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Alterações no sono do idoso: insônia, hipersonia e apnéia do sono

Categoria(s): Gerontologia, Neurogeriatria, Psicogeriatria


Painel

Colaboradora : Dra Mônica Cristine Jove Motti *

* Médica geriatra

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As alterações do sono podem ocorrer por diversos motivos, desde problemas relacionados ao próprio sono, por problemas médicos, farmacológicos, sociais e psicológicos; e em qualquer idade, entretanto observa-se um maior número de queixas pelos idosos (90%).

O idoso dorme cerca de 6 horas principalmente os que não apresentam problemas médicos, enquanto o adulto dorme de 7 a 8 horas de sono, o adolescente em torno de 8hs e a criança ainda mais de 10 a 16hs (no recém–nascido).

Os fatores que levam o idoso a apresentar a queixa de alterações no sono são:
1. diminuição da capacidade de dormir;
2. aumento dos problemas respiratórios durante o sono;
3. aumento da atividade mioclônica noturna;
4. mudanças da fase do sono;
5. perturbações neuropsiquiátricas como depressão e demência;
6. dor e limitação de mobilidade;
7. hábitos errados de sono;
8. refluxo gastroesofágico;
9. causas iatrogênicas;
10. causas ambientais adversas.

A classificação dos distúrbios do sono mais importantes para o geriatra e gerontólogo são: a Insônia, a hipersonia e a apnéia do sono.

A insônia tem por definição a dificuldade de iniciar e manter o sono,e é classificada com relação a parte do sono comprometida, sendo insônia inicial quando a pessoa custa a pegar no sono, insônia intermediária quando acorda durante a noite e a insônia final quando acorda muito cedo.

Glislason, 1993, mostrou a maior prevalência de insônia inicial em homens de 75 a 79 anos e em mulheres de 70 a 74 anos. Quando a insônia é intermediária há prevalência de 42,2% em homens entre 75 e 79 anos e 40,4% das mulheres entre 80 e 84 anos. A insônia final (despertar precoce) é de 16,7%, e o despertar ocasional é de 19,9%.

As causas de insônia são: distúrbios clínicos, psiquiátricos, do ciclo circadiano, primários do sono, problemas comportamentais, efeitos de drogas e fatores ambientais.
Em termos de gravidade, a insônia afeta mais o aspecto psíquico e social da vida, do que o biológico, entretanto os idosos tendem a sofrer acidentes.

As causas farmacológicas que levam a insônia são as metilxantinas, como a cafeína e a teofilina; as drogas simpatomiméticas como a efedrina, o álcool, os corticóides, as tiroxinas, alguns neurolépticos e antidepressivos, particularmente os modernos inibidores seletivos de recaptação da serotonina. Os anti-histamínicos e os tranqüilizantes diazepínicos podem causar efeito paradoxal nos idosos, produzindo mais insônia.

Quando as causas médicas de insônia, pode-se citar as dificuldades urinárias, doenças articulares, bursites, refluxo gastro-esofágico, dificuldades do aparelho digestivo, doença pulmonar obstrutiva crônica.

Quanto as causas psicológicas têm-se o estresse mais acentuado no idoso, que leva ao estado depressivo por diversos motivos como a viuvez, perda do seu espaço social e financeiro, sentimento de abandono entre outros motivos.

Em relação a alteração psiquiátrica encontra-se a ansiedade, a depressão e a demência associada a insônia.

Causas ambientais observadas é ver televisão até tarde, ficar lendo, dormir tarde entre outros costumes.

Hipersonia é um transtorno que se manifesta pelo fato de dormir demais, ou seja por passar dormindo a maior parte que deveria estar acordado (Ballone,2002). Pode ser secundária à insônia noturna, em que o idoso acaba dormindo em excesso de dia; ou pode ser causada por: hipotireoidismo, hipoglicemia, má ventilação pulmonar nos pacientes com enfisema pulmonar, por uso de anti-histamínicos ou tranqüilizantes. Outras medicações podem levar a hipersonia como antiespamódicos, antidepressivos e barbitúricos.

Apnéia do sono é muito comum em idosos, onde observa-se uma parada respiratória durante o período do sono, levando a vários despertares breves e repetidos. Pode estar relacionada a depressão, a cefaléia, prejuízo de memória na demência e ao excesso de sonolência diurna. A apnéia do sono é obstrutiva, determina sonolência diurna, tem freqüência de 43% no idoso, mais comum na 3ª e 4ª décadas de vida, no sexo masculino, em obesos, e caracteriza-se por roncos.

O Tratamento dos distúrbios do sono visa orientar o paciente quanto a higiene para dormir, desde os horários regulares, o silêncio no quarto, evitar bebidas alcoólicas, o café antes de dormir, evitar o estresse, evitar muito tempo na cama durante o dia, procurar fazer atividades físicas, reduzir o tabagismo.Tratar as doenças adequadamente como a depressão, a demência e a ansiedade, procurar o tratamento adequado para as demais doenças clínicas, afinal ninguém consegue dormir com dor por exemplo.

O tratamento farmacológico específico para as alterações do sono do idoso que visam melhorar a quantidade e a qualidade do sono, onde são citados os benzodiazepínicos (mais usadas com efeitos indesejados para os idosos); os antidepressivos tricíclicos (melhor a nortriptilina que a amitriptilina, pois tem menos efeitos anticolinérgicos); o zolpidem (hipnótico não benzodiazepínico) atua sobre os distúrbios do sono; a ciclopirolona e a melatonina (hormônio) ainda em estudo.

Conclusão: As alterações do sono do idoso merecem uma atenção especial, não só por levar o idoso a perigos como tontura e quedas, mas sim, principalmente pelas alterações na qualidade de vida desse idoso, e pelo estresse que leva ao cuidador e a família.

Referências:

CAMARA,V.D. e CAMARA,W.S.,Distúrbios do Sono no Idoso, Tratado de Geriatria e Gerontologia,Ed. Guanabara Koogan AS: cap22, pg 192-195,2002.

BALLONE,G.J., Transtornos do Sono em Idosos, PsiqWeb [on line]

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2 Comentários »

  1. Luciana Nunes de Freitas comenta:

    23 Outubro, 2007 @ 17:06

    É a primeira vez que entrei neste site para pesquisa: gostei muito. Sou profissional de saúde; as dúvidas que eu tinha foram esclarecidas; e os outros temas abordados acrescentam e são muito interessantes…

    Continuem assim! Vocês estão de parabéns!!!

  2. Dáyrton Raulino Moreira comenta:

    3 Abril, 2008 @ 02:08

    Muito bem escrito e o melhor com base no Tratado de Geriatria e Gerontologia, o que torna o texto uma ótima ferramenta no estudo da Geriatria.

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