Abr
08

Cuidados Paliativos - Ensino e educação

Categoria(s): Gerontologia, Programa de saúde, Tanatologia


terminal

Resenha

Colaboradora : Vera Regina Tufaile Kovask *

* Enfermeira e Gerontóloga

Preocupada com o ensino e com a assistência ao paciente terminal nos Estados Unidos, em 1997, a American Association of Colleges of Nursing (AACN) realizou uma mesa redonda, na qual participaram enfermeiras especialistas e outros profissionais da área da saúde, para discutir os cuidados no final da vida. As orientações desenvolvidas por elas, o Peaceful Death: Recommended Competencies and Curricular Guidelines for End-of-life Nursing Care”, são consideradas as declarações definitivas sobre o assunto. O documento determinou o conhecimento da enfermagem e as habilidades necessárias para o cuidado no fim da vida e identificaram temas que podem ser integrados ao currículo de enfermagem. (1).

Em relação ao ensino, todas as escolas de Enfermagem e de Medicina do Reino Unido incluem os cuidados paliativos como conteúdo de seus currículos, além de serem o eixo norteador de programas de pós-graduação (2).

Tratando-se do ensino de cuidados paliativos no Brasil, tanto nos cursos de Enfermagem como nos da Medicina, a literatura é limitada. Sabe-se que em algumas escolas este tema é abordado. Por exemplo, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) há uma disciplina eletiva que é ministrada por médicos e outros profissionais, o que caracteriza um programa multiprofissional.

O realizador dessa experiência pioneira é o médico Marco Túlio de Assis Figueiredo, professor da disciplina de Cuidados Paliativos e sócio-fundador da International Association for Hospice and Paliative Care, que teve início de duas atividades em novembro de 1994, com um curso para universitários e leigos interessados no tema (3).

No âmbito da Enfermagem, foi a Professora Cibele Andruciole de Mattos Piementa, docente do curso de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), tem difundido a inclusão dos cuidados paliativos nos cursos de graduação em enfermagem e á referência nacional no manejo de dor aguda e crônica.

Se os estudantes da área de saúde que tiverem, durante o desenrolar do curso, vivências de práticas no domicílio, tais como: promoção saúde, prevenção das doenças e atendimento da pessoa doente, eles terão uma experiência riquíssima, ao contextualizar a sua aprendizagem. Na proximidade com o paciente em sua própria casa, poderão perceber a influência das relações familiares no cuidar, identificar as necessidades físicas, sociais, econômicas, espirituais e emocionais. As práticas desenvolvidas nos domicílios permitem que os futuros profissionais se tornem mais maduros, reconhecendo as condições de vida da população atendida por eles, e mais sensíveis s dificuldades e ao sofrimento, concluindo que o seu atuar poderá fazer a diferença na manutenção da saúde para viver, assim, como na preparação e aceitação para o morrer.

Cuidados Paliativos no Brasil

Como já foi dito, o professor Figueiredo tem sido incentivador do ensino dos cuidados paliativos e da criação de serviços de cuidados no Brasil. Entre eles, consta o seu próprio ambulatório na UNIFESP; o Ambulatório em Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e o da Unidade de Cuidados Paliativos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

Os serviços já citados acima, na maioria das vezes, iniciaram suas ações com o controle da dor e, posteriormente incluíram os cuidados paliativos entre os seus serviços disponibilizados. Eles estão inseridos em instituições hospitalares públicas e clínicas privadas (4).

Foi fundada em 1997 a Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), na cidade de São Paulo, para agregar os profissionais atuantes em cuidados paliativos. Participam dessa associação: médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, religiosos, nutricionistas, entre outros (4).

Os objetivos da ABCP são: proporcionar a vinculação científica e profissional equipe da saúde que estuda e pratica as disciplinas ligadas aos cuidados nas enfermidades crônico-evolutivas, em fase avançada e na terminalidade; aperfeiçoar a qualidade da atenção aos enfermos; fomentar as pesquisas no campo dos cuidados paliativos por meio de congressos, seminários, conferências, visando elevar o nível técnico-científico de todos os profissionais da saúde; desenvolver, assessorar e prestar assistência técnica sobre conteúdo, programas curriculares e acadêmicos da educação na área da saúde; estudar e discutir problemas éticos e suas implicações na prática dos cuidados paliativos, e promover o bem estar da comunidade, preservando a melhoria da qualidade de vida dos enfermos, nos diversos níveis de saúde (4).

Legislações sobre o assunto

Oficialmente, os cuidados paliativos foram considerados uma exigência a partir da Portaria n° 3.535, de dois de setembro de 1998, que estabelece para cadastramento de centros de atendimento em oncologia (Centro de Alta Complexidade em Oncologia I – CACON I), enfatiza o trabalho multiprofissional integrado e insere outras modalidades assistenciais, como o serviço de cuidados paliativos.

A portaria que amplia a inserção de cuidados paliativos é a Portaria n° 19, de três de janeiro de 2002, que institui, no âmbito do Sistema único de Saúde, o Programa Nacional de Assistência a Dor e Cuidados Paliativos e traz no Artigo 1°, item b a afirmação: “Estimular a organização de serviços de saúde multidisciplinar para a assistência a pacientes com dor e que necessitam de cuidados paliativos…”.

A Portaria n° 1 .3.19/GM, de 23 de julho de 2002, que criou, no âmbito do Sistema único de Saúde, os Centros de Referência em Tratamento da Dor, E A Portaria n° 881, de 19 de julho de 2001, que instituiu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, são importantes, pois subsidiam e estimulam a criação e implementação de serviços de cuidados paliativos no país.

Por serem recentes as exigências formais do Ministério da Saúde relativas implantação do serviço de cuidados paliativos nas instituições de saúde de atendimento ao paciente portador de câncer, é possível afirmar que os cuidados paliativos no Brasil ainda são incipientes (5,6).
Referências:

1. Ferrel BR, Coyle, N. An overview of palliative nursing care. American Journal Nursing, V 102, n.5 p.26-32,2002.
2. Twycross, R. Medicina Paliativa: filosofia y consideraciones éticas. Acta Bioethica, v.6, n.1, p.27-46, 2000.
3. Figueiredo MTA – Educação em cuidados paliativos: uma experiência brasileira. O Mundo da Saúde, São Paulo, v.27, n1. p165-170. jan/mar. 2003.
4. Caponero, R. Muito além da cura de uma doença, profissionais lutam para humanizar o sofrimento humano. Prática Hospitalar, São Paulo, n.21, p. 29-34, mai-jun, 2002.
5. Rodrigues, IG.; Zago, MMF. Enfermagem em cuidados paliativos. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 27, n.1, p.89- 92, jan/mar 2003.
6. Centro Universitário São Camilo [on line]

Indique esse artigo Indique esse artigo


1 Comentário »

  1. Milton Prudente comenta:

    6 Janeiro, 2008 @ 13:30

    Boa Tarde.

    Inicialmente gostaria de parabenizá-los pelo site.
    Bem estruturado e funcional.
    Sou médico oncologista e ex-residente do Prof. Marco Tulio A. Figueiredo ( quando no Hospital A.C. Camargo de SP )., gostaria de atualizar o endereço do Prof. Marco, para contato via e-mail ou telefônico.
    Atenciosamente e grato.
    Milton Prudente
    Diretor Clínico da Neoclinica Oncologia - Juiz de Fora - MG.

RSS Feed for comments on this post · TrackBack URI

Deixe seu comentário aqui !