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Abr
06
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Coração senil - Presbicárdia
Categoria(s): Cardiogeriatria, Fisioterapia |
Resenha
O envelhecimento é um processo único e inexorável caracterizado pela redução gradativa da capacidade dos vários sistemas orgânicos em realizar eficazmente suas funções, associado ao estilo de vida do indivíduo. As doenças cardiovasculares são as principais causas de morbidade e mortalidade nesta faixa populacional.

As principais alterações que ocorrem com o processo de envelhecimento e estão relacionadas aptidão física são:
• Variáveis antropométricas (incremento do peso e da adiposidade corporal, afetando o índice de massa corpórea -IMC; diminuição da densidade óssea; redução da massa livre de gordura, nas variáveis metabólicas (decréscimo da potência aeróbia e redução do consumo máximo de oxigênio).
• Variáveis neuromotoras (diminuição da flexibilidade; redução do número de unidades motoras; diminuição da força de membros inferiores maior que de membros superiores; diminuição do número de fibras musculares, essencialmente do tipoII b.
Dentro destas variáveis, a diminuição da força muscular é, entretanto, um dos fatores que está mais diretamente relacionado com a independência funcional em pessoas idosas, podendo significar a diferença entre uma vida autônoma ou não. A importância da função muscular na autonomia do idoso reside no fato da força associar-se inegavelmente a uma grande quantidade de atividades cotidianas. A reserva funcional de certos indivíduos de idade avançada é por vezes tão baixa que atividades aparentemente fáceis e comuns como se vestir, tomar banho, passear pela rua, preparar sua própria refeição e se alimentar sozinho se tornam bastante difíceis.
O coração é o único órgão que com o envelhecimento não só não se atrofia mas, pelo contrário, se hipertrofia. Esta hipertrofia decorre do aumento da pós-carga associada ao envelhecimento, decorrente primordialmente do enrijecimento arterial. Na realidade, a alteração mais relevante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento se dá na realidade no sistema vascular e não propriamente no coração. Da segunda sexta década de vida a resistência vascular sistêmica aumenta cerca de 20%; no entanto, os componentes pulsáteis da pós-carga aumentam 140%. Este aumento decorre do enrijecimento arterial resultado do desgaste físico das fibras de elastina nas paredes vasculares ao longo do tempo, aos quais vão se rompendo e são substituídos pelas menos distensíveis fibras de colágeno. O enrijecimento das artérias acarreta no desenvolvimento de maior pressão na aorta para um mesmo volume sistólico ejetado, além de acelerar a velocidade que a frente de onda de pressão se propaga pelo sistema vascular, resultando em maior pressão arterial sistólica.
Outra alteração significante que ocorre no sistema cardiovascular com o envelhecimento é a diminuição da resposta β adrenérgica em todo o sistema cardiovascular: a resposta cronotrópica é diminuída, a resposta inotrópica é diminuída e a capacidade de vasodilatacão é diminuída.
Em termos funcionais, o envelhecimento se caracteriza por diminuição da reserva funcional dos diversos órgãos e sistemas. No sistema cardiovascular, isto se manifesta pela manutenção da função da bomba cardíaca em repouso. Deste modo, em repouso, o débito cardíaco (DC) e a fração de ejeção do VE não se alteram com o envelhecimento. NO entanto, a capacidade de aumentar o débito cardíaco e a fração de ejeção com o estresse, por exemplo, durante o exercício, é limitada.
Esta capacidade de exercício é mensurada pelo consumo máximo de oxigênio, que por sua vez depende da capacidade de geração de débito cardíaco e da capacidade de extração de O2 pela musculatura esquelética (VO2= DC X CavO2). O DC, por sua vez, depende do volume sistólico gerado e FC (DC= VS X FC). A capacidade de elevar a FC é limitada no idoso pela diminuição da resposta β- adrenérgica. A elevação do débito cardíaco fica assim mais dependente do aumento do volume sistólico e isto no idoso é alcançado através do emprego do mecanismo de Frank- starling. O coração do idoso se dilata durante o exercício para aumentar o volume sistólico e compensar, desta maneira, a limitada capacidade de elevar a FC.
Referências:
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DOUGLAS, Roberto e Cibele A. Fabichack. Tratado de Fisiologia Aplicada Ciência da Saúde: 4ª edição. São Paulo: Robe, 1996.
GUYTON, Artur C. Tratado de Fisiologia Médica: 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1992.
KISNER, Carolyn; LYNN, Allen Colly. Exercícios Terapêuticos: 2ª edição. São Paulo: Manole, 1992.
MCARDLE, Willian D.; KATCH, Frank I.; KATCH, Victor L. Fisiologia do exercício: 4ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.
