Arquivo de Abril, 2007

30
Abr

 A renda do idoso

Categoria(s): Conceitos, Demografia, Gerontologia, Programa de saúde

Editorial

Para entendermos a renda do idoso, devemos observar que os idosos apresentam-se em grupos distintos; os idosos independentes; os dependentes; os em atividade; e a classe social.

A pesquisa “Saúde na Terceira Idade: A Fonte da Juventudeâ€, iniciativa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), compara o estado de saúde da população idosa de baixa de renda com os demais segmentos da sociedade, antes e depois da criação dos programas de transferência de renda. Os dados revelam que no período analisado - 1998 a 2003 - os idosos brasileiros não só passaram a viver mais, como em melhores condições.

Idoso saudável em atividade

De acordo com o IBGE, idoso em atividade representa quase um terço dos 14,5 milhões de brasileiros com mais de 60 anos. Vemos que para eles a vida nessa fase, chega à maturidade financeira, os filhos não dependem mais do seu salário ou estão casados e, mesmo aposentados. A dupla receita,da pensão e do trabalho, pode explicar o fato de que os trabalhadores entre 60 e 64 anos estão nas faixas mais altas de renda.

Em 2003, a participação das pessoas com mais de 60 anos na população econômicamente ativa na região metropolitana de São Paulo, era de 21,9%, segundo levantamento do Dieese e da Fundação Seade. Esse percentual tem se mantido nos últimos anos.

Suas atividades estão concentradas no setor de serviços (52,8%) e no comércio (22,3%). Na indústria, a participação é menor, 11,9%. “Esses números mostram que, para melhorar a renda, o aposentado volta para o mercado de trabalho. Os idosos trabalhadores com mais de 60 anos, 43,9% são autônomos; 31,4%, assalariados; 9,8%, empregados domésticos e 9,7%, empregadores.

Para os homens na faixa etária entre os 65 e os 69 anos, as receitas provenientes de aposentadoria representam apenas 58% da renda pessoal, para uma jornada semanal de trabalha de pelo menos 40 horas

Depois dos 80 anos, os idosos que trabalham o fazem, em média, 32 horas por semana.Esse esforço, no entanto, gera uma receita apenas complementar de 20%, sendo que, 80% da renda pessoal mensal dos homens vêm da aposentadoria.

Essa prática, de o aposentado trabalhar, foi também quantificada pela pesquisa e revelou-se muito difundida. Nada menos que 73,97% dos idosos que trabalham ou que estão procurando emprego, ou seja, que fazem parte da PEA (População Economicamente Ativa), são aposentados.

Dieese e Seade também constataram que o assalariado com mais de 60 anos fica mais tempo no emprego (146 meses) do que assalariados de outras faixas etárias (112 meses, na média).

Os idosos de baixa renda

A pesquisa do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV) relaciona a melhora no estado de saúde dessa parcela da população – os idosos de baixa renda – à ampliação e adoção de uma série de programas de transferência de renda, em escala nacional, voltados para essas pessoas. Algumas das mudanças apontadas são, por exemplo, em 1998, a redução da idade mínima para recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC – Lei Orgânica de Assistência Social), de 70 para 67 anos, e, depois, para 65 anos.

No ano seguinte, 1999, veio a Política Nacional de Saúde do Idoso, promovendo medidas preventivas e atendimento multidisciplinar, junto a uma participação mais ativa do Programa de Saúde das Famílias. Outra novidade apontada foi a criação do Estatuto do Idoso, em 2003.

O estudo, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), mostra que o volume de todos os benefícios previdenciários cresceu 44% entre 1997 e 2003. Para os idosos pobres, o número de Benefícios de Prestação Continuada e a Renda Mensal Vitalícia subiu 72,9%, no mesmo espaço de tempo. Somado a isso, houve o aumento real do salário mínimo correspondente ao piso dos benefícios previdenciários em 22,3%.

Esses aumentos geraram um outro fenômeno: a renda familiar per capita, para pessoas acima de 60 anos, subiu 43%, entre 1991 e 2003. Já para pessoas entre 20 e 29 anos, o aumento foi só de 19,3%, no mesmo período (Figura). Isso significa que, nos últimos anos, os idosos brasileiros se tornaram os principais provedores de renda familiar, passando a ter uma importância maior na família.

renda

A influência direta ou indireta desses acréscimos na renda são o principal objeto de análise da pesquisa. Os três principais indicadores observados foram: a auto-avaliação subjetiva do estado de saúde, a freqüência que a pessoa ficou acamada e o acesso a plano de saúde. A trajetória desses indicadores revelou que houve uma desaceleração na tendência natural de piora dos mesmos, fruto do processo de envelhecimento. Ou seja, “tudo se passa como se o relógio biológico percebido pelos próprios idosos tivesse andado mais devagarâ€. Atualmente, a estimativa de vida de um brasileiro é 71,2 anos, contra os 62,2 anos alcançados há 25 anos. A população brasileira tem vivido em média 21,1 anos a mais.

Em números, observa-se que, em 1998, 45% das pessoas de 61 a 65 anos auto-avaliaram seu estado de saúde como bom ou muito bom. Cinco anos depois, esse mesmo grupo, já com idade entre 66 e 70 anos, manteve praticamente o mesmo percentual, 44%. Nessa mesma faixa etária, em 1998, a avaliação positiva era de 40%, sugerindo uma melhoria na trajetória do ciclo de vida .

A queda no número de acamados entre as populações com idade mais avançada também foi constatada pela pesquisa. Em 1998, os dados mostravam que 7,4% dos brasileiros, entre 61 e 65 anos, estavam acamados. Porém, em 2003, já com 66 a 70 anos, o número de acamados foi de 7,02%. Neste indicador, seguindo a analogia do relógio biológico associado aos problemas de saúde advindos da idade, o ponteiro parece ter andado para trás.

Quanto ao acesso aos planos e serviços de saúde, os dados também apontam melhorias. Na faixa etária que vai de 61 a 64 anos, a porcentagem subiu de 27,7%, em 1998, para 29,4%, em 2003. Esse ganho no acesso a planos privados de saúde é coerente com os ganhos na renda dos mais velhos.

Referência:

Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV) [on line]

Veja Também:
Envelhecimento Ativo
Mutilação dentária nos idosos
Ãndice de desenvolvimento humano
Depressão presente na vida do idoso.
Violência contra idosos - Morte por causas externas
Papel do suporte familiar ao idoso

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29
Abr

 Pneumonia nos idosos - Antibioticoterapia

Categoria(s): DNT, Emergências, Infectologia, Pneumogeriatria

Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jovê Motti

* Médica Geriatra

O tratamento das pneumonias comunitárias bacterianas no idoso começa pelas medidas de suporte como a hidratação, a nutrição, a oxigenação e controle das funções cardiovasculares e renal. Como não podemos deixar o paciente sem cobertura antibiótica, nas primeiras 24hs, mesmo não sendo especificado o agente etiológico, deve-se iniciar a antibioticoterapia baseada na idade do paciente, no local onde a infecção foi adquirida, na possibilidade de ter ocorrido aspiração de secreção da orofaringe, na presença de comorbidades, nas condições imunológicas do paciente.

Agentes etiológicos

Os principais agentes etiológios de acordo com o local de aquisição são:
1. Pneumonias adquiridas na comunidade: Streptococcus pneumoniae; Haemophilus influenzae; bacilos gram-negativos (Klebisiela, Enterobacter, Pseudomonas, Acinetobacter); Cocos gram-negativos (Moraxella), Microorganismos atípicos (Mycoplasma, Legionella, Chlamydia, Coxiella); Staphylococcus aureus; Vírus da gripe (Influenza).
2. Pneumonias adquiridas no Hospital: Bacilos gram-negativos, Polimicrobiana, Streptococcus pneumoniae, Vírus da gripe, Microrganismos atípicos; Staphylococcus aureus; Anaeróbios.
3. Pneumonias adquiridas nas instituições asilares: Streptococcus pneumoniae; Polimicrobiana; Bacilos gram–negativos; Staphilococcus aureus; Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis; Anaeróbios; Microrganismos atípicos.

Antibioticoterapia
O período recomendado de tratamento é de 10 a 14 dias, porém nos casos de pneumonia por anaeróbio e em função da gravidade pode-se tratar até 21dias.

1. Pneumonia adquirida na comunidade e sem necessidade de internação: amoxacilina- ácido clavulânico 500 mg a cada 8 hs ou cefuroxima axetil 500 mg a cada 12hs ou ceftriaxona 1 a 2 g (intramuscular) 1 vez/dia. Considerando que a idade avançada é um fator de risco para Legionella , é aconselhável entrar com um macrolídeo: eritromicina 500 mg (via oral) a cada 6 hs ou claritromicina 500 mg a cada 12 hs, ou ainda azitromicina 500 mg (via oral) no primeiro dia e após 250mg por dia (via oral) por 5 dias.

Em pacientes fragilizados ou mesmo em estado grave as quinolonas são recomendadas: levofloxacino por (via oral) ou (intravenosa) 500 mg 1vez/dia ou moxifloxacino 400 mg/dia ou gatifloxacino 400 mg/dia.
2. Pacientes em estado grave e que necessitem internação : cefalosporinas de 3ª geração (ceftriaxona 1g (intravenosa) a cada 12 hs ou cefotaxima 1 a 2 g (intravenosa) a cada 12 hs) associadas à eritromicina ou a outro macrolídeo.

3. Pacientes com pneumonia adquirida em asilos: quinolona (levofloxacino, moxifloxacino ou gatifloxacino) ou ainda as cefalosporinas de 2ª geração( cefuroxima 500 mg a cada 12 hs) ou cefalosporina de 3ªgeração (cefriaxona, cefotaxima), associada a um macrolídeo.
Quando a suspeita de pneumonia aspirativa, deve-se entrar com tratamento para anaeróbio: clindamicina 600 mg (intravenosa) a cada 6 hs, ou metronidazol 500mg (intravenosa) a cada 8 hs, ou isoladamente o Imipenem 1 g (intravenosa) a cada 12 hs ou meropenem 1g (intravenosa) a cada 8 hs.

4. Nos idosos com pneumonia hospitalar: nos casos leves a antibioticoterapia é semelhante a das pneumonias em asilares, já nos casos graves deve-se pensar em pseudomonas, portanto tratar com ceftaxidima 1 a 2 g (intravenosa) a cada 8 hs, cefoperazona 2 a 4 g (intravenosa) a cada 8 hs, imipeném 1 g (intravenosa) a cada 12 hs, ciprofloxacino 200 a 400 mg (intravenosa) a cada 12hs ou ainda cefepima 1 a 2 g (intravenosa) a cada 12 hs e piperacilina/tazobactam 2,25 a 4,5 g (intravenosa) a cada 8hs. Caso suspeita de S. aureus acrescentar a vancomicina 500 mg (intravenosa) a cada 6hs ou teicoplamina 200 mg (intravenosa) 1vez ao dia.

Referências:

Abitbol,R.A. - Pneumonia Comunitária em Adultos, Rotinas de Clínica Médica, Medstudants, 2000. Costa, E.F.A., Pneumonias,Tratado de Geriatria e Gerontologia, cap.42, pg.353 a 361,2002.

Almada-Filho, C.M.A.;Gagliardi,A.M.Z.;Trembuch,M. - Infecções In: Ramos L.R. & Toniolo-Neto J (Cord) - Guia de medicina da UNIFESP - Geriatria e Gerontologia, cap 9, pg 121 a 127,2005.

Veja Também:
Estudo de caso - Pneumonia em paciente de asilo
Estudo de caso - Pneumonia em longevo
Periodontite nos idosos
Pneumonia nos idosos
Bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP)
Estudo de caso - Pneumonia por Pneumocystis carinii

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28
Abr

 Cuidados ao medicar o paciente idoso

Categoria(s): Bioquímica, Gerontologia

Resenha

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jovê Motti

* Médica Geriatra

1- O tratamento medicamentoso deve ser utilizado apenas quando o idoso possa ter sua qualidade de vida prejudicada. Sempre que possível procure usar as orientações para os cuidados básicos ao familiar ou ao cuidador do idoso, o tratamento não farmacológico, o tratamento com fisioterapia se necessário, a psicoterapia , desse modo o tratamento medicamentoso seria só nos casos necessários. Deve-se estabelecer o contato com os demais profissionais a respeito das drogas e assim diminuirmos os riscos de interações medicamentosas.

2- A dose inicial de uma medicação no paciente geriátrico deve ser 25% a 50% da dose padrão, devido principalmente as alterações metabólicas e de excreção dos fármacos e as alterações do ponto de vista nutricional.

3- A medicação pode ser aumentada gradativamente, por semana, assim o idoso vai se adaptando gradativamente.

4- Quando iniciar um novo medicamento, primeiro oriente o paciente sobre as dosagens e os horários, o porquê de estar sendo utilizado, os efeitos colaterais e por quanto tempo será o tratamento.

5- A organização feita pelo paciente ou mesmo pelo familiar por meio de um diário, pode ajudar a equipe na reavaliação de cada paciente referente ao medicamento e o seu efeito esperado.

6- Lembre-se que depois de um tempo de utilização do medicamento, o médico pode reavaliar e começar a retirar gradualmente, em doses decrescentes durante o decorrer da semana.

7- Apesar das doenças crônicas serem muito comuns no idoso, não é necessário tarjar a medicação de para sempre, pois com o passar dos anos as drogas podem ser trocadas, reavaliadas e com isso substituídas e o idoso que ouviu o para sempre, pode não querer aceitar esta nova situação. Por isso cuidado com a forma de falar.

8- Solicite que em toda a consulta o paciente traga as medicações em uso e explique como esta usando, ou mesmo o cuidador explique caso o paciente não tenha discernimento . Observa-se em muitos casos o erro nas dosagens e até novas medicações que não foram prescritas.

9- Altere uma droga por vez, assim será bem mais fácil analisar os efeitos de cada fármaco. E desta forma facilita a vida do paciente.

10- Prescreva os medicamentos de preferência de baixo custo, de dosagem única ou mesmo de duas vezes ao dia e de embalagem de fácil manipulação.

Referência:

NETO, J.T. e Gorzoni,M.L. - Regras Práticas ao Prescrever Medicamentos Para o Idoso. Terapêutica Clínica no Idoso, cap.20,pg. 195-197, edit. Sarvier,São paulo.

Veja Também:
Epilepsia e convulsões nos idosos
Estudo de caso - Fibrilação atrial paroxística
O idoso e a família
Falta de apetite nos idosos
Alcoolismo nos idosos - Como agir
Relacionamento médico e paciente

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27
Abr

 Fraturas osteoporóticas vertebrais - Prevenção

Categoria(s): Demografia, Programa de saúde, Reumatogeriatria

Resenha

Colaboradora : Angela Terezinha Favari Fornari

* Nutricionista - Pós-Graduanda em Gerontologia - Metrocamp

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a osteoporose é o segundo maior problema de saúde pública, sendo uma doença silenciosa e mal diagnosticada, apesar de afetar milhões de pessoas no mundo. Com o aumento da incidência do envelhecimento a osteoporose tem aumentado significativamente em todos os países.

A osteoporose é caracterizada por um distúrbio metabólico que provoca a diminuição da densidade mineral óssea (DMO) e a redução da massa óssea, provocando a fragilidade dos ossos. Em sua fase inicial, a doença não apresenta sintomas, porém em 50% dos casos provoca fraturas dolorosas e é quando a doença vem a ser diagnosticada. As fraturas mais comuns são as de coluna, fêmur, costelas e punhos, podendo ocasionar incapacidade física.

Até os 40 anos o indivíduo atinge o pico de massa óssea, decrescendo de maneira lenta a partir dessa idade, contudo 25% das mulheres terão uma perda rápida em 10 a 15 nos de menopausa. Com o passar do tempo, as mulheres com osteoporose podem perder até metade de sua massa óssea. Segundo o Ministério da Saúde, o sexo masculino é afetado em 4 a 6% daqueles com mais de 50 anos. Existem duas formas primárias de osteoporose: a pós-menopáusica e a senil. Devido a características genéticas, as mulheres negras ou mulatas raramente apresentam a doença, que se manifesta mais intensamente entre as mulheres brancas na fase pós-menopáusica.

Estima-se que 75% das fraturas em homens e mulheres com mais de 45 anos tenham relação com a osteoporose. Com relação às mulheres com mais de 75 anos, calcula-se que 20% apresentem fraturas vertebrais. Estudos demonstram o aumento do risco de fraturas vertebrais quando há uma perda de 10% da massa óssea na coluna.

Os cálculos de freqüência em relação às fraturas vertebrais são subestimados porque essas fraturas são assintomáticas. Estudos recentes das deformidades compressivas da coluna vertebral indicam que um terço das mulheres com mais de 65 anos têm uma ou mais fraturas vertebrais, com cerca de 33% devido a quedas; de 10 a 20% seriam por levantar um peso; e 50% teriam causa espontânea. A estimativa é de que na coluna ocorram 30% das fraturas osteoporóticas. A incidência de fraturas aumenta 10 vezes nos homens e 20 vezes nas mulheres com idades entre 60 e 90 anos. Para cada 7 mulheres com fraturas vertebrais, apenas um homem apresenta a lesão, enquanto que para as fraturas de quadril a proporção é de apenas 2/1.

As fraturas vertebrais causam fortes dores nas costas, diminuição da altura e posição corcunda. A mortalidade por fraturas vertebrais é bastante baixa, porém essas fraturas ou deformidades crônicas se arrastam por muitos anos e oferecem um grande risco tanto para novas fraturas, como também para a saúde geral dos idosos.

Diagnóstico

O diagnóstico e acompanhamento da osteoporose é feito através da densitometria óssea, que é um método sensível, preciso, não invasivo, rápido e seguro. O exame das áreas centrais é o mais indicado e permite determinar os riscos de fraturas, identificar os pacientes que precisem de tratamento e avaliar mudanças na massa óssea com o passar do tempo.

Segundo os critérios da OMS o exame é realizado através de avaliação da coluna lombar, pois o melhor local para se avaliar risco de fratura da coluna é a própria coluna. Para acompanhamento dos resultados dos tratamentos, recomenda-se a realização da densitometria em intervalos de 12 a 24 meses.

Os exames de Raio-X não são indicados para o diagnóstico da osteoporose. Radiografias das colunas lombar e dorsal são indicadas para avaliar fraturas ou redução inesperada da estatura e também são úteis para identificar outras doenças que podem atingir os ossos.
Reduções vertebrais de mais de 50% requerem avaliação por tomografia computadorizada.

Caso existam sinais de problemas neurológicos, deve-se realizar ressonância magnética.
A maioria das fraturas vertebrais não necessita de cirurgia, mas se o paciente apresentar deficiência neurológica, instabilidade, progressão da deformidade ou dor intensa e refratária, é necessário considerar a intervenção, que pode ser convencional ou por vertebroplastia percutânea (VP). A VP é o reforço ósseo vertebral com cimento acrílico, usando polimetilmetacrilato (PMMA).

Tratamento e prevenção

No tratamento com medicamentos a maioria são anti-reabsortivos, que atuam sobre a reabsorção óssea; outros atuam sobre a formação do osso.

O melhor tratamento para a osteoporose é a prevenção, é muito importante que as mulheres conheçam, não só os fatores que aumentam o risco de desenvolver a osteoporose, mas também as formas de prevenção. Caso a mulher desconfie que corre esse risco, deve consultar um médico para uma avaliação e diagnóstico e, se necessário, receber orientação sobre o tratamento mais adequado ao seu caso.

Além dos fatores genéticos, a utilização do fumo, o consumo excessivo de álcool e café, o sedentarismo e a escassez de cálcio na dieta, podem aumentar o risco de osteoporose. Por isso, algumas mudanças saudáveis, no estilo de vida, podem ser úteis para retardar a perda de massa óssea.

Os exercícios físicos diários ajudam a manter os ossos firmes e saudáveis. Exercícios simples podem ser feitos por quem já tem a osteoporose, porém é necessário o acompanhamento médico.

O consumo regular de alimentos fontes naturais de cálcio é importante na prevenção da osteoporose, mas suplementos somente devem ser consumidos sob orientação médica.

Referências:

ARAÚJO, D.V.; OLIVEIRA, J.H.A.; BRACCO, O.L. Custo da Fratura Osteoporótica de Fêmur no Sistema Suplementar de Saúde Brasileiro. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, v. 49, n. 6, Dezembro/2005. [on line]

BRASIL. Ministério da Saúde estuda incidência da osteoporose masculina. acesso em 29/01/2004. [on line]

FARIAS, F. A. B. Prevalência de Osteoporose, Fraturas Vertebrais, Ingestão de Cálcio, e Deficiência de Vitamina D em Mulheres na Pós-Menopausa. 2003. Tese [Doutorado em Ciências]. Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública - Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. [on line]

FERNANDES, C.E.; MELO, N.R.; WEHBA, S.; MACHADO, R.B. Osteoporose Pós-Menopáusica. [on line]
SOBRAC – Sociedade Brasileira do Climatério – Climatério Assuntos Científicos – Metabolismo Ósseo Osteoporose

MARQUES NETO, J.F. Epidemia da Osteoporose no Brasil. Nutrição em Pauta – Entrevistas. Dezembro/2001. [on line]

PINTO NETO, A.M.; SOARES, A.; URBANETZ, A.A.; SOUZA, A.C.A. et al. Consenso Brasileiro de Osteoporose. Revista Brasileira de Reumatologia, v. 42, n. 6, nov./dez. 2002. [on line]

STOLNICKI, B.; ARONSON, D. Avaliação densitométrica em portadores de fraturas osteoporóticas. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 28, n. 5, Maio, 1993. [on line]

Revista Brasileira de Reumatologia [on line]

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Veja Também:
Osteoporose
Fraturas vertebrais - Preenchimento vertebral
Osteoporose - Fraturas nos homens idosos
Estudo de caso - Osteoporose
Osteomalácia
Fraturas nos idosos - Causas e conseqüencias

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26
Abr

 Acidentes domésticos: Queimaduras em crianças

Categoria(s): Emergências, Gerontologia, Publicações

Resenha

Acidentes domésticos: Queimaduras em crianças, papel do terapeuta ocupacional

Débora dos Santos Aguera
Gisele Brides Prieto
Mariana Marin
Mônica Bazuco
Rosemar Cristiane Theodoro

As crianças geralmente ficam sob os cuidados dos avós e um dos acidentes mais grave é a queimadura. Neste artigo aborda-se os cuidados gerais no tratamento de crianças queimadas, hospitalizadas, e algumas medidas de prevenção de seqüelas.

Este acidente doméstico é muito importante devido ao alto índice de crianças que se queimam, e dos cuidados que se deve ter em razão da gravidade das seqüelas deixadas na vida destas crianças. A criança encontra-se em estado de estresse tanto fisiológico quanto psicológico, estando muito deprimida e fragilizada, tendo dores intensas e muito medo da desfiguração.

Existem vários graus de queimadura, conforme a profundidade das feridas. Assim sendo, as queimaduras de primeiro grau são aquelas em que há comprometimento apenas da camada externa da pele, provocando uma intensa coloração vermelha no local afetado. Também pode aparecer um inchaço local. Em geral, não se formam bolhas e a pele se mantém íntegra. Um bom exemplo desse tipo de queimadura é aquela causada pelo sol, quando há exposição exagerada sem proteção.

As queimaduras de segundo grau atingem uma porção mais profunda da pele, causando bolhas e rachaduras na pele, além de intensa dor e vermelhidão no local afetado Pode haver também sangramento pelas feridas. As bolhas podem aparecer até12 horas após a queimadura e elas devem ser deixadas intactas, a não ser nos casos em que se tornem amareladas, com grande quantidade de líquido turvo, o que indica infecção.

As queimaduras de terceiro grau são aquelas bem mais profundas, atingindo todas as camadas da pele, deixando a pele com uma cor acinzentada ou esbranquiçada, podendo-se ver até as camadas mais profundas como os músculos e ossos. Apesar das lesões serem bem piores, não há sangramento nem o paciente se queixa de dor. Essas queimaduras são as mais perigosas e necessitam cuidados médicos urgentes.

Papel da terapêuta ocupacional

A terapeuta ocupacional age “tentando†minimizar o sofrimento da criança, satisfazendo as suas necessidades emergentes, expressão de sentimentos, medos e fantasias. O objetivo é apoiar a criança face às dificuldades que ela enfrenta, atuando como “figura de apoio†numa primeira fase.

A terapeuta ocupacional auxilia a elaborar e compreender melhor a situação que está passando, amenizando seu sofrimento e favorecendo melhores condições de evolução do quadro. Para tanto, Utiliza das atividades como instrumento de intervenção, que permite que a criança elabore de maneira menos aflitiva o momento que está vivendo, permitindo a expressão de sentimentos, medos, fantasias. A atividade, será para a criança, o trabalhar com situações do seu dia-a-dia, e através da “brincadeira†conseguir elaborar as dificuldades que está passando, pois é brincando que a criança se expressa.

A hospitalização em si é um fator negativo e angustiante para a criança, sendo a presença da família extremamente importante para ele, pois a família é um “ponto de apoio†uma referência, pois está num lugar extremamente estranho e numa situação desagradável e incomoda onde fica sendo “manipulada†o tempo todo.

A reabilitação física dessas crianças é muito importante, fazendo um posicionamento adequado, para evitar contraturas; massagem cicatricial e retrógrada, para diminuir aderência da cicatriz e reduzir edema respectivamente, etc.

Outra área de atuação da terapeuta ocupacional é na imagem corporal da criança que sofre grandes modificações, passando por fases de aceitação ou não dessas modificações.

Conclusão

Prevenção de queimaduras em crianças

fogosAs crianças mais atingidas por queimaduras estão na faixa de 0 a 4 anos. Nesta idade, a curiosidade leva à exploração do meio, mas a criança não tem desenvolvimento motor e intelectual suficiente para evitar o perigo. Os meninos estão mais sujeitos às queimaduras, devido a suas brincadeiras mais agitadas e bruscas, em especial em idades acima de 5 anos, quando desperta o interesse por fogo, pólvora e foguetes. A situação econômica precária de grande parte da população brasileira e a necessidade de morar em apartamentos minúsculos, com conseqüente falta de espaço para brincadeiras, faz com que as crianças pequenas se aglomerem na cozinha, junto à mãe; isso pode explicar a grande incidência de queimaduras que acontecem nos horários de preparo das refeições.

Outro fator próprio do nosso meio é o uso de ÃLCOOL: tem preço baixo, o que faz com que, muitas vezes, seja usado nas brincadeiras de crianças e adolescentes e provoque queimaduras por fogo. Fios elétricos expostos ou descascados, materiais químicos colocados em locais acessíveis e banhos muito quentes são causas de queimaduras por descuido de adultos. Embora existam normas rígidas para adultos em ambiente de trabalho, pouco se tem feito em relação à s crianças, exceto algumas campanhas na época das festas juninas. É muito importante a participação da família, da escola e da comunidade na prevenção desses acidentes.

Veja Também:
Queimaduras nos idosos - cuidados
Vitamina E - Tocoferóis
Hipericina - Hypericum perforatum
Hiperhidratação - Hiponatremia - distúrbios da água e sal
Estudo de caso - Síndrome da mielinólise pontina central
Saúde dos pés

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