
Tenho certeza que me ajudaram a entender isso.
Meu avô adoeceu dia 02/02/2008 e hoje dia 06/02/2008 ele ainda esta internado e com muitas dificuldades de respirar
Wilian Ramalho de Oliveira
Dr. Armando Miguel Jr comenta:
6 Fevereiro, 2008 @ 04:39
Wilian,
Por pulmão “fechado” entende-se que o oxigênio tem dificuldade de entrar no pulmão e “oxigenar” o sangue. Com isso a pessoa fica com muita dificuldade de respirar e se cansa muito facilmente. As causas são várias, mas as mais freqüentes são enfisema pulmonar e bronquite causada pelo cigarro. A infecção pulmonar (pneumonia) ocorre como conseqüência desta dificuldade de expandir o pulmão e eliminar as secreções. A idade, a desnutrição, a desidratação ajudam a piorar o quadro.
A medicina tem uma escala de gravidade para pneumonia que auxilia o médico em tomar a conduta de: tratar na UTI, na enfermaria ou em casa (Home-care).
Acredito que os médicos que estão assistindo o seu avó estão fazendo o máximo para cura-lo. Mas, o nosso tempo de vida só Deus sabe.
Anderson Monma comenta:
18 Março, 2008 @ 18:11
Olás ! A fim de entender melhor o que se passa com meu pai, encontrei este site, que me proveu de valiosas informações acerca do quadro clínico em que se encontra. Apenas para resumir a história, após sua internação motivada por um exame de cateterismo indicando diversos vasos sangüíneos bloqueando o fluxo de sangue para seu coração foi detectada uma infecção por Staphylococcus aureus, o que motivou o inchaço na perna direita dele, com aparecimento de várias feridas. Após 15 dias de tratamento, esta infecção já regrediu a ponto de não se encontrar mais a perna inchada. O tratamento dele é um pouco mais lento por ser já transplantado renal (5 anos) e safenado (7 anos) onde o uso de oxacilina (?) foi ministrado em doses que não comprometessem o rim. Entretanto, apesar desta regressão, meu pai agora (2 dias) foi acometido por uma broncopneumonia contraída na enfermaria, sendo que o médico o removeu para a UTI, e nos informou que o tempo de tratamento dele ainda levará uns 15 dias. Tenho acompanhado diariamente as visitas e vejo que meu pai (66 anos) sente-se cansado (respiração ofegante - pressão 13×8 - 70 bpm média) e um pouco impaciente, pois 23 dias antes, ele mesmo chegou ao hospital andando para fazer o exame de cateterismo e hoje não consegue sequer descer do leito. Apenas como orientação, gostaria de saber: 1) que tipo de recomendações poderiam ser dadas a mim e minha mãe para contribuir com a regressão e diminuição de risco de outras infecções afetarem meu pai? 2) em geral, o tratamento destas infecções leva semanas ? 3) É grande o risco de descompensação ? Apenas para concluir, é difícil aceitar que meu pai chegou para um procedimento de angioplastia e ainda não o pode fazer por causa das infeccções (23 dias).
Mirtes comenta:
18 Maio, 2008 @ 09:04
Dr. Willian,
Gostaria de saber que cuidados devo tomar com uma criança de 2 anos com pneumonia, se posso lavar o cabelo.
Obrigado.
Rosiani Silva comenta:
21 Julho, 2008 @ 10:34
Bom Dia!
Tenho ASMA, desde os 18 anos e de janeiro de 2008 pra cá tenho piorado muito hoje tenho 37 anos e faço tratamento com “bombinhas” indicado pelo meu médico pneumologista, mas gostaria de saber pq fui diagnosticada como PULMÃO FECHADO, , através de um exame q fiz TESTE PULMONAR e gostaria de saber o que é exatamente isso e qual o melhor tratamento indicado.
Obrigada por enquanto,
Atenciosamente,
Rosiani Silva
Viviane Manhães de Almeida comenta:
19 Setembro, 2008 @ 23:49
Boa Noite!!
Meu está com elevaçâo de pressão indo 19/11 e cuspindo sangue quando a pressão eleva e o médico disse que ele está com pneumunia preocupante.
Simone comenta:
28 Setembro, 2008 @ 01:11
Meu marido está há duas semanas com febre de 39 graus e a febre ñ abaixa.
Foi diagnosticado que é pneumonia.
Está fazendo uso de antibióticos.
É normal essa febre ñ passar?
Vera comenta:
17 Novembro, 2008 @ 11:37
Meu pai caiu e bateu a cabeça (01/11), foi levado ao P.S. mas estava bem consciente, a partir de então ñ está mais como antes, fala com dificuldades, fazendo a tomografia diagnosticaram um coágulo no cérebro e por conta disso estava perdendo a coordenação como da fala, da respiração, então “entubaram” ele, o médico disse q a entubação era pelo motivo de evitar que ele se engasgasse com a própria lingua. Na mesma semana foi diagnosticado uma pneumonia, foi tratada com antibiótico. Mais ou menos no dia 12/11 ele apresentou melhoras, tiraram o tubo de oxigênio e no dia 14/11 foi levado para o quarto normal. Ele está com muita secreção então usavam uma mangueirinha para retirá-la, ele está tossindo expectorando pouco, perdendo o fôlego, cansado, porém ainda com pneumonia, levaram-no novamente para a U.T.I. e o médico disse que enviou ele para o quarto normal para que pudesse ficar ao lado dos familiares, poi se algo acontecer na U.T.I. ele estará com pessoas estranhas… Eu sou filha e entendam minha dor, é difícil admitir, mas o médico quis dizer que meu pai está em fase terminal? A Pneumonia no caso dele não tem cura? Por favor estou desesperada e se tiver algum médico especialista nesta área tiver a boa vontade de esclarecer uma pessoa deseperada, vou deixar meu e-mail: vera_fenix@hotmail.com - Agradeço desde já!
Vera comenta:
17 Novembro, 2008 @ 11:39
“Acrescentando”
Meu pai tem 82 anos e ele retornou à U.T.I. na madrugada de 17/11.